EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

"a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português. Em tempos de globalização, esta qualidade – a de evidenciar o pensamento nacional – deve ser exaltada"

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra - Razão e Espiritualidade: nos 100 anos de "O Criacionismo (Esboço de um Sistema Filosófico)".

Para o 10º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.


Morada: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais,

Apartado 21, 2711-953 Sintra, Portugal.

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

EDITORIAL

Sendo a NOVA ÁGUIA uma Revista que, de forma assumida e descomplexada, dá o devido destaque aos autores maiores da nossa tradição filosófica e cultural, inevitavelmente teríamos que dedicar um número a Álvaro Ribeiro – depois de já o termos feito a António Vieira, Agostinho da Silva, Teixeira de Pascoaes e Fernando Pessoa. A ocasião chegou, agora que se assinalam os trinta anos da sua morte. Que outra Revista o poderia fazer?
Em muitos casos mais referida do que propriamente lida, a obra de Álvaro Ribeiro tornou-se numa espécie de bandeira do que em geral se designa por “Filosofia Portuguesa” – quer para os que a defendem, quer, contrapolarmente, para aqueles que contestam, ainda hoje, a sua existência. Desde logo por isso, o próprio Álvaro Ribeiro acabou por se tornar no autor mais emblemático da dita “Filosofia Portuguesa”.
Por essa mesma razão, a sua figura ainda hoje desperta reacções assaz apaixonadas, num e noutro sentido, o que, se por um lado, lhe tem preservado, trinta anos após a sua morte, uma apreciável notoriedade, por outro, tem impedido, pelo menos nalguns casos, por evidente preconceito, um estudo mais aprofundado da sua obra. Neste número, procurámos colmatar essa falha, convocando os maiores especialistas na obra de Álvaro Ribeiro, dando, ao mesmo tempo, voz àqueles que ainda hoje contestam a existência de “filosofias nacionais”.
Isto apesar de, com este número, não termos querido ressuscitar qualquer polémica em torno da existência de “filosofias nacionais” – polémica que, a nosso ver, está por inteiro ultrapassada, pelo menos nos termos em que emergiu, após a publicação, em 1943, da obra O Problema da Filosofia Portuguesa. Álvaro Ribeiro continua a ser para nós um autor actual pela simples mas suficiente razão de que todo o pensamento filosófico é sempre já – e nunca deixa de o ser, por mais inconsciente que esteja disso – um pensamento radicado, situado: numa Língua, numa História, numa Cultura…
*
Uma vez mais, a NOVA ÁGUIA prova, pois, a sua abertura. Fundando-se numa determinada Visão de Portugal e do Mundo, devidamente expressa no nosso Manifesto, publicado no primeiro número da Revista, a NOVA ÁGUIA nunca foi nem nunca será um “órgão de propaganda”, mas, ao invés, um “órgão plural”, que, dando destaque a algumas figuras – àquelas que, como é óbvio, a nosso ver o merecem –, o faz, porém, de forma crítica, convocando não apenas os hermeneutas que, à partida, lhes são mais próximos, como, igualmente, alguns dos que lhes são mais distantes.
Como sempre, também este número da NOVA ÁGUIA não se debruça apenas sobre um autor. Assim, para além de Álvaro Ribeiro, neste número evocamos ainda José Marinho – autor que, a par de Álvaro Ribeiro, mais chamou a atenção, entre nós, para a importância que a Filosofia deve reconhecer à Língua, à História e à Cultura (daí o seu conceito de “filosofia situada”) –, Álvaro Cunqueiro – no centenário do seu nascimento –, Joaquim Nabuco – no centenário da sua morte – e Domingos Gonçalves de Magalhães – no bicentenário do seu nascimento. Para além disso, temos ainda textos sobre Fernando Pessoa, bem como sobre os 15 anos da CPLP, data que assinalámos no sétimo número da NOVA ÁGUIA.
Como tem acontecido desde o primeiro número, a Revista termina com a referência aos locais onde tem sido apresentada – numa série, iniciada a 19 de Maio de 2008 na Fundação José Rodrigues, que excede já as duas centenas e meia de sessões, em todo o espaço lusófono –, bem como à Colecção de Livros “Nova Águia”, que já vai em mais de duas dezenas e meia de títulos. Na contra-capa, como igualmente tem sido regra, antecipamos o tema do próximo número: “Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?”. Prova, bem cabal, do nosso optimismo: não só acreditamos que Portugal ainda hoje existe, como existirá daqui a 100 anos…

ÍNDICE

Editorial…5
NOS 30 ANOS DA MORTE DE ÁLVARO RIBEIRO
Álvaro Ribeiro, CARTA A ANTÓNIO QUADROS…8
Azinhal Abelho, Orlando Vitorino, António Quadros, António Cândido Franco, Pinharanda Gomes, Miguel Real, António Braz Teixeira, António Telmo, André Veríssimo e José Augusto Seabra, ÁLVARO RIBEIRO EM 10 INSTANTÂNEOS…9
António Cândido Franco, ÁLVARO RIBEIRO NUM RELANCE DE LUZ…13
António Carlos Carvalho, EXILADO DO MUNDO…14
Artur Manso, O QUE É A ESCOLA FORMAL…15
Carlos Aurélio, UMA FILOSOFIA DO MODO…25
Cynthia Taveira, A ACTIVIDADE DE DEUS…32
Elísio Gala, ÁLVARO RIBEIRO E A FILOSOFIA POLÍTICA…35
Filipe Delfim Santos, UM COLÓQUIO AGORA MAIS ÚTIL & CARTA INÉDITA DE ÁLVARO RIBEIRO À VIÚVA DE DELFIM SANTOS…39
Joaquim Domingues, ERUDIÇÃO FILOSÓFICA…45
José da Costa Macedo, FILOSOFIA E SITUAÇÃO…49
Manuel Ferreira Patrício, A LÍNGUA PORTUGUESA E O DESTINO DE PORTUGAL…58
Maria Leonor L.O. Xavier, A QUESTÃO DA UNIVERSALIDADE DA FILOSOFIA…60
Maria Luísa de Castro Soares, CONCEITO E CONTROVÉRSIA DA FILOSOFIA PORTUGUESA: O APOSTOLADO DE ÁLVARO RIBEIRO…66
Paulo Jorge Brito e Abreu, FILOSOFIA PORTUGUESA EM ÁLVARO RIBEIRO…71
Pedro Martins, PÁTRIA, HISTÓRIA E EPOPEIA: ÁLVARO RIBEIRO, JAIME CORTESÃO E A RENASCENÇA PORTUGUESA…75
Pedro Sinde, ÁLVARO RIBEIRO, FILOSOFIA OPERATIVA E ORAÇÃO MENTAL…88
Rodrigo Sobral Cunha, A RAZÃO RÍTMICA (NO PENSAMENTO DE ÁLVARO RIBEIRO)…97
Pinharanda Gomes, ÁLVARO RIBEIRO (1905-1981): A FILOSOFIA COMO ARTE & ADITAMENTO BIBLIOGRÁFICO…105
SOBRE JOSÉ MARINHO: NOS 50 ANOS DA TEORIA DO SER E DA VERDADE
Renato Epifânio, JOSÉ MARINHO, UM FILÓSOFO METAFÍSICO E, POR ISSO, SITUADO…116
Pinharanda Gomes, A TERTÚLIA DE ÁLVARO RIBEIRO E DE JOSÉ MARINHO…117
Manuela Brito Martins, A FILOSOFIA DA HISTÓRIA EM OLIVEIRA MARTINS A PARTIR DE UMA LEITURA DE JOSÉ MARINHO…126
SOBRE ÁLVARO CUNQUEIRO, JOAQUIM NABUCO E DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES
Maria Seoane Dovigo, ÁLVARO CUNQUEIRO, CEM ANOS DEPOIS…132
João Bigotte Chorão, JOAQUIM NABUCO: UM BRASILEIRO EUROPEU…134
António Braz Teixeira, NOS DUZENTOS ANOS DE DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES…140
AINDA SOBRE FERNANDO PESSOA
Giancarlo de Aguiar, TRANSPERSONAS NA ESFINGE DE FERNANDO PESSOA…144
Ruben David Azevedo, PESSOA: UMA SINGULAR PLURALIDADE…151
Samuel Dimas, FERNANDO PESSOA E A ESTÉTICA DA RENASCENÇA PORTUGUESA: D’A ÁGUIA À ORPHEU…152
António Cândido Franco, FERNANDO PESSOA SOB O SIGNO DA PÁTRIA DA LÍNGUA…155
Maria Clara Tavares, PASCOAES E PESSOA…159
Luís Tavares, PESSOA: A ESCRITA E A TERRA DE NINGUÉM…161
Kazufumi Watanabe, PESSOA NO JAPÃO…163
AINDA NOS 15 ANOS DA CPLP: TRAJECTOS LUSÓFONOS
Adriano Moreira, AS CULTURAS DOS POVOS DO MEDITERRÂNEO…166
António José Borges, RUMAR PORTUGAL, CONSIDERAR A EUROPA, PENSAR A LUSOFONIA…169
Delmar Maia Gonçalves, DEAMBULAÇÕES LITERÁRIAS…178
Dirk Hennrich, PORTUGAL, A EUROPA E AS MARGENS DA FILOSOFIA (COM CARTA DE JOAQUIM DOMINGUES)…181
João Pereira de Matos, 17 GEDANKENEXPERIMENTE…187
Joaquim Miguel Patrício, PRESENTE E FUTURO DA LÍNGUA PORTUGUESA NUM QUADRO ESTRATÉGICO GLOBAL…189
Lúcia Helena Alves de Sá, A FILOGONIA DO PENSAMENTO DA CULTURA DE LÍNGUA PORTUGUESA…199
Miguel Real, O FUTURO DA LUSOFONIA…200
Nelson Goulart, LÍNGUA MÃE LÍNGUA FILHA…203
Nuno Sotto Mayor Ferrão, A DINÂMICA HISTÓRICA DO CONCEITO DE LUSOFONIA (1653-2011)…204
Rui Martins, VIAGEM À GUINÉ-BISSAU…209
Sam Cyrous, DO CORAÇÃO DA COOPERAÇÃO À AVALIAÇÃO DA AÇÃO: CPLP ONTEM, HOJE E AMANHÃ…219
Simion Doru Cristea, A ENERGUEIA DAS LÍNGUAS AFRICANAS…221
Ximenes Belo, DISCURSO DA ACADEMIA…226
RUBRICAS
ENTRECAMPOS, de J. Pinharanda Gomes…230
AS IDEIAS PORTUGUESAS DE GEORGE TILL, de Jorge Telles de Menezes…233
DO ESPÍRITO DOS LUGARES, de Manuel J. Gandra…234
LITERATURA ORAL E TRADICIONAL, de Ana Paula Guimarães…239
BIBLIÁGUIO
DIÁLOGOS DE AMOR, DE LEÃO HEBREU, por Celeste Natário…244
MEMORIAL DO CONVENTO, DE JOSÉ SARAMAGO, por Gabriela Lança…245
LEVANTE, 1487 – A VÃ GLÓRIA DE JOÃO ÁLVARES, DE JOSÉ MARIA PIMENTEL…248
ÚLTIMAS OBRAS DA COLECÇÃO NOVA ÁGUIA, por Renato Epifânio…249
EXTRAVOO
António José de Brito, APONTAMENTO QUÁSI SUPERFICIAL SOBRE ÉTICA…252
António Monteiro, ARISTIPO DE CIRENE: UM FILÓSOFO NAS MARGENS DA HISTÓRIA…254
POEMÁGUIO
Eduardo Aroso, ÁLVARO RIBEIRO; UM VELHO PROFETA…7
António José Queiroz, VIAGEM…131
Teresa Dugos, CÁLICE; DA TERRA; MAUSOLÉU…142
Manuel Neto dos Santos, DA PANACEIA…165
Maurícia Teles da Silva, SETE PREMISSAS PARA A LIBERDADE…242
António José Borges, RESILIÊNCIA…242
Maria Luísa Francisco, FOSSE O DIA JÁ NOITE…243
Fernando Esteves Pinto, IDENTIDADE E CONFLITO…250
MAPIÁGUIO…259
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…260
ASSINATURAS…261

NOVA ÁGUIA 8: LANÇAMENTOS

10.10.11 - 18h30: Livraria FNAC Chiado (Lisboa)
12.10.11 - 18h30: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
15.10.11 - 16h00: Sociedade da Língua Portuguesa (Lisboa)
15.10.11 - 18h00: Casa Bocage (Setúbal)
21.10.11 - 18h00: Centro Cultural Luso Moçambicano
29.10.11 - 15h00: Biblioteca Municipal de Sesimbra
04.11.11 - 21h30: Espaço Poesis (Porto)
05.11.11 - 17h00: Biblioteca Albano Sardoeira (Amarante)
12.11.11 - 19h00: Auditório da Escola Básica Integrada de Montargil
23.11.11 - 18h30: Livraria FNAC Vasco da Gama (Lisboa)
03.11.11 - 15h00: Casa do Fauno (Sintra)
06.12.11 - 16h00: Palácio da Independência (Lisboa)
09.12.11 - 17h00: Faculdade de Filosofia (Braga)
15.12.11 - 21h30: Art Gallery / Café dos Artistas (Lisboa)
15.01.12 - 16h00: Castelo de Leiria (Sede da ACRENARMO)
27.01.12 - 21h30: Biblioteca Municipal da Lagoa


Em breve, anunciaremos o primeiro lançamento da NOVA ÁGUIA 9

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Almada, Amadora, Amarante, Arraiolos, Aveiro, Bairro Português de Malaca, Barcelos, Batalha, Belo Horizonte, Bissau, Braga, Bragança, Brasília, Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Carnide, Campinas, Cascais, Castro Marim, Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Fortaleza, João Pessoa, Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loures, Luanda, Mem Martins, Messines, Mindelo, Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque, Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense, Ovar, Pangim (Goa), Pisa, Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife, Redondo, Régua, Rio de Janeiro, Sacavém, Santiago de Compostela, São João da Madeira, São João d’El Rei, São Paulo, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Viana do Castelo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

Lançamentos já noticiados em:

RTP

Diário de Notícias

Diário Digital

Expresso

Jornal de Notícias

Jornal Porto Net

Notícias Lusófonas

Público


E em muitas dezenas de blogues...

FAÇA PARTE DESTE PROJECTO. ASSINE A NOVA ÁGUIA: http://www.zefiro.pt/novaaguia.

À venda nas melhores livrarias do país.
E ainda no Brasil: Espaço Cultural É-Realizações, Rua França Pinto, 498 - Vila Mariana - São Paulo; Livraria Hildebrando (Universidade de Brasília); Via Livros (contacto - Alexandre Santos: alexandresantos@br.inter.net).
E ainda na Galiza: Livraria Couceiro (Praça de Cervantes, 6, Santiago de Compostela/ Enrique Dequit, 12, Corunha; Livraria Torga (Ourense, Rua da Paz, 12); Livraria Andel (Vigo, Rua Pintor Lugrís, 10). E ainda em Cabo Verde: Livraria Semente (Mindelo).

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Quinto Império

Poemas ou simplesmente Poetas

Estará a vida para me dizer se sou poema ou simplesmente poeta.
Agostinho da Silva defendia que somos completos como poetas se conseguirmos ser poema.
Concordo!
"Se somos as palavras
que deitamos ao papel em branco
palavras de amor e luz
palavras de paz, verdade e harmonia
então a vida é aqui
aos encantos da fantasia
Se fazemos das palavras
arremesso em defesa de verdades
além da nossa própria verdade
palavras que a nosso sangue transcrevemos
da revolta acesa de motivos
fortes razões que de dentro conhecemos
Ao fazermos uso das palavras
passando-as de "boca em boca"
ou traçando-as em papel branco
assim façamos ser nosso comportamento
assumindo em nós a precisa atitude
que não só por razões de momento"
Assim seremos poema, não só poetas!...

"O meu cão é português." - esta frase tem toda a legitimidade, porque quem assina está muito longe de ser um génio.

Momento de meditação... (patriótica)


Mais um texto que nos chegou para a NA4

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A Arte de Ser Português e a Necessidade da Educação para a Portugalidade

Luís Loia

Porque surge em Portugal, no início do século XXI, uma revista intitulada Nova Águia? A antiga revista A Águia era um instrumento da Renascença Portuguesa. Surge a revista Nova Águia por uma necessidade de se fazer renascer Portugal? Seja como for, é efectivamente um órgão que convida a pensar Portugal.
O que é Portugal?
Tentando responder à questão, indicando alguns apenas aspectos parcelares do que se possa dizer, podemos afirmar que Portugal não é apenas uma soma de indivíduos que vivem organizados num determinado território. O português não o é apenas porque nasceu num dado território ou porque tem o sangue daqueles que o originaram e que nesse determinado território haviam nascido ou vivido. Portugal é isso mas é também uma realidade ideal viva, formada por valores materiais e valores espirituais, por bens herdados e construídos, que são partilhados em comunidade. Valores e bens que formam a identidade que se concretiza no espaço e no tempo – um espaço que não é apenas o das fronteiras políticas estabelecidas; um tempo que não é apenas cronológico. É nesse espaço e nesse tempo que deve cumprir-se o Português, actualizando em si os valores e os bens que comunitariamente são vividos, assumindo a identidade que se constrói na história, realizando e projectando essa identidade para o futuro.
Mas que identidade?
Bem viu Teixeira de Pascoaes ao afirmar, em 1915, em «A Arte de Ser Português» – obra que o autor propôs para inclusão no plano curricular dos Liceus – que os portugueses descendem de dois grupos étnicos: por um lado, o ariano (gregos, romanos, godos, celtas, etc.); por outro lado, o semita (fenícios, judeus, árabes) , donde provem, em nós, a síntese entre o material e o espiritual, entre o carnal e o ideal, entre o Naturalismo e o Espiritualismo; síntese essa que é marca identitária da unidade do ser próprio – «unidade sentimental, aquele sentimento saudoso das Coisas, da Vida e de Deus, que anima de original e mística beleza a nossa Arte, Poesia, Literatura e Cristianismo» .
Esta origem, de onde deriva uma identidade constituída por uma síntese de caracteres tão díspares, explica algumas das características também identificadas por Jorge Dias, sobre o que seja ser português, a saber e a título de exemplo: é fortemente individualista, mas com enorme sentido de solidariedade humana; é amoroso, bondoso e afectuoso mas, se ferido na sua sensibilidade ou imagem, é capaz de enorme violência; é um sonhador saudosista, lírico, fáustico e fatalista, mas a quem não falta um fundo prático e realista . É este temperamento paradoxal que ajuda a explicar como os grandes feitos dos portugueses não apagam períodos de crise, de decadência ou apenas de estagnamento, onde se manifesta a apatia, o descontentamento conducente à inércia, a monotonia, o fatalismo, o abstencionismo e o individualismo.
Nesta tensão de opostos pode tornar-se difícil o viver e o conviver, o participar e o governar. Tal não passa apenas por ter plena consciência dos direitos e dos deveres que estão positivamente consignados na Constituição e nos códigos que organizam e regem a vida em sociedade, antes de mais importa compreender a natureza desses valores que são traduzidos pelos enquadramentos jurídico-normativos.
Os valores, anteriores ao contrato, resultam da espontaneidade das relações que são, em primeiro lugar, familiares. Assim como a família é mais do que a soma dos membros que a compõem, assim a soma das famílias é mais do que um bairro, vila, cidade ou país – é uma Pátria. Uma Pátria que também é uma realidade ideal e material, que tem um conteúdo espiritual que informa a matéria onde se concretiza; uma matéria que é terra – paisagem de país – que é sangue – carne dos portugueses. Nessa síntese a nossa alma produz os nossos valores.
Esta Alma Pátria, no dizer de Pascoaes, tem, por um lado, um carácter saudoso, por outro lado, as qualidades de génio de aventura, espírito messiânico, sentimento de independência e liberdade . É absolutamente necessário cumprir essa alma porque cumprir essa alma, por cada um e em todos os portugueses, é cumprir Portugal. Mas será que tal carácter e tais qualidades foram preservadas na construção da portugalidade?
A necessidade, sentida por Pascoaes nos primeiros tempos da República, sentida pelos estudantes de Coimbra com o movimento do Integralismo Lusitano, pelo movimento da Renascença Portuguesa, em torno da Revista A Águia, ou ainda pelo projecto do Orpheu, foi satisfeita?
Claramente, se procuraram modos de satisfação da necessidade de se cumprir Portugal, no entanto, a resposta apresentada a 28 de Maio de 1926 – cumprida em 19 de Março de 1933 – mascarou os ideais, transfigurando, em enquadramentos jurídico-normativos, o carácter e as qualidades do ser português. O mesmo sucedeu em 25 de Abril de 1974 ou, mais precisamente, em 25 de Abril de 1976, em que a actual Constituição e os códigos decorrentes receberam legitimidade. Ter-se-ia aí cumprido Portugal? Bem certo que nesta data presidiu o sentimento de independência e liberdade; bem certo que se abriram portas para afirmação do génio de aventura dos portugueses, no entanto, o génio de aventura que se abriu para a Europa descurou o espírito messiânico do ser português pois levou à assunção de um projecto que originalmente é estrangeiro. Um projecto construído de fora para dentro, algo a que apenas aderimos e que, como tal, não pode ser manifestação da liberdade criadora do espírito português. Pelo contrário, mais sentido fará o empenho na construção de uma verdadeira Comunidade Lusófona, pois essa está inscrita no nosso carácter e decorre das nossas qualidades.
Não quer dizer que não faça sentido participar na construção europeia, no entanto, o que de mais significativo aí podemos fazer para vivificarmos a proposta cidadania europeia é sermos, em primeiro lugar, portugueses. Mas, para verdadeiramente sermos portugueses é necessário aprendermos a sê-lo. Ora, como afirma António Quadros, em 1978, em «A Arte de Continuar a Ser Português»: «Não pode contribuir para o desenvolvimento e para a restauração nacional uma educação que não cria portugueses e por consequência destrói desde o princípio todo o intento político regenerador, que assim se enreda num activismo ideológico sem raízes; não criando portugueses, forma cidadãos irresponsáveis cujas opiniões variam conforme os ventos e que ignoram os próprios princípios de um interesse superior ao do egoísmo individual, se é que não os contrariam ou antagonizam» .
Eis um fiel retracto do que é a Educação em Portugal, interessada que está em estatísticas europeias.
O problema está identificado e é urgente. É necessário desviar a atenção do Direito positivado, nacional ou comunitário, e focar o olhar nos valores e nos bens que caracterizam o que é próprio da identidade portuguesa. É necessário que os portugueses conheçam e se reconheçam na sua identidade, na sua língua, na sua história e na sua cultura e é esse conhecimento que deve informar o espírito criativo na construção de Portugal.
É necessário educar a portugalidade pois, como afirma Teixeira de Pascoaes, «O fim desta Arte é a renascença de Portugal, tentada pela reintegração dos portugueses no carácter que por tradição e herança lhes pertence, para que eles ganhem uma nova actividade moral e social, subordinada a um objectivo comum superior. Em duas palavras: colocar a nossa Pátria ressurgida em frente do seu Destino»

O colectivismo é a subjectividade do homem no plano da totalidade

“Qualquer nacionalismo é, no plano metafísico, um antropologismo e, como tal, um subjectivismo. O nacionalismo não é superado pelo puro internacionalismo, mas antes alargado e estabelecido como sistema. O nacionalismo é enquanto infante nutrido e levado à humanitas pelo internacionalismo assim como o individualismo o é pelo colectivismo a-histórico. O colectivismo é a subjectividade do homem no plano da totalidade.”


Martin Heidegger, Über den Humanismus (Frankfurt am Main: Vittorio Klostermann, 1946), 107.

Sobre a vitória do partido independentista na Groenlândia e sobre a Partidocracia (ainda)

http://www.luventicus.org
http://www.luventicus.org

Seguindo uma clara movimentação dos votos para a Extrema Direita, o partido independentista Inuit Atagatigiit groenlandês conquistou o poder na Groenlândia, expulsando assim do governo da ilha o partido social-democrata Siumut, com um resultado de 44%.

A Groenlândia é um território semi-autónomo da Dinamarca e em Referendo, rejeitou recentemente integrar a União Europeia.

O resultado eleitoral é consistente com o desvio para a Direita que ocorreu nas últimas eleições europeias - com exceção do luso PNR, que continua com votações ridículas - e sobretudo com a duplicação de votos que se verificou em quase todos os partidos nacionalistas europeus. De certa forma este desvio para o radicalismo é, ele próprio, sinal dos tempos e da exaustão do modelo partidocrata batido e exausto contra o qual nos batemos NESTA petição. Existe, contudo o risco que aquilo que interpretamos como uma expressão de enfado e de desilusão por um sistema bipartidário e redutor ("Esquerda-Direita") produza a ascensão ao poder de um destes partidos radicais. É um risco muito real, como a História da Segunda Grande Guerra nos ensina...

O sistema democrático tem que se renovar, para que não permita a sua tomada por extremistas, de qualquer sinal: estalinistas ou nazis, e não se pode renovar, extremando-se e reforçando a representatividade dos partidos situados nas franjas dos partidos do "Grande Centrão". O sistema da Democracia Parlamentar Representativa que nas palavras de Winston Churchill era o "menos imperfeito de todos os sistemas imperfeitos" tem que se renovar de forma a curar este tumor lento, mas progressivo e poderoso que o vem corroendo desde à décadas, pelo menos desde o fim da Guerra Fria e que se traduz na sua expressao mais visível pelo aumento constante dos números da abstenção em praticamente todas as eleições.

Com efeito, a credibilidade da partidocracia é hoje muito reduzida. Não será exagerado afirmar que a maioria daqueles que ainda expressam o seu voto o fazem por razoes mais ou menos pessoais, quer porque estão mais ou menos ligados a uma qualquer burocracia partidária, quer porque estiveram no passado ou, talvez sobretudo, porque por tradição era ali que votavam os seus país. Outros são seduzidos pelas eficientes e oleadas máquinas de "marketing político" que nos vendem políticos e campanhas políticas como se se tratassem de sabonetes ou perfumes.


Fonte:

http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/518538

A história é o vomitório do mundo

Apelo que nos chegou...

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Salvemos o arquivo histórico do Ministério da Educação no Distrito da Guarda

A história conta-se em poucas linhas:

- os Serviços do ME existentes na Guarda desde o séc. XIX -do qual se destaca a Direcção Escolar- até à extinção da Coordenação Educativa em 2007, produziu imensa documentação, cuja salvaguarda foi objecto de preocupação nos últimos anos por parte do ex-CAE junto da DREC, mas nunca por esta correspondido
- todavia os Serviços foram desactivados e o acervo documental abandonado nas instalações da Rua António Sérgio n.º 65-A,
- entretanto ocupadas pela Autoridade Nacional de Protecção Civil / Comando Distrital de Operações de Socorro da Guarda, através de um protocolo assinado entre a Câmara Municipal e a Secretaria de Estado da Protecção Civil, em Dezembro passado com pompa e circunstância, onde o Governo Civil também esteve presente,
- e onde todos tiveram conhecimento do problema,
- estando também por esclarecer como é que um imóvel construído pela Fundação Calouste Gulbenkian para o ME, foi parar à Autarquia,
- mas o mais importante agora e de momento é alertar para o facto desse património documental ter começado esta semana a ser destruído pelo CDOS/Guarda,
- alegadamente pela DREC não ter desocupado o edifício em tempo útil, para a realização de obras de fundo;
- ainda não houve coragem para repetir a prática da Inquisição com os livros do index mas, o primeiro passo está dado para a concretização dessa destruição, remetendo a documentação para armazéns,
- sem o mínimo de condições de conservação, onde o acervo documental não sobrevirá ao primeiro Inverno, pela elementar cobertura e seu fraco estado de conservação,
- armazéns estes que se localizam no Rio Diz, numa antiga fábrica de lanifícios (dos Tavares), destruída por um incêndio,
- onde os documentos estão sujeitos aos ratos e outros agentes biológicos nocivos.

Estamos perante um crime de lesa património, perpetrado pela DREC por omissão e pela ANPC / CDOS por acção.

Exerçamos a cidadania.
Denunciemos este atentado.
Salvemos o arquivo histórico da educação e do ensino no Distrito.

"O humano é o sonho de uma sombra"

“Tu que existes exposto ao que os dias te trazem, o que é ser Alguém ? O que é não ser Ninguém ? O humano é o sonho de uma sombra [skiâs ónar anthrôpos]” - Píndaro, Odes Píticas, VIII.

PRÉMIO DE ENSAIO FILOSÓFICO SPF 2009

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Estão abertas as candidaturas para a edição de 2009 do Prémio de Ensaio Filosófico da SPF. Este prémio é uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Filosofia, que conta com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e que tem como objectivo eleger, sob um critério de mérito absoluto, o melhor ensaio, submetido anonimamente a concurso, sobre uma questão considerada relevante numa determinada área da investigação filosófica. Nesta edição, a área seleccionada é a Filosofia da Acção e a questão proposta é a seguinte: Podem as razões subjacentes a uma acção ser as causas (eficientes) dessa acção? O prémio terá um valor de 3.500 euros e o ensaio vencedor será depois publicado na Revista Portuguesa de Filosofia. O regulamento pode ser consultado no sítio da Sociedade Portuguesa de Filosofia, em http://www.spfil.pt. As candidaturas poderão ser apresentadas até ao dia 31 de Dezembro de 2009.



AGRADECE-SE DIVULGAÇÃO

Trans-Pátria - "Somos portugueses antes de sermos homens - eis a doença da hiperidentidade que nos corrói"

"Suponhamos que o nosso verdadeiro problema é a identidade. Suponhamos que a raiz do nosso mal são os nossos problemas de identidade individual e colectiva. Mas o que significa para nós, portugueses, ter problemas de identidade? Antes de mais, fazer da identidade um problema, o problema nuclear da nossa existência e da nossa cultura [...].
[...] Eis os seus pressupostos: 1. O que é a nossa identidade - no sentido em que se apresenta como a última protecção narcísica e derradeiro obstáculo à transformação do indivíduo português? Definamo-la assim: é o surgir do rosto do eu, como condição de possibilidade de afirmação de todos os atributos "mundanos" do indivíduo, da afirmação deste como sujeito, antes do surgimento da singularidade do indivíduo como homem, ser nu em devir. Neste sentido a identidade é uma patologia de que o eu é o vírus despótico. Eu uno, unificador e omnipresente. Em tudo, na acção, na fala, nas relações sociais, na vida profissional, no espaço público, nós somos "fulanos de tal", somos pessoais e auto-reflexivos (ao contrário da criança ou do artista ou artesão, perdidos no objecto e no jogo). Somos portugueses antes de sermos homens - eis a doença da hiperidentidade que nos corrói. 2. A nossa falta de confiança, a inércia, a autocomplacência, o queixume e a inveja são pragas nacionais que nos envenenam. Todas decorrem naturalmente do tipo de subjectividade produzida pela doença da identidade. Esta fecha-nos em nós mesmos, impedindo-nos de criar um "fora", ar e vento livres, respiração para viver"

- José Gil, Em Busca da Identidade. O desnorte, Lisboa, Relógio d'Água, 2009, pp.9-10.

José Gil é hoje um dos autores com quem, nesta questão da identidade nacional, mais concordo e discordo. Concordo com o que diz, discordando das razões pelas quais o diz e das consequências que daí extrai. Mas a ver vamos. Comecei agora mesmo a ler este seu último livro.

A Nação é o Indivíduo Imortal



A colectividade, apesar de ser o conjunto de todos os seus indivíduos, funciona exactamente como um indivíduo a mais. Assim como se no mundo houvesse toda a gente que existe e mais uma pessoa: esta pessoa seria exactamente todos num só. A colectividade é também um indivíduo, um indivíduo como qualquer outro, mas é o indivíduo colectivo, na verdade colectivo e indivíduo. Com a vantagem sobre qualquer outro de não estar sujeito, como nós, às vacilações de um organismo mortal. A colectividade é o indivíduo imortal. Feito da mesma massa humana que qualquer de nós, os indivíduos mortais.

Almada Negreiros, in Textos de Intervenção

Dicionário de Trasmontanismos


http://www.forum-gallaecia.net/viewtopic.php?t=877&sid=db583329e950e323df9c6c66f4cef79f


"O Dicionário de Transmontanismos é uma obra da autoria de Adamir Dias e Manuela Tender em parceria com a USAF Universidade Sénior e do Autodidacta Flaviense, editada pelo Rotary Club de Chaves em 2005.

A palavra "Transmontanismo" foi registada pela primeira vez em 1899 (antes da implantacao da república) por Candido Figueiredo no Novo Dicionário da Lingua Portuguesa com a significacom restrita de "Vocábulo ou locucao privativa de Trás-os-Montes". Em 2001, o termo foi banido (por um governo da ala que toda a gente deve adivinhar) acabando por ser mais um atentado á identidade Galaica, preferindo assim classificar os Trasmontanismos de "PROVINCIANISMO???????" ou "regionalismo trasmontano".
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O ALTO TAMEGA engloba os concelhos de CHAVES, BOTICAS, MONTALEGRE, VILA PUCA DE AGUIAR, RIBEIRA DE PENA e VALPACOS.

Para mais informacoes sobre o modelo do Alto Tamega podem consultar http://www.altotamegatv.com/

Em matéria linguistica, o Alto Tamega está mais próximo foneticamente da Galiza do que qualquer outra regiom abrangida polo Estado Portugues."

António Sérgio por Gilberto Freyre

António Sérgio



De volta a Lisboa, que continua quase tão tropicalmente clara como em Julho - quando por aqui passámos, a caminho da França - tenho o gosto de receber a visita de António Sérgio. O mesmo Sérgio. A inteligência ágil é nele a de um crítico ao mesmo tempo poderoso e subtil que compreende os assuntos como os gregos desejavam que se compreendesse qualquer problema novo: apanhando-o o pensador no ar, vivo e vibrante. Como a um pássaro no voo.

A inteligência que não possua este poder, não de improvisação, mas de compreensão ágil, talvez não seja senão meia-inteligência. A melhor inteligência do homem parece estar nisto: em poder ou saber apanhar o assunto, não parado ou quase morto, mas vivo e em movimento, que é como os assuntos são completos e naturais.

É como António Sérgio sabe surpreendê-los: nesta espécie de voo. Daí a sua palavra ser, não a eloquente ou a brilhante do improvisador ou do causeur convencional, mas a surpreendente, do homem de inteligência ao mesmo tempo ágil e profunda. Surpreendente na conversa quase tanto como é no ensaio, Sérgio nunca vê banalmente um assunto nem comenta convencionalmente um facto. Surpreende nos factos e nos problemas aspectos inesperados que nos revela com nitidez às vezes didáctica. É o que ele tem feito principalmente do ensaio em língua portuguesa: um instrumento de revelação de factos e de clarificação de ideias.

Impossível, hoje, considerar os factos da expansão portuguesa no Oriente e nos trópicos e as ideias que se têm acumulado em torno desses factos, sem considerar o critério sugerido por António Sérgio - ele próprio nascido em Damão, filho de português ilustre, depois visconde, que governou durante anos províncias da Índia - para a reinterpretação de tais factos e para a clarificação de quanta ideologia turva nos vem separando deles. Pode haver na sua atitude e na dos jovens estudiosos de assuntos portugueses que a seguem - sistematicamente talvez nenhum, vários, um deles Vitorino Magalhães Godinho, livremente - excesso de racionalismo como que linear. Impaciência com as muitas curvas que fazem do passado e da natureza humana complexos em que intervêm desigualmente no tempo, como no espaço, influências diversas e contraditórias e algumas rebeldes ao puro esclarecimento nacional. Não há dúvida, porém, de que Sérgio, com as suas «considerações histórico-pedagógicas» sobre os descobrimentos portugueses no seu ensaio sobre A Conquista de Ceuta e no seu esboço, publicado em inglês, na Índia, da história de Portugal, veio ampliar sobre todo um grupo de factos como que desnaturalizados por alguns historiadores, a visão já «económico-científica» - como a chama o próprio Magalhães Godinho - de um Oliveira Martins um tanto injustamente desdenhado como «romântico» no mau sentido - quando o foi principalmente no bom; a acrescentar a essa visão de homem de génio - homem de génio meio desajustado entre historiadores convencionais, como foi Martins - novos e sugestivos modos de considerar-se o complexo problema da expansão lusitana. Uma expansão cujo sentido económico vinha sendo esquecido ou desprezado pelos apologetas de um Portugal expansionista considerado apenas «campeão da Fé» ou da «Cristandade».

António Sérgio pôs em relevo, como uma das causas da expansão portuguesa, a crise de subsistência em Portugal no século XV: crise para a qual o celeiro marroquino se apresentava como solução imediata. Ao lado dessa crise regional, salientou a europeia: estava a economia europeia ameaçada pelos triunfos turcos no Levante - que substituiriam, entre os maometanos, uma civilização acomodatíciamente mercantil por outra, guerreira, intolerantemente guerreira, talvez - de desequilibrar-se, perdendo o contacto comercial com a Índia. E não nos esqueçamos - Mestre Sérgio dá todo o relevo ao facto - de que, em Portugal estava, desde o século XIV, no poder, a burguesia comercial-marítima. Era dentro da comunidade portuguesa a parte mais particularmente sensível a um desequilíbrio na economia comercial da Europa, em suas relações com a Índia.

Destacando essas influências, na verdade decisivas e apenas entrevistas pela poderosa inteligência de Oliveira Martins, ao considerar os motivos da expansão portuguesa na África, Sérgio deixou-se levar pelo encanto da interpretação linear. E pela interpretação linearmente económica abandonou de tal modo a político-religiosa, que resvalou no extremo de considerar desprezível o fervor religioso entre os estímulos à actividade expansionista dos portugueses na África e no Oriente. Exagero em que o vêm rectificando historiadores, por sua vez exagerados na exaltação, mas não na consideração, do factor religioso: Joaquim Bensaúde e Jaime Cortezão, entre outros. Mestre Jaime Cortezão - tão mestre quanto Sérgio - sem nunca desprezar a realidade económica; Bensaúde perdendo-se, às vezes, em exageros de retórica patriótica e nacionalista, numa como sobrecompensação da sua consição de português de origem israelita.

A Cortezão sempre pareceu difícil de separar, na tentativa de explicar-se a expansão portuguesa, o motivo económico do religioso: se a feição marítima tomada pela economia europeia - inclusive a portuguesa - como que obrigava a Europa a entrar em conflito com outra civilização também marítima e mercantil como a dos árabes, empenhados há longo tempo na exploração do mesmo ouro africano e das mesmas especiarias orientais agora desejadas pelos europeus, também favorecia o conflito entre as duas civilizações o ódio teológico que separava cristãos de maometanos: um ódio teológico acentuado entre cada um dos dois grandes grupos pelo fervor proselitista que em cada um deles animava poderosos subgrupos. Entre os cristãos, o principal subgrupo militantemente expansionista teria sido, segundo Cortezão, o franciscano, com os seu amor senão ao estudo, à contemplação da natureza, ao qual se teria juntado aquele «apetite de conhecimento» desenvolvido nos europeus do sul pela ciência greco-árabe.

Recorda Magalhães Godinho ter em 1940 Jaime Cortezão modificado a sua interpretação da expressão portuguesa no Oriente e nos trópicos, no sentido de acentuar a importância do factor religioso como estímulo aos descobrimentos e às actividades lusitanas no Ultramar. O facto apenas parece indicar, tratando-se de pesquisador tão honesto, a dificuldade em torno do que o mesmo Magalhães Godinho - cujo excelente ensaio A Expansão Quatrocentista Portuguesa venha lendo - chama «diagnóstico da causa decisiva». Para Magalhães Godinho, «o problema da génese dos descobrimentos desdobra-se em três aspectos» que seriam, um de «impulsões e solicitações», a ser estudado sociológicamente; outro de «iniciativas e adaptações», psicológico; outro de «valores culturais», lógico. Desprezando o «imperialismo turco» como causa da expansão portuguesa no século XV, Magalhães Godinho prefere destacar, divergindo de Sérgio mais em sistemática do que em orientação, «a convergência das necessidades de dilatação territorial da nobreza e de conquista de mercados da burguesia», que teria sido uma causa sociológica «por impulsão»; e ao lado dela, por «solicitação» - causa também sociológica - os cereais, panos, ouro, pescarias e posição estratégica de Marrocos; o ouro, a malagueta, os escravos da Guiné; as especiarias, pedras preciosas, madeiras raras e aromáticas da Índia. A expansão não se teria realizado como uma «iniciativa única» mas como uma pluralidade de iniciativas. Não teria sido só no sentido da conquista territorial (interesse da nobreza) mas no comercial (interesse da burguesia): orientação reunidas por D. João II em Marrocos. A Ordem de Cristo é que teria tido a iniciativa dos descobrimentos portugueses; mas não por fervor religioso e sim porque era «uma organização de riqueza fundiária e mobiliária». Quanto ao Infante, teria sido movido no seu modo de pôr-se a «serviço de Deus e do reino», pela «curiosidade, a perspectiva comercial, o espírito de cruzada e cavalaria e considerações político-estratégicas».

Como se vê, atribui o continuador de António Sérgio na interpretação materialista da expansão portuguesa na África e no Oriente, importância tal aos factores económicos que deixa na sombra - a não ser com relação ao Infante - os religiosos ou idealistas ou românticos ou místicos. É como se não existisse da parte do português aquele lirismo, ao mesmo tempo religioso e naturalista, que Cortezão simplifica sob o nome de «franciscanismo»; e que parece ter sido o motivo de atracção de tantos homens do Reino para a vida livre nos trópicos, para os encantos da natureza tropical, para a actividade românticamente missionária no estilo da de João de Brito na Índia. O mesmo lirismo ou romanticismo em que se teria inspirado, através de novelas ainda quase infantis mas sugestivas, como expressão literária de efusão lírica, o romantismo de Rousseau.

Ninguém hoje que se interesse pelo estudo das actividades não só económicas como religiosas, não só comerciais, mas a seu modo, românticas, que definem a presença do português no Oriente e nos trópicos, pode desprezar as páginas que sobre a expansão lusitana nessas áreas já escreveu António Sérgio. São lúcidas e iniciaram uma fase em estudos, que Oliveira Martins foi o primeiro a libertar de exagero de «ufanismo» português em relação com um passado nem sempre cor-de-rosa. O mesmo direi dos recentes ensaios de Magalhães Godinho, tão influenciado por Sérgio nos seus primeiros pontos de partida. Mas são interpretações, tanto as que eles oferecem como as já clássicas - a despeito de «românticas» - de Oliveira Martins, a que precisamos de opor, mais de uma vez, as oferecidas por outro ensaísta português, tão moderno quanto Sérgio em sua formação de historiador e com igual sentido sociológico do passado que pretende reconstituir e interpretar: o hoje meio-brasileiro Jaime Cortezão.»



Gilberto Freyre. Aventura e Rotina, Livros do Brasil, Lisboa. (s/data), pp. 191-194.)

Receber Força e Luz

«É difícil, eu o sei, que vos desligueis dos problemas do vosso mundo e ignorardes o sofrimento ou a dor que muitas vezes vos assolam. O homem geralmente reconhece que, acima de si, senão mesmo em si próprio, existem constantemente poderes benéficos à sua disposição. No entanto, assim que surge o problema ou a dificuldade para os quais estes poderes contribuiriam para resolver, parece que o mental e os meios humanos são os mais eficazes e o poder do cósmico é então negligenciado. Aquilo que é visível, temporal, recolhe muitas vezes a adesão, em detrimento de uma ajuda infinitamente mais real mas que, enfim, não é imediatamente perceptível pelos sentidos físicos. Poucos esforços são, no entanto, necessários. Um pouco de vontade é o suficiente para esquecer temporariamente as circunstâncias humanas e, numa breve comunhão interior, receber força e luz.»

Raymond Bernard
"Novas Mensagens do Sanctum Celestial", cap. VII: "As Impressões Psíquicas"

Uma proposta a amadurecer...

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UM BANCO PARA PROMOVER A LUSOFONIA

O governo afirmou recentemente não saber ainda qual o futuro estatuto dos dois bancos que foram nacionalizados : o Banco Português de Negocios e o Banco Privado Português.
A solução que parece mais provavel a curto prazo é a de uma privatização, o que accarreta o risco dos referidos bancos virem a ser comprados por capitais estrangeiros depois de terem sido salvos de falencia através de injeções de capitais publicos, quer dizer com fundos pagos pelos contribuintes portugueses.
Em meu entender, o governo deve ver aproveitar a oportunidade de ser actualmente detentor do capital do BPN e do BPP para criar, a partir das estruturas e dos activos destes dois bancos, um novo banco com a sua actividade orientada para o espaço lusofono e o desenvolvimento da CPLP.
A CPLP, desde da sua fundação, que tem necessidade de ter um banco que lhe permita ter uma capacidade de financiamento de programas e de projectos que os parcos orçamentos publicos dos estados membros lhe não permitem.

O desenvolvimento da CPLP tem estado até agora bloqueado devido em grande parte à falta de capacidade de financiamento para os seus programas de cooperação devido à inexistencia de fundos com disponibilidades suficientes para concretizar o grande potencial que representa a cooperação economica entre os diversos actores publicos e privados do espaço lusofono.
Um banco com uma tal orientação estratégica constituiria certamente um poderoso instrumento de desenvolvimento para todos os paises lusofonos e para reforçar a influencia dos paises lusofonos no mundo.

Texto enviado por José Sequeira

Ainda sobre Angola...

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Caros senhores,

Precisamos entender que a Economia e a Ploitica são ciências sociais, logo visam a sociedade. Uma Boa economia é aquela que alcança a satifação da sociedade, ao mesmo tempo uma Boa Politica tambem se espelha no mesmo fim. No meio da Politica e da Economia existe o Estado, que serve como facilitador e que deve ser neutro, cuja tarefa é estabelecer o balanço e o cumprimentos das normas da sociedade. Quando alguém detém o monopolio politico, logo deterá o monopolio econonomico e consequentemente o controlo total do Estado. Todo o país funcionará em função do individuo ou grupo de individuos que detém o monopolio politico.

Vejamos o exemplo claro de Angola, onde, quem controla o estado - Administração Publica, Tribunais, Informação, Telecomunicações, etc, é o mesmo grupo que detém o poder politico. Em casos parecidos ao nosso, que não são poucos, todo o exercicio politico, como diz Heitor, F. «visa a satisfação de necessidades das classes eleitas pelo partido no poder e o que sobrar fica para o resto da população».

Não é possivel alterar algum aspecto social em Angola sem que passe por esvaziar o poder politico de quem o detém. Para tal só existe um processo, - o voto.

Em economonia as empresas que tendem estar no topo do mercado, terão de arranca-lo, emplementando as melhores praticas de gestão com vista atingir tal meta. Na politica é igual, aqui os partdios têm de ser geridos como empresas. Os politicos não outra coisa se não gestores dos seus partidos, devendo da mesma forma aplicar as melhores praticas gestionarias, se pretendem elevar o seu partido ao topo.

Para refrescar as quatro funções da gestão- Planificar, Organizar, Liderar e Controlar, são aplicaveis quer na economia como na politica. Uma empresa precisa de recuros e sobretudo humanos (quadros), para atingir a sua meta. Os partidos politicos sem recursos humanos a altura dos desafios do memomento, pode simplesmente «fechar aloja», por melhor que sejas as suas intensões, não chegarão a lado negum.

Tem sido frequente emitirmos comentarios sobre as graves falhas de quem governa. Como toda a razão devemos faze-lo como cidadão, porém, os politicos devem guiar-se desta falhas e também aplicar outras medidas que fazem com que a população tenha a quem depositar suas esperanças. Um bom spot publicitario, não é aquele que revela os «podres» sobre um outro producto, mas sim, em como o producto a ser publicitado é melhor.

A ética e a moral de uma empresa, isto é, as suas boas praticas em prol da valorização do cosumidor, seu historial e o seu contributo nas comunidades e na sociedade em geral, são indicadores postivos que influenciam na credibilidade do seu producto. Ao contrário, esta empresa perde a concorrência. Ela encontrará impasse na população em aceitar o seu producto, faltará credibilidade.

Reflitamos compatriotas, porquê perante tanto mal que o MPLA tem feito e, perante tantas reclamações, o povo votou no mesmo MPLA e tenderá em volta-lo de novo em 2012. O que é que tem de ser feio para esvaziar o monopolio politico do MPLA que a cada vez sobe e sobe?

Bernardo Sousa Santos

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Reportagem do lançamento da NOVA ÁGUIA em Angola...









A revista “Nova Águia” com intuito de sinalizar o 121º aniversário do grandioso poeta português Fernando Pessoa, um dos grandes colaboradores da revista “A Águia” no início do século XX em Portugal, apresentou-se na capital Angolana no passado dia 12 de Junho, em Luanda, mais precisamente no espaço da União de Escritores Angolanos onde a Língua Portuguesa e a Cultura Lusófona foram temas centrais de debate e reflexão.

Tratou-se de um evento que pretendeu, por um lado, lançar a revista "Nova Águia" dando a conhecer os seus potenciais e objectivos, proporcionando uma aproximação dos escritores portugueses e angolanos, assim como destes com os seus leitores. Por outro lado, pretendeu reunir entidades que se relacionam com a língua a diversos níveis, e entre a audição de diversos poemas de Fernando Pessoa, pretendeu proporcionar a troca de experiências, conhecimento e opiniões em momentos de reflexão sobre o actual estado e a permanente evolução da Língua Portuguesa, não faltando o tão polémico Acordo Ortográfico.

Para que tal acontecesse, estiveram presentes no acto a Sua Excelência Ministro da Cultura Portuguesa António Pinto Ribeiro, o Embaixador de Portugal Francisco Ribeiro Teles, políticos, escritores nacionais e estrangeiros, professores universitários, directores de escolas e colégios, docentes, discentes e o público em geral. Em suma tentou reunir com sucesso todos os interessados e motivados em ouvir falar da língua que une nações e os 240 milhões de falantes de Língua Portuguesa em todo o mundo.

Carolina Mendes

Próximo Sábado, em Penamacor...


Em Angola...


Tempo

O mundo - e a nossa vida com ele - mudaram mais desde 1950 até agora do que o que tinham mudado nos 500 anos anteriores (não falo da essência do homem, dos seus supremos fins, etc, etc. - falo do mundo que nos dá, ou não, a paz, o pão, a habitação, a saúde, a educação, ao modo do Sérgio Godinho; e acrescentaria eu o sossego, esse bem em rápida extinção).

Dito de outra forma: o mundo mudou mais desde o tempo em que Agostinho da Silva amadureceu as suas propostas de sábio do que o que tinha mudado desde a morte do Infante até então.

Ai dos preguiçosos, que deles não será o reino dos céus nem a república da terra.

Zanoni - Romance ocultista pela primeira vez em língua portuguesa

ZANONI - Romance Ocultista
Sir Edward Bulwer-Lytton

Publicado pela primeira vez em Portugal, Zanoni é um dos mais importantes romances ocultistas do Mundo Ocidental, cujo autor esteve ligado à misteriosa tradição da Rosa-Cruz no séc. XIX.

A história de dois seres cujas vidas são marcadas pela imortalidade e pelo confronto inevitável com o amor.

Zanoni, um homem imortal, mergulha numa paixão pela cantora de ópera Viola Pisani, em Nápoles. No entanto, a via do amor poderá conduzi-lo à perda da sua própria imortalidade e à renúncia dos seus poderes espirituais.

Leia um EXCERTO | Consulte o ÍNDICE

Para mais informações: www.zefiro.pt

A Pátria "é onde não seja crime vulgarizar opiniões, onde uma atmosfera de simpatia inteligente vivifique o espírito individual".

Sampaio Bruno, Brasil Mental, 1898, pag. 56.

Sobre o Caciquismo e o modelo da Descentralização Municipalista

“Em abril de 2004, quando criou a ideia de sortear municípios que seriam fiscalizados em profundidade por auditores federais, o ex-ministro da Controladoria-Geral da União, Waldir Pires, pensou em conceder um certificado ao prefeito que passasse completamente ileso pelo pente-fino dos procuradores. Até hoje, porém, dos 1461 municípios auditados, nenhum prefeito mereceu o certificado, ou seja, ninguém passou incólume pela fiscalização.”

Este exemplo de má gestão pública ou mesmo de corrupção generalizada nos municípios brasileiros recorda-nos de que os casos polémicos portugueses, como os de Felgueiras, Gondomar ou Oeiras não são exclusivos nacionais. No caso português, as bitolas impostas por Bruxelas parecem compartimentar dentro de limites mais estreitos do que no Brasil, mas um e outro caso expõe um dos problemas do modelo de descentralização municipalista que defendemos: a inclinação para o “caciquismo” e para os abusos fulanizados por parte dos interesses. A vantagem do modelo municipalista reside essencialmente no estabelecimento de uma maior proximidade entre eleito e eleitor, entre sociedade e política. Uma e outra têm a potencialidade de aumentar os níveis de participação cívica das populações, algo vital nas sociedades desenvolvidas atuais onde os níveis de abstencionismo são cada vez maiores. Mas é também esta proximidade que está na raiz dos fenómenos de caciquismo e populismo, assim como da mais básica corrupção e má gestão. Quando os municípios obtêm o grosso das suas verbas do orçamento central, do “Estado” existe o terreno fértil para que possa acreditar que esses recursos vêm do “Outro” e que, logo, roubar ao “Outro”, para uso próprio denotada “esperteza” ou então roubar ao “Outro” para dar a amigos e familiares da terra é um ato moralmente justo. O caciquismo depende também do terreno criado pela ausência de uma cultura cívica e de uma educação para a vida em Democracia e como demonstram os crónicos problemas educativos portugueses e os elevados níveis de abstencionismo eleitoral, percebe-se bem porque floresce o caciquismo nos municípios portugueses e brasileiros.

Não há uma panaceia universal para o caciquismo municipalista. Seria utópico e contraproducente para a causa da “descentralização municipalista” acreditar em tal. Tal modelo de administração do território e do exercício da democracia representativa só pode vingar de três formas:
1. Uma descentralização financeira efetiva, que não se limite a transferir verbas de um Poder Central, longínquo, abstrato e tantas vezes hostil, mas que seja capaz de cobrar impostos, taxas e gerar riqueza localmente, para a redistribuir localmente, transferindo para o centro de uma “federação de municípios livres” ao modelo agostiniano apenas a verbas essenciais para a Defesa e a Representatividade externa da Federação.

2. Desenvolvendo a Educação para a Cidadania e para o exercício Cívico e da vida em Sociedade. Educando pelo exemplo desde as mais tenras idades e reformulando programas de ensino orientando-os para o desenvolvimento da Criatividade em desfavor da mecânica memorização estéril.

3. Transferindo o essencial da democracia representativa e da delegação de poder que o eleitor transfere para o eleito para o universo Local. Quando os órgãos do Estado forem locais, estiverem na rua do lado, cada eleito for do conhecimento pessoal ou familiar de cada cidadão, então reduziremos o espaço de manobra a caciquismo e a apropriações da “coisa publica”. Democratizar é também aproximar, reduzindo a distancia entre Estado e Cidadão, até à distancia que separa duas pessoas, sempre contactáveis e acessíveis.

Fonte:
Courrier Internacional, abril de 2009.
Em
Revista Isto É
Janeiro de 2009

E o Dia não veio

Ao ler a notícia do anúncio do Dia das Letras Galegas 2010, que dizia
“Afinal nom houvo surpresas e hoje os académicos da RAG decidírom que
o dia Dia das Letras de 2010 será dedicado ao grande poeta Uxío
Novoneyra”, fui surpreendido.

O autor da reportagem não, este já sabia que dificilmente Ricardo
Carvalho Calero seria o eleito.

Deste lado do Atlântico, no Brasil, minha expectativa era outra.
Diante de tantas pedidos oficiais de Associações, Universidades,
Intelectuais e um centena de e-mails de todo o mundo pedindo a eleição
de Carvalho Calero, na distância oceânica sonhava-se com um resultado
diferente.

O poeta Uxío Novoneyra nada tem a ver com isso, sua obra está viva
para garantir-lhe a importância. Um autor não é maior ou menor que
outro, uma obra não deverá ser comparada a outra. Não é essa a
questão.

Em nossas terras há um ditado popular que prega “A voz do povo é a voz
de Deus” e é usado incansavelmente pelos brasileiros em diversas
situações. Pensando neste ditado, concluo que os dirigentes da RAG
fizeram-se surdos.

Preferiram levar “ao pé da letra” o Capítulo 1, Artigo 2 de seus
estatutos que ordena:
"Son finalidades da Real Academia Galega
Decidi-la personalidade literaria á que cada ano se lle dedica o Día
das letras Galegas".

No entanto, esqueceram-se de seguir o artigo 7: "Na primeira reunión
despois do Día das Letras Galegas, o Plenario da RAG escollerá o
persoeiro a quen se lle dedicará esa conmemoración no ano vindeiro. A
figura elixida deberá ser autora dunha obra relevante en galego e
persoa de calidade cultural e humana que mereza propoñerse como
exemplo á sociedade galega de hoxe. En calquera caso deben pasar dez
anos entre a súa morte e a designación para ese día. As propostas,
razoadas e asinadas por un mínimo de tres académicos, deberán
incluírse na convocatoria do Plenario correspondente".

Os mais incrédulos poderão perguntar: “mas que raios isso importa a um
brasileiro?”

Só posso responder assim: Perderam uma grande chance de mostrar ao
mundo um dos principais intelectuais galegos e da lusofonia. Leiam a
obra, conheçam a trajetória e descubram porque isso importa para o
mundo, não para um brasileiro.

Parabéns a Uxio Novoneyra e sua obra.

Deixo um trecho de uma canção de Chico Buarque em homenagem a RAG

“Hoje você é quem manda,
Falou, está falado,
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão...
Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”
(Chico Buarque – Apesar de você – 1978)

publicado em www.pglingua.org

PORTUGALIDADE é o nome de categoria universal que identifica o próprio de Portugal


(…) A anódina expressão «este País», usada por alguns sectores políticos, serve para desidentificar Portugal. «Este País» serve a todos, e, como tal, não serve a nenhum. Diz-se de todos, de modo que, destruindo Portugal, sempre poderão formular: Portugal, não; este País.

Enquanto uns destroem, outros, na modéstia do silêncio, na discrição do labor, na isolada meditação, procuram construir. Não são, nem deputados, nem comedores do povo, nem proclamados combatentes da liberdade. São pessoas, que, para além da jurídica cidadania, se estruturam em ordem ao amor da Pátria. E nem estamos aí perante nacionalismos ou xenofobias. O patriotismo é o acto de consciência de que é próprio: se eu não gostar do que me é próprio, quem gostará?

PORTUGALIDADE é o nome de categoria universal que identifica o próprio de Portugal. Hoje em dia o termo não é unívoco, antes parece equívoco, mas quando este termo foi moldado por António Sardinha, face à hegemonia da hispanidade, era bem unívoco: designava o peculiar à acção portuguesa na história do mundo. O que foi, e é, seu carácter singular, comparado com o que foi, ou é, carácter geral de todos os povos.

A equivocidade do termo dá margem à existência de vários conceitos de portugalidade, incluindo o conceito negativo, o de não-portugalidade, expresso de modo ostensivo na linha dos internacionalismos alienantes, mais preocupados em cuidar do que têm a receber, do que com o que não têm a dar. (…)



PINHARANDA GOMES in semanário “O DIABO”, 30 de Setembro de 2003

O fim do homem neste mundo é libertar-se a si, libertando os outros seres

"Porque o desfecho e remate do homem não é gozar, repita-se. Se o mundo não existe para que o homem o saiba, odioso seria fantasiar que o universo continua subsistindo para que o desfrute o homem. Este erro antropocêntrico é a imoralíssima moral dos filósofos evolucionistas [...].

O fim do homem neste mundo é libertar-se a si, libertando os outros seres.[...]

A moral religiosa é falsa, porque é a moral do indivíduo. A moral filosófica, à maneira materialista, positivista, evolucionista, livre-pensante, é falsa, porque exclui os animais. A moral ascética é falsa, porque exclui as coisas.
O ascetismo e o abandono são falsos, porque importariam ou a salvação pessoal ou, tão só, a sectarista. A não resistência ao mal é falsa, porque, precisamente, eliminar o mal é o fim do homem, único e supremo.
Não foi Tolstoi. Quem encontrou a palavra do enigma foi o poeta alemão Novalis. Novalis escreveu que: - o fim do Homem é ajudar a evolução da Natureza. Esta palavra vai até o fundo do fundo do abismo. Nunca nenhuma assim sublime brotou de lábios inspirados. O fim do Homem é ajudar a evolução da Natureza.
Como? Trabalhando, para saber, a fim de poder. E, podendo, cumpre-lhe esquecer-se, não acreditando, como até aqui, que a decifração dos mistérios é para que sua curiosidade se satisfaça; para que, redundantemente, seus prazeres aumentem. O homem tem de dar contas do supremo dever que lhe incumbe, o dever para com a natureza inteira. Libertando-se a si, libertando os seus irmãos de espécie, ele contribuirá já para a grande libertação universal"

- Sampaio Bruno, A Ideia de Deus, Porto, Lello & Irmão, 1902, pp.468-470.

Naomi Klein: Análise sobre a presente recessão mundial

“Friedman, que pensava que os mercados eram mais eficazes quando livres da intervenção dos Estados, pregava a supressão de todas as medidas destinadas a proteger o povo contra a lógica do mercado. Naomi Klein responde que as populações só podem aceitar tais reformas se estiverem em estado de choque, a sair de uma crise, catástrofe natural, atentado ou guerra.”

O que nos leva diretamente às tortuosas e sempre ocultas verdadeiras motivações por detrás da Guerra no Iraque. Se nestas não podemos encontrar as tais “armas de destruição massiva” (e que a Administração Bush sempre soube não existirem) então quais eram afinal estas motivações? Estranhamente, os Media nunca procuraram aprofundar o tema dessas verdadeiras causas, contentando-se com o enunciado da falsidade das primeiras. Talvez porque estejam hoje praticamente todos nas mãos de grupos financeiros e económicos e que a derradeira “imprensa livre” já não é impressa, mas lida nos écrans de computadores…

Nestas razoes ocultas para a Guerra do Iraque contam-se razoes tão prosaicas e desprezíveis como o puro enriquecimento de empresas de outsourcing e prestação de serviços para o exercito como a Halliburton do nefando ex-Vice-presidente Donald Rumsfeld, à satisfação dos interesses do lobby industrial-militar norte-americano, aos interesses das petrolíferas e, não devemos também esquecer a quantidade de pretextos que a conveniente “Guerra ao Terrorismo” (conveniente, porque é uma guerra sem adversários claros nem objetivos determinados) deu a todo o tipo de supressão ou redução de liberdades democráticas: espionagem interna, escutas indiscriminadas, tortura sistemática, prisões arbitrárias e o estabelecimento de um Estado Securitário que cria agua na boca nas ditaduras saudita e chinesa, que lhe invejam os meios e a docilidade (resultante do Terror de alertas terroristas sucessivos e quase diários). E não nos esqueçamos também de todas as áreas cinzentas quanto à autoria dos atentados de 11 de Setembro que por estas bandas já enunciámos…

“Klein conclui que a Escola de Chicago é “um movimento que reza pela chegada de uma crise como um agricultor em período de seca reza pela chuva.” Pior, os adeptos de Friedman são, por vezes, demasiado impacientes para esperar que as forças da natureza se manifestem. E se as catástrofes naturais são difíceis de forjar, os golpes de Estado e os ataques terroristas são fabricáveis a qualquer momento.”

E por isso provocam guerras como a do Iraque. Nada melhor do que forjar um inimigo externo para agregar apoios em torno de uma causa potencialmente impopular, à semelhante do que fizeram os generais da Junta argentina quando empurraram o seu país para a guerra contra o Reino Unido, e Bush quando a des-propósito do 11 de setembro levou os EUA à invasão do Iraque, cumprindo assim os planos dos neoconservadores para “reformarem” a economia e a maneira (em “outsourcing”) de fazer a guerra, retirando de permeio direitos individuais e garantias cívicas a pretexto de uma “guerra ao terrorismo” de contornos intencionalmente mal definidos.

“A queda de Wall Street deve ser para as teorias freudianas o que a queda do muro de Berlim representou para o comunismo autoritário: a acusação de uma ideologia.”

Já Mário Soares declara o mesmo. Naomi Klein tem razão na sua visão daquilo que devia ser, mas erra na sua convicção de que algo de radical irá mudar no mundo após esta recessão mundial… E com ela Soares (que sempre admitiu que não percebia nada de Economia): o sistema financeiro mundial atual tem hoje demasiada força influência para poder ser assim tão facilmente. Após a confirmação dos primeiros sinais de retoma (que já se observam) não tardará a fazer esquecer todos os impulsos de re-regulação dos mercados financeiros e de capitais, recorrendo para tal à sua fiel claque de políticos partidocratas (já assinou ESTA petição?) alimentados a generosas doações regulares de sacos de dinheiro vivo. E tudo ficará na mesma… Graças ao afluxo urgente de biliões do dinheiro dos nossos impostos (mantendo intocados os lucros de décadas e os babilónicos salários dos gestores) e de uma influencia esmagadora das multinacionais sobre todos os governos aparentemente (apenas) democráticos do mundo.

Fonte:
Courrier Internacional, abril de 2009.

Menos deputados e candidaturas independentes...

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Menos deputados na Assembleia da República e a possibilidade de candidaturas independentes ao Parlamento são duas das propostas de alteração à Lei Eleitoral feitas por Rui Oliveira e Costa. As sugestões constam de um livro que é lançado esta terça-feira

Fonte: http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=140034

A esse respeito, já assinou a Petição MIL: CONTRA A PARTIDOCRACIA E EM PROL DE UMA VERDADEIRA DEMOCRACIA REPRESENTATIVA
http://www.gopetition.com/online/26885.html

Domingo, 28 de Junho de 2009

Final da Taça das Confederações: EUA 2 - BRASIL 3





Ainda têm que matar muitas moscas para conseguirem ganhar ao Brasil...

O repórter esteve lá...




Guiné-Bissau: Narcotráfico marca campanha eleitoral, enquanto combate está a ser discutido em Cabo Verde

29 de Outubro de 2008, 13:18

Lisboa, 29 Out (Lusa) - O alegado financiamento de partidos com dinheiro proveniente do narcotráfico tem marcado a campanha para as legislativas guineenses, tal como aconteceu em eleições anteriores em Cabo Verde, onde peritos internacionais discutem o combate ao tráfico.

Depois de um prolongado silêncio, os líderes políticos guineenses têm utilizado o narcotráfico para fazer campanha para as legislativas de 16 de Novembro com promessas de acabar com aquele crime e com acusações indirectas sobre a utilização de fundos provenientes do tráfico de droga por partidos.

As acusações começaram sábado, primeiro dia de campanha para as legislativas, no comício do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

"Só não vê quem não quer. Há dinheiro do narcotráfico nesta campanha eleitoral", afirmou Carlos Gomes Júnior, líder do PAIGC, maior partido político guineense.

A mesma estratégia foi utilizada pelo líder do Partido Republicano para a Independência e Desenvolvimento (PRID), do antigo primeiro-ministro guineense Aristides Gomes, que lembrou terça-feira em comício que as únicas apreensões de cocaína foram feitas durante o tempo que esteve no poder.

Já para o líder do Partido para o Desenvolvimento, Democracia e Cidadania (PADEC), o também antigo primeiro-ministro Francisco Fadul, é "claro" que o dinheiro da droga circula na Guiné-Bissau, ameaçando expulsar todos os envolvidos no tráfico de droga das estruturas de Estado.

O Partido de Renovação Social (PRS) de Kumba Ialá também prometeu combater a droga domingo no lançamento oficial da sua campanha eleitoral.

As declarações não passam de acusações indirectas, até porque nunca ninguém foi condenado por tráfico de droga na Guiné-Bissau, tendo quase todos os suspeitos sido postos em liberdade e abandonado o país, após pagarem caução.

Em Cabo Verde, as legislativas de Fevereiro de 2006 e as autárquicas de Maio último também ficaram marcadas por suspeitas, mas nunca concretizadas.

Em declarações aos jornalistas depois de votar para as legislativas, o primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, disse que havia partidos financiados com dinheiro proveniente do tráfico de droga.

Na altura, o principal partido da oposição, Movimento para a Democracia (MpD), pediu ao chefe do Governo para concretizar e para apresentar provas, o que nunca aconteceu.

Em Maio passado, o candidato do PAICV à Câmara da Praia, Felisberto Vieira, disse o mesmo num comício, na presença do primeiro-ministro, mas também sem concretizar.

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) assina hoje um documento estratégico de luta contra o narcotráfico, numa reunião, que termina hoje e juntou especialistas na área, organizações internacionais e políticos.

Segundo António Maria Costa, director do escritório das Nações Unidas contra a Droga e Crime (UNODC), as apreensões de cocaína na costa ocidental africana duplicaram em cada ano desde 2005, passando de 1,3 toneladas, para 6,5 toneladas em 2007.

Na Guiné-Bissau, entre 2006 e 2007 foram apreendidos pouco mais de 1000 quilogramas de cocaína, metade dos quais "desapareceram" e a falta de meios continua a ser apontada como a principal razão para a quase ausência de combate ao narcotráfico.

António Maria Costa, que visitou a Guiné-Bissau em 2007, referiu que o valor do comércio da droga no país é maior que todo o rendimento nacional, e acusou os traficantes de se estar a infiltrar nas estruturas do Estado e a actuar impunemente.

MSE/FP.



Fonte LUSA: http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/35433f79237aad6088f3e0.html

FARC envolvidas no narcotráfico na Guiné-Bissau


O avião venezuelano apreendido por ter transportado droga para a Guiné -Bissau

24 Junho 2009



A guerrilha colombiana está envolvida no narcotráfico na Guiné-Bissau, denunciaram terça-feira em Washington responsáveis norte-americanos, durante uma audiência na Comissão de Negócios Estrangeiros do Senado dos Estados Unidos.
Durante a audiência diversos peritos afirmaram haver a necessidade dos países europeus darem uma maior contribuição ao combate a esse tráfico.
Michael Braun, que até recentemente foi director de operações da Agência de Combate à Droga (DEA), disse que a Europa "está à beira de uma catástrofe de abuso e tráfico de drogas semelhante àquela que os Estados Unidos sofreram há 30 anos atrás".
Braun e outros peritos que compareceram perante a Comissão disseram que a situação se deverá deteriorar.
Os riscos de traficar cocaína para Europa são agora menores do que para os Estados Unidos, os lucros maiores e a procura futura deverá aumentar, acrescentaram.
"A Europa tem que assumir as suas responsabilidades e fazer muito mais", disse Braun.
O actual chefe de operações da DEA, Thomas Harrigan, disse que "traficantes colombianos e venezuelanos" estão "enraizados" na África ocidental" e cultivaram relações de longo prazo com redes criminosas africanas para facilitar as suas actividades na região.
"O aumento significativo do tráfico de cocaína da América do Sul para a Europa, através de rotas estabelecidas em África, representa uma ameaça não apenas para a Europa mas também para os Estados Unidos", considerou Harrigan.
Este operacional da luta contra a droga disse estarem actualmente em curso diversas operações conjuntas com entidades policiais europeias mas recusou-se a dar pormenores em público.
Tanto Harrigan como Braun e ainda Douglas Farah, um especialista do Centro de Avaliação e Estratégia, referiram a crescente presença de elementos das Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia, FARC, em países africanos, incluindo a Guiné-Bissau para "facilitar" o tráfico de drogas.
No que diz respeito a países africanos que têm demonstrado vontade em combater o tráfico de drogas, Harrigan mencionou Cabo Verde como exemplo de um país africano que colocou meios em acção para combater o tráfico de drogas e onde, acima de tudo, há "vontade política" em combater esse tráfico.
O sub-secretário de Estado para África Johnnie Carson descreveu Cabo Verde como tendo um "vasto potencial" para se tornar num "parceiro transatlântico em actividades regionais de interdição, numa plataforma para colheita de informação e como mediador de diálogo com a Guiné-Bissau".
Carson elogiou ainda Cabo Verde pela sua "democracia estável" e pelo "sucesso" em reduzir o tráfico de drogas da América Latina.
"Aumentar os nossos conhecimentos e capacidade de seguir o contrabando transatlântico e desenvolver uma capacidade regional através de parceiros de confiança como Cabo Verde e o seu governo poderá ser um dos esforços mais produtivos e de menor custo de um plano integrado (de combate ao tráfico de drogas)", concluiu Carson.

JP.

Mau prenúncio...

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Dois candidatos declaram vitória na Guiné-Bissau

Encerraram às 18h de Lisboa as urnas de voto na Guiné-Bissau, onde se escolhe o sucesssor do assassinado Presidente Nino Vieira. Tanto Kumba Ialá como Malam Bacai Sanhá declararam vitória. Ainda não são conhecidos os resultados oficiais

Fonte: http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=139730

Diário da NOVA ÁGUIA: 28 de Junho...



Hoje, era para ter decorrido o 119º lançamento da NOVA ÁGUIA, no âmbito do Festival “Sinergia”, mas o evento foi, como aqui noticiámos, desmarcado. Não falei com os organizadores, mas imagino a frustração de desmarcar algo que tanto terá demorado a preparar: era um Festival de três dias, com a participação de muitas pessoas e entidades…

Esta semana, voltaremos à estrada. Estaremos em Faro, na sexta, e em Setúbal, no Sábado. No Sábado, igualmente, como aqui tem sido noticiado, irá decorrer, na Associação Agostinho da Silva, o 2º Debate Público do MIL, sobre “O futuro democrático da Guiné-Bissau no espaço lusófono”, altura em que recolheremos ainda os livros que aqui pedimos para serem enviados para Timor…

A respeito de Timor: tivemos finalmente a confirmação de que os exemplares enviados do nº 3 da NOVA ÁGUIA já lá chegaram…

Isto na semana em que termina o prazo de entrega de textos para o nº 4. Que já bem recheado está…

Próxima sexta, em Faro: + 2 lançamentos da NA3

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03.07.09 - 18h00: Biblioteca Municipal de Faro
03.07.09 - 21h30: Instituto da Juventude (Faro)

Sábado, 27 de Junho de 2009

Mais um excerto do texto de Pinharanda Gomes para a NOVA ÁGUIA nº4...

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PASCOAES E A ALMA DA EUROPA (III)

«A palavra Europa sempre designou um conceito de geografia (um espaço) isto é, dos modos de gravar os nomes das partes da terra. Durante todos estes séculos, e pelo menos até à diplomacia de Metternich, a ressonância da Europa pouco ressoava»[1]. Certo que do ponto de vista da unidade religiosa, a Europa nasceu do ideário de S. Bento, e renovou-se na visão político-social de matriz cristã, de Roberto Schumann, que, todavia, preconizou a subordinação supranacional. Pascoaes teria menor ciência da pastoral beneditina e, quanto à União Europeia, tal ideia só deveio importante a partir da Comunidade Económica, criada quando Pascoaes era já de outro mundo.
Na Hispânia também Castela tentou a unificação e ainda hoje os castelhanos ostensivamente fazem de conta que não entendem, nem o catalão, nem o galego, e muito menos o português, apesar de os portugueses entenderem o castelhano. É um sinal de desencanto e, como Pascoaes escreveu, «Portugal resiste, há oito séculos, ao poder absorvente de Castela»[2]. Uma língua é uma pátria, mesmo que o número de falantes seja menor. Nada obsta a que, mesmo em nações aliadas num único Estado, as línguas regionais sejam acatadas, apesar de haver cidadãos que só aceitam que uma língua seja viva, quando falada por muita gente, considerando loucas as minorias que falam uma língua própria. De «loucos» um Ministro da Cultura Socialista rotulou os mirandeses[3], Ministro esse que devia ser culto e não considerar loucos os portugueses de Miranda que podem falar outra língua a par da portuguesa. Talvez os castelhanos achassem loucos os portugueses por terem criado outra língua? Será justo apelidar de loucos os galegos que, não obstante o centralismo castelhano, perseveraram nas suas falas arcaicas, das quais a língua portuguesa evoluiu, do galego se diferenciando depois de ter sido gerada no meio do galaico-portucalense? Com a Galiza, no quadrilátero hispânico, há exemplos a ter em conta, o catalão não sendo o menor. Castela produziu uma literatura, mas também a produziram a Galiza, Portugal, e Catalunha.
Pascoaes tinha em altíssima conta o factor linguístico, tendo exarado curiosos argumentos acerca da singularidade da nossa língua. Ela, de matriz europeia, deveio africana, americana e asiática. Considerando o número de falantes no âmbito do Catolicismo, o português é a segunda língua mais falada logo a seguir ao castelhano, sendo certo que para tanto muito contribuem as nações latino-americanas. Quanto ao mirandês é uma língua que, através dos séculos manteve o seu peculiar carisma: uma língua inteira, arcaica, formulada e mantida entre o galego, o leonês, o português, e o cantábrico. Há uma literatura mirandesa, e muito recentemente Os Lusíadas foram traduzidos por Amadeu Ferreira para essa língua.
A identidade nacional no quadro da internacionalidade, tem por norma a assunção de que só mediante uma esclarecida identidade pode afirmar-se na Europa e perante a Europa, e tal identidade é transversal a uma língua e a um pensamento próprio[4], pensamento esse que haja em mente a pluralidade do mundo que criámos.
A firmeza de Portugal na cena europeia não depende dos profissionais de europeísmo, pagos e sustentados por um povo que de há muito vive no limiar da pobreza, mas que é obrigado a exceder-se para honrar esses profissionais, que não sabemos se têm alguma ideia própria de Europa.
Entre a ambição da imperialidade e a vocação da fraternidade, o europeísmo actual, na forma política como ele se apresenta, é um exercício de coabitação, só alargado após o derrube do Muro de Berlim e a aproximação do Oeste e do Leste, cujas raízes são idênticas na diversidade dos seus ritos. Se alguma raiz é comum às nações envolvidas, essa raiz é o Cristianismo judaico-helénico-romano figurado, desfigurado e transfigurado na original ortodoxia, nas sequelas das heterodoxias e, por fim, nos fenómenos cismáticos. Na variedade das fronteiras, da cultura, das línguas, o comum da Europa apresenta-se como um valor do sagrado, um factor uniente, mesmo quando imerso nas variedades do secularismo – o economismo, o sociologismo, o politicismo, o temporalismo, o naturalismo, que, aos poucos tem içado o neopaganismo, ostensivo na vida quotidiana, a pontos de, em múltiplas circunstâncias, o Cristianismo parece reduzir-se a um vestígio do passado[5].


[1] A Béthouart, Metternich e a Europa. Trad. port.. Porto, Lello, 1985; P. Gomes, Meditações Lusíadas. Lx.ª, Fund. Lusíada, 2001, p. 131. Cf. todo o capítulo intitulado «Portugal, Possível e Impossível», pp. 129-142.
[2] Arte de ser Português, Rio de Janeiro, Ren. Port., 1920, p. 145.
[3] Cf. F. J. Viegas, in Correio da Manhã, Lx.ª, 20.5.2009.
[4] Cf. Maria das Graças Moreira de Sá, Entre Europa e o Atlântico. Estudos de Literatura e Cultura Portuguesa. Lx.ª, INCM, 1000, sobretudo o capítulo acerca do nacionalismo linguístico de Pascoaes.
[5] João Paulo II, Ecclesia in Europa, 2003, cap. 7. Cf. P. Gomes, A Alma Cristã da Europa, in Theologica, 2.ª série, Vol. 19, Braga, 2004, pp. 263-299.

Há por aqui algum iberista?

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Se há, é favor ler:
http://renascimentolusitano.blogspot.com/2009/06/federacao-iberica-nao-gracias.html

E vai ver que isso passa...

Uma resistente, és...

Três vezes diz
Trinta vezes repete
Trezentas vezes ecoa

Longo, bem longo é o teu voo
Por isso, não esvoaças, à toa
Sabes para onde vais e o que visas

Uma resistente, és
Que não desiste, nunca
Que reinsiste, sempre

Para o Ruela, um "resistente" deste voo...

Cadernos de Agostinho da Silva (excertos e notas): 9ª série

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No primeiro Caderno desta série, ALIMENTAÇÃO HUMANA, defende essencialmente, Agostinho da Silva, duas teses. A primeira, a de que “o problema da alimentação humana se não pode resolver sem um entendi­mento internacional que permita racionalizar a produção agrícola: é deprimente para a inteligência do homem que produza fruta um país que tem condições óptimas para trigo e que se dê o contrário num país de pomares, que se deixem desaproveitados extensos terrenos ou expostos à erosão outros que seriam pre­ciosos, que se esteja ainda arriscado, depois de todo o progresso científico, ao perigo das fomes; uma comis­são directiva internacional estabeleceria para todo o mundo as formas e quantidade de produção e regula­ria as trocas necessárias para que em toda a parte as populações tivessem ao seu dispor os recursos alimen­tares indispensáveis”[1]. A segunda, a de “deve haver equilíbrio* entre os elementos constituintes da ração: equilíbrio entre proteínas de origem animal e de origem vegetal, porque se corre certo risco, confiando apenas nas últimas; equilíbrio entre gorduras de origem animal e de origem vegetal, embora aqui a necessidade seja me­nos imperiosa; equilíbrio entre os elementos ácidos e os elementos alcalinos; equilíbrio entre as vitaminas; equilíbrio entre princípios energéticos e princípios não energéticos”[2]
No segundo, SÓCRATES, ainda que salvaguarde a dificuldade de diferenciar Sócrates de Platão, desenvolve, entre outras, a tese de que, “com a posse da ciência, ou antes, com o ser ciên­cia, ganhou o sábio, segundo a opinião de Sócrates, uma superioridade incontestável sobre os outros homens e uma felicidade perfeita; o sábio salvou-se e parece que deveria agora isolar-se para gozar a sua perfeição, sem que a sorte dos outros homens pudesse preocupá-lo; não é, porém, o que acontece e o sábio acorre a tentar a salvação dos outros, tendo nós, portanto, que pro­curar averiguar por que motivo o faz; se a sua felici­dade é perfeita, nada o devia solicitar à acção, a não ser que haja na textura da própria inteligência uni­versal uma força que o leve a agir: essa força existe e é o amor; segundo parece, não podemos tomar como socrática a teoria do amor que Platão desenvolve no Banquete, mas talvez haja nela elementos que provenham de Sócrates”[3].
No terceiro, A VIDA E A ARTE DE REMBRANDT, salienta-se sobretudo, a vontade de viver: “o mundo que vai criando Rembrandt é um mundo que afirma um direito de viver e que na vida se deleita”[4].
No quarto, APICULTURA, começa, desde logo, Agostinho da Silva, por reconstituir o processo histórico da exploração das abelhas: “Como acontece ainda hoje em alguns povos sel­vagens, a exploração das abelhas nos tempos mais recuados da humanidade deve ter sido puramente casual; o homem teria descoberto que as abelhas fabri­cavam e armazenavam o mel e procederia à colheita pelos métodos primitivos que se usam em certas regiões da África e da América do Sul: os enxames eram des­truídos pelo fogo ou pelo menos afastados e fazia­-se uma pilhagem total das reservas das colmeias. Depressa, porém, se reconheceu que o método era absurdo porque diminuía as facilidades de recolha; o número de enxames destruído era tão elevado que a abundância de abelhas diminuía, mal satisfazendo as necessidades das tribos; houve então alguém que se lembrou de ver se era possível recolher o mel sem ma­tar as abelhas nem destruir o cortiço; o corte do tronco de árvore onde o enxame habitava, munindo-o depois de um fundo e de uma tampa, deveria ter fornecido a primeira colmeia; para fazer a cresta ou colheita do mel bastava levantar a tampa da colmeia, afugentando previamente o enxame, e cortar os favos que as abelhas tinham construído; a princípio cortavam-se todos e parece que bastante tempo deve ter decorrido antes de se compreender que o mel era necessário para sustento das abelhas durante o Inverno. Este tipo primitivo de colmeia foi transmitido de geração a geração e é ainda hoje, com pequenas modificações, o que vulgarmente se usa”[5].
No quinto, HISTÓRIA DO JAPÃO, destaca, entre outros aspectos, e a propósito da relação do Japão com o Ocidente, que “o japonês era muito dife­rente do chinês, do hindu, do malaio ou do negro, que tinham sido até aí as vítimas dos empreendimentos eu­ropeus: uma viva inteligência, uma vontade inquebran­tável iam mostrar dentro em pouco ao ocidental que a sua política chamada realista não fora talvez a mais hábil que poderia ter adoptado”[6].
No sexto e último, AS VIAGENS DE LIVINGSTONE, estamos, uma vez mais, perante um “herói agostiniano” – daí, nomeadamente, estas passagens, qual delas a mais eloquente: “não havia quem o vencesse em paciência e tenacidade; quando todos os outros desa­nimavam na tarefa, ante os obstáculos internos ou externos, David, sem uma irritação, sem uma impa­ciência, tão naturalmente e tão fortemente como uma água que corre, ia enchendo o seu caderno de escrita ou resolvendo os seus problemas, sem pensar sequer em que poderia haver para ele qualquer espécie de abandono; para aquele mocinho o dever já não era nada de exterior ou de imposto pelas normas da escola: era uma identidade com a sua natureza, uma força que lhe agia no sangue e nos nervos e o levava, como um aço agudo, sem a mais leve hesitação, a cor­tar tudo quanto lhe aparecesse pela frente”[7]; “A confiança que tinha em si próprio e que rarís­simas vezes o abandonaria na vida fazia que vencesse todos os contratempos, todas as oposições que não po­dia deixar de encontrar; era um sentimento de segu­rança na vitória, uma certeza de que fora escolhido para uma missão e de que todo o adversário, coisa ou pessoa, apenas viera ao mundo para lhe dar maiores possibilidades e nunca poderia entravar, fosse no que fosse, o que de essencial tinha a fazer; não havia, por­tanto, que se desistir ou cair em desânimo: eram atitudes boas para quem se via no mundo como num combate de forças iguais em que há perder e ganhar; mas ele não: um espírito supremo o encarregara de realizar uma tarefa e então era como os homens anti­gos que tinham sobre si a mão de Deus e que nenhuma lança trespassava, que nenhuma intriga enredava; quem se opusesse cairia batido, só poderia contribuir para a glória das suas ideias, para o triunfo da sua causa de amor e de progresso; ora, em quem se bate consciente de uma superioridade esmagadora nada pode existir senão a serenidade (…)”[8]; “com Livingstone as derrotas serviam apenas para o ajudar no seu caminho; eram, por um lado, os tónicos que lhe fortaleciam ainda mais a vontade, por outro lado as experiências que lhe alargavam as possibilidades de acção”[9].

[1] Alimentação Humana, Lisboa, Edição do Autor, 1942, p. 12.
[2] Ibid., p. 14.
[3] Sócrates, Lisboa, Edição do Autor, 1943. Saliente-se aqui, uma vez mais, a valorização da acção*.
[4] A vida e a arte de Rembrandt, Lisboa, Edição do Autor, 1943, p. 12.
[5] Apicultura, Lisboa, Edição do Autor, 1943, p. 3.
[6] História do Japão, Lisboa, Edição do Autor, 1944, p. 15.
[7] As viagens de Livingstone, Lisboa, Edição do Autor, 1944, p. 4.
[8] Ibid., pp. 7-8.
[9] Ibid., p. 16.

Por que razão Moçambique se manterá um país lusófono? Pela maior razão de todas: porque é do seu "interesse nacional"!

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Fala-se hoje mais português em Moçambique que se falava na altura da Independência. O governo moçambicano fez mais pela língua portuguesa que séculos de colonização. Mas não o fez por causa de um projecto chamado lusofonia. Nem o fez para demonstrar nada aos outros ou para lançar culpas ao antigo colonizador. Fê-lo pelo seu próprio interesse nacional, pela defesa da coesão interna, pela construção da sua própria interioridade.

Mia Couto
Excerto da alocução produzida na Conferência Internacional sobre o Serviço Público de Rádio e Televisão no Contexto Internacional: A Experiência Portuguesa, no âmbito dos 50 anos da RTP, realizada no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, nos dias 19 de Junho de 2007 — 22/06/2007

Conselho da Europa pede-lhe explicações à Espanha pela não recepção na Galiza das TVs e rádios portuguesas

Os impedimentos do Estado para propiciar a recepçom das televisons portuguesas contraria directiva europeia. O Parlamento da Galiza exige
ao Governo espanhol a recepçom das emisons lusas.

A Carta Europeia das Línguas Regionais ou Minoritárias estabelece que deve ser garantida a recepçom directa de emissons de rádio e televisom de países vizinhos numha língua utilizada de forma idêntica ou próxima à de línguas minoritárias, tal como acontece no caso da Galiza.

O estado espanhol ratificou esta Carta no ano 2001, comprometendo-se a que as emissons portuguesas estivessem disponíveis no território galego, sem que, no entanto, nada se tenha avançado neste caminho até hoje, apesar do lembrete explícito que neste sentido dirigia o Conselho da Europa ao estado espanhol no ano 2005.

Mais ainda, a Uniom Europeia conta já desde o ano 1989 com a directiva Televisom sem Fronteiras que procura facilitar que as emissons televisivas nom estejam limitadas às fronteiras administrativas dos estados. O espírito deste acordo visa estabelecer relaçons mais próximas entre países, eliminar as barreiras que dividem a Europa, remover obstáculos à livre circulaçom dos serviços para assegurar o progresso económico e social, e um longo relatório de recomendaçons semelhantes e tam acaídas para derrubarem essa nossa raia que para as ondas continua a ser umha longa noite de pedra.

A Carta Europeia prevê um enriquecimento no ambiente linguístico como é fácil de compreender: o acesso da populaçom galega aos meios em língua portuguesa é um nutritivo fundamental para a língua galega e mesmo um antídoto equilibrador para a fortíssima pressom do castelhano que está a magoar a qualidade da nossa língua nacional; mas é também um assunto de economia e desenvolvimento social, tam importante - se nom mais ainda - que o assunto linguístico, e ao mesmo tempo também complementar e fortalecedor do mesmo.

As relaçons entre a Galiza e o norte de Portugal som intensas como sabemos. As empresas tenhem as suas parceiras além-Minho, no sector do automóvel e noutras indústrias gente de umha beira trabalha cada dia na outra, pessoal sanitário daqui exerce ali, profissionais da construçom viajam diariamente de um território para o outro, o turismo é um clássico e o tráfego comercial já foi de sempre.

Todo isto está mui bem, mas a informaçom nom está a viajar e a fluir da mesma maneira que a cidadania e o dinheiro, mas ocorre todo o contrário: bate numha barreira e isto limita-nos. Podemos começar pola informaçom meteorológica que se nos "cega" nos informativos estatais e autonómicos, passando polos telejornais que nos falam das dificuldades que vam ter os viajeiros que visitem a Alhambra de Granada polos trabalhos de restauro mas nada dirám de um fechamento por obras da auto-estrada entre Caminha e Porto que poderia afectar bem mais gente tanto com fins turísticos como profissionais. As oportunidades laborais e de negócio conhecem-se por "contactos", por aquele que me dixo ou aquela que sabia... De novo, os meios de comunicaçom que nos falam decote da situaçom económica e social, das necessidades ou das preocupaçons nos nossos países, estam-nos vetados para o território vizinho.

Também é lazer e cultura. Por que nom havemos de poder seguir outras séries televisivas, aprendermos as receitas de cozinha que tanto nos gorentan quando visitamos o país vizinho ou mesmo vermos cinema em versom original legendada, o que aliás nom está nada mal para melhorarmos o nosso nível de inglês, em geral a anos luz do bem que o falam em Portugal. As vantagens som muitas, as disposiçons europeias há tempos que fórom aprovadas e noutros territórios europeus que tenhem situaçoms semelhantes estam a se desenvolvidas com naturalidade e tirando benefício desde há tempo. Trata-se de somarmos possibilidades, de enriquecermos a nossa língua, de aproveitarmos a capacidade que deveríamos ter de nos comunicar com toda a naturalidade no mundo da lusofonia do mesmo jeito que o fazemos no mundo hispano.

É tam difícil ligarmos o televisor ou o rádio e termos conteúdos galegos, espanhóis e portugueses à nossa escolha? Em Dezembro de 2007, o primeiro-ministro espanhol manifestava em resposta a umha pergunta do BNG no Parlamento de Madrid, que colaboraria no assunto mas tinha que ser à iniciativa da Junta de Galiza. Houvo resposta também favorável da parte do governo português que acolhia com interesse a demanda. O Parlamento da Galiza pronuncia-se em Abril de 2008, aprovando por unanimidade umha proposiçom para exigir ao governo espanhol que possibilite a recepçom no território galego das emissons de rádio e televisom portuguesas logo que possível, e em Novembro do mesmo ano o director-geral de meios audiovisuais da Junta, Fernández Iglesias, responde no Parlamento a umha pergunta do BNG dizendo que, devido a questons técnicas, nom vai ser possível até o ano 2012.

O director-geral, dependente da Conselharia da Presidência, aduba a resposta com diferentes argumentos que tecnicamente som insustentáveis. Deixa cair que "os lusos levam um certo atraso sobre os galegos na implementaçom da TDT", quando a implementaçom do sistema digital de difusom em Portugal nom tem absolutamente nada a ver com o fornecimento dos sinais de estúdio produzidos por cada operador (RTP1, RTP2, SIC, TVI,...) que viriam para a rede galega de difusom.Diz-nos que "a recepçom dos canais do país vizinho pode fazer-se em toda a Galiza através do satélite" e isto de novo tem pouco a ver com o que está em causa. O que vem dispor a devandita Carta Europeia é que o conjunto de serviços da televisom e o rádio de que pode dispor 'normalmente' a cidadania portuguesa poda sintonizar-se directamente nos nossos aparelhos ao mesmo nível que as emissoras espanholas e galegas. A proposta que nos fai Fernández Iglesias consiste, polo contrário, em instalarmos no telhado umha antena parabólica e comprar um receptor-decodificador de satélite para podermos sintonizar unicamente a RTP Internacional, que vem sendo um derivado da programaçom da emissora pública portuguesa à qual som peneirados os conteúdos sujeitos a direitos de emissom territoriais como o cinema e a publicidade. É evidente que nom é o mesmo, nem é o que defende a Carta das Línguas ou a directiva da Televisom sem Fronteiras.

Finalmente, aludia Fernández Iglesias a "cumprir os compromissos pendentes com a TVG e o resto das cadeias do estado" sendo o mais grave desta afirmaçom que é certa. Está-se a pôr em marcha a TDT na Galiza, o que significa que antes do apagamento analógico de Abril de 2010 ham estar trabalhando os emissores e repetidores digitais a darem cobertura a toda a populaçom galega. As concessons aos operadores (TVG, TVE, Antena 3, Cuatro, Tele 5...) obrigam a que estes disponibilizem os meios para que os sinais cheguem às antenas de cada domicílio. Isto representa um custo que será maior quanto mais dificultosa for a orografia, como acontece no caso galego que por riba é mui pouco rendível por causa do despovoamento das zonas rurais; em definitivo, muitos repetidores para poucos consumidores. E aqui é que entram os compromissos do director-geral com as cadeias do estado. A Junta está a assinar convénios e a disponibilizar subsídios para que a programaçom privada do estado espanhol chegue a todas as vilas e aldeias de Galiza abaratando os custos aos grupos de comunicaçom do estado espanhol.Para a Fundaçom Via Galego e a Plataforma para a Recepçom das Televisões e Rádios Portuguesas na Galiza, o facto de estarmos num processo de ordenamento de frequências e numha mudança na gestom do domínio público radioeléctrico fai que seja o momento adequado. Ambas as organizaçons levam vários anos a trabalhar em prol deste assunto fazendo estudos técnicos e jurídicos, e concordam em que é o momento de as administraçons terem em conta a inclusom da rádio e a televisión portuguesa já na oferta de conteúdos da grelha mediática galega.

Santiago Moronho Arenas
engenheiro em Telecomunicações
Quarta, 24 Junho 2009

(*) Artigo publicado originalmente no n.º 78 do Novas da Galiza.
http://www.pglingua.org/