EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018) - temas e autores: Mais um Abraço a José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): em destaque – V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): tema de abertura – A Lusofonia, avanços e recuos (10 anos após a criação do MIL: Movimento Internacional Lusófono).

Para o 23º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 22

Capa da NOVA ÁGUIA 22

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 22

Em todos os seus números, a Revista NOVA ÁGUIA tem assumido o propósito de, sem qualquer complexo histórico, dar voz às várias culturas lusófonas. Eis o que neste número uma vez mais acontece, de forma particularmente eloquente, desde logo na secção de abertura, onde publicamos uma selecção de textos apresentados no V Congresso da Cidadania Lusófona, promovido pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono.

Na secção seguinte, publicamos uma dezena de textos sobre Dalila Pereira da Costa, cujo centenário do nascimento se comemora em 2018. Depois de já a termos homenageado no ano do seu falecimento (2012), promovemos este ano um Ciclo Evocativo sobre a sua Obra no Palacete Viscondes de Balsemão, no Porto, sua cidade natal, onde alguns dos textos que aqui publicamos foram apresentados em primeira mão.

A par de Dalila Pereira da Costa, Francisco de Holanda é a grande figura em destaque neste número da NOVA ÁGUIA. Em 2017 assinalaram-se os quinhentos anos do seu nascimento e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, em parceria com outras entidades, promoveu, na Biblioteca Nacional, em Lisboa, um Colóquio sobre a sua “Pintura e Pensamento”. No essencial, são os textos apresentados nesse Colóquio que aqui publicamos: dezena e meia de textos, que dão conta das diversas facetas de uma obra absolutamente singular no âmbito da cultura lusófona.

Temos depois uma série de outras “Evo(o)cações”, naturalmente mais breves: de Albano Martins, que nos deixou neste ano, até Dora Ferreira da Silva e Manuel Antunes (que completariam igualmente cem anos em 2018), passando por outras figuras não menos relevantes – nomeadamente, Ferreira Deusdado, falecido há cem anos (e que será o autor de referência do IV Colóquio do Atlântico, por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, da Universidade dos Açores e da Universidade Católica Portuguesa).

Na secção seguinte, “Outros voos”, mantemos essa senda lusófona, começando por dois ensaios: um sobre a “Expressão e Sentido da Saudade na poesia angolana e moçambicana”, outro sobre o “Ensino da Filosofia em Cabo Verde”. Como igualmente tem sido hábito, publicamos, em “Extravoo”, mais alguns inéditos – nomeadamente, de Agostinho da Silva e António Telmo, dois autores de referência para a NOVA ÁGUIA. Por fim, em “Bibliáguio”, publicamos uma série de recensões de algumas obras recentemente lançadas (parte das quais publicadas também com a nossa chancela), e, em “Memoriáguio”, registamos fotograficamente alguns eventos para memória futura.

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Scriptum: Dedicamos este número, no plano pessoal, a Manuel Ferreira Patrício, que completou em Setembro oitenta anos (particularmente fecundos) de vida – no próximo número, publicaremos um extenso ensaio, de Emanuel Oliveira Medeiros, sobre a sua Obra. No plano institucional, dedicamos este número à Academia Internacional da Cultura Portuguesa, que, em Junho deste ano, honrou o MIL: Movimento Internacional Lusófono (e, por extensão, a NOVA ÁGUIA) com a distinção de “Instituição Honorária”. À Academia Internacional da Cultura Portuguesa, na pessoa de Adriano Moreira, o nosso público reconhecimento por tão honrosa distinção.

NOVA ÁGUIA Nº 22: ÍNDICE

NOVA ÁGUIA Nº 22: ÍNDICE

Editorial…5

CIDADANIA LUSÓFONA: V CONGRESSO

Intervenções de Adriano Moreira (p. 8), Braima Cassamá (p. 10), Delmar Maia Gonçalves (p. 11), Elter Manuel Carlos (p. 12), Isabel Potier (p. 15), Ivonia Nahak Borges (p. 16), Luísa Timóteo (p. 18), Maria Dovigo (p. 18), Mariene Hildebrando e Paulo Manuel Sendim Aires Pereira (p. 21), Valentino Viegas (p. 23), Zeferino Boal (p. 26) e Carlos Mariano Manuel (p. 27).

DALILA PEREIRA DA COSTA, 100 ANOS DEPOIS

DALILA PEREIRA DA COSTA: NOTA BIO-BIBLIOGRÁFICA | Rui Lopo…32

IN VOCAÇÃO | Alexandre Teixeira Mendes…35

DALILA PEREIRA DA COSTA E A MITOLOGIA PORTUGUESA | António Braz Teixeira…36

DALILA PEREIRA DA COSTA E A NATUREZA MATRIARCAL DE PORTUGAL | Artur Manso…42

A COROGRAFIA SAGRADA NA OBRA DE DALILA PEREIRA DA COSTA | Joaquim Domingues…51

ENCONTRO NA NOITE: ACERCA DO ONIRISMO MÍSTICO DE DALILA PEREIRA DA COSTA | José Rui Teixeira…56

COM DALILA NO REEGA…GAÇO DE ATAEE…GINA | Maria José Leal…61

DA SUBLIMAÇÃO DA MULHER NO PENSAMENTO DE DALILA PEREIRA DA COSTA | Maria Luísa de Castro Soares…67

DALILA: O PANO DE FUNDO OU UMA PREMISSA INTERPRETATIVA ESSENCIAL | Pedro Sinde…74

LEMBRANÇA DE UMA TESE DE DALILA | Pinharanda Gomes…76

FRANCISCO DE HOLANDA, 5 SÉCULOS DEPOIS

O SENTIDO METAFÍSICO DA CRIAÇÃO EM FRANCISCO DE HOLANDA: ARTE E SER | Américo Pereira…80

FRANCISCO DE HOLANDA, OU DE COMO DESENHAR OS NOVOS MUNDOS POR ACHAR | António Moreira Teixeira…83

FRANCISCO DE HOLANDA, O VARÃO ILUSTRE, CENSURADO E ESQUECIDO | Delmar Domingos de Carvalho…93

FRANCISCO DE HOLANDA: DA IMITAÇÃO À IDEIA | Idalina Maia Sidoncha…94

FRANCISCO DE HOLANDA E O DIÁLOGO LUSO-ITALIANO NO CONTEXTO DO RENASCIMENTO EUROPEU DO SÉC. XVI | José Almeida…101

FRANCISCO DE HOLANDA E O FUROR DIVINO | José Eliézer Mikosz…106

A VISÃO DE LIMA DE FREITAS SOBRE O OLHAR DE FRANCISCO DE HOLANDA | Lígia Rocha…113

A TEORIA ESTÉTICO-METAFÍSICA DA PINTURA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Manuel Cândido Pimentel…121

A CIDADE DA ALMA EM FRANCISCO DE HOLANDA | Manuel Curado…126

FRANCISCO DE HOLANDA E A ARTE | Maria de Lourdes Sirgado Ganho…134

OS MEDALHÕES NA OBRA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Maria Teresa Amado…127

APONTAMENTO SOBRE FRANCISCO DA HOLANDA | Mário Vítor Bastos…143

FRANCISCO DE HOLANDA: A CIRCULAÇÃO DO SABER EM ARQUITETURA NO SÉCULO XVI | Paulo de Assunção…153

A NOÇÃO DE ARTE COMO PARTICIPAÇÃO DA CRIAÇÃO DIVINA, NO MISTICISMO MANEIRISTA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Samuel Dimas…165

A TEORIA DO PINTOR NA OBRA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Teresa Lousa…170

OUTRAS EVO(O)CAÇÕES

AGOSTINHO DA SILVA | Pedro Martins…176

ALBANO MARTINS | António Fournier e António José Borges…181

ANTÓNIO BRAZ TEIXEIRA | Samuel Dimas…184

ANTÓNIO CABRAL | Manuela Morais…195

ANTÓNIO QUADROS | José Lança-Coelho…196

CASAIS MONTEIRO | António Braz Teixeira…197

DORA FERREIRA DA SILVA | Constança Marcondes César…200

FERREIRA DEUSDADO | Artur Manso…202

MANOEL TAVARES RODRIGUES-LEAL | Luís de Barreiros Tavares…212

MANUEL ANTUNES | Nuno Sotto Mayor Ferrão…216

MÁRCIA DIAS | Zeferino Boal…218

OUTROS VOOS

EXPRESSÃO E SENTIDO DA SAUDADE NA POESIA ANGOLANA E MOÇAMBICANA DA GERAÇÃO DE 1985 | António Braz Teixeira…220

BREVE REFLEXÃO SOBRE O ENSINO DA FILOSOFIA EM CABO VERDE | Elter Manuel Carlos…224

PARA UMA DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS DA MÃE | José Eduardo Franco…231

A FISSURA NA MURALHA OU O “PRINCÍPIO DA AUTODETERMINAÇÃO” | Pedro Sinde…233

DOZE DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS | Renato Epifânio…235

AUTOBIOGRAFIA 5 | Samuel Dimas…248

EXTRAVOO

VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…262

DIÁLOGOS DO MÊS DE OUTUBRO (EXCERTO) | António Telmo…264

BIBLIÁGUIO

A VIA LUSÓFONA III | Miguel Real…270

AMADEO DE SOUZA-CARDOSO: A FORÇA DA PINTURA & A “RENASCENÇA PORTUGUESA”: PENSAMENTO, MEMÓRIA E CRIAÇÃO | Renato Epifânio…272

NO REGAÇO DE ATAEGINA | José Almeida…274

MESTRES DA LÍNGUA PORTUGUESA | Jorge Chichorro Rodrigues…275

POEMÁGUIO

RENASCER A SUL | Maria Luísa Francisco…30

EXPRESSAR UM ISMO; PROVA DEVIDA | António José Borges…31

ABORRECIMENTO | Arthur Grupillo…174-175

DOM SEBASTIÃO, O QUE NÃO DESCANSA; IBN QASI, TODA A VIDA NA MORTE | Jesus Carlos…215

FAZEMOS METÁFORAS; PEREGRINAÇÃO | Samuel Dimas…261

ROSTO; RESIDUAL; ARRAIS; CUNEIFORME; ANJO | Luísa Borges…268-269

CRONOS & KAIROS; PRINCIPIUM SAPIENTIAE | Paulo Ferreira da Cunha…279

MEMORIÁGUIO…280

MAPIÁGUIO…281

ASSINATURAS…281

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284


Apresentação da NOVA ÁGUIA 22

Apresentação da NOVA ÁGUIA 22
24 de Outubro, no Palácio da Independência (Lisboa). Para ver o vídeo, clicar sobre a imagem...

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.
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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

"Breves considerações sobre a dinâmica histórico-cultural do conceito de Lusofonia"

As raízes remotas da lusofonia encontram-se no intercâmbio comercial, cultural e no fenómeno social da miscigenação no contexto da constituição do Império Colonial Português. Nesta altura, predominava a aculturação unilateral com a imposição do padrão cultural português aos povos autóctones.

O Padre António Vieira foi um dos precursores da defesa dos Direitos Humanos, no contexto colonial, no Brasil do século XVII ao denunciar e condenar a escravização a que eram submetidos os nativos deste território português (Vide Padre António Vieira, Sermão do 1º Domingo da Quaresma, Maranhão, 1653).

A lusofobia foi um sentimento depressivo que emergiu, no subconsciente dos portugueses, do complexo de inferioridade nacional que andou associado à ideia da decadência da pátria lusitana ao perpassar grande parte do século XIX que levou, inclusivamente, ao suicídio de Mouzinho de Albuquerque.

O Luso-tropicalismo surgiu no século XX como uma teoria sociológica do brasileiro Gilberto Freyre, ao chamar a atenção para a aculturação mútua entre o autóctone e o colonizador português, que depois passou a integrar a ideologia colonial do Estado Novo após a 2ª Guerra Mundial, no contexto internacional anticolonialista (Luso-tropicalismo – uma teoria social em questão, org. Adriano Moreira e José Carlos Venâncio, 2000).

Como derradeira etapa desta dinâmica histórica, a lusofonia emergiu como conceito explícito, a par da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), na qualidade de resposta identitária, dos países de expressão cultural e linguística portuguesa afectivamente unidos, na era da Globalização. Este conceito expressa o sentimento de união e de familiaridade entre estes povos e comunidades. Nesta medida, a CPLP, o Prémio Camões, a revista Nova Águia, o Movimento Internacional Lusófono e ONG’s como a Associação Médica Internacional são instituições que acreditam neste Património de identidade existencial.

No futuro, no quadro da lógica da Globalização do século XXI, antevista pelos portugueses desde as Descobertas marítimas quinhentistas, poder-se-à caminhar para a ansiada União Lusófona em que Agostinho da Silva tanto acreditava.

Nuno Sotto Mayor Ferrão

Publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/01/breves-consideracoes-sobre-dinamica.html

Por uma vez: Sim, Sr. Ministro…

Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado

Felicito-o pela entrevista concedida ontem, ao jornal Público. Em geral, passo por cima das entrevistas concedidas pelos seus colegas, dado que estes, por inanidade ou prudência, pouco ou nada costumam dizer de relevante…

E o que disse, desta vez, o Sr. Ministro de tão relevante?

Desde logo, que “o país tem de perceber que há um ciclo da sua história contemporânea que se está a encerrar” – o aberto pelo 25 de Abril, que orientou, quase em exclusivo, o país para a “integração europeia”. Doravante, “Portugal será na Europa o que conseguir ser fora dela”. Daí a aposta: “Podemos valorizar significativamente a nossa posição no contexto europeu se formos capazes de dar expressão e densidade à relação privilegiada que temos com o Brasil e a América Latina, com a África de expressão portuguesa e as regiões em que se insere, designadamente a África Austral e Ocidental. Mas temos também de fazer um esforço para desenvolver as nossas relações com o continente asiático. Estão aí dois terços da população mundial, o centro de gravidade da economia mundial e, apesar dos laços históricos que nos ligam à região, temos relações muito frágeis.”

Por uma vez, não podia concordar mais consigo – quer com a tese do “fim de ciclo” (de que eu, de resto, tenho já falado até à exaustão), quer nessa aposta a fazer. Obviamente, falaria de forma mais clara no “espaço lusófono”, mas percebo que não o faça…

Seja como for, é claro que Portugal não terá qualquer futuro se ficar centrado em si próprio. No rescaldo da descolonização, a integração na Comunidade Europeia foi a nossa única saída. Agora que o centro de gravidade desta se deslocou também para leste, há que compatibilizar de novo a nossa integração nesse espaço civilizacional europeu – do Sul, sobretudo, ou seja, mediterrânico – com a nossa integração nesse espaço linguístico-cultural da lusofonia, com um potencial, a todos os níveis, ainda não devidamente cumprido.

Eis, de resto, o que falta verdadeiramente cumprir – não já Portugal, mas a Comunidade Lusófona. Como já por certo saberá, eis o caminho prefigurado pelo MIL…

Publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/01/por-uma-vez-sim-sr-ministro.html

sábado, 26 de dezembro de 2009

A SITUAÇÃO CULTURAL DE HOJE: VAI UMA APOSTA?

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1. Todo o povo só tem futuro na medida em que promove a sua auto-consciência colectiva. Essa auto-consciência é sobretudo de cariz histórico e cultural. Daí a importância da Cultura. A nível político, por exemplo, ela deveria ser a pasta mais importante. O que, como é sabido, está muito longe de acontecer. E não falo no plano orçamental – o que é importante, mas está longe de ser decisivo –, antes simbólico.

2. Se há países que são sobretudo um “bom negócio”, dado que proporcionam boas condições de vida aos seus concidadãos – e por isso se vêm a si próprios como empresas – um país como Portugal, que não nasceu em cima de um poço de petróleo, só terá futuro na medida em que recordar, todos os dias, o seu fundamento histórico-cultural. Sem que isso deixe de implicar, obviamente, na medida do possível, proporcionar as melhores condições de vida aos seus concidadãos. De resto, num país como Portugal a coesão social só pode derivar, em última instância, daí: do reconhecimento de uma destinação histórico-cultural comum. Na medida em que nos reconhecemos com comparticipantes de uma mesma destinação – ou seja, na medida em que nos reconhecemos como compatriotas – somos mais naturalmente justos e solidários uns com os outros.

3. Em Portugal, contudo, cada vez mais, os nossos políticos primam por não terem qualquer visão histórico-cultural do país. Sequer um vislumbre. E por isso olham para o país como uma mera empresa. Apesar de alguma retórica, que apenas serve que temperar os discursos mais pomposos, chegará o dia em que alguém dirá: enquanto mera empresa, Portugal faliu. E renascerá então a panaceia iberista: numa lógica puramente economicista, não há dúvida que estaríamos bem melhor se fossemos espanhóis.

4. A razão maior do impasse em que estamos deriva do facto de, para a generalidade da nossa classe política dominante – da dita esquerda à dita direita –, qualquer discurso sobre a nossa destinação histórico-cultural comum soar a “salazarismo”. Nada mais falso e equívoco. Se durante o Estado Novo houve gente que promoveu essa visão histórico-cultural do país, mobilizando as pessoas da cultura para o efeito – caso, por exemplo, do António Ferro –, o Estado Novo faliu porque, também ele, foi deixando de acreditar nessa visão, tendo-se cada vez mais afundado num beco sem saída, que apenas foi sustentando através da repressão.

5. Escreveu Fernando Pessoa que para a realização desse nosso destino “as colónias já não seriam precisas”. O Estado Novo acreditou até ao fim no contrário – e essa foi a sua perdição. O novo Estado saído da Revolução deixou de acreditar em destinações – em nome da liberdade, assegurou, solene. E por isso deixa que a política de cultura seja determinada pelo Deus-Mercado – no tempo do mais reles relativismo, que mais vende, vence.

6. Quem melhor percebeu o Pessoa foi Agostinho da Silva. E por isso prefigurou, já há mais de meio século, a constituição de uma “comunidade lusófona”, pós-colonial, numa base de liberdade e fraternidade. Eis a nossa destinação. Que tal ainda não esteja na moda, que tal ainda não venda, pouco importa. A História tem o seu tempo próprio. E o seu tempo chegará. Bem mais depressa do que se julga. Vai uma aposta?

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Do trans-nacionalismo lusófono

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É fatal como o destino: sempre que se fala de “união lusófona”, ou mesmo, tão-só, de “convergência lusófona”, aparece sempre alguém do clã dos palermas a guinchar: “Colonialistas!”. É gente que, de tal modo refém dos seus fantasmas e preconceitos ideológicos, não sabe senão pensar à luz dos paradigmas passados…

Pensar entre aspas. Porque da mesma forma que guincham contra tudo o que consideram ser “nacionalismo português”, já aplaudem o nacionalismo moçambicano, angolano, etc. Da mesma forma que, passada a fronteira, já aplaudem o nacionalismo basco ou catalão (já o galego lhes parece mais suspeito). Mas já se sabe que a coerência não é ponto forte do clã dos palermas: por isso, de facto, são eles tão divertidos…

O caminho prefigurado pelo MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO, como é sabido, é o do trans-nacionalismo lusófono. E por isso esse é um caminho que só é concretizável na medida em que for partilhado por todos os países da CPLP: COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA. De forma paritária e fraterna, em prol de uma efectiva Comunidade…

Também publicado no MILhafre: http://mil-hafre.blogspot.com/2009/11/do-trans-nacionalismo-lusofono.html

Da refundação/ reorientação de Portugal

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Para o Clavis

Mais do que refundação, deve, a meu ver, falar-se de reorientação. O termo refundação está de tal modo gasto que se presta aos mais pífios resultados. Como uma vez me disse o Miguel Real, já estamos fartos de ouvir: “É a hora!”. Trata-se antes de um processo, de uma viragem, lenta, gradual… Em suma, de uma reorientação.

Mas – perguntarás – em direcção a quê?

Falámos hoje, como estarás lembrado, de um assunto tabu: se em Cabo Verde ou em S. Tomé e Príncipe, por exemplo, se fizesse um referendo de religação política a Portugal, os resultados seriam, para muitos, bem surpreendentes. Também aí se está a realizar essa viragem, lenta, gradual…

Passadas já mais de três décadas, é tempo disso. Tempo das feridas históricas sararem de vez e de encetarmos um novo caminho de convergência entre todos os países lusófonos, já sem quaisquer fantasmas coloniais ou imperialistas, que apenas ainda alguns, parados no tempo, e reféns dos seus próprios preconceitos ideológicos, insistem em agitar…

Em Portugal também já se sente essa aragem. Que não nos levará, decerto, a voltar as costas à Europa: somos e seremos sempre, para o bem e para o mal, europeus. Mas que nos levará a reconhecer que Portugal só terá futuro à escala lusófona. Como já alguém disse, Portugal será lusófono ou não será…

É também por isso que é um beco sem saída repensar Portugal em si próprio. Se nos pensarmos fora do espaço lusófono, o nosso único caminho é o da trincheira: resistirmos, o mais que pudermos, à voragem da globalização…

Se nos pensarmos sempre já no espaço lusófono, o horizonte é, desde logo, muito maior. Mas, por isso também, mais longo é o caminho…

Perguntavas pelo caminho do MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO? Eis o caminho: lento e gradual. O MIL não alinha em sprints

Publicado no MILhafre: http://mil-hafre.blogspot.com/2009/11/da-refundacao-reorientacao-de-portugal.html

domingo, 13 de setembro de 2009

Portugal precisa mudar sua mentalidade...

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Artur Alonso Novelhe
MUDAR DE MENTALIDADE

Portugal precisa mudar sua mentalidade. Precisa para ser ciente da realidade vital na que esta envolto, e que lhe esta a abrir múltiplas oportunidades, a esta nação irmã dos galegos, para ter um peso decisivo no mundo que se avizinha. Portugal deve rematar seu pessimismo psicológico e seu saudosismo, sua letargia, seu auto-ódio. Galiza também tem de seguir o mesmo rumo de mudança, pois padece dos mesmos males, no entanto a diferença de visão e focagem histórica da quais estes surgiram.
A Lusofonia abre para ambos os países um abano de possibilidades. O chamada “cultura hispana”, por exemplo, esta a ter um desenrolo no mundo sem precedentes: O espanhol como língua global praticamente assegurou a sua presencia, a dia de hoje, na cena mundial. O sustento porem da hispanofonia, só tem uma nação economicamente desenvolvida e com capacidade para levar a frente tal projeto, a Espanha, que, no entanto o esta fazer neste campo melhor que a própria França.
Na Lusofonia as potencialidades são maiores, Brasil não só tem presença em todos os foros mundiais, senão que ainda a sua fortaleça como nova potencia emergente, lhe faz possuir um papel intermediário, entre os distintos organismos e organizações internacionais, que são as encarregadas de mudar o mundo. O Brasil é a potencia motora da América do Sul, Lula da Silva tem sido o primeiro presidente a ser recebido na Casa Branca por Barack Obama, o país é membro do BRIC (Brasil, Rússia, China e Índia); e tem um papel determinante na economia e nas finanças globais.
Angola é a dia de hoje uma potencia no cone Sul da África e Portugal é uma das 30 primeiras economias planetárias. Com todo este elenco de forças e capacidades de tecer inúmeras relações e alianças necessárias, como é que Portugal segue a viver na exuberância do fatalismo?
Portugal deve avançar. Galiza tem de se encontrar ainda. O caminho de ambos esta marcado pelas ligações atlânticas e centro peninsulares que se remontam a pré e proto historia. A mesma língua galega tem uma oportunidade de ouro no novo Acordo Ortográfico, para de uma vez por todas assegurar a sua sobrevivência e desenrolo saudável, mas ainda tem que mudar muito a mentalidade herdada de épocas pretéritas. Tanto as elites culturais e políticas galegas, como a mesma cidadania, devem reformular o paradigma vital no que estão mergulhadas. Para conseguir dar esse passo, é preciso acometer uma revisão critica. No entanto cada vez são mais as vozes ilustradas que no país de Breogam chamam a unidade cultural como a lusofonia; principio adequado para tirar o carro da lama.
A roda do futuro esta a caminhar e nós, simples seres humanos, não devemos travá-la, senão sofreremos a sua esmagadora inércia, e a veremos passar por cima das nossas cabeças.
O futuro esta a conformar alianças culturais que avançam com maior força mesmo que as unidades políticas (vejamos o exemplo da União Européia ou o Mercosul).
Pode ser que o debate do Acordo Ortográfico gere em Portugal muita divergência, e inclusive podem ser e seguro serão muito validas as opiniões em contra; mas o comboio do futuro se assoma uma vez, e depois passa de longo. Não volta mais, se Portugal perder esta oportunidade, seguira a ver o sucesso da Espanha como certa inveja e incompreensão, pois grande parte de esse sucesso se deve a união ortográfica que o mundo hispano conseguiu nas passadas décadas e que tem beneficiado extraordinariamente a extensão do Espanhol no mundo, alem da interação entre os paises hispanos, aos quais ajudou a quebrar a sua desconfiança mutua, e forneceu, entre eles, parcerias nunca antes vistas.
A lusofonia pois pode e deve seguir um caminho similar, ainda que mais inovador (possibilitado este por um melhor equilibro de forças) e através do Acordo afirmar o português com a força global que ele merece.
Portugal, Angola, Brasil... tem a mesma capacidade para criar um cinema a altura do hispano, para criar uma rede editorial do mesmo volume, para afiançar Institutos e Organismos Internacionais de difusão do Português como o mesmo sucesso do Instituto Cervantes. Alem de agora beneficiar dos erros cometidos por outrem, e poder melhor agir, iniciando uma política de compartilhar espaços com outras línguas que lhe dêem um selo próprio ao português, e a Lusofonia, de parceiro aberto e sincero; renunciado a políticas “novo imperiais”, tal como o Brasil muito bem soube fazer, a nível comercial, na América do Sul.
O futuro da Lusofonia é promissório. Os galegos também vão beneficiar disso ao partilharem uma mesma língua. Quanto mais avançar a Lusofonia mais avançar na Galiza o galego, quanto mais avançar a Galiza mais avançar a Lusofonia, pois o país galego possui, ao igual que o irmão luso, um grande potencia tecnológico, humano, cientifico, e mesmo empresas que hoje são ponta de lança a nível internacional como Zara ou Pescanova.
Mas para isto, ambos os irmãos: Portugal e Galiza, Galiza e Portugal, tem de trocar de psicologia. Podem e o vão fazer... Simplesmente nós cidadãos da rua, vamos a votar uma ajudinha: devemos de começar a sentir-nos muito mais a vontade, ser mais felizes, saber que podemos melhor realizar-nos, e viver a alegria de formar parte dum processo histórico, que nos fará mais inteligentes, mais sãos, sábios e mais profundos no auto-conhecimento.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

MUDAR DE MENTALIDADE

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Por Artur Alonso (*)

Portugal precisa mudar sua mentalidade. Precisa para ser ciente da realidade vital na que esta envolto, e que lhe esta a abrir múltiplas oportunidades, a esta nação irmã dos galegos, para ter um peso decisivo no mundo que se avizinha. Portugal deve rematar seu pessimismo psicológico e seu saudosismo, sua letargia, seu auto-ódio. Galiza também tem de seguir o mesmo rumo de mudança, pois padece dos mesmos males, no entanto a diferença de visão e focagem histórica da quais estes surgiram.

A Lusofonia abre para ambos os países um abano de possibilidades. O chamada “cultura hispana”, por exemplo, esta a ter um desenrolo no mundo sem precedentes: O espanhol como língua global praticamente assegurou a sua presencia, a dia de hoje, na cena mundial. O sustento porem da hispanofonia, só tem uma nação economicamente desenvolvida e com capacidade para levar a frente tal projeto, a Espanha, que, no entanto o esta fazer neste campo melhor que a própria França.

Na Lusofonia as potencialidades são maiores, Brasil não só tem presença em todos os foros mundiais, senão que ainda a sua fortaleça como nova potencia emergente, lhe faz possuir um papel intermediário, entre os distintos organismos e organizações internacionais, que são as encarregadas de mudar o mundo. O Brasil é a potencia motora da América do Sul, Lula da Silva tem sido o primeiro presidente a ser recebido na Casa Branca por Barack Obama, o país é membro do BRIC (Brasil, Rússia, China e Índia); e tem um papel determinante na economia e nas finanças globais.

Angola é a dia de hoje uma potencia no cone Sul da África e Portugal é uma das 30 primeiras economias planetárias. Com todo este elenco de forças e capacidades de tecer inúmeras relações e alianças necessárias, como é que Portugal segue a viver na exuberância do fatalismo?

Portugal deve avançar. Galiza tem de se encontrar ainda. O caminho de ambos esta marcado pelas ligações atlânticas e centro peninsulares que se remontam a pré e proto historia. A mesma língua galega tem uma oportunidade de ouro no novo Acordo Ortográfico, para de uma vez por todas assegurar a sua sobrevivência e desenrolo saudável, mas ainda tem que mudar muito a mentalidade herdada de épocas pretéritas. Tanto as elites culturais e políticas galegas, como a mesma cidadania, devem reformular o paradigma vital no que estão mergulhadas. Para conseguir dar esse passo, é preciso acometer uma revisão critica. No entanto cada vez são mais as vozes ilustradas que no país de Breogam chamam a unidade cultural como a lusofonia; principio adequado para tirar o carro da lama.

A roda do futuro esta a caminhar e nós, simples seres humanos, não devemos travá-la, senão sofreremos a sua esmagadora inércia, e a veremos passar por cima das nossas cabeças.

O futuro esta a conformar alianças culturais que avançam com maior força mesmo que as unidades políticas (vejamos o exemplo da União Européia ou o Mercosul).

Pode ser que o debate do Acordo Ortográfico gere em Portugal muita divergência, e inclusive podem ser e seguro serão muito validas as opiniões em contra; mas o comboio do futuro se assoma uma vez, e depois passa de longo. Não volta mais, se Portugal perder esta oportunidade, seguira a ver o sucesso da Espanha como certa inveja e incompreensão, pois grande parte de esse sucesso se deve a união ortográfica que o mundo hispano conseguiu nas passadas décadas e que tem beneficiado extraordinariamente a extensão do Espanhol no mundo, alem da interação entre os paises hispanos, aos quais ajudou a quebrar a sua desconfiança mutua, e forneceu, entre eles, parcerias nunca antes vistas.

A lusofonia pois pode e deve seguir um caminho similar, ainda que mais inovador (possibilitado este por um melhor equilibro de forças) e através do Acordo afirmar o português com a força global que ele merece.

Portugal, Angola, Brasil... tem a mesma capacidade para criar um cinema a altura do hispano, para criar uma rede editorial do mesmo volume, para afiançar Institutos e Organismos Internacionais de difusão do Português como o mesmo sucesso do Instituto Cervantes. Alem de agora beneficiar dos erros cometidos por outrem, e poder melhor agir, iniciando uma política de compartilhar espaços com outras línguas que lhe dêem um selo próprio ao português, e a Lusofonia, de parceiro aberto e sincero; renunciado a políticas “novo imperiais”, tal como o Brasil muito bem soube fazer, a nível comercial, na América do Sul.

O futuro da Lusofonia é promissório. Os galegos também vão beneficiar disso ao partilharem uma mesma língua. Quanto mais avançar a Lusofonia mais avançar na Galiza o galego, quanto mais avançar a Galiza mais avançar a Lusofonia, pois o país galego possui, ao igual que o irmão luso, um grande potencia tecnológico, humano, cientifico, e mesmo empresas que hoje são ponta de lança a nível internacional como Zara ou Pescanova.

Mas para isto, ambos os irmãos: Portugal e Galiza, Galiza e Portugal, tem de trocar de psicologia. Podem e o vão fazer... Simplesmente nós cidadãos da rua, vamos a votar uma ajudinha: devemos de começar a sentir-nos muito mais a vontade, ser mais felizes, saber que podemos melhor realizar-nos, e viver a alegria de formar parte dum processo histórico, que nos fará mais inteligentes, mais sãos, sábios e mais profundos no auto-conhecimento.


(*) Artur Alonso Novelhe, é poeta, escritor e Membro numerário da AGLP (Academia Galega da Língua Portuguesa)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Texto que nos chegou...

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AFIRMAÇÃO DA LUSOFONIA

A sociedade democrática exige a afirmação, não só da pessoa humana, mas também das comunidades (naturais) em que aquela se prolonga e com a qual se compromete.
A dignidade da pessoa humana exige a revalorização dos “bens não-materiais” e da “terra” como sustentáculo físico e cultural da sociedade e suporte da identidade e independência nacionais.
A afirmação da cultura tem como instrumento principal a Língua e como essência a definição duma ética e de uma maneira de ser próprias. Não se compreende a universalidade sem a busca da paz, da justiça e da igualdade, o que exige o respeito pelas diversidades.
A “Lusofonia” é uma consequência destas afirmações.
A Europa é composta, há milhares de anos, por muitos países, por muitos povos, entre os quais Portugal.
Para o mundo por nós descoberto, transportámos a Europa, mas nele deixámos um rasto
humano próprio, uma Língua comum. Os recentes acontecimentos em Timor atestam isto
mesmo.
Pertencemos à Europa, mas devemos estar nela sem hipotecar a nossa diferença e a nossa relação histórica e humana com brasileiros, timorenses, goeses, angolanos, guineenses,cabo-verdeanos, santomenses e restantes comunidades de raiz lusa. Sem esta relação, a Europa não precisa dos Portugueses ou melhor, a Europa só será autêntica se for capaz de respeitar esta realidade e aprender com ela a ser universalista.

Propostas
Promover e dignificar a língua portuguesa entre os países lusófonos e as comunidades de expressão portuguesa
Estimular a criação de grupos de jovens dispostos a trabalhar no campo da cultura como professores, bibliotecários, cenógrafos, ceramistas, pintores a operarem em regime de voluntariado ou com ordenado simbólico nos paises africanos de expressão portuguesa e nas comunidades lusófonas do Mundo.
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Pedro Quartin Graça

Presidente do Partido da Terra - MPT
Deputado à Assembleia da República

sábado, 11 de julho de 2009

Lusofonia: Cultura ou Ideologia?

Prof. Doutor Lourenço Rosário
Reitor da Universidade ISPU de Maputo
texto publicado no Jornal Notícias de Maputo (Moçambique),
Quarta-Feira, 6 de Junho de 2007

Normalmente, quando se utiliza a expressão "Países Lusófonos" a referência imediata são os países africanos que têm o português como língua oficial e que, por circunstâncias históricas foram colónias de Portugal, tendo ascendido à independência na década de 70 do Século XX. E por extensão, já mais tarde, Timor-Leste. Normalmente é senso comum que o Brasil e os brasileiros não são incluídos neste conjunto, muito menos Portugal.

Ora, se no plano empírico as coisas assim se passam, é porque, do ponto de vista desse senso comum, algo se cristalizou a partir de um jogo de aproximações semânticas que nos remetem à teoria de conjuntos. Quando em 1988, Itamar Franco se reuniu com os seus homólogos em São Luís do Maranhão, o encontro não se designou Lusófono, mas sim dos Países de Língua Portuguesa. Assim, também as bases para a constituição de uma comunidade constituída por esses países também não adoptou o nome de Comunidade Lusófona, mas sim Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP. Este é o primeiro ponto que coloco à reflexão e discussão.

Por que razão é que, do ponto de vista oficial, na diplomacia e na cooperação multilateral, jamais o termo lusófono foi adoptado? E por que razão é que a nível do discurso político, sobretudo na relação entre o olhar de vários segmentos da sociedade portuguesa, este termo tem vindo a ser consagrado como sendo o de maior utilidade para identificar os espaços e as gentes que historicamente já estiveram ligados a Portugal, sobretudo.

Marcelo Rebelo de Sousa esteve recentemente em Moçambique, no âmbito de cooperação académica entre as universidades portuguesas e moçambicanas. Ele escandalizou meio mundo ao, pela primeira vez, assumir a postura muitas vezes pronunciada em surdina de que havia que resgatar o lado bom do colonialismo, fazendo justiça àqueles que, embora servidores do sistema, conseguiram dar-lhe um rosto humano. E chocou, porquê? Na justa medida de que, para nós, é um dado adquirido de que o colonialismo é sempre mau para quem o sofreu e é sempre bom para quem dele beneficiou. Esta mistura de águas, publicamente assumida num País que foi colónia até há pouco mais de trinta anos, vem demonstrar que muitas contas estão ainda por fazer para nos entendermos no mundo dos conceitos.

Para isso é que servem as discussões. Levanto esta questão do pronunciamento de Marcelo Rebelo de Sousa para remetê-la à problemática do mito do império que habita o imaginário cultural e ideológico dos portugueses desde o Século XVI.

Independentemente da postura partidária de quem quer que seja e que pode enformar o discurso, hoje na essência, a questão permanece inalterável. O destino dos portugueses é plasmar o seu ser nos quatro cantos do mundo. A história, em parte, confirma isso, na medida em que, a partir do século XV, Portugal tornou-se numa grande potência mundial, presente em todos os continentes, fazendo-se respeitar e fazendo com que a sua língua se tornasse na língua franca nos meandros da economia, do comércio e da diplomacia. Mesmo com o enfraquecimento do estado português e consequente desaparecimento desse poderio real, os portugueses interiorizaram esse desígnio de grandeza histórica que lhe não permite ser contido naquele pequeno rectângulo que constitui o seu território.

O LUSOTROPICALISMO

A versão moderna do mito do quinto império é ensaiada através das teorias Lusotropicalistas sistematizadas por Gilberto Freyre, que, do meu ponto de vista, são bem mais antigas, as quais aparecem em alguns pronunciamentos, principalmente nos debates sobre a questão ultramarina, no Século XIX, um pouco por consequência da independência do Brasil.

O Lusotropicalismo não é somente uma teoria sociológica. Quanto a mim, uma tentativa de dar rosto científico a um pressuposto ideológico. Por isso os estrategas do Estado Novo acolheram com muito entusiasmo o discurso lusotropicalista. Constituída a primeira machadada na herança sonhada, criada e deixada por Dom João II.

Quero lembrar aqui, que pouco tempo antes e não por mera coincidência, Gilberto Freyre fora hóspede convidado de Salazar, naqueles territórios, foi buscar mais subsídios para consubstanciar as suas teorias lusotropicalistas, ido de Cabo Verde.

Nessa mesma década, a de 60 do Século XX, os movimentos nacionalistas de Angola, Guiné Bissau e Moçambique iniciavam a Luta Armada de Libertação, designada inicialmente por Salazar de campanhas de África contra o terrorismo, baptizada depois de campanhas contra o comunismo, por Marcelo Caetano, e Guerra colonial, após o 25 de Abril. Até meados de 70 do Século XX e no limiar das independências das colónias africanas, jamais alguém utilizou o conceito lusófono ou lusofonia para se referir ao que quer que fosse.

Esta é a segunda questão que ponho à discussão. Por que razão é que só depois das independências emerge de uma forma evidente este conceito?

A década de 60 do Século passado é conhecida por década de África. A maior parte das colónias africanas da Grã-Bretanha e França tornaram-se estados independentes na primeira metade dessa década. Os interesses políticos e sobretudo económicos fizeram com que as ex-potências coloniais desenhassem uma estratégia de continuidade com outra roupagem. Quer isto dizer que ao colonialismo clássico se seguia o panorama neocolonial. E uma das configurações que esse novo modelo tomou foi o de comunidade linguística.

Assim nasceram as comunidades francófonas e anglófona. Contudo, um olhar mais atento há de provar-nos que a língua como factor de formação das comunidades em apreço não passava de um pretexto. A França, por exemplo, manteve a sua presença ostensivamente, indo da moeda até a presença militar, através da Legião Francesa, com o único fito de salvaguardar os seus interesses. A francofonia e anglofonia é sobretudo um produto neo-colonial. Esta é a terceira questão que ponho à discussão: será por aproximação à designação destas duas comunidades que se foi buscar o termo lusofonia? Se assim foi, terá havido o cuidado de se reflectir sobre as diferenças dos factores?

As expressões não valem por si. Valem sobretudo pelo alcance que têm e pela solidez dos factores que lhes deram origem. Assim, se quisermos ver legitimado o conceito que a expressão Lusofonia contém, devemos ir a fundo na busca dos seus referenciais. Se assim não acontecer, reduziremos o seu alcance a um mero exercício de retórica política, banalizando- se o seu significado.

Uma das grandes discussões que ainda divide os integrantes das estruturas do Instituto Internacional de Língua Portuguesa, com sede em Cabo Verde, reside precisamente no facto de os representantes portugueses, com a neutralidade cúmplice dos brasileiros, considerarem que aquela instituição deve velar essencialmente os interesses e defesa da língua portuguesa, denominador comum dos países nele representados. Os africanos procuram lembrar aos seus parceiros que o panorama linguístico dos três países africanos continentais e Timor-Leste é de diversidade linguística.

E se o Instituto é uma instituição que emana da CPLP, não faz sentido que essa realidade seja derrogada daquela estância para uma outra com o mesmo fim. Se a língua portuguesa é o sedimento do edifício lusófono, então esse edifício terá muitas rachas em que se infiltrará a realidade linguística desses quatro países: e porque não também os crioulos de Cabo Verde e São Tomé e Príncipe? Os impasses têm praticamente paralisado o IILP, que não consegue encontrar saídas, e os poucos projectos alternativos não avançam por falta de vigor.

A quarta questão que ponho à discussão é: sendo os países africanos, na sua generalidade, incluindo os de língua oficial portuguesa, de origem colonial, mas com uma realidade sócio-cultural bipolar, pela natureza da adversidade etno-linguística, com que legitimidade os poderemos designar de lusófonos? Se formos pela via da língua ou pela via da cultura, teremos vastos segmentos que ficarão subtraídos desse desiderato, extraindo disso a natureza parcial que o conceito referencia. Se formos pelas razões de aproximação com as outras duas comunidades, teremos panorama falacioso pois, felizmente para nós, Portugal não construiu nenhum plano nem esboçou qualquer estratégia do tipo neocolonial para continuar nas ex-colónias.

Fui colaborador chegado do Prof. Doutor Fernando Cristóvão na construção do Dicionário Temático da Lusofonia, cujo lançamento aconteceu em Moçambique em 2006, neste mesmo espaço. Fi-lo com todo o entusiasmo que um discípulo sente quando integra a equipa do Mestre. O Prof. Doutor Fernando Cristóvão é actualmente um dos poucos académicos portugueses que tratam a questão das relações culturais entre os países falantes do Português com muita seriedade e respeito. As suas intervenções são pautadas pelos critérios de rigor intelectual, ponderação e respeito pela diferença de ideias e opinião. O seu verbete sobre o conceito Lusofonia e a sua fala no acto de apresentação da obra confirmam o que acabo de referir. Quero pois render a minha homenagem à postura íntegra deste Catedrático, convidando a todos para revisitarem o que no dito dicionário diz o Professor acerca da Lusofonia e integrar o texto na discussão que venho propondo.

Na primeira metade dos anos 60 do século passado, como aqui já referi, aconteceram as independências de inúmeros países africanos, colónias da França e da Grã Bretanha, mas foi também o início da queda do império colonial português, tendo começado com a queda de Goa, Damão e Diu, chamadas então de Estado da Índia, bem como o início da Luta Armada de Libertação Nacional de Angola, Guiné e Moçambique. O Almirante Sarmento Rodrigues, então Governador-geral da Colónia de Moçambique, mandou publicar e espalhar pelo território um panfleto com um slogan político que na altura, adolescente, não descortinava o alcance. Esse slogan rezava o seguinte: "Moçambique só é Moçambique, porque é Portugal..." .

Hoje tenho revisitado esse slogan nas minhas aulas da disciplina de Histórias das Ideias. Sendo Moçambique um País de origem colonial, nas circunstâncias e no contexto em que o slogan foi produzido era verdadeira a acepção de que Moçambique devia a sua origem a Portugal e naquele momento estava sob administração portuguesa, isto é, era um território português. Mas o slogan contém uma dimensão semântica e ideológica que neutraliza outras dimensões que pudessem sugerir variáveis da realidade enunciada. Isto é: se, por hipótese, Moçambique deixasse de ser Portugal, o que aconteceria, desapareceria? Ora, esta visão de tudo ou nada era acompanhada de um olhar que, em última análise, entronca no grande desígnio de Nação Una e Indivisível, do Minho a Timor.

Voltamos a uma das formas de leitura do Mito do Império. Daí que a diversidade étnica e linguística dos povos dos territórios em turbulência fosse vista como aliada da portucalidade, na medida em que, sem este factor, a desintegração seria inevitável. O Prof. Doutor Fernando Cristóvão, que prefere prudentemente defender uma república baseada na língua, insiste numa ideia a qual também partilho, que essa república da língua não deve ignorar aquela realidade de diversidade étnica e linguística. Contudo, o impasse que se vive no IILP sobre esta matéria, testemunha o mar de ambiguidades em que vivemos, por ausência de debate aprofundado sobre estas questões.

Não é o termo em si, Lusofonia, que transporta as ambiguidades, pois desde a altura das independências que se busca uma expressão consensual que designe a realidade emergente: PALOP, PAEP, PAL. A falta de consenso resulta do défice epistemológico que, por consequência, não cobre as zonas cinzentas que os espíritos inquietos querem ver esclarecidos.

A terminar, apenas uma constatação que exige reflexão. A África do Sul e Portugal festejaram Bartolomeu Dias, as Américas do Norte, Centro e Sul e Espanha festejaram Cristóvão Colombo, o Brasil e Portugal festejaram Pedro Álvares Cabral; por que razão Moçambique e Índia não festejaram com Portugal Vasco da Gama, símbolo maior da saga portuguesa no que toca à epopeia da Expansão Marítima?

Faço parte dos que têm o espírito inquieto sobre esta questão. Lusofonia: Cultura ou Ideologia?

sábado, 16 de maio de 2009

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) está a falhar...

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Lisboa, 15 Mai (Lusa) - A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) está a falhar na afirmação conjunta das nações lusófonas no Atlântico Sul, área de crescente importância estratégica, num hemisfério onde o português é a língua mais falada, alertaram especialistas ouvidos pela Lusa.

Para José Adelino Maltez, professor do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), o primeiro problema é a falta de meios da CPLP, mas Portugal também tem um papel em alimentar uma "nova visão do Brasil sobre África" e deve aceitar a dar primazia aos brasileiros, "colocando-se no seu devido lugar para poder melhor servir um projecto maior".

"Somando 200 milhões de brasileiros, com os futuros 50 milhões de angolanos e os futuros 20 milhões de moçambicanos, nós [Portugal] somos um entrepostozinho do sul na Europa. Temos de rever toda a nossa maneira de pensar, como foi expresso de maneira lamentável por todas as reticências em relação ao acordo ortográfico", disse à Lusa, à margem do colóquio "A Política Externa Brasileira e as Relações com Portugal e os Países Lusófonos".

"Parece que não se percebe que [a CPLP] não são os Estados Unidos da Saudade. É a pilotagem do futuro no balanço da globalização (...) Basta perguntar quanto gasta cada país da CPLP no orçamento", disse à Lusa o académico, à margem do seminário organizado pelo Instituto da Democracia Portuguesa na Embaixada do Brasil.

Apesar das dificuldades, "estamos condenados ao regresso de algum triângulo estratégico Luanda-Lisboa-Baía/Rio de Janeiro/São Paulo" e o Brasil "tem um papel de destaque" na cena internacional, até porque quando "fala forte nos palcos internacionais está a representar-nos a todos", afirma.

Para Armando Marques Guedes, a dificuldade está também "no projecto originário da CPLP, que é um projecto político-cultural, no essencial", descurando componentes como a económica, importante na afirmação do Atlântico Sul, muito relacionada com as reservas energéticas do Golfo da Guiné.

"A transformação é boa, tem uma janela de oportunidade, depende de Portugal e do Brasil. Agora só Deus sabe se está nas cartas isto acontecer", afirmou à Lusa o professor da Universidade Nova de Lisboa.

Será mesmo "extraordinariamente difícil" enquadrar institucionalmente Brasil, Portugal e Angola na organização, mas a afirmação no Atlântico Sul "não é tão descabida quanto parece", considera.

"A participação portuguesa em intervenções militares de manutenção de paz no Congo e em Angola, liderados por portugueses no caso do Congo, é uma coisa histórica, com grande importância. Portugal tem credenciais acumuladas nesta área. Portugal pode, se a NATO começar a ter intervenções militares mais robustas, como tudo indica, (...) ter uma espécie de direito de território relativamente a África, aceite pela União Africana. A questão é trazer o Brasil para colaborar, porque Angola é uma potência", afirma.

O general Garcia Leandro, presidente do Observatório da Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, vê a CPLP como "frágil, em construção lenta", numa fase de crise mundial em que os acontecimentos estão a evoluir com grande rapidez, criando novas oportunidades.

"Esta crise internacional é a revolução mais dramática desde a revolução industrial. O poder vai redistribuir-se porque há potências emergentes. É uma grande oportunidade e o Atlântico Sul tem um potencial estratégico próprio, pelas suas próprias riquezas e temos dois grandes poderes mundiais interessados no Atlântico Sul - Estados Unidos e China", afirmou à Lusa o ex-chefe de Estado Maior do Exército.

Portugal pode usar melhor os seus recursos, mas, afirma Leandro, tem também de saber envolver os seus parceiros estrategicamente mais fortes.

"Devemos entrar neste jogo de peito aberto, mas não podemos ser só nós, temos de contar com esforço de Brasil e Angola".

PDF.

Lusa/Fim

sexta-feira, 8 de maio de 2009

“CPLP: Comunidade ou Colonialismo?”

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“No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho”
O poeta Carlos Drummond de Andrade em “No Meio do Caminho”

Semanas atrás, hackers apagaram a página de internet da CPLP, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Nada de mais, não é? No mundo virtual, o que mais existe são hackers, destruindo tudo o que encontram pela frente. Mas, como sou um entusiasta da integração entre os povos lusófonos, preferia que a CPLP levasse essa provocação a sério. Penso que pode ser uma ótima oportunidade para fazer uma “autocrítica”, reavaliando os seus conceitos e forma de atuação.
Acima de qualquer questionamento, reconheço a importância da CPLP e acredito no seu futuro. Em pouco mais de uma década de existência, a entidade realizou ações exemplares e mostrou o seu valor, como no apoio à Guiné-Bissau e Timor-Leste. Sinceramente, penso que a simples existência da Comunidade já é uma vitória. Não deve ser fácil unir oito países, de quatro continentes e com grandes problemas internos a resolver, em torno de um ideal comum.
Mas, recentemente, dois acontecimentos envolvendo pontos-chave da CPLP me deixaram bastante apreensivo.
Primeiro foi a aprovação do polêmico Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Apesar de ser conhecido desde 1990, o tratado gerou acaloradas discussões no processo de adesão de Portugal. Dos políticos aos humoristas, sobraram críticas como: “nos obrigarão a falar brasileiro” ou “a Língua Portuguesa é nossa”. Como já disse, também tenho reservas ao acordo, mas acho que nada justifica essa postura. Não seria mais produtivo ter participado ativamente da sua construção?
O segundo fato estranho foi o anúncio da criação da Universidade da CPLP pelo Brasil. A notícia, que pegou a todos de surpresa, foi dada pelo Chanceler Celso Amorim em abril, numa visita à Guiné-Bissau. Em busca de mais informações, pesquisei os sites da CPLP, do Ministério das Relações Exteriores, do Ministério da Educação... e nada! Acabei enviando um e-mail para o MRE. Recebi como resposta que “o projeto ainda está em fase embrionária”.
Acabei encontrando o que procurava no blog do ex-Ministro Zé Dirceu. Segundo ele, a instituição deverá iniciar suas atividades em 2010 na cidade de Redenção, no interior do Ceará. Terá 10 mil vagas e cursos nas áreas de administração, agricultura, educação e saúde. Metade dos alunos deverá vir da África e Timor. Curiosamente, em nenhum momento citaram Portugal. Por outro lado, também li artigos lusos acusando o Brasil de “tomar o lugar que é seu de direito na África”.
Ao analisar essas situações e, principalmente, os comentários gerados dos “dois lados do Atlântico”, passei a considerar que a CPLP corre o sério risco de ser reduzida a um mero “cabo de guerra” entre Brasil e Portugal. Nosso passado em comum, afinidades culturais, fartas possibilidades de intercâmbio e o respeito mútuo parecem interessar cada vez menos. O “novo jogo” pode ser apenas uma disputa entre a velha e a nova “metrópole” pela soberania do mundo lusófono.
Espero estar enganado. Ou, se estiver certo, torço para que a CPLP aproveite o alerta do hacker para corrigir o seu rumo. Mas, se o futuro se resumir mesmo a uma disputa por “quem mima mais”, aproveito para deixar um aviso aos “novos colonizadores”: preparem os bolsos que os Estados Unidos, China, França, Austrália, entre muitos outros, também estão no páreo!
“A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?”
Carlos Drummond de Andrade em “José”

Douglas Cavallari de Santana
Publicado na seção “Iscas Intelectuais - Lusófonas” da página de Internet do comunicador Luciano Pires - www.lucianopires.com.br.

terça-feira, 5 de maio de 2009

CPLP: Promoção e defesa da língua é o elo mais fraco por falta de vontade política

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Lisboa, 05 Mai (Lusa) - A promoção da língua portuguesa é o elo mais fraco das vertentes de actuação da CPLP devido a falta de vontade política dos Estados membros, disse hoje o embaixador da Missão do Brasil junto da comunidade lusófona.

Segundo Lauro Moreira, uma das vertentes de actuação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa é a promoção e a defesa da língua portuguesa, sendo este o ponto mais fraco, neste momento, da comunidade lusófona.

"Há um reconhecimento hoje, por parte de nós todos da CPLP, que este é o elo mais fraco da corrente e é um absurdo completo porque ele deveria ser o mais forte, pois é o cimento da organização", referiu o diplomata durante o Colóquio sobre a Unidade e Diversidade Cultural na CPLP, realizado hoje no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa.

Fonte: http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/9635427.html

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Sobre o Acordo a fazer. Que não apenas ortográfico...

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Discurso por Ocasião do Simpósio Lusofônico
em Fortaleza, CE.

Por José Fernando Aparecido de Oliveira


“Uma língua é o lugar donde se vê o Mundo e em que

se traçam os limites do nosso pensar e sentir. Da minha

língua vê-se o mar. Da minha língua ouve-se o seu rumor,

como da de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do

deserto. Por isso a voz do mar foi a da nossa inquietação.”


Com essas palavras, o escritor português Vergílio Ferreira registrou a razão de ser de uma comunidade internacional pautada sobre a língua portuguesa. Ele conseguiu descrever a essência da Lusofonia quando percebida como um canal, além-mar, para a cooperação humanista. Sobre esse pensamento, meu pai – o embaixador José Aparecido de Oliveira lutou para que todos os falantes lusófonos ao redor do mundo pudessem, por meio da amizade, estabelecer um elo de crescimento e desenvolvimento humano.

Para além das rodas diplomáticas, a Lusofonia deve ser encarada como a chave de comunicação capaz de gerar força na aproximação entre os oito países que compõem a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Alcançar o objetivo máximo a que nos propomos quando falamos de cooperação lusófona internacional leva-nos obrigatoriamente a buscar grande envolvimento de toda a população de Angola, Brasil, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. E não simplesmente de acadêmicos, diplomatas e apaixonados pelo assunto.

A cooperação, a concertação político-diplomática e a promoção e difusão da língua portuguesa estão estabelecidos nos estatutos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa como os três objetivos da CPLP. A partir da orientação destes três pilares, definidos quando da criação da instituição em 1996, devem surgir as ações comunitárias. Entretanto, dois novos pressupostos vêm, mais recentemente, se conformando de forma a alargar os objetivos comunitários: a promoção da cooperação econômica e comercial; e a cidadania e circulação de pessoas no universo geográfico dos países de língua portuguesa. Por si só, a população dos países falantes do português está acomodando o significado de ser parte de uma comunidade lusófona internacional. No que diz respeito à promoção da cooperação econômica e comercial, o crescente envolvimento do Brasil com os três países da CPLP da África Ocidental ( Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Cabo-Verde ) – sob uma perspectiva comercial e econômica – tem se fortalecido em meio a uma região que historicamente sofre forte influência, dessa natureza, proveniente da França. Quanto à cidadania e à circulação de pessoas no universo geográfico dos países de língua portuguesa é notável citar o intercâmbio de pesquisadores e estudantes universitários; e o acesso facilitado de profissionais, entre os países lusófonos, com fins de transferência de conhecimentos.

Os interesses da sociedade civil de cada Estado-membro da Comunidade dos países de Língua Portuguesa é que são responsáveis pelos avanços da CPLP. Isso acontece por meio da convergência daquilo que internamente definiram como sendo seu interesse nacional. É o consenso que dita a ação dentro da comunidade lusófona. Apesar de se reconhecerem na tradição política e institucional do direito romano e da própria religião católica, todos eles vivem realidades bastante díspares. Assim, é relevante também mencionar que a votação dos Estados-membros dentro da CPLP é consensual, dá o direito de veto a qualquer um dos componentes e, portanto, leva o grupo a, obrigatoriamente, pensar nos benefícios a serem gerados para toda a Comunidade – e suas diferentes populações –, enquanto consideram os próprios interesses.

Em função do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa – feito entre diferentes nações lusófonas, a sociedade civil se mobilizou. Somente ele é pouco. São necessários o “Acordo Educacional da Língua Portuguesa”, o “Acordo Anti-Corrupção da Língua Portuguesa”, o “Acordo da Fome da Língua Portuguesa”, o “Acordo de Desenvolvimento da Língua Portuguesa”, o “Acordo da Paz da Língua Portuguesa”, “Acordo de Promoção Cultural da Língua Portuguesa” entre tantos outros. É necessário que lancemos mão da língua portuguesa para construirmos um mundo melhor. E ela é forte. Da nossa língua, vê-se o mar.

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Ao ensejo desse esforço conjunto coordenado pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, aproveito para lançar a idéia de um novo espaço. Com ele, acredito que a aproximação dos imortais escritores dos oito países de língua portuguesa, seja também a aproximação das idéias, dos esforços e, sobretudo, da história de todos os povos lusófonos. Disponho-me, fraternamente, para que trabalhemos na fundação de uma Academia Lusófona de Letras.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O Galego é útil

Um grupo de galegos radicados em Londres criaram um manifesto interativo para mostrar e provar que o galego é útil também fora da Galiza.
A iniciativa partiu de Xesús Magariños e Inma Gil e tem como principal objetivo contribuir para o debate sócio político e ainda, desmentir a máxima de que o "o galego non vale para nada ou serve só dentro da Galiza"

Abaixo o manifesto na integra. As assinaturas e comentários podem ser feitas no sítio: http://ogalegoeutil.wordpress.com/

O galego é útil

Isto que estás a ler é un manifesto espontáneo, vivo, interactivo, libre de ideoloxía e afiliación política, co que os abaixo asinantes pretendemos, desde a nosa humilde experiencia no estranxeiro, desmentir o mito de que “o galego non vale para nada” ou “só serve dentro de Galicia”.

Todos os idiomas valen e para moito.

A nós, o galego foinos útil e segue séndonos útil nas nosas vidas e aventuras polo mundo adiante:

  1. O galego facilitounos a aprendizaxe doutros idiomas: fíxonos máis sinxela a comprensión oral e escrita doutras línguas, axudounos a identificar e pronunciar noutros idiomas sons que non existen en castelán e facilitounos a aprendizaxe de novas estruturas gramaticáis.
  2. A capacidade de falar galego fixo posible que nos comunicáramos con cidadáns de Portugal e Brasil (entre outras nacións posibles, que xuntas suman unha poboación de arredor de 200 millóns de persoas).
  3. No estranxeiro, o feito de falar galego e polo tanto comprender o portugués deunos unha vantaxe competitiva frente a outros traballadores, xa que a nivel internacional o coñecemento de idiomas sempre é un bonus, sexa a industria que sexa.

Por estas tres razóns prácticas, concluímos, sen ningún tipo de dúbida, que o galego tamén é útil fóra de Galicia. Que non che quenten a cabeza dicindo que non.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Diário da NOVA ÁGUIA: 16 de Março...



Estiveram hoje, na sede do MIL e da NOVA ÁGUIA - a Associação Agostinho da Silva -, alguns dos principais representantes da Academia Galega da Língua Portuguesa: Isaac Estraviz, António Gil, Concha Rousia e Ângelo Cristóvão.

Veio esta delegação apresentar às autoridades portuguesas o contributo galego para o léxico geral lusófono a definir segundo o Acordo Ortográfico.

Durante a longa conversa, que se estendeu por cerca de duas horas, onde igualmente participou o Rui Martins, da Comissão Coordenadora do MIL, percebi o quão importante é este Acordo para a sobrevivência do galego na Galiza.

Dados os interesses do Estado Espanhol em manter-se como um Estado unitário, tem havido uma política de castelhanização de toda a Espanha, em particular, por razões óbvias, em três regiões: Catalunha, País Basco e Galiza. Por via disso, na Galiza tem havido uma regressão do galego em favor do castelhano.

É essencial que o galego seja cada vez mais integrado nesse espaço comum da Lusofonia. A bem do futuro do galego e da Lusofonia em geral.

Se os galegos não sentirem o apoio dos seus irmãos lusófonos, se não sentirem, como se costuma dizer, as “costas quentes”, é a própria Galiza, enquanto entidade histórico-cultural, que ficará em risco.

Decerto, o MIL fará o que lhe cabe…

quarta-feira, 4 de março de 2009

A LUSOFONIA COMO FATOR DE COMPETITIVIDADE

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I Simpósio de Lusofonia 14 de Abril de 2008

Esta conferência foi elaborada com uma aspiração . Que os seus ouvintes ou futuros leitores possam refletir ou extrair fundamentos para que esta nossa língua comum origine uma maior valorização dos seus países, das empresas onde trabalham, e sobretudo, um estímulo de valorização pessoal que reverta para o bem estar comum . As conclusões que julgamos ter retirado da reflexão e da pesquisa do tema apontam para que no mundo actual ser lusófono nos assegura uma vantagem comparativa que nos importa saber explorar .

O Presidente da República de Portugal , Cavaco Silva defendeu recentemente que a Lusofonia deve ser "um espaço dinâmico de trocas intelectuais e de produção conjunta de conhecimentos, com projecção e voz própria na chamada aldeia de global".(...) a língua portuguesa tem "mais de 220 milhões de falantes nativos", a quinta língua mais falada no mundo e possui estatuto de idioma oficial em organizações como União Européia, Mercosul e União Africana” . Acresce ainda uma diáspora sobretudo de Brasileiros , Portugueses e Cabo-verdianos em influentes comunidades por esse mundo fora bem como um crescente número de turistas em movimento.

Vivemos na era do conhecimento sendo este também o seu bem mais precioso. Hoje os mercados se difundiram para todo o mundo , aquilo que chamamos globalização , originando um busca incessante por recursos com os menores custos possíveis . Atravessamos uma era de importantíssimas conquistas materiais que no entanto geram turbulência e ansiedade pelas incertezas da competitividade . “A competição , a força mais poderosa do capitalismo gera ansiedade em todos nós ao mesmo tempo que o padrão e a qualidade de vida alcançaram níveis sem precedentes em grandes áreas do planeta “ .

Este é o nosso Mundo na actualidade .

Poderá a lusofonia global contribuir com um factor de equilíbrio para um mundo auto-sustentável dada a nossa matriz humanista secular, sem abdicar da legitima aspiração a melhores condições de vida material? Poderemos evoluir dentro da nossa matriz num meio-termo com o padrão só possível a pequeníssimos e singulares nações que introduziram o conceito de Bem Estar Nacional Bruto “antepondo a felicidade da nação ao desenvolvimento econômico por si só “ ?

A tão falada Globalização, primeiro dos países, teve no século xx um segundo momento a globalização das empresas . Adentramos o século XXI com uma nova e desafiadora realidade . A globalização individual que nos permite disponibilizar a força de trabalho para qualquer parte do mundo ou por outro lado recorrer a força de trabalho em qualquer parte do mundo , devido em parte às novas tecnologias de comunicação que achataram o mundo . Posso estar em Fortaleza e participar de um curso superior em Portugal , posso integrar-me em Lisboa num grupo de trabalho internacional conjunto para desenvolvimento de novos produtos em permanente comunicação . A central telefónica que atende países lusófonos pode estar fisicamente em Lisboa ou no interior do Estado do Ceará .

Essa nova realidade gera uma nova responsabilidade individual . O bem comum depende fortemente do investimento na nossa valorização pessoal , sendo certo que a competitividade se irá adquirir na dependência dos meios de ensino e formação à disposição pelos países .

Não nos devemos iludir por isso com a disponibilidade de recursos naturais ou a sua escassez. A riqueza das nações depende dos recursos humanos pese embora a recente valorização dos bens alimentares e energia .

O presidente de S. Tomé e Príncipe , ao descobrir grandes reservas de petróleo em suas águas territoriais observou o seguinte em 2003
“As estatísticas mostram que os países em desenvolvimento ricos em recursos apresentam desempenho muito pior que os pobres em recurso , em termos de crescimento do PIB . Seus indicadores sociais também se situam abaixo da média .Em S.Tomé e Príncipe Estamos determinados a evitar esse paradoxo da abundância “ Citado pelo Ex presidente do Banco Central Americano Alan Greenspan \

Certamente outro país lusófono , Cabo-verde , escasso em recurso naturais mas com um povo dinâmico e empreendedor é um feliz exemplo desta constatação a que recorrerei mais à frente nesta palestra .

A tecnologia de um bem reside nos processos que levaram à sua elaboração . Assim , um simples grão de soja , produto de pesquisas genéticas e patenteado, pode encerrar em si mesmo mais tecnologia aplicada que um equipamento eletrônico

A Tecnologia é conhecimento e conhecimento depende da sua comunicação . Só a língua permite a transferência de conhecimento . Então bastaria uma única língua no mundo em que vivemos? Caminhamos inexoravelmente para um nivelamento? Julgamos definitivamente que não.

Que nos diz a História pois “quanto mais se recua na observação do passado mais se avança na visão do futuro como diria Winston Churchil ? A humanidade conheceu vários períodos hegemônicos e não se fixou numa única língua mas em ricas variantes . Lingua é evolução . A língua portuguesa foi no século XVI e XVII língua franca na Costa Africana , no Oceano Indico e no litoral da Ásia mercê da expansão marítima portuguesa . Foi verdadeiramente a primeira língua global pois unia povos distantes nos extremos do globo e não apenas territórios contíguos e próximos como 1000 anos antes se verificou com o latim na Europa e na Bacia Mediterrânica .

Com o português um conjunto de Civilizações longínquas do Oriente e do Ocidente se encontraram de forma sistemática. A plasticidade da língua , a sua facilidade de assimilação por outros povos e a permanência da presença portuguesa asseguraram a sua manutenção como língua de unidade nacional em 8 países em 4 continentes . Não há sequer dois países lusófonos vizinhos . Apenas continuidade geográfica . A diversidade cultural de cada país e a sua identidade repousam em segurança na união de uma língua e matriz comum . Essa língua uniu um país continente como o Brasil evitando o seu desmembramento . Agregou um território vastíssimo como Angola e Moçambique formados por diferentes etnias . Firmou um sentimento nacional na Guiné-Bissau , S Tomé e Príncipe , Timor Leste e nas Ilhas de Cabo-verde .
Este seria por si só um patrimônio de valor incomensurável mas almejamos outro patamar .
A nossa língua como factor distintivo e vantajoso .

O valor econômico da língua reside em primeiro lugar em assegurar o baixo custo de comunicação pela existência de uma vasta comunidade lusófona . Trata-se assim de um primeiro estágio de internacionalização . Para os empresários parece prudente explorar inicialmente o mercado lusófono inclusivamente cruzando apoios e informações com as instituições dos diversos países e as suas variadas comunidades na diáspora .

Um reforço da competitividade será certamente a harmonização ortográfica que se espera para os próximos anos facilitando a comunicação , o ensino e abrindo as portas para um imenso mercado editorial comum . Resta a pergunta . O que nos fez demorar tanto?

A lusofonia abrange espaços geográficos vastíssimos superiores à dimensão dos seus falantes o que ainda permite o seu crescimento demográfico .

Por outro lado a valorização do que somos e do que produzimos em bens e serviços , depende da diferencialidade , sermos distintivos e inovadores para sermos competitivos . Este factor aplica-se a Portugal e julgamos podemos estender à nossa Comunidade Lusófona . A Lusofonia global remete-nos para uma maneira de estar no mundo com uma matriz humanista . Acredito que a nossa matriz nos possibilita de forma sui generis uma visão e um respeito pelo outro . Se a nossa matriz é de união pois todos os povos lusófonos se mantêm unidos , se a nossa matriz é de comunicadores , é porque existe uma identificação , é porque somos capazes de conhecermos os outros povos e de nos integrarmos . Se somos capazes de conhecer o outro temos uma natural vocação de identificarmos as suas necessidades , de produzirmos ou comercializarmos bens ou produtos adequados . O mundo globalizado vai pedir e valorizar a diferença e aqueles capazes de interpretarem e oferecerem . O mundo globalizado achata o acesso mas valoriza a diferencialidade .

O Ministro português da Cultura, afirmou recentemente “ que Fernando Pessoa, enquanto produto de exportação da língua portuguesa, pode valer mais em termos econômicos do que a operadora Portugal Telecom “ (PT, uma das donas da Vivo).

O ministro anunciou a realização de um estudo sobre o valor econômico da língua portuguesa, em colaboração com o Brasil, que vai incidir sobre os oito países lusófonos e as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.

Seria uma vantagem ter como lingua mãe a lingua mais compreendida no mundo que na actualidade é o inglês ? Pelos motivos já expostos e pelos que passaremos a expor julgamos que não . Aqueles que assim pensarem dissolvem-se num mar que não é o deles como diria o Poeta Jorge de Sena . O inglês necessário para uma comunicação eficaz adquire-se com apenas alguns anos de ensino em escolas públicas na Europa e facilmente evolui e se aperfeiçoa com a prática , o visionamento de filmes , tv , Internet . Um estudante de ensino médio europeu domina o inglês básico de um americano .

É já um dado adquirido as vantagens do domínio de uma ou de preferência mais línguas estrangeiras para o desenvolvimento do cérebro.

Diversas línguas asseguram múltiplos pontos de vista , variantes que enriquecem um patrimônio comum . Dinâmicas economias têm na sua base línguas complexas que praticamente não ultrapassam as suas fronteiras .Veja-se o exemplo do Japão , Alemanha , Finlândia , Noruega , Suécia , Dinamarca , e agora China com os seus multiplos dialetos. . São línguas complexas que se comunicam muitas vezes pelo código comum . O código comum mais difundido é neste momento o inglês e dentro da China o Mandarim . Esse é o verdadeiro patrimônio do actual momento de transferência instantânea de conhecimento e a sua democratização . O acesso a um código comum mas que ainda assim se adequa a cada realidade cada pais , cada região. Um factor de competividade é dominar de forma básica a linguagem técnica de uma segunda e até de uma terceira língua o que será fácil se ensinado desde pelo menos a adolescência . Assim e ao contrário do que afirmava o provocador personagem de Eça de Queiroz , Fradique Mendes , podemos nós afirmar hoje que o poliglota é patriota .

Gostaria de sublinhar que o primordial factor de competitividade não é conhecer várias línguas mas conhecer muito bem a nossa língua o que só é possível com um ensino generalizado básico e médio público de grande qualidade .

Uma língua não se faz pelo número de falantes, mas pelo seu nível cultural

O espaço lusófono no verdadeiro sentido do domínio generalizado da norma , do domínio da língua de forma funcional ainda não existe . Ainda tem de ser ultimado o que revela o seu potencial . O domínio da norma , da língua foi um factor de opressão , um factor distintivo de classes sociais . Importa por isso dotar a população de educação que a emancipe . A língua é a forma mais acessível de valorização pessoal . É o nosso cartão de visita . A competência por excelência é sem dúvida a forma como comunicamos . Se dominamos a norma , se respeitamos e sabemos transmitir de forma fidedigna uma mensagem , somos bons comunicadores e somos assim capazes de nos integrarmos num fluxo de trabalho , numa equipe de investigação , somos assim capazes de influir e elaborar instruções e procedimentos .

Importa assim erradicar de forma prioritária o analfabetismo funcional. Só o profundo conhecimento da língua materna permite um lastro de competitividade para a abordagem de novos mercados com outras línguas ,outras idiossincrasias . Importa valorizar a língua portuguesa como instrumento de progresso comum e patrimônio de todos os povos .

A lusofonia é um espaço não apenas lingüístico mas de afinidades comuns que importa conhecer . É no entanto um espaço de diferenças profundas que têm que ser respeitadas e devidamente compreendidas sob pena de se comprometerem as relações comerciais e econômicas no que constitui uma “ armadilha “ da língua . Isto é algo que importa ter presente quando por são já são vastos os investimentos directos de Portugal nos Países Lusófonos , nomeadamente no Brasil onde na década recente já importam em cerca de 40 Biliões de reais . Por outro lado Portugal exporta 4,4% da sua produção para os países lusófonos africanos , cerca de 4 mil milhões de Reais o que é significativo especialmente se observarmos o peso relativo do lado as importações desses países .

Exemplo de integração lusófona recente Ceará e Cabo Verde

Gostaria de pinçar um exemplo do relacionamento entre países e regiões lusófonos dado que é um caso recente em permanente crescimento e que também revela o potencial ainda por explorar . O caso do Ceará e Cabo Verde . Em 2000 o Ceará exportava apenas 40.790 USD . Iniciadas as ligações aéreas regulares entre um país e um estado com dimensão de país europeu que é o Ceará foram estimuladas afinidades e firmadas parcerias . Primeiro os pequenos comerciantes cabo-verdianos demandaram o Ceará e alimentaram um fluxo comercial a que as autoridades logo atentaram dinamizando missões empresariais e parcerias governamentais . Seguidamente economia e educação deram as mãos e foram criados acordos entre a Universidade Federal do Ceará e Cabo Verde para a implantação de Universidade Pública em Cabo Verde . São numerosos os estudantes cabo-verdianos em Fortaleza tendo sido criada a Casa do Estudante de Cabo-verde . Cada pessoa que se desloca a outro país especialmente de forma mais prolongada ou duradoura é uma âncora de novos contactos e relacionamentos futuros permanentes.
Para o Brasil o Comércio com Cabo-verde pode ser não muito expressivo apesar de estar em crescimento atendendo aos seus 23 milhões de dólares mas só o Ceará , pequeno estado do nordeste representa 21,22% do total vendido pelo Brasil sendo superado apenas por S.Paulo .

Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).

Esse factor é tanto mais importante quando em África é sabido que as relações de negócio se constroem antes de mais após conhecimento pessoal e confiança mútuo. É o negócio “olhos nos olhos”

Germano Almeida. Escritor Cabo Verdiano escreveu. Há poucos dias um amigo meu, brasileiro, hospedado aqui num hotel em S.Vicente telefona-me: Germano, vem cá!, mas enquanto estou pensando, e começo mesmo a dizer, que no momento não me dá jeito nenhum sair de onde estou para ir ter com ele, ele nem me ouve e continua despejando não sei quantas palavras sobre mim. Pouco depois volta a repetir o "vem cá!" e acabo finalmente entendendo: Ele apenas está a chamar a minha atenção para qualquer coisa.
Sem dúvida! Gosto desta língua que me permitiu ler no original as deliciosas prosas de Eça de Queirós ou Jorge Amado, entender e apreciar o "vem cá!" e nunca me impediu de sentir e afirmar a minha identidade de homem cabo-verdiano.( fim de citação )
Aproxima-se o final desta minha palestra

Olho para a lusofonia com orgulho por pertencer a um vasto trampolim para os desafios do mundo globalizado .

Gostaria de dizer para todos os jovens de forma muito prosaica e proverbial como diriam as nossas avós . “Quem não se enfeita por si se enjeita” , quem não enaltece a sua língua a sua mais primordial e ontológica forma de ser , por si mesmo se desvaloriza .
Valorizemo-nos portanto com brio e orgulho e sentido estratégico comum .
Venha a maré cheia de uma idéia p´ra nos empurrar
Só um pensamento no momento para nos despertar ( Zeca Afonso )
Para concluir
Dado que Ninguém tem mais peso que o seu canto ( Herberto Helder ) a nossa voz na aldeia global soa mais alto se for em coro e com convicção .
Remetamos também a deliciosa melodia e letra do Zeca Pagodinho , Deixa a vida me levar , para o plano meramente filosófico meditativo e suportemos com toda a nossa garra de um passado comum o hino do Geraldo Vandré. Vem vamos embora que esperar não é saber , quem sabe faz a hora não espera acontecer .

Muito obrigado

Francisco Neto da Silveira Brandão

Lic Direito Universidade de Coimbra
Pós Graduado em Estratégia de Exportação ISEG Universidade Técnica de Lisboa

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Texto que nos chegou...

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Para reflexão lusófona

O conceito lusófono deve ser alvo de permanente revisão. A colocação de um conceito em discussão permite que este seja enriquecido, reestruturado, reconstruído. A perpetuação de um significado não o preserva apenas historicamente como o empurra para a estante de uma ideia do passado, não o coloca sob o microscópio da análise intelectual nem lhe confere sensibilidade de actualização. «Lusofonia» é um conceito tão histórico quanto a Diáspora nacional, tão passível de reformulação quanto é imperativo que o seja.

A Cultura Portuguesa não é feita apenas de brandos costumes, não reside naquele lugar histórico que os saudosistas salazaristas pretendem cristalizar nem é uma ideia estática. A dinâmica natural da cultura ficou marcada desde cedo, no diálogo cultural vivido na Lisboa capital de Império, na Lisboa que recebia mercadores de todos os cantos, na Lisboa habitada por mouros e africanos.

A Cultura Portuguesa é então dinâmica, é feita do contacto entre povos, é negociada nas trocas humanas pluriculturais, é reformulada, reconstruída, reelaborada, não em laboratórios de uma sociologia identitária mas no vivido quotidiano. A Lusofonia, a par da Cultura Portuguesa, é filha do multiculturalismo, dos quatro cantos do mundo, da viagem histórica nacional às índias, às Américas, a África. Dessa viagem histórica nasceram múltiplas novas identidades. A identidade nacional, por arrastamento, alterou-se. Positivamente. Entendamo-la assim, sem rodeios, sem preconceitos, sem xenofobias.

Associação Portuguesa de Cultura Afro-Brasileira

domingo, 7 de setembro de 2008

Se te incomoda


Se te incomoda ouvir falar da elevação no império posso antes mostrar-te o jardim, e o constrangimento que o jardineiro impõe às ervas. E adivinho já o teu fastio: vais dizer-me que te aborrecem os caminhos programados do Palácio, a disposição geométrica das rosas, a igualitária decapitação das sebes; vais dizer-me que está cheio de tabuletas com proibições e que os teus pés descalços dançam melhor no prado das fadas. E como posso eu não te dar razão? Não tenho culpa do cansaço e da frieza dos príncipes. Ah, mas não é ao jardim deles que te quero levar: não perco tempo a propor-te bailes de máscaras.

Por isso te mostro o jardim, e por ele entendo o que nos espera se deixarmos para trás o Palácio e as ruas arrogantes dos mercadores e generais: aqui a horta humilde que abastece os mercados, mais além a floresta dos lobos, no meio dela o teu prado das fadas; deste lado a montanha coberta de carvalhos e faias, por ali o caminho que conduz ao mar. Em qualquer lugar tu situas-te: apetece-te a solitária companhia das dunas e sabes que cortas à esquerda a seguir ao moinho de água; mas se tens saudades da roda das fadas sabes que tens primeiro que atravessar a encosta dos abetos. E se te perdes na noite de Outono sabes em que direcção vai a lua nascer.

Ainda sentes o constrangimento? Na verdade, os carvalhos não progrediram além da linha da areia, aqui no prado das fadas não ocorreu ao hortelão plantar as suas cebolas. Olha para estes ramos despidos: não é ainda o tempo das maçãs. Em vão procurarias aqui a orquídea dos trópicos, e elas enchem no entanto a orgulhosa estufa dos príncipes. É essa a duríssima lei do jardineiro maior. E, vês? Não recorreu para isso a tabuletas nem a cães de guarda.

Mas as dunas, dirás tu que as dunas hão-de um dia ser morada de lobos e que o hortelão só ganharia se de manhã encontrasse orquídeas em vez de cebolas e que acabas de reparar que então há direcções onde nunca vemos a lua nascer? As dunas, dirás tu que lhes falta a liberdade de ser tudo, dirás que é injusto as fadas elegerem o prado verde para dançar e que serias mais feliz se a partir do moinho de água pudesses escolher qualquer caminho e todos descessem ao mar? Aí, onde irias quando ansiasses pela solidão? Onde, quando o teu coração quisesse dançar?

Entendes porque te afastei dos caminhos geométricos do Palácio? Não há neles sequer a sombra de um jardim, e por isso todos eles vão dar à varanda dos príncipes cansados. E para os construir foi preciso derrubar a cabana e a fonte, e por isso aqueles guardas carrancudos que te ficaram na memória como guardiães do império. Impostores. Não te esqueças de que essa história foi escrita para agradar aos generais, foi paga pelos mercadores que dependem do luxo dos príncipes. Mas tu escapavas-lhes de noite, e saltavas a muralha para brincar com as crias do lobo.

Na verdade, a tua liberdade é constrangimento das ervas: se elas se dispersarem, não terás um prado para dançar. E o teu constrangimento é a liberdade das árvores: que será delas se derrubares quem se interpõe entre ti e o mar? Mas ambos se fundam no jardim, que a tudo situa em hierarquia e poema.

E em ti, quem eu quero fundar é o jardineiro.

POST SCRIPTUM AO MEU TEXTO «DITADURA»


Na sequência de dois e-mails que recebi faço este esclarecimento, a dois membros do MIL bem intencionados e que, com toda a legitimidade, me colocaram questões, pessoas que considero honestas, de quem sou amigo, mas menos informadas acerca de muito que tenho feito na tentativa de erguer uma nova ideologia, para além do maniqueísmo Esquerda e Direita e da morte das ideologias:

1. A ditadura de que falo não é nenhuma apologia ao fascismo ou a qualquer outro regime limitador das liberdades fundamentais e que desrespeite os direitos humanos.
2. O rei de que falo não é um mero conceito monárquico.

Oportunamente voltarei a estes temas, no quadro da nova ideologia que tenho vindo a conceber e que designei por transnacionalismo.


Klatuu Niktos

DITADURA


99 Cent Store, Andreas Gursky, 1999


Ditadura, sim. Um Império se erga acima do formigueiro de corruptas urbes, das vias rápidas sem destino, das pontes quebradas pelo lixo, das muitas casas, queimadas e escuras, das muitas gentes, robóticas e sem fala. Erga-se, defenda-se, alastre-se, um fogo do espírito, uma lei acima das leis, um costume acima dos costumes, uma justiça acima das justiças, uma assembleia universal igual para todos, iguais no assento da palavra. «Nada farei, ó César, para te agradar, / Nem me interessa se és branco ou preto.»*. O mesmo direi de cada um de vós. Que comeis. Onde, quando. A que deus ou deuses rezais. Ou a nenhum. Que fazeis na cama. Com quem. Que fazeis na casa. Como vestis. Com que entretenimentos ocupais o tempo vosso. A ditadura é o Império, despreza-vos nas vossas diferenças, em todas aquelas pequenas inutilidades onde julgais que acontece a vossa vida, isso é folclore humano, isso é merda, um caos de emoções envolvido em pratas e púrpuras. A lei do Império é universal, só reconhece indivíduos nos atributos comuns da sua humanidade; perante o Império são calados os vossos deuses e o vosso ganir de matilha, as identidades medíocres que julgais acima das dos outros, os vossos tiques de pertença, que quereríeis, megalomanamente, supremos, mas que mais não são que a súmula patológica das vossas insuficiências e mediocridades e vilezas. Nada sois de vosso perante o Império, porque o Império não vos reconhece a propriedade sobre nada que seja a humanidade, sobre nada que pertença a todos, sobre nada que seja a civilização no seu progresso futuro e imparável, sobre nada que seja a manifestação suprema da liberdade como motor da História.
A civilização é a casa da humanidade. O Império, a sua assembleia única. A ditadura, a sua guardiã. Um Rei, o seu autor.


Klatuu Niktos



* XCIII

Nil nimium studeo, Caesar, tibi velle placere,
nec scire utrum sis albus an ater homo.


Gaius Valerius Catullus, poeta do Império Romano, 87 a.C. – 54 a.C.