
Depois de mais uma muito bem sucedida sessão de apresentação da NOVA ÁGUIA (falarei disso depois na próxima página do “Diário”) e de mais um empate do “Clube de Portugal” (ai de quem se atreva a falar disso…), chego a casa e vejo as últimas notícias do Afeganistão. E, por uma vez, concordo com os comentários do Miguel Sousa Tavares: chegou-se, em absoluto, a um beco sem saída. Politicamente, a democracia afegã tornou-se numa piada de muito mau gosto. Militarmente, assistimos a uma guerra cada vez mais perdida e condenada ao fracasso…
Mais cedo ou mais tarde, apesar da sua insistência, que já começa a ser obsessiva, na “guerra boa” (extraordinário conceito para um Prémio Nobel da Paz…), o Obama vai ter que retirar do Afeganistão. E a América – e o Ocidente em geral – vai ter que aprender, enfim, que não se ganham guerras em território adverso, contra as respectivas populações, por maior poderio militar que se tenha. A única real excepção (há sempre uma excepção a confirmar a regra) foi o Japão: mas o Japão é uma ilha, não tinha aliados na região, e tiveram que usar a bomba atómica…
O mundo não é uma página em branco que se possa redesenhar a nosso gosto, por muito generoso que seja o nosso internacionalismo missionário. O mundo, goste-se ou não disso, tem, de facto, fronteiras: linguísticas, culturais, civilizacionais, religiosas, etc. Não perceber isso é sempre meio caminho andado para o desastre…
Renato Epifânio

