EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

"a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português. Em tempos de globalização, esta qualidade – a de evidenciar o pensamento nacional – deve ser exaltada"

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra - Razão e Espiritualidade: nos 100 anos de "O Criacionismo (Esboço de um Sistema Filosófico)".

Para o 10º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.


Morada: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais,

Apartado 21, 2711-953 Sintra, Portugal.

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

EDITORIAL

Sendo a NOVA ÁGUIA uma Revista que, de forma assumida e descomplexada, dá o devido destaque aos autores maiores da nossa tradição filosófica e cultural, inevitavelmente teríamos que dedicar um número a Álvaro Ribeiro – depois de já o termos feito a António Vieira, Agostinho da Silva, Teixeira de Pascoaes e Fernando Pessoa. A ocasião chegou, agora que se assinalam os trinta anos da sua morte. Que outra Revista o poderia fazer?
Em muitos casos mais referida do que propriamente lida, a obra de Álvaro Ribeiro tornou-se numa espécie de bandeira do que em geral se designa por “Filosofia Portuguesa” – quer para os que a defendem, quer, contrapolarmente, para aqueles que contestam, ainda hoje, a sua existência. Desde logo por isso, o próprio Álvaro Ribeiro acabou por se tornar no autor mais emblemático da dita “Filosofia Portuguesa”.
Por essa mesma razão, a sua figura ainda hoje desperta reacções assaz apaixonadas, num e noutro sentido, o que, se por um lado, lhe tem preservado, trinta anos após a sua morte, uma apreciável notoriedade, por outro, tem impedido, pelo menos nalguns casos, por evidente preconceito, um estudo mais aprofundado da sua obra. Neste número, procurámos colmatar essa falha, convocando os maiores especialistas na obra de Álvaro Ribeiro, dando, ao mesmo tempo, voz àqueles que ainda hoje contestam a existência de “filosofias nacionais”.
Isto apesar de, com este número, não termos querido ressuscitar qualquer polémica em torno da existência de “filosofias nacionais” – polémica que, a nosso ver, está por inteiro ultrapassada, pelo menos nos termos em que emergiu, após a publicação, em 1943, da obra O Problema da Filosofia Portuguesa. Álvaro Ribeiro continua a ser para nós um autor actual pela simples mas suficiente razão de que todo o pensamento filosófico é sempre já – e nunca deixa de o ser, por mais inconsciente que esteja disso – um pensamento radicado, situado: numa Língua, numa História, numa Cultura…
*
Uma vez mais, a NOVA ÁGUIA prova, pois, a sua abertura. Fundando-se numa determinada Visão de Portugal e do Mundo, devidamente expressa no nosso Manifesto, publicado no primeiro número da Revista, a NOVA ÁGUIA nunca foi nem nunca será um “órgão de propaganda”, mas, ao invés, um “órgão plural”, que, dando destaque a algumas figuras – àquelas que, como é óbvio, a nosso ver o merecem –, o faz, porém, de forma crítica, convocando não apenas os hermeneutas que, à partida, lhes são mais próximos, como, igualmente, alguns dos que lhes são mais distantes.
Como sempre, também este número da NOVA ÁGUIA não se debruça apenas sobre um autor. Assim, para além de Álvaro Ribeiro, neste número evocamos ainda José Marinho – autor que, a par de Álvaro Ribeiro, mais chamou a atenção, entre nós, para a importância que a Filosofia deve reconhecer à Língua, à História e à Cultura (daí o seu conceito de “filosofia situada”) –, Álvaro Cunqueiro – no centenário do seu nascimento –, Joaquim Nabuco – no centenário da sua morte – e Domingos Gonçalves de Magalhães – no bicentenário do seu nascimento. Para além disso, temos ainda textos sobre Fernando Pessoa, bem como sobre os 15 anos da CPLP, data que assinalámos no sétimo número da NOVA ÁGUIA.
Como tem acontecido desde o primeiro número, a Revista termina com a referência aos locais onde tem sido apresentada – numa série, iniciada a 19 de Maio de 2008 na Fundação José Rodrigues, que excede já as duas centenas e meia de sessões, em todo o espaço lusófono –, bem como à Colecção de Livros “Nova Águia”, que já vai em mais de duas dezenas e meia de títulos. Na contra-capa, como igualmente tem sido regra, antecipamos o tema do próximo número: “Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?”. Prova, bem cabal, do nosso optimismo: não só acreditamos que Portugal ainda hoje existe, como existirá daqui a 100 anos…

ÍNDICE

Editorial…5
NOS 30 ANOS DA MORTE DE ÁLVARO RIBEIRO
Álvaro Ribeiro, CARTA A ANTÓNIO QUADROS…8
Azinhal Abelho, Orlando Vitorino, António Quadros, António Cândido Franco, Pinharanda Gomes, Miguel Real, António Braz Teixeira, António Telmo, André Veríssimo e José Augusto Seabra, ÁLVARO RIBEIRO EM 10 INSTANTÂNEOS…9
António Cândido Franco, ÁLVARO RIBEIRO NUM RELANCE DE LUZ…13
António Carlos Carvalho, EXILADO DO MUNDO…14
Artur Manso, O QUE É A ESCOLA FORMAL…15
Carlos Aurélio, UMA FILOSOFIA DO MODO…25
Cynthia Taveira, A ACTIVIDADE DE DEUS…32
Elísio Gala, ÁLVARO RIBEIRO E A FILOSOFIA POLÍTICA…35
Filipe Delfim Santos, UM COLÓQUIO AGORA MAIS ÚTIL & CARTA INÉDITA DE ÁLVARO RIBEIRO À VIÚVA DE DELFIM SANTOS…39
Joaquim Domingues, ERUDIÇÃO FILOSÓFICA…45
José da Costa Macedo, FILOSOFIA E SITUAÇÃO…49
Manuel Ferreira Patrício, A LÍNGUA PORTUGUESA E O DESTINO DE PORTUGAL…58
Maria Leonor L.O. Xavier, A QUESTÃO DA UNIVERSALIDADE DA FILOSOFIA…60
Maria Luísa de Castro Soares, CONCEITO E CONTROVÉRSIA DA FILOSOFIA PORTUGUESA: O APOSTOLADO DE ÁLVARO RIBEIRO…66
Paulo Jorge Brito e Abreu, FILOSOFIA PORTUGUESA EM ÁLVARO RIBEIRO…71
Pedro Martins, PÁTRIA, HISTÓRIA E EPOPEIA: ÁLVARO RIBEIRO, JAIME CORTESÃO E A RENASCENÇA PORTUGUESA…75
Pedro Sinde, ÁLVARO RIBEIRO, FILOSOFIA OPERATIVA E ORAÇÃO MENTAL…88
Rodrigo Sobral Cunha, A RAZÃO RÍTMICA (NO PENSAMENTO DE ÁLVARO RIBEIRO)…97
Pinharanda Gomes, ÁLVARO RIBEIRO (1905-1981): A FILOSOFIA COMO ARTE & ADITAMENTO BIBLIOGRÁFICO…105
SOBRE JOSÉ MARINHO: NOS 50 ANOS DA TEORIA DO SER E DA VERDADE
Renato Epifânio, JOSÉ MARINHO, UM FILÓSOFO METAFÍSICO E, POR ISSO, SITUADO…116
Pinharanda Gomes, A TERTÚLIA DE ÁLVARO RIBEIRO E DE JOSÉ MARINHO…117
Manuela Brito Martins, A FILOSOFIA DA HISTÓRIA EM OLIVEIRA MARTINS A PARTIR DE UMA LEITURA DE JOSÉ MARINHO…126
SOBRE ÁLVARO CUNQUEIRO, JOAQUIM NABUCO E DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES
Maria Seoane Dovigo, ÁLVARO CUNQUEIRO, CEM ANOS DEPOIS…132
João Bigotte Chorão, JOAQUIM NABUCO: UM BRASILEIRO EUROPEU…134
António Braz Teixeira, NOS DUZENTOS ANOS DE DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES…140
AINDA SOBRE FERNANDO PESSOA
Giancarlo de Aguiar, TRANSPERSONAS NA ESFINGE DE FERNANDO PESSOA…144
Ruben David Azevedo, PESSOA: UMA SINGULAR PLURALIDADE…151
Samuel Dimas, FERNANDO PESSOA E A ESTÉTICA DA RENASCENÇA PORTUGUESA: D’A ÁGUIA À ORPHEU…152
António Cândido Franco, FERNANDO PESSOA SOB O SIGNO DA PÁTRIA DA LÍNGUA…155
Maria Clara Tavares, PASCOAES E PESSOA…159
Luís Tavares, PESSOA: A ESCRITA E A TERRA DE NINGUÉM…161
Kazufumi Watanabe, PESSOA NO JAPÃO…163
AINDA NOS 15 ANOS DA CPLP: TRAJECTOS LUSÓFONOS
Adriano Moreira, AS CULTURAS DOS POVOS DO MEDITERRÂNEO…166
António José Borges, RUMAR PORTUGAL, CONSIDERAR A EUROPA, PENSAR A LUSOFONIA…169
Delmar Maia Gonçalves, DEAMBULAÇÕES LITERÁRIAS…178
Dirk Hennrich, PORTUGAL, A EUROPA E AS MARGENS DA FILOSOFIA (COM CARTA DE JOAQUIM DOMINGUES)…181
João Pereira de Matos, 17 GEDANKENEXPERIMENTE…187
Joaquim Miguel Patrício, PRESENTE E FUTURO DA LÍNGUA PORTUGUESA NUM QUADRO ESTRATÉGICO GLOBAL…189
Lúcia Helena Alves de Sá, A FILOGONIA DO PENSAMENTO DA CULTURA DE LÍNGUA PORTUGUESA…199
Miguel Real, O FUTURO DA LUSOFONIA…200
Nelson Goulart, LÍNGUA MÃE LÍNGUA FILHA…203
Nuno Sotto Mayor Ferrão, A DINÂMICA HISTÓRICA DO CONCEITO DE LUSOFONIA (1653-2011)…204
Rui Martins, VIAGEM À GUINÉ-BISSAU…209
Sam Cyrous, DO CORAÇÃO DA COOPERAÇÃO À AVALIAÇÃO DA AÇÃO: CPLP ONTEM, HOJE E AMANHÃ…219
Simion Doru Cristea, A ENERGUEIA DAS LÍNGUAS AFRICANAS…221
Ximenes Belo, DISCURSO DA ACADEMIA…226
RUBRICAS
ENTRECAMPOS, de J. Pinharanda Gomes…230
AS IDEIAS PORTUGUESAS DE GEORGE TILL, de Jorge Telles de Menezes…233
DO ESPÍRITO DOS LUGARES, de Manuel J. Gandra…234
LITERATURA ORAL E TRADICIONAL, de Ana Paula Guimarães…239
BIBLIÁGUIO
DIÁLOGOS DE AMOR, DE LEÃO HEBREU, por Celeste Natário…244
MEMORIAL DO CONVENTO, DE JOSÉ SARAMAGO, por Gabriela Lança…245
LEVANTE, 1487 – A VÃ GLÓRIA DE JOÃO ÁLVARES, DE JOSÉ MARIA PIMENTEL…248
ÚLTIMAS OBRAS DA COLECÇÃO NOVA ÁGUIA, por Renato Epifânio…249
EXTRAVOO
António José de Brito, APONTAMENTO QUÁSI SUPERFICIAL SOBRE ÉTICA…252
António Monteiro, ARISTIPO DE CIRENE: UM FILÓSOFO NAS MARGENS DA HISTÓRIA…254
POEMÁGUIO
Eduardo Aroso, ÁLVARO RIBEIRO; UM VELHO PROFETA…7
António José Queiroz, VIAGEM…131
Teresa Dugos, CÁLICE; DA TERRA; MAUSOLÉU…142
Manuel Neto dos Santos, DA PANACEIA…165
Maurícia Teles da Silva, SETE PREMISSAS PARA A LIBERDADE…242
António José Borges, RESILIÊNCIA…242
Maria Luísa Francisco, FOSSE O DIA JÁ NOITE…243
Fernando Esteves Pinto, IDENTIDADE E CONFLITO…250
MAPIÁGUIO…259
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…260
ASSINATURAS…261

NOVA ÁGUIA 8: LANÇAMENTOS

10.10.11 - 18h30: Livraria FNAC Chiado (Lisboa)
12.10.11 - 18h30: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
15.10.11 - 16h00: Sociedade da Língua Portuguesa (Lisboa)
15.10.11 - 18h00: Casa Bocage (Setúbal)
21.10.11 - 18h00: Centro Cultural Luso Moçambicano
29.10.11 - 15h00: Biblioteca Municipal de Sesimbra
04.11.11 - 21h30: Espaço Poesis (Porto)
05.11.11 - 17h00: Biblioteca Albano Sardoeira (Amarante)
12.11.11 - 19h00: Auditório da Escola Básica Integrada de Montargil
23.11.11 - 18h30: Livraria FNAC Vasco da Gama (Lisboa)
03.11.11 - 15h00: Casa do Fauno (Sintra)
06.12.11 - 16h00: Palácio da Independência (Lisboa)
09.12.11 - 17h00: Faculdade de Filosofia (Braga)
15.12.11 - 21h30: Art Gallery / Café dos Artistas (Lisboa)
15.01.12 - 16h00: Castelo de Leiria (Sede da ACRENARMO)
27.01.12 - 21h30: Biblioteca Municipal da Lagoa


Em breve, anunciaremos o primeiro lançamento da NOVA ÁGUIA 9

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Almada, Amadora, Amarante, Arraiolos, Aveiro, Bairro Português de Malaca, Barcelos, Batalha, Belo Horizonte, Bissau, Braga, Bragança, Brasília, Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Carnide, Campinas, Cascais, Castro Marim, Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Fortaleza, João Pessoa, Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loures, Luanda, Mem Martins, Messines, Mindelo, Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque, Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense, Ovar, Pangim (Goa), Pisa, Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife, Redondo, Régua, Rio de Janeiro, Sacavém, Santiago de Compostela, São João da Madeira, São João d’El Rei, São Paulo, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Viana do Castelo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

Lançamentos já noticiados em:

RTP

Diário de Notícias

Diário Digital

Expresso

Jornal de Notícias

Jornal Porto Net

Notícias Lusófonas

Público


E em muitas dezenas de blogues...

FAÇA PARTE DESTE PROJECTO. ASSINE A NOVA ÁGUIA: http://www.zefiro.pt/novaaguia.

À venda nas melhores livrarias do país.
E ainda no Brasil: Espaço Cultural É-Realizações, Rua França Pinto, 498 - Vila Mariana - São Paulo; Livraria Hildebrando (Universidade de Brasília); Via Livros (contacto - Alexandre Santos: alexandresantos@br.inter.net).
E ainda na Galiza: Livraria Couceiro (Praça de Cervantes, 6, Santiago de Compostela/ Enrique Dequit, 12, Corunha; Livraria Torga (Ourense, Rua da Paz, 12); Livraria Andel (Vigo, Rua Pintor Lugrís, 10). E ainda em Cabo Verde: Livraria Semente (Mindelo).

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Sexta-feira, 31 de Julho de 2009

Amor tudo cala

Homenagem a um concerto religioso de Leonard Cohen, irmão mais velho na Via da Paixão e do Despertar!

Lisboa, Pavilhão Atlântico, 30.09.2009.

(Não consegui postar um video de "Take this Waltz". Haverá uma alma bondosa que o faça?)

Foi você que pediu uma união ibérica?




Deu algum brado a publicação de uma sondagem esta semana, realizada pela Universidade de Salamanca, segundo a qual um terço dos espanhóis e 40% dos portugueses defendem a criação de uma federação ibérica de Estados.

Há sondagens que só nos fazem sorrir, tal o seu despropósito: como uma outra que nos “garantia” que o Bush era mais popular do que o Obama…

Sei que há muitos portugueses completamente descrentes do futuro de Portugal. Grande parte deles pagaria até para ter nascido num qualquer outro país...

Compreendo até que quem reduz a Pátria ao País e este ao Estado não se importasse grandemente de viver no Estado Espanhol. Pelo menos, teria mais regalias sociais…

Agora, 40%? No lo creio

vidavivida: MUKANKALAS

vidavivida: MUKANKALAS

SALVE O MUNDO - Poema de Silas Correa Leite





SALVE O MUNDO


Para a Amiguermã Educadora Iluminada Maria Rita Açucena


Salvar o Mundo é sentir a dor do outro
Se colocar no lugar existencial dele
Colocar a pele da alma, uma luz maior
Vivenciar um sentido ético-plural-comunitário de vida
Todos por um; amor ao próximo, companheirismo e fé na luta

Salve o mundo: você é parte da embarcação
Você é parte dele, um elo na corrente
Parte consciente da Humanidade
A espécie humana regojiza com esse empreendimento
Quando você assume a sua parte nesta grande viagem de existir

Salvar o mundo é compartilhar assim
Amor e dor, pão e pétala, abraços
Amparar o excluído, sendo um Sentidor
A dor do outro; dando a sua cota de humanismo porque
Somos todos passageiros da enorme barriga desta Terra-Mãe

Salve o mundo, salve além de sua parte
Um por todos, dê testemunho assim
Abrace causas, seja aquele que age
Muitos são chamados e poucos escolhidos, você pode ser a saída
Aquele que está no coração da inteligência como esperança da vida

Silas Correa Leite, Augusta Sampa, Nave 2009
Poema da Série “Éramos Todos Blues”
E-mnail:
poesilas@terra.com.br
Blogue:
www.portas-lapsos.zip.net

COMUNICADO MIL SOBRE O “PASSAPORTE LUSÓFONO”

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Conforme foi noticiado esta semana, o Partido Socialista “está a estudar a criação de um novo conceito, o Estatuto do Cidadão da CPLP, que na prática poderá proporcionar a livre circulação de pessoas oriundas dos países de expressão portuguesa”.

O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO congratula-se com essa intenção, esperando que não seja uma mera promessa eleitoral.

Lembramos que essa medida havia sido já por nós lançada, numa Petição em prol do Passaporte Lusófono, “uma das grandes aspirações de Agostinho da Silva, que venha a permitir a livre-circulação dos cidadãos em todos os estados da comunidade lusófona”:
http://www.gopetition.com/online/20337.html

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Comissão Coordenadora
Portugal e o Seu Destino – Quinto Império/Lusofonia/União Europeia?

O futuro de Portugal foi desde cedo o mundo, Índia, África, Brasil, só falando das principais partidas de comércio. Hoje é a Europa, regressando assim ao continente de onde tentamos fugir, mas que por anverso foi ele mesmo o que partindo da nossa predeliecção para ser mundo, seguiu e aproveitou as nossas pisadas, tornando-o global com a 1ª. mundialização. Regressamos à europa, com ela esgotada e esvaída por tanta pretensão de civilização, por tanto ter feito, no mal e no bem, para a socialização compressiva, que elevou o ser humano a uma nova consciência, o hiperpessoal (como Chardin nos retratou). Mas esgotada, incapaz dos seus estados de assumirem sós o protagonismo, encontrou uma fórmula nova, a da união pela via democrática, uma experiência que a 2ª mundialização, após a turbulência social, criminal, política que vai produzir, irá valorizar pelo caminho único, como vimos de associação, que no campo mais vasto das regiões mundiais só a união nos propósitos ajudará à socialização compreensiva, que eliminará o cancro acelerado que corrói o mundo e põe em causa a sua sobrevivência: competição desumanizada, esplorando até ao tutano toda a energia vital, de modo total.
Neste quadro, o Portugal do passado, que sonhava com o Quinto Império, nas palavras de Agostinho só poderá existir sem Imperador, isto é um Portugal que vive uma experiência única na história a de uma união de povos cimentada pela pura adesão livre, e não pela conquista, é a primeira experiência de intergovernação de característica da 2ª mundialização, e poderá vivê-la, graças a esse passado de primeiro Império do início da Socialização Compressiva, em diálogo com os povos de àfrica, do Brasil, da Ásia, que partilham passado, história, linhagem, língua e cultura conncosco, ajudando-os, a perceberem este caminho tão dificil, da Associação como única saída para o o mundo, a saída do hiperpessoal.
Ou seja a Missão de Portugal, está descrita nas palavras de Agostinho da Silva: “Os portugueses levaram a Europa ao Mundo mas, agora, todos aqueles que falam a língua portuguesa, têm o dever de trazer o Mundo à Europa”[1]. Humanizar a mesma, revigorar-lhe a alma e as formas de pensar que tanto rasgá-las em forma de conhecimento científico positivo, deixaram de poder dialogar com a emoção e as formas mais humanas, quão naturais. Depois de ajudar-mos a Europa a conduzir o mundo a uma civilização, qual fiat lux, hoje que emerge um mundo de miscegenado, a nossa diáspora é a garantia de podermos oferecer à Europa, um mundo diverso, mas pleno de cultura. De conseguirmos que a velha senhora se dobre e perceba que as divindades a que atribuia pouca consideração, são as lendas de um história que nos ensina a lhar o planeta, como ele deve ser olhado, como natureza viva, digna e repeitável, com os direitos inalienáveis de quem nos fez nascer e nos deu a liberdade para escolher. Europa concha, projecto que se fecha sobre si mesma, incapaz de exemplar o mundo, pela natureza única do seu projecto de unidade; ou Europa mar, capaz de albergar quem quer partilhar este projecto de liberdade e união, de culturas e civilização, manifestação de uma outra compressão (social, demográfica, psicologica, economica, cultural) a que temos sido sujeitos nos últimos dois séculos em particular, não a compresão massiva, mas a compressão compreensiva, capaz de albergar o Ser na comunhão com outros seres, cuja diferença se desvanece nesse campo, que parte do pessoal para o hiperpessoal, pela partilha de uma outra consciência,a consciência de caminharmos em conjunto enquanto projecto humano, e esta é hoje a experiência Europeia, que Portugal pode assumir como missão divulgadora pelo mundo, trazendo o mundo para dentro da Europa.

[1] Mendanha, V. (199 )“Conversas com Agostinho da Silva”, Pergaminho

reflexão desconexa - I


Amadeu de Sousa Cardoso, “Procissão do corpus christi”, 1913.


“Não creio que uma sociedade que confortavelmente se admira se possa transformar a si própria; advenha o bárbaro que a inveja e, porque a inveja, a destrói e se destrói; nem a satisfação nem a inveja são criadoras.” Agostinho da Silva, “Pensamento à solta”.

___

O desígnio fáustico de pactuar com a História trocando a alma, essa fome de encontro e transfusão, pela afirmação dogmática do que é um umbilical impulso e, por isso, não é para ser vivido como definitivo, é um impulso desiderativo inconsequente, um nado-morto. Acabará como todas as outras tentativas de generalizar ao mundo o inferno do auto-comprazimento e da sobranceria cultural.

Em primeiro lugar, não existe aquilo a que se costuma chamar História com “H”. O “h” nunca se quer grande. Quando um homem assume que arrosta na sua vida com a carga de Humanidade que só é dada aos ‘grandes’, quando a diferença entre ‘grandes’ e ‘pequenos’ é uma questão de mais ou menos dioptrias por corrigir na miopia de quem assim vê, quase tudo está perdido. É que a vida, ao contrário das calças do pronto-a-vestir, já nos é dada com a dimensão certa, ou seja, não é dimensionável. É, somente, o que nós nos fizermos dela, entrelaçado com o que ela de nós fizer, o mais certo é que ela nos desfaça.

É feita dum emaranhado de histórias, (não gosto da palavra ‘estórias’, mas todas as histórias participam da ficção, são criacionalmente investidas da sua continuação aquém e para além do que, pouco realisticamente, assumimos como o real), essa quimera a que pomposamente se atribui um ‘H’. As tendências longas dos Annales, a imperiosa sucessão de Impérios e regimes de dominação, as sístoles e as diástoles da economia, esse monstruoso coração negro que irriga o mundo de miséria e devastação, mais não serão do que simples mecânica dos fluidos, um gigantesco escorrimento em direcção ao buraco negro da temporalidade da desgraça. Mas chega de escatologia. Com ‘E’, não, para que o ar continue respirável.

Sigamos, pois, a deriva destinal da Língua que dá sentido à ideia de que, individualmente e colectivamente, há um destino. Essa Língua é falada por povos tão diversos, tão vários, tão profusamente diferentes, mesmo se olharmos de perto veremos amplificar-se, em fractal, a diversidade desses povos, mesmo dentro dos respectivos territórios, e isto é indesmentível. Esse destino só tem duas coordenadas: aqui e agora. Esta língua tem uma temporalidade que a anima, o presente e um referente por excelência, a presença. O que não for assumido como presente e não for vivido em presença, é pretérito.

Este o segredo das diacosmeses da saudade. Um ‘outro’ mundo se possibilita pela Língua que saúda os seres, que os acolhe e os libera na sua indefinição, na sua impossibilidade de se esgotarem, de se verem engolidos pela objectivação mercantil e industrial, os entrega à presença do Futuro, posto que outra coisa não é o presente. Trata-se duma Língua que não admite fronteiras nem exporta barbárie, isto se a encararmos na sua autenticidade. Talvez seja a única Língua em relação à qual não há bárbaros, todo o linguajar, do seu seio, é encarável como fala dos Eleitos, nada de criativo, profundamente humano, lhe é estranho ou dissonante. A sua influência não é invasiva, como um vírus ou qualquer outra causa de moléstia, porque a sua alma é a disseminação, a superação contínua de si, a absolução do insuficientemente visto como insuficiente ou deficitário. E é sabido que geralmente é no Outro que projectamos estas categorias da senilescência judicativa.

O Mundo não precisa de ‘nós’. Querer ser solução é um sintoma do problema. Deixemos o Mundo em paz em nome da Paz no Mundo. Vivamos o destino: sejamos autênticos na nossa vida, construamos uma comunidade de rosto humano, uma comunidade sem limites, mas que tem que ser vivida aqui e agora para que tenha uma amplitude verdadeiramente humana. E há que ter em conta que este 'aqui e agora' é permeado pelo infinito e pela eternidade. Deixemos que os que atiram os foguetes vão atrás das canas. O que precisamos, aqui e em qualquer parte, não é de fogos de artifício, de manhas e desmandos.

Em Ílhavo...


Mais um texto sobre um pedaço da vida do padre António Vieira...

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Caros Amigos,
Pelos 340 anos do Sermão de Santo Inácio, mais um texto sobre um pedaço da vida do padre António Vieira.
Amanhã sairá outro texto pelos 350 anos do Sermão das Cadeias de São Pedro.

Para ler em http://antonioabreufreire.bloguepessoal.com
Saudações
A de Abreu Freire

Nos Açores...


Diga Não ao Acordo de Londres - Salvaguardar a Língua Portuguesa

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Ex.mo Sr. Primeiro Ministro, Eng.º José Socrates,

vimos trazer ao conhecimento de V. Ex.ª um facto que nos parece revestir-se da maior gravidade para a salvaguarda dos mais legítimos e vitais interesses nacionais.

O Governo está a ultimar a adesão de Portugal ao Acordo relativo à aplicação do artigo 65º da Convenção sobre a concessão de Patentes Europeias (denominado Acordo de Londres). A adesão é facultativa.

Tal como hoje em vigor, quem pretende validar uma patente europeia em Portugal tem de apresentar a tradução para português. O Acordo de Londres vai suprimir a obrigatoriedade de tradução, passando a vigorar em Portugal as patentes apresentadas em inglês, francês ou alemão.

A ratificação deste Acordo terá consequências muito graves para a economia nacional:

- Para as PME

Neste momento as empresas portuguesas têm acesso à informação relativa a todas as patentes, de forma gratuita e em português.

Com este Acordo essa informação deixará de estar em português e passará a ter de ser a empresa portuguesa a pagar por ela. O que era gratuito passa a ter um custo (e bem elevado).

Em média, no início de um processo de invenção, são consultadas e analisadas 20 a 30 patentes. Sendo o custo de tradução de cada patente em média de 1.300 euros, isto representa que, o que até hoje era gratuito, passa a custar, por cada caso, mais de 45.000 Euros às empresas portuguesas.

A consequência mais imediata será que as empresas portuguesas deixarão de apostar na inovação e na sua protecção, perdendo assim competitividade.

Acresce ainda que este Acordo só interessa às empresas norte-americanas, japonesas, alemãs, inglesas e francesas (grandes utilizadores do sistema de patentes europeu, com mais de 70% dos pedidos) pois deixarão de ter custos de tradução, que podem suportar sem dificuldade e que vai passar para as empresas, no caso, portuguesas.

- Agravamento do desemprego.

A adesão a este Acordo representará o desemprego para todos os tradutores técnicos e perda de negócio para os agentes de propriedade industrial. Não serão consequências da crise económica, mas tão só da assinatura, pelo Governo, da adesão de Portugal ao referido acordo.

- Ataque à Língua Portuguesa.

Este Acordo implica que a língua portuguesa vai deixar de ser uma língua utilizada na área das patentes. Uma incoerência quando se propala que é preciso impor a língua Portuguesa como uma Língua com valor e com futuro.

Outros Países como a Espanha, Itália, Grécia, República Checa, Polónia, entre outros, não admite a adesão ao Acordo precisamente por querer preservar e valorizar o valor e importância da sua língua.

Gostariamos que reflectisse acerca das seguintes questões:
- A quem interessa verdadeiramente a assinatura de um Tratado neste âmbito?
- Se não é legítimo um Governo no fim da legislatura decidir sobre as chamadas "grandes opções", porque razão parece ser a Língua Portuguesa uma "pequena opção"?

Pelos motivos acima expostos, vimos por este meio demonstrar o nosso desacordo em relação à adesão de Portugal ao Acordo de Londres, e pedir que o mesmo seja posto de parte.

Os signatários

http://www.peticaopublica.com/?pi=traducao

Sentir-se em casa...

«Castelo Branco, ferrarias, interior profundo de Portugal 1964,

A mãe berrava em tons agudos que espantavam os animais no palheiro. Epidural era um termo que distava trinta anos de calendário. Ia tê-la ali, naquela cama desconchavada com uma malga de água quente e a ajuda de duas vizinhas com mais buço que dentes na boca. Bébé no mundo, cordão cortado com tesoura romba e de pontas ferrugentas, daquelas que serviam para tosquiar as ovelhas e pronto! Nascera!Mal tivera tempo de abraçar a sua menina. A única frase de parabéns que ouvira do marido, seca e apressada ,prendia-se com a janta:- “Vê se te alevantas! Tenho fome! Preciso comer e deitar cedo que amanhã vou pra trás do Tojal, bem cedo, ajudar o chico na Eira”…
«E assim dera à estampa, a menina Olinda Botelho, no meio de uma caderneta amachucada com cromos amarelecidos. A mãe, finara-se semanas depois após luta desigual com uma infecção interna. Olinda fora recolhida por madrinhas, amigas, vizinhas, tios, primos e assim saltara os anos e a escola em casas alheias. Aos doze, o pai achou que estava em boa idade de trabalhar e assegurar a lida da casa. Fora a primeira vez que conhecera a sua casa… amontoado de xistos com reboco envergonhado, móveis a pedir licença pela inexistência, tectos de cozinha mascarrados e a pedir limpeza desde o Eça de Queiroz… não esmorecera…era a sua casa! Com o tempo tornou-se moça viçosa, roliça de carnes, prendada e esperta. O rol de qualidades despertara as vontades e cobiça do Manuel Zarolho.
«“Quem casa quer casa”… pois… a muito custo deixara a casa paterna para viver com o marido. De início, encaixara na gaveta do esquecimento os modos ríspidos , a voz entaramelada e o hálito fétido do álcool, mas breve, breve, experimentaria a mão pesada do dono pelos motivos mais fúteis em ritmo cada vez mais intenso e constante. Farta do amor pautado pela lambada e insulto, entornou-se-lhe a água do caldeirão no dia em que, grávida de três meses, fora premiada com mais manifestações do seu carinho doméstico:- E pára de choramingar! Dás-me azia no estômago! Vai mas é preparar a janta minha porca! Tás na minha casa... fazes como eu quero!Não! Não era porca porque os bácoros comiam a tempo e horas eram bem tratados e não levavam paulada…
«Manuel Zarolho fora ao palheiro, no alto do barranco mesmo a espreitar as margens do rio Ocresa, buscar feno para os animais. Olinda Botelho, toldada pela raiva e pelos anos de servilismo e impotência não pensou duas vezes: dirigiu-se à adega, levantou as sacas das cebolas e tirou a espingarda guardada debaixo do estrado. Rapidamente voltou à cozinha e, por detrás das latas amolgadas de farinha e arroz, sacou dois zagalotes da caixa de cartão que estava aberta. Desatou a correr na companhia de papoilas e calhaus e assim que o viu mesmo antes de chegar ao barranco gritou-lhe:
«- Manuel! Ò Manuel! Olha pra mim malvado!.. que lá pró inferno que é pra onde tu vais…não te vais esquecer da minha cara!!
«Um bando de pássaros debandou do alto da copa duns quantos pinheiros após o estrondo… Olinda pousou a espingarda junto ao corpo inerte e voltou para casa. Sentou-se no banquinho de cortiça e sacou dum bocado de pão, duma navalha e da chouriça cortada sobre o prato em cima da mesa. Aliviada, mais repousada, escorada na vingança e com o remorso a léguas de distância, comeu uma bucha de pão com chouriço e então sim… sentiu-se em casa…

Quinta-feira, 30 de Julho de 2009

Mais um volume da Colecção NOVA ÁGUIA...

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Apresentação de A Verdadeira História de Aladino e a Lâmpada Maravilhosa (Zéfiro/ Colecção Nova Águia) de Rodrigo Sobral Cunha, com prefácio de António Telmo, ilustrações de Carlos Aurélio e posfácio de Pedro Sinde

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“É certo que, para estas matérias, podemos detectar uma espécie de magos confabuladores, alcandorada nos anéis do tempo, que vai contando a história (como o tal árabe cristão a Galland, este aos outros e por aí fora), de preferência cada vez melhor: ponto acrescentando a ponto, espiralando a linha do tempo e assim melhorando o conto, mas sempre a partir de uma mesma essencial verdade que pulsa em segredo aqui e ali na história. Mas muitas outras vezes a história é cada vez pior contada, ponto a ponto se suprimindo o conto, desfazendo em recta a espiral do tempo, até o essencial sentido (aquele que faz a duração vital da narrativa) ficar escondido como uma lamparina na mais profunda das cavernas. Tais pactos de confabulação, como os de Galland e Hannâ Diyâb, reproduziriam assim à escala o processo milenar que fez andar As Mil e Uma Noites da Índia à Pérsia e ao Egipto, com os nomes de Salomão, Alexandre Magno, os Cruzados, ou Dhinazad e Xerazade (filha da noite, em arábico), nas caravanas que pernoitam à roda das fogueiras donde saem génios e criaturas dos outros mundos que há neste. Quanto àqueles cujas vozes e os gestos deram vida às Noites muito para além das vidas dos seus reais protagonistas, até nós, refere o barão de Hammer Purgstall esses confabulatores nocturni, narradores noctívagos que Alexandre ouviu e que Eduardo Lane (tradutor das Mil e Uma Noites) disse que eram uns cinquenta no Cairo de 1850, conforme recorda Borges; e isto sem subestimar os mercadores a quem se deve, na observação de Walter Benjamin, a afinação das astúcias com que o contador de histórias do ciclo das Mil e Uma Noites capta a atenção do seu auditório. Naturalmente, há evidências de ordem vária: ao gosto da arqueologia positiva e da filologia, por exemplo, encontrou o egiptólogo húngaro Ernõ Gaál um manancial considerável para a história de Ala Al-Din em papiros egípcios helenísticos e romanos (II-IV d.C.), situando-a depois da conquista árabe do Egipto pelo século VII e relacionando-a com a prática do roubo de túmulos no Egipto. Mas é dentro da própria história que a coisa que está fora dela se passa!” (A Verdadeira História de Aladino e a Lâmpada Maravilhosa, § 9)

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“Que os extremos se tocam, vê-se particularmente bem no caso da tradução, com a traição e a tradição, como é sabido, pois o tradutor pode ser textualmente ou oralmente o traidor ou o servidor da tradição. Mas nem só. Pode acontecer-lhe estranhamente que, transmitindo, traia o tradutor a causa e outras vezes, ao contrário, traindo-a, transmita a causa. Tal é a sina do traditor. O que Galland diz, pois, sobre o assunto é que aquele que descobre Aladino era um mágico africano, que se aplicara ao seu mister – a magia – desde a juventude e que depois de aproximadamente quarenta anos de encantamentos, de operações de geomancia, de sufumigações e da leitura de livros de magia, chegara enfim a descobrir que havia no mundo uma lâmpada maravilhosa, cuja posse o tornaria mais poderoso que qualquer monarca do universo. Por uma operação de geomancia o mágico toma conhecimento do local do tesouro dos tesouros. A lâmpada encontra-se num lugar subterrâneo no meio da China, completamente inacessível, excepto para Aladino (que por isso passa a estar no mapa estratégico do geomante). Desloca-se então ao local, próximo do qual vive não por acaso Aladino. O mago, além de conhecedor das artes do fumo, é também fisionomista e lê no rosto do formoso Aladino “tudo o que era absolutamente necessário para a execução do que motivara a sua viagem”, segundo afiança o narrador gaulês.” (A Verdadeira História de Aladino e a Lâmpada Maravilhosa, § 12)

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“Nem toda a riqueza do sultão, acrescida da do seu grão-vizir e demais homens ricos do reino, era suficiente para acabar uma só das janelas do palácio de Aladino, manifestamente uma das maravilhas do mundo. Como é evidente, o problema não era apenas de ordem técnica, pois nem mesmo os melhores ourives e joalheiros do reino (manifestamente decadente) conseguiam compreender a ordem de subtileza artística em jogo. (Não sabiam sequer distinguir jóia de joie, que é como quem diz o trigo do joio!). É que se aquele palácio podia fazer-se da noite para o dia e durar pelos séculos fora, podia igualmente desfazer-se do dia para a noite. O que explica que a janela imperfeita, não na arquitectura mas na ornamentação de diamantes, rubis e esmeraldas, fosse completada com um estalar de dedos de Aladino, com a lucerna ao alto. Xerazade escapa ao régio imposto diário sobre a beleza mantendo o rei (seu marido) acordado; pois onde uns cortam, põem outros e à história das decapitações contrapõe ela uma verdadeira narrativa: com pedraria da árvore da vida temperou Aladino a sua moradia. Sem a boa conselheira, portanto, o reino afundar-se-ia nas trevas (sem ouvidos para a múrmura fala de Xerazade, soam as decapitações na Europa). De variedade quase infinita, como é bom de ver, são os materiais para edificação e os melhores não estão propriamente à mão. “Os grandes feitos da arte, observou Ruskin, são tornados possíveis quando as almas dos homens se encontram como as jóias nas janelas do palácio de Aladino, puras por igual as pequenas gemas e as grandes, sem precisar de cimento, mas sim da harmonia das suas facetas.” (A Verdadeira História de Aladino e a Lâmpada Maravilhosa, § 47)

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“Fora de portas da cidade, o mágico africano levara Aladino muito para lá dos amplos arredores com casas e palacetes de belos jardins, desaparecendo aos poucos qualquer sinal de presença humana e alargando-se o horizonte em plena extensão. Um lagarto contornou uma rocha procurando sombra. Aladino, que nunca andara tanto na vida, sentiu-se exausto de tão longa caminhada.
– “Tio!” – perguntou ao falso irmão de seu falecido pai o alfaiate Mustafá: “Aonde vamos? Só vejo descampados e montanhas e nem uma árvore já! Se continuarmos, não sei se terei forças para regressar à cidade!”
– “Coragem, sobrinho!”, respondeu-lhe o falso tio na persecução do seu estratagema; – “quero mostrar-te um jardim que excede de longe todos os que viste até hoje; está próximo, ainda que não te pareça, mas quando lá chegares hás-de me dizer o que seria não o teres visto depois de estares tão perto dele! Enche-te de coragem, Aladino, pois já és um homem! Levo-te a um sítio maravilhoso, perto do qual todas as riquezas dos reis deste mundo são coisa de crianças!”
Convencido, reergueu-se o ânimo a Aladino e dirigiu-lhe então o magrebino doces palavras, para lhe tornar mais leve o caminho e contou-lhe histórias de encantar, ora verdadeiras ora falsas, entretendo-o, rumo ao fim secreto que o trouxera da extremidade da África ao Oriente extremo. E para Aladino não perder o ritmo, o mago tirou de um saco hermeticamente fechado um fruto carregado de ritmo: uma laranja marroquina. Abriu-a ao meio, mostrando-lhe a geometria octangular daquele fruto e deu-lhe a provar o sabor da matemática convidando-o a transformar a geometria que ali via em energética aritmética, saboreando-a de modo a ficar a saber inteiramente ao que sabe a laranja (“toda a vez que não encontrares geometria na laranja, como a decagonal ou outra, é porque ela não presta”). E o africano, viajado como era, falou-lhe pausadamente de outras terras: primeiro, daquelas onde vivera – Índia, Pérsia, Arábia, Síria, Egipto – e depois, das que atravessara, por exemplo a maior floresta do mundo, a taiga da Sibéria, com seus silêncios e seus sons. Falou-lhe moroso dos costumes dos outros povos: por exemplo, como os aborígenes australianos cantavam os caminhos, como repetiam passo a passo desde o Tempo do Sonho os cantos primordiais da Criação, onde foi dado nome às coisas, e como cada homem fazia o seu caminho ritual de amplas extensões, lugares e viventes segundo uma música de versos sagrados que era também um mapa para encontrar os passos dos irmãos desde o Início. E disse-lhe mais verdades acerca do povo das andorinhas e do povo dos girassóis e ainda de certos povos do mar. Ensinou-lhe também um provérbio mourisco: “Aquele que não viaja desconhece o valor dos homens”.
E nisto chegaram ao pé de uma montanha, ao fundo de um vale deserto. Soprou uma brisa desconhecida no rosto de Aladino. O mago parou a estudar atentamente uma rosa-do-deserto.
– “É aqui!”, exclamou de olhos rebrilhantes como sóis negros. – “Repousa um instante e prepara-te, Aladino, pois estás à beira de ver coisas extraordinárias e desconhecidas dos mortais; e quando as vires, hás-de me agradecer teres testemunhado maravilhas tais que olhos humanos nunca viram!” (A Verdadeira História de Aladino e a Lâmpada Maravilhosa, § 51)

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“Para entrar na gruta, isto é, para levantar a pedra que tapa a entrada, Aladino, diz-lhe o mágico, deve invocar o nome do seu pai e do seu avô, isto é, deve invocar os seus patriarcas. Nessa invocação, podemos ver o sinal da ligação à cadeia dos antepassados, que é condição necessária para que o neófito possa encontrar aquele “poder” primordial, simbolizado pela lâmpada. A esta cadeia de ouro se chama em língua árabe, no sufismo, silsila. Podemos aqui lembrar, agora, que Cristo desce ao limbo dos patriarcas ou dos pais (limbus patrum) para os resgatar, mas esse acto de resgatar contém em si necessariamente um outro: o de reatar a cadeia dos profetas, seus patriarcas ou ancestrais, até à origem adâmica, em que o último se liga ao primeiro ou o mais baixo ao mais alto ou o de baixo ao de cima. Trata-se, de algum modo, de estabelecer a relação com a sua silsila: de resto, não deve ser por acaso que S. Mateus se dá ao trabalho de referir, logo no início do seu evangelho, a ascendência de Cristo. Os sufis fazem o mesmo para comprovar a validade da sua iniciação, pois todas as silsilas válidas vão dar ao profeta Maomé, daí recuando, profeta a profeta, até Adão. […] Ainda em relação aos patriarcas de Aladino, convém ter presentes estas duas etimologias: o nome do seu pai, Mustafá, significa “o eleito” e Aladino significa “a glória da religião”. Ora, o filho do “eleito” é, portanto, a “glória da religião”. Não nos é dito o nome do seu avô, talvez porque simbolize aqui a origem da sua origem.”

Pedro Sinde (Posfácio)

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“Aladino permaneceu na caverna durante três dias (sexta-feira, sábado e domingo) que – coisa ainda não inteiramente notada – são os dias santos das três religiões abraâmicas, aquelas que, segundo Álvaro Ribeiro confluem na formação do pensamento português. Se a interpretação iniciática que Pedro Sinde fez do Aladino estiver correcta, a passagem de Ruskin pode bem ilustrar a unidade interna, e transcendente, com que a gnose da tradição lusíada, pelo prisma da imaginação criadora, cingiu os três monoteísmos.”

Pedro Martins

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“O mágico negro foi lá [China] que adivinhou Aladino e a sua lâmpada e veio de extremo a extremo da terra até ao Império do Meio, para, uma vez de posse da lâmpada, poder dominar o mundo, fazer dele o seu globo, uma farsa macaqueada do Quinto Império. No momento exacto em que estava prestes a consegui-lo, uma criança negou-lhe esse poder. Aladino não lhe entregou a lâmpada. Pouco foi preciso depois para que nesse mesmo mundo, que é o nosso, reinasse a Bondade e a Beleza.
E também a Verdade, porque tudo será um Milagre da Luz.”

António Telmo (Prefácio)

TYPE O NEGATIVE - Christian Woman


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Curiosidades sobre a linguagem açoriana

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Ouve-se muitas vezes pronunciar “tesoiras” ou “tisoiras” em vez de tesoira. Bem se sabe que não é correcto:— Á Maria, alcança-me aquelas tisoiras que estão aí im cima da menistra! É ouvido por todas as ilhas nestas formas. Penso que será o equivalente a chamar ‘binóculos’ ao binóculo. Não só nos Açores como por todo o país. Estará correcto?
Quando me criava, meu avô tinha um lindo bonóculo, enviado da América, devidamente acmadado no meio de uns alvarozes, mas sempre lhe ouvi chamar ‘binóculo’. Pela vida fora fui ouvindo as duas formas, singular e plural. Hoje ouve-se frequentemente o plural, mesmo por pessoas que têm obrigação de falar o bom português — refiro-me àqueles que ensinam, os professores, e os que contactam diariamente com o público, nomeadamente através dos meios de comunicação. Vamos ver se estará correcto.
Um ‘óculo’, por definição — pode constatar-se em qualquer dicionário —, é um instrumento equipado com lentes de aumento, próprio para ver ao longe. Um ‘binóculo’, não é mais do que dois óculos unidos, com sistemas de lentes reguláveis. Portanto, a forma correcta deverá ser ‘binóculo’. Deriva, aliás, do francês binocle, e é por isso que na linguagem popular se ouve muitas vezes pronunciar ‘binocle’.
Mas, como toda a Língua é dinâmica e se vai alterando com o andar do tempo, a palavra, dita no plural, tornou-se tão habitual na linguagem de agora que o recente Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea (Academia das Ciências de Lisboa) já a regista, a par da vernácula, como fazendo parte do português de agora. Eu por mim uso a correcta, digo, a dita no singular. Os Galegos também.

E, como as conversas são como as cerejas, esta palavra faz-me lembrar outra, neste caso falando no género. Antigamente a palavra ‘bebé’ só se usava no masculino. Os Professores da Faculdade de Medicina de Coimbra, antes da Revolta do 25 de Abril, eram altamente exigentes quanto à terminologia médica. Tão rigorosos, ao ponto de chegarem a ‘chumbar’ um aluno num exame por apenas usarem uma palavra não registada na ‘memória rígida’ das suas doutas mentes, tal como um computador sublinha a vermelho qualquer palavra que lhe não tenha sido introduzida no vocabulário do disco rígido. Resultado fatal: quem tivesse o azar de usar tal palavra no feminino chumbava logo. Realmente essa palavra deriva do francês Bébé (masculina). ‘Bébé’ era o apelido de um célebre anão da Corte do ex-rei da Polónia Estanislau Leczynski quando, no século XVIII, governou as regiões de Barrois e Lorena. O anão chamava-se Nicolas Ferry e diz-se que pouco mais media do que 60 centímetros de altura, sendo uma verdadeira atracção local. O nome, acabou por ser difundido através do inglês baby, em português ‘bebé’, em brasileiro ‘bebê’. Se alguns dicionaristas ainda a usam apenas no masculino, referindo-se à criança de qualquer dos sexos (José Pedro Machado, por exemplo), a maioria regista as duas formas. Eu, quiçá traumatizado pela rigidez da formação académica, uso-a (tal como os Galegos) apenas no masculino: Aquela menina é um bebé lindo. Sei que não será correcto, ou actual, mas às vezes até me tem dado jeito: aqui atrasado, estando no Serviço de Urgência, apareceu-me uma criança com cerca de 6 meses, olhos lindos, azuis, pele clara e uns lindos brincos de oiro em cada orelha. Pensando tratar-se de uma menina, logo comentei: “Que lindo bebé!” Acertei em cheio: era mesmo um bébé, não uma bebé. Não fiz figura de parvo. Parvos, quanto a mim, terão sido os pais ao enfiar nas orelhas do bebé umas arrecadas, num ser humano ainda sem capacidade de discernir. Quem sabe lá se daqui a poucos anos se aborreçam os rapazes de andarem com brincos nas orelhas. Até que, para certas profissões — ajudante de pedreiro, ou outras —, tal delicado adorno deverá ser incomodativo e eventualmente perigoso, estando sujeito a rasgar o lobo da orelha.

No nosso Continente europeu, pela própria anatomia facial dos seus habitantes, não será fácil o adorno usado pelas velhas tribos africanas, a colocação de um prato no lábio inferior. Se não fosse tal impossibilidade anatómica, com o exagero dos adornos que hoje se vão vendo, já teríamos jovens (no sentido amplo da palavra) de beiçola descaída a passear o prato pelas ruas de todo o país.
Embora não pareça, pessoalmente nada tenho com tais manifestações narcisistas, mas nunca mais me esqueço das palavras de meu avô João Travassos, já lá vão mais de vinte anos: Inda hás-de ver esses monços, de saia e perna rapada, de bandolete na cabeça e arrecadas nas orelhas... E hão fugir das raparigas, tanta há-de ser a fartura. Já nã há-de ser pro mei tempo... E já não foi.

João Barcelos, in Diário Insular

Para que serve a Lusofonia?

A Lusofonia é o fenómeno de haver quem fale português: 240 milhões de falantes. Isso é um dado incontroverso. A questão, levantada na Declaração de Princípios e Objectivos do MIL, e até hoje sem resposta, é: qual o melhor sentido a dar à Lusofonia?

A forma que em mim assume essa questão, na linha de Pascoaes, Pessoa e Agostinho da Silva, é: como colocar a Lusofonia ao serviço de tudo e de todos, como fazer da Lusofonia um contributo para o bem do planeta e dos seus habitantes, humanos e não-humanos? Para essa questão, não vejo, desde o início da vida do MIL, qualquer resposta.

Alguém tem ideias?

Partidos recusam a questão de eventual federação ibérica

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Um terço dos espanhóis e 40% dos portugueses defendem a criação de uma federação ibérica de Estados, conclui um estudo realizado pela Universidade de Salamanca. A hipótese é, no entanto, recusada pelos partidos políticos que duvidam mesmo da credibilidade do estudo que se baseia em 876 perguntas telefónicas realizadas entre Abril e Maio.

João Teixeira Lopes, do Bloco de Esquerda, reconhece que "do ponto de vista cultural e geográfico não existe descontinuidade com Espanha" adiantando que a separação dos países se "fez por vontade política". Considera que a questão da federação "não se coloca hoje em dia" e adianta como explicação dos resultados "o facto de as pessoas estarem descontentes com a actual situação e existir uma imagem positiva de Espanha na opinião pública portuguesa".

Já o eurodeputado socialista Capoulas Santos frisa que "não acredita nos resultados do estudo", adiantando não se perceber em que "sentido se fala numa federação". Lembra que Portugal tem 900 anos de história enquanto a Espanha, tal como a conhecemos, tem apenas cerca de 450 anos. Para Capoulas Santos, o "máximo de entendimento entre Portugal e Espanha deve ser obtido dentro da UE".

Também Telmo Correia, do CDS, não dá grande credibilidade ao estudo adiantado que "caso a pergunta fosse expressamente sobre a questão da nacionalidade os resultados seriam seguramente muito diferentes". O deputado frisa que a questão da federação política não faz qualquer sentido", e que não se entende em que moldes foram colocadas as questões".

Albano Nunes, do PCP, refere que "a questão das relações entre Portugal e Espanha e, em particular, das relações entre os povos da Península Ibérica é questão demasiado importante e carregada de história para ser objecto de considerações apressadas, sobretudo quando estão em causa questões tão sérias e delicadas como a do federalismo ibérico".

Fonte: http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1320798

REGRESSO AO PARAÍSO, CANTO V


Baco e Ariadne, Agostino Carracci, séc. XVI



(Excerto inicial)

Era, na terra, o dia de Natal,
Que Satã festejava alegremente
Com um grande banquete dedicado
Aos Demónios ilustres e também
À plebe demoníaca.

Depois havia danças, na floresta,
E musicais orquestras, inundando
De harmoniosos sons o negro Inferno.

O amor e a embriaguez! O vinho e o beijo,
Dando-se as mãos culposas,
Molhadas de volúpia,
Na dança que desmaia e faz vertigens…
Alegrias cantando desgrenhadas,
Silhuetas efémeras de doidos!
Delírios de Sabat da carne viva,
E loucuras do sangue que fumega!
Risos, bater de palmas, tilintar
De cristais que se partem, e onde a luz
Dir-se-á que também bebe e se embriaga…

Era a festa plutónica maior,
A Festa da Ironia.

[…]

Teixeira de Pascoaes

"Por isso participo da petição do MIL..."

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ENTREVISTA A FRANCISCO FADUL:
http://www.opovo.com.br/conteudoextra/889489.html

EM PROL DA CONSTRUÇÃO DE UM ESTADO DE DIREITO DEMOCRÁTICO NA GUINÉ-BISSAU:http://www.gopetition.com/online/26953.html

Quarta-feira, 29 de Julho de 2009

Em primeira mão: resultados oficiais da segunda volta das eleições presidenciais na Guiné-Bissau...


Leituras de Verão


ABREU, Pio J. L., Como tornar-se doente mental, Publicações D. Quixote, 2007.
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Sem querer entrar no tema labiríntico da afirmação da psiquiatria como ciência normativa respeitante ao comportamento humano, com a reacção, de dentro das filosofias da suspeita, da anti-psiquiatria, este livro dá-nos o pretexto para enfrentarmos o paradoxo de, em termos mentais, a sanidade e a insanidade parecerem indissociáveis e especulares, duas faces da apropriação de si que se distinguiriam pelo grau de exuberância dos sintomas. O que é encarado com toda a normalidade quando ocorre de forma episódica e natural, torna-se patológico quando reiterado e repetido sem necessidade. O patológico é imotivado dentro dos quadros da racionalidade e da causalidade física e mental que garantem a solidez da personalidade e a coerência da identidade pessoal que lhe serve de esteio.

A mente não será sã nem demente. Estar num ou noutro estado pode ser o resultado duma prática, um constructo da psique, enredada nas malhas dos seus desejos e das suas frustrações, atraída pela deliquescência dos quadros de referência pelo apelo irresistível da deriva metafórica inerente à apercepção diferenciadora. Cair no poço sem fundo da racionalidade judicativa e, aí, no âmago do pensável e do representável, ser atraído pelo vórtice da imotivação, da desrazão, no caos em relação ao qual a Razão se quer pura, ver que os dados da percepção sensível nos jogam e nesse jogo nos tornamos capazes de crença e de problematização, essa, também, um sintoma punjente, se for alimentada por uma curiosidade insaciável, que a si própria se alimenta…

A Filosofia como Loucura que a si própria se aprisiona em jaulas de espanto, como nos jardins dos loucos que surgiram um pouco por toda a Europa iluminista. O inumano que desponta de dentro da vida que se racionaliza, se explica e, explicando-se, se expele do pulsar imotivado que, no fundo, é o que anima todo o vivente, ser sem razão, sem razão de ser, sem razão para ser, ser em comunicação nevrálgica com o magma inapropriável a que a metafísica ocidental chamou Natureza, esse regime ante-paradisíaco que dispensava o agatismo e a normatividade.

Loucos em potência ou impotentes para o assumirmos? Que diafragma nos preserva da imersão nas águas plúmbeas da intimidade largada de si, transbordante, precipitada nos abismos cavernosos do esquecimento palpitante do animal que somos? Como os insectos que surgem das nossas tendências larvares não se tornam num enxame capaz de deglutir de vez o mundo, suspenso e sempre em risco de rasura, que nos habita, tentacularmente, película fantasmática e húmida, os recantos mais plissados do cérebro?

Uma pancada no crânio, um acidente de percurso no aparente continuum da vida auto-consciente, e a o fantasma que habita a máquina pode desfigurar-se, ou mesmo evadir-se para nunca mais voltar. Mais interessante é a hipótese do processo poder ocorrer sem traumatismo, de forma voluntária, em resultado dum treino. Talvez seja isso que a sociedade faz ao criar dispositivos de conformação social como a escola. Para não falar doutras instituições mais óbvias de policiamento da mente e de normalização dos costumes.

Talvez seja verdade que os alunos mais problemáticos sejam os que tentam sair da bolha de auto-comiseração e de servilismo em que se transformou a vida humana, a vida falável e arregimentável, a vida saneável e aprovável, com papéis passados e tudo, garantias de conformidade e de excelência, sem excedência em muitos casos. A alma humana, toda feita em papéis, impressa, carimbada, selada, matriculada, pagadora de propinas e de promessas, tributável e arquivável, digitaliza-se, alcança a imaterialidade que outrora pareceu ser uma prerrogativa que lhe garantiria a imortalidade e que hoje a torna sujeita ao apagão, à corrupção das superfícies magnetizáveis, à futura obsolência dos dispositivos de registo.

Ter a biografia anichada no micro-chip dum cartão de plástico, daqui a nada implantado sob a pele, poder ser localizável em todas as circunstâncias, atingir a visibilidade absoluta, a mesma que garantirá o anonimato e a futilidade da diferenciação existencial, se daí se soltarem raízes que se entrelacem exuberantemente na rede neural do sistema nervoso, isso será a impossibilitação da loucura auto-imposta, conquistada com o afinco dos obsessivos e dos mais tenazes.

Mas talvez seja melhor aproveitar enquanto a porta para o espaço incivilizado do manicómio está aberta. Este livro é um bom guia. Basta que foi escrito por um psiquiatra.

Educação para o ódio

Quando o grande poeta Paul Celan saiu de Auschwitz, onde sofrera impiedosos tormentos, foi visitar Heidegger, acaso o maior filósofo do século XX e nazi nunca arrependido. Sabe-se que conversaram de tudo, sem omissões ou rasuras, e Celan não ocultou o prazer experimentado durante aquelas duas horas de convívio. Mas esta era outra gente, independentemente dos gostos e convicções. Em tempos, fui criticado por estimar e defender João Coito (que chefiou a redacção do Diário de Notícias), meu saudoso amigo e salazarista indefectível. E João Coito era reprovado, pelos seus correligionários, devido à afeição que por mim publicamente manifestava, sobretudo em artigos n'O Diabo. Esta relação situava-se no campo da honra e da integridade, se me permitem fazer uma paráfrase da explicação dada por Celan, e tomando as distâncias devidas entre nós e eles.

Dá-se o caso de, na década de 60, depois de despedido de O Século, por envolvimento na Revolta da Sé, e vivendo numa semiclandestinidade, o João Coito moveu céu e terra para eu entrar como redactor no Diário de Notícias. O meu amigo era um homem influente, mas não tanto que conseguisse opor-se a César Moreira Baptista, corifeu do regime e meu raivoso inimigo. Preparava-me para viajar até Paris e, depois, seguir para a Checoslováquia. O Urbano Tavares Rodrigues obtivera uns papéis falsos, encontrámo-nos na Pastelaria Smarta, de súbito deu-me a saudade futura de Lisboa, decidi ficar. Dormi em casa do Fernando Lopes e comi na mesma mesa fraterna. Um dia, diz-me que Manuel Figueira, chefe de Redacção do Telejornal, quer falar-me. Almoço na Varina, Parque Mayer, centro do nosso mundo, e, no final, Figueira convida-me a redigir notícias para a televisão, com, apenas, uma reserva: os recibos seriam assinados sob pseudónimo. Assim nasceu Manuel Trindade, nome de ressonâncias eclesiásticas, até que, denunciado, fui afastado, num despacho de Moreira Baptista, pobre homem.

A vida é o que é. Não me queixo, envelheço sem espanto e com ironia e vou-me divertindo, chateando uns tunantes que por aí andam. Lembrei-me, agora, destas historietas afáveis, ao ler alguns preopinantes de uma direita odienta, que confundem o desdém por delatores com fanatismo partidário. Os que nasceram sob Salazar foram educados para o ódio. De um e de outro lado. Porém, sempre julguei, ingenuamente, que a democracia boleasse as arestas desses ódios. Nada disso. Renasceu um movimento retardado de rancorosos, sem talento, sem grandeza e sem generosidade, mas com aleijões morais e prosa de mau hálito. Os netos de Salazar são incapazes de seguir os exemplos de Celan e de Heidegger. Porque continuadores do mais desprezível dos modelos.

Baptista Bastos
Diário de Notícias

Sobre Condorcet...

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Em 1789, quando, devido à incompreensão das classes dirigentes, a Revolução estalou, Condorcet, que não fez parte da Constituinte, foi membro da Comuna de Paris e todo o seu esforço, como político e jornalista, se empregou no sentido de facilitar a transição de um regime para outro; não, era empresa fácil e sentiu-o melhor quando, em 91, o elegeram para a Assembleia Legislativa de que chegou a ser presidente; não pertencia a nenhum partido, o que tornou a sua posição ainda mais difícil, mas respeitavam-no pela sua inteligência, pela sua imparcialidade, pelo seu ardor generoso; dedicou-se primeiro às questões de instrução pública que achava essenciais para o progresso da humanidade, mas logo viu as implicações que existem entre este domínio e o político, e, quando se formou a Convenção, para que foi eleito por cinco departamentos, fez parte da comissão constituinte; avizinhavam-se os tempos difíceis da Revolução, o choque da burguesia que considerava o movimento completo e do povo que pretendia mais ainda, por outro lado, o combate supremo entre a corrente autoritária e a corrente liberal; Condorcet atendeu mais ao segundo aspecto da luta e esteve contra Robespierre e o partido extremista da Montanha; votou contra a execução de Luiz XIV, defendeu os Girondinos; a 8 de Julho de 1793 denunciaram-no como inimigo da Revolução e Condorcet refugiou-se em casa de uma amiga, M.me de Vernet, que enfrentou corajosamente todas as responsabilidades e lhe deu a tranquilidade necessária para que escrevesse o Esboço de um quadro dos progressos do espírito humano, em que se marca o mesmo espírito de fé na humanidade, a mesma esperança de futuro, a mesma compreensão do mal como acidente evitável que sempre o tinham guiado por toda a vida. Para não comprometer a sua hospedeira saiu de casa e, como outros amigos se tivessem recusado a recebê-lo, escondeu-se nas pedreiras de Montrouge, mas foi preso, a 27 de Março de 94, numa taberna em que entrara; no dia seguinte encontraram-no morto, sem que se possa decidir se Condorcet teve uma congestão ou se se envenenou.

In Progressos do Espírito Humano (Condorcet), Lisboa, Edição do Autor, 1942, pp. 3-4.

CONSTITUIÇÃO PORTUGUESA: LEI DA LIBERDADE RELIGIOSA




Assembleia da República

Lei n.º 16/2001

de 22 de Junho

Lei da Liberdade Religiosa

A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea c) do artigo 161.º da Constituição, para valer como lei geral da República, o seguinte:

CAPÍTULO I

Princípios

Artigo 1.º

Liberdade de consciência, de religião e de culto

A liberdade de consciência, de religião e de culto é inviolável e garantida a todos em conformidade com a Constituição, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, o direito internacional aplicável e a presente lei.

Artigo 2.º

Princípio da igualdade

1 - Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, perseguido, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever por causa das suas convicções ou prática religiosa.

2 - O Estado não discriminará nenhuma igreja ou comunidade religiosa relativamente às outras.

Continuar a ler aqui: http://www.igf.min-financas.pt/inflegal/bd_igf/bd_legis_geral/Leg_geral_docs/LEI_016_2001.htm