EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

"a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português. Em tempos de globalização, esta qualidade – a de evidenciar o pensamento nacional – deve ser exaltada"

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra - Razão e Espiritualidade: nos 100 anos de "O Criacionismo (Esboço de um Sistema Filosófico)".

Para o 10º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.


Morada: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais,

Apartado 21, 2711-953 Sintra, Portugal.

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

EDITORIAL

Sendo a NOVA ÁGUIA uma Revista que, de forma assumida e descomplexada, dá o devido destaque aos autores maiores da nossa tradição filosófica e cultural, inevitavelmente teríamos que dedicar um número a Álvaro Ribeiro – depois de já o termos feito a António Vieira, Agostinho da Silva, Teixeira de Pascoaes e Fernando Pessoa. A ocasião chegou, agora que se assinalam os trinta anos da sua morte. Que outra Revista o poderia fazer?
Em muitos casos mais referida do que propriamente lida, a obra de Álvaro Ribeiro tornou-se numa espécie de bandeira do que em geral se designa por “Filosofia Portuguesa” – quer para os que a defendem, quer, contrapolarmente, para aqueles que contestam, ainda hoje, a sua existência. Desde logo por isso, o próprio Álvaro Ribeiro acabou por se tornar no autor mais emblemático da dita “Filosofia Portuguesa”.
Por essa mesma razão, a sua figura ainda hoje desperta reacções assaz apaixonadas, num e noutro sentido, o que, se por um lado, lhe tem preservado, trinta anos após a sua morte, uma apreciável notoriedade, por outro, tem impedido, pelo menos nalguns casos, por evidente preconceito, um estudo mais aprofundado da sua obra. Neste número, procurámos colmatar essa falha, convocando os maiores especialistas na obra de Álvaro Ribeiro, dando, ao mesmo tempo, voz àqueles que ainda hoje contestam a existência de “filosofias nacionais”.
Isto apesar de, com este número, não termos querido ressuscitar qualquer polémica em torno da existência de “filosofias nacionais” – polémica que, a nosso ver, está por inteiro ultrapassada, pelo menos nos termos em que emergiu, após a publicação, em 1943, da obra O Problema da Filosofia Portuguesa. Álvaro Ribeiro continua a ser para nós um autor actual pela simples mas suficiente razão de que todo o pensamento filosófico é sempre já – e nunca deixa de o ser, por mais inconsciente que esteja disso – um pensamento radicado, situado: numa Língua, numa História, numa Cultura…
*
Uma vez mais, a NOVA ÁGUIA prova, pois, a sua abertura. Fundando-se numa determinada Visão de Portugal e do Mundo, devidamente expressa no nosso Manifesto, publicado no primeiro número da Revista, a NOVA ÁGUIA nunca foi nem nunca será um “órgão de propaganda”, mas, ao invés, um “órgão plural”, que, dando destaque a algumas figuras – àquelas que, como é óbvio, a nosso ver o merecem –, o faz, porém, de forma crítica, convocando não apenas os hermeneutas que, à partida, lhes são mais próximos, como, igualmente, alguns dos que lhes são mais distantes.
Como sempre, também este número da NOVA ÁGUIA não se debruça apenas sobre um autor. Assim, para além de Álvaro Ribeiro, neste número evocamos ainda José Marinho – autor que, a par de Álvaro Ribeiro, mais chamou a atenção, entre nós, para a importância que a Filosofia deve reconhecer à Língua, à História e à Cultura (daí o seu conceito de “filosofia situada”) –, Álvaro Cunqueiro – no centenário do seu nascimento –, Joaquim Nabuco – no centenário da sua morte – e Domingos Gonçalves de Magalhães – no bicentenário do seu nascimento. Para além disso, temos ainda textos sobre Fernando Pessoa, bem como sobre os 15 anos da CPLP, data que assinalámos no sétimo número da NOVA ÁGUIA.
Como tem acontecido desde o primeiro número, a Revista termina com a referência aos locais onde tem sido apresentada – numa série, iniciada a 19 de Maio de 2008 na Fundação José Rodrigues, que excede já as duas centenas e meia de sessões, em todo o espaço lusófono –, bem como à Colecção de Livros “Nova Águia”, que já vai em mais de duas dezenas e meia de títulos. Na contra-capa, como igualmente tem sido regra, antecipamos o tema do próximo número: “Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?”. Prova, bem cabal, do nosso optimismo: não só acreditamos que Portugal ainda hoje existe, como existirá daqui a 100 anos…

ÍNDICE

Editorial…5
NOS 30 ANOS DA MORTE DE ÁLVARO RIBEIRO
Álvaro Ribeiro, CARTA A ANTÓNIO QUADROS…8
Azinhal Abelho, Orlando Vitorino, António Quadros, António Cândido Franco, Pinharanda Gomes, Miguel Real, António Braz Teixeira, António Telmo, André Veríssimo e José Augusto Seabra, ÁLVARO RIBEIRO EM 10 INSTANTÂNEOS…9
António Cândido Franco, ÁLVARO RIBEIRO NUM RELANCE DE LUZ…13
António Carlos Carvalho, EXILADO DO MUNDO…14
Artur Manso, O QUE É A ESCOLA FORMAL…15
Carlos Aurélio, UMA FILOSOFIA DO MODO…25
Cynthia Taveira, A ACTIVIDADE DE DEUS…32
Elísio Gala, ÁLVARO RIBEIRO E A FILOSOFIA POLÍTICA…35
Filipe Delfim Santos, UM COLÓQUIO AGORA MAIS ÚTIL & CARTA INÉDITA DE ÁLVARO RIBEIRO À VIÚVA DE DELFIM SANTOS…39
Joaquim Domingues, ERUDIÇÃO FILOSÓFICA…45
José da Costa Macedo, FILOSOFIA E SITUAÇÃO…49
Manuel Ferreira Patrício, A LÍNGUA PORTUGUESA E O DESTINO DE PORTUGAL…58
Maria Leonor L.O. Xavier, A QUESTÃO DA UNIVERSALIDADE DA FILOSOFIA…60
Maria Luísa de Castro Soares, CONCEITO E CONTROVÉRSIA DA FILOSOFIA PORTUGUESA: O APOSTOLADO DE ÁLVARO RIBEIRO…66
Paulo Jorge Brito e Abreu, FILOSOFIA PORTUGUESA EM ÁLVARO RIBEIRO…71
Pedro Martins, PÁTRIA, HISTÓRIA E EPOPEIA: ÁLVARO RIBEIRO, JAIME CORTESÃO E A RENASCENÇA PORTUGUESA…75
Pedro Sinde, ÁLVARO RIBEIRO, FILOSOFIA OPERATIVA E ORAÇÃO MENTAL…88
Rodrigo Sobral Cunha, A RAZÃO RÍTMICA (NO PENSAMENTO DE ÁLVARO RIBEIRO)…97
Pinharanda Gomes, ÁLVARO RIBEIRO (1905-1981): A FILOSOFIA COMO ARTE & ADITAMENTO BIBLIOGRÁFICO…105
SOBRE JOSÉ MARINHO: NOS 50 ANOS DA TEORIA DO SER E DA VERDADE
Renato Epifânio, JOSÉ MARINHO, UM FILÓSOFO METAFÍSICO E, POR ISSO, SITUADO…116
Pinharanda Gomes, A TERTÚLIA DE ÁLVARO RIBEIRO E DE JOSÉ MARINHO…117
Manuela Brito Martins, A FILOSOFIA DA HISTÓRIA EM OLIVEIRA MARTINS A PARTIR DE UMA LEITURA DE JOSÉ MARINHO…126
SOBRE ÁLVARO CUNQUEIRO, JOAQUIM NABUCO E DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES
Maria Seoane Dovigo, ÁLVARO CUNQUEIRO, CEM ANOS DEPOIS…132
João Bigotte Chorão, JOAQUIM NABUCO: UM BRASILEIRO EUROPEU…134
António Braz Teixeira, NOS DUZENTOS ANOS DE DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES…140
AINDA SOBRE FERNANDO PESSOA
Giancarlo de Aguiar, TRANSPERSONAS NA ESFINGE DE FERNANDO PESSOA…144
Ruben David Azevedo, PESSOA: UMA SINGULAR PLURALIDADE…151
Samuel Dimas, FERNANDO PESSOA E A ESTÉTICA DA RENASCENÇA PORTUGUESA: D’A ÁGUIA À ORPHEU…152
António Cândido Franco, FERNANDO PESSOA SOB O SIGNO DA PÁTRIA DA LÍNGUA…155
Maria Clara Tavares, PASCOAES E PESSOA…159
Luís Tavares, PESSOA: A ESCRITA E A TERRA DE NINGUÉM…161
Kazufumi Watanabe, PESSOA NO JAPÃO…163
AINDA NOS 15 ANOS DA CPLP: TRAJECTOS LUSÓFONOS
Adriano Moreira, AS CULTURAS DOS POVOS DO MEDITERRÂNEO…166
António José Borges, RUMAR PORTUGAL, CONSIDERAR A EUROPA, PENSAR A LUSOFONIA…169
Delmar Maia Gonçalves, DEAMBULAÇÕES LITERÁRIAS…178
Dirk Hennrich, PORTUGAL, A EUROPA E AS MARGENS DA FILOSOFIA (COM CARTA DE JOAQUIM DOMINGUES)…181
João Pereira de Matos, 17 GEDANKENEXPERIMENTE…187
Joaquim Miguel Patrício, PRESENTE E FUTURO DA LÍNGUA PORTUGUESA NUM QUADRO ESTRATÉGICO GLOBAL…189
Lúcia Helena Alves de Sá, A FILOGONIA DO PENSAMENTO DA CULTURA DE LÍNGUA PORTUGUESA…199
Miguel Real, O FUTURO DA LUSOFONIA…200
Nelson Goulart, LÍNGUA MÃE LÍNGUA FILHA…203
Nuno Sotto Mayor Ferrão, A DINÂMICA HISTÓRICA DO CONCEITO DE LUSOFONIA (1653-2011)…204
Rui Martins, VIAGEM À GUINÉ-BISSAU…209
Sam Cyrous, DO CORAÇÃO DA COOPERAÇÃO À AVALIAÇÃO DA AÇÃO: CPLP ONTEM, HOJE E AMANHÃ…219
Simion Doru Cristea, A ENERGUEIA DAS LÍNGUAS AFRICANAS…221
Ximenes Belo, DISCURSO DA ACADEMIA…226
RUBRICAS
ENTRECAMPOS, de J. Pinharanda Gomes…230
AS IDEIAS PORTUGUESAS DE GEORGE TILL, de Jorge Telles de Menezes…233
DO ESPÍRITO DOS LUGARES, de Manuel J. Gandra…234
LITERATURA ORAL E TRADICIONAL, de Ana Paula Guimarães…239
BIBLIÁGUIO
DIÁLOGOS DE AMOR, DE LEÃO HEBREU, por Celeste Natário…244
MEMORIAL DO CONVENTO, DE JOSÉ SARAMAGO, por Gabriela Lança…245
LEVANTE, 1487 – A VÃ GLÓRIA DE JOÃO ÁLVARES, DE JOSÉ MARIA PIMENTEL…248
ÚLTIMAS OBRAS DA COLECÇÃO NOVA ÁGUIA, por Renato Epifânio…249
EXTRAVOO
António José de Brito, APONTAMENTO QUÁSI SUPERFICIAL SOBRE ÉTICA…252
António Monteiro, ARISTIPO DE CIRENE: UM FILÓSOFO NAS MARGENS DA HISTÓRIA…254
POEMÁGUIO
Eduardo Aroso, ÁLVARO RIBEIRO; UM VELHO PROFETA…7
António José Queiroz, VIAGEM…131
Teresa Dugos, CÁLICE; DA TERRA; MAUSOLÉU…142
Manuel Neto dos Santos, DA PANACEIA…165
Maurícia Teles da Silva, SETE PREMISSAS PARA A LIBERDADE…242
António José Borges, RESILIÊNCIA…242
Maria Luísa Francisco, FOSSE O DIA JÁ NOITE…243
Fernando Esteves Pinto, IDENTIDADE E CONFLITO…250
MAPIÁGUIO…259
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…260
ASSINATURAS…261

NOVA ÁGUIA 8: LANÇAMENTOS

10.10.11 - 18h30: Livraria FNAC Chiado (Lisboa)
12.10.11 - 18h30: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
15.10.11 - 16h00: Sociedade da Língua Portuguesa (Lisboa)
15.10.11 - 18h00: Casa Bocage (Setúbal)
21.10.11 - 18h00: Centro Cultural Luso Moçambicano
29.10.11 - 15h00: Biblioteca Municipal de Sesimbra
04.11.11 - 21h30: Espaço Poesis (Porto)
05.11.11 - 17h00: Biblioteca Albano Sardoeira (Amarante)
12.11.11 - 19h00: Auditório da Escola Básica Integrada de Montargil
23.11.11 - 18h30: Livraria FNAC Vasco da Gama (Lisboa)
03.11.11 - 15h00: Casa do Fauno (Sintra)
06.12.11 - 16h00: Palácio da Independência (Lisboa)
09.12.11 - 17h00: Faculdade de Filosofia (Braga)
15.12.11 - 21h30: Art Gallery / Café dos Artistas (Lisboa)
15.01.12 - 16h00: Castelo de Leiria (Sede da ACRENARMO)
27.01.12 - 21h30: Biblioteca Municipal da Lagoa


Em breve, anunciaremos o primeiro lançamento da NOVA ÁGUIA 9

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Almada, Amadora, Amarante, Arraiolos, Aveiro, Bairro Português de Malaca, Barcelos, Batalha, Belo Horizonte, Bissau, Braga, Bragança, Brasília, Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Carnide, Campinas, Cascais, Castro Marim, Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Fortaleza, João Pessoa, Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loures, Luanda, Mem Martins, Messines, Mindelo, Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque, Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense, Ovar, Pangim (Goa), Pisa, Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife, Redondo, Régua, Rio de Janeiro, Sacavém, Santiago de Compostela, São João da Madeira, São João d’El Rei, São Paulo, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Viana do Castelo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

Lançamentos já noticiados em:

RTP

Diário de Notícias

Diário Digital

Expresso

Jornal de Notícias

Jornal Porto Net

Notícias Lusófonas

Público


E em muitas dezenas de blogues...

FAÇA PARTE DESTE PROJECTO. ASSINE A NOVA ÁGUIA: http://www.zefiro.pt/novaaguia.

À venda nas melhores livrarias do país.
E ainda no Brasil: Espaço Cultural É-Realizações, Rua França Pinto, 498 - Vila Mariana - São Paulo; Livraria Hildebrando (Universidade de Brasília); Via Livros (contacto - Alexandre Santos: alexandresantos@br.inter.net).
E ainda na Galiza: Livraria Couceiro (Praça de Cervantes, 6, Santiago de Compostela/ Enrique Dequit, 12, Corunha; Livraria Torga (Ourense, Rua da Paz, 12); Livraria Andel (Vigo, Rua Pintor Lugrís, 10). E ainda em Cabo Verde: Livraria Semente (Mindelo).

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Domingo, 31 de Maio de 2009

Vídeos que mudam a minha vida e me acalmam o espírito

Parte Um - A Chegada



Parte Dois - Um Novo Mundo



Parte Três - Acreditar é Poder



Muito gostam os humanos de parodiar Deus.

Esta terça: 113º lançamento da NOVA ÁGUIA

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02.06.09 - 19h00: Fundação Torrente Ballester (Santiago, Galiza)

Com a presença de José António Lozano, Iolanda Aldrei e Henrique Gabriel

Petição que nos chegou...

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Pelo Museu de Arte Popular

To: Sua Ex.ª o Primeiro Ministro
Carta Aberta a Sua Ex.ª o Primeiro Ministro

Em 1948, nasceu em Belém o Museu de Arte Popular. Com um projecto de Jorge Segurado, a partir do Pavilhão da Vida Popular da Exposição do Mundo Português de 1940, trata-se de um dos raríssimos museus construídos de raiz em Portugal para receber um determinado espólio, por sinal a melhor colecção de arte popular existente no País. Foi, para a sua época, um projecto inovador de museologia, concretizado decorativamente com a colaboração de alguns dos nomes mais ilustres do modernismo pictórico português. O edifício e o seu conteúdo constituem, por isso, um todo que não pode nem deve ser separado.
No passado dia 7 de Maio, uma resolução do Conselho de Ministros confirmou a decisão de instalar no edifício do Museu de Arte Popular um novo Museu da Língua. Esta decisão obriga-nos, neste momento, a manifestarmo-nos publicamente. Por preocupação com um património histórico único e em defesa daquilo que fomos, somos e queremos ser.
Assim, apelamos a uma reflexão e intervenção do Estado no sentido de:
- preservar um espaço museológico e respectivo espólio únicos, memória da Exposição do Mundo Português e da criação popular portuguesa;
- criar condições para a renovação do seu projecto, conservando-lhe a memória mas adaptando-o a uma fruição contemporânea - tal como acontece hoje com tantos museus de êxito dedicados a temática semelhante pelo mundo fora;
- incentivar o estudo e a divulgação da arte popular portuguesa que, da cerâmica à ourivesaria, passando pela extraordinária produção têxtil (para citar apenas algumas das mais notórias áreas artesanais portuguesas), é ainda marca portuguesa reconhecida internacionalmente;
- estimular, através da “montra” importantíssima que pode ser este museu, com gosto conhecedor, criterioso e exigente, a produção artesanal portuguesa, uma actividade com novas potencialidades económicas num mercado global de nichos, que pede qualidade e especialidade.
- possibilitar que este museu se torne a plataforma inovadora de ligação entre o saber dos velhos artesãos que neste preciso momento se perde, sem transmissão, e a apetência de toda uma nova geração de designers e artesãos;
- salvaguardar um museu que, dada a sua temática capaz de atrair a atenção dos numerosos turistas que nos visitam, será um complemento precioso para a zona de Belém que se pretende requalificar e que ele ajudará a enriquecer;

Não somos contra o Museu da Língua. Mas não compreendemos porque razão o nascimento de um novo museu deve implicar a destruição de um outro. Acreditamos que ambos os Museus podem ser uma afirmação importante da nossa identidade. Porque um país é feito da sua memória, certamente, mas sobretudo da sua capacidade em saber entendê-la e aproveitá-la, exibindo e estimulando o poder criativo de uma identidade. Não temos dúvidas que o Museu de Arte Popular ainda pode vir a ser um objecto instigante de conhecimento, reflexão e acção. Assim ele se torne de facto um museu vivo.

http://www.petitiononline.com/MAP/
ILUSIONISMO

Venha donde vier, do norte ou sul,
das terras do levante ou do poente,
poeta é quem transmuta em sua mente
a pedra em flor e o charco em lago azul.

Poeta é o mago que ilusoriamente
faz do pano grosseiro... véu de tule
e mesmo que ninguém o louve e adule
se arvora em génio ou coisa equivalente.

Se não fosse o Poeta, a lua cheia
não tinha encanto e nem sequer talvez
passasse de um punhado só de areia.

Foi graças aos poetas que se deu
o milgre das rosas... e nasceu
o mito da paixão de Dona Inês!

JOÃO DE CASTRO NUNES

Lord of The Rings

GINÁSTICA SUECA


"No que posso chamar a minha terceira adolescência, passada aqui em Lisboa, vivi na atmosfera dos filósofos gregos e alemães, assim como na dos decadentes franceses, cuja acção me foi subitamente varrida do espírito pela ginástica sueca e pela leitura da «Dégénérescence», de Nordau."


Fernando Pessoa, Carta a José Osório de Oliveira - 1932

Cadernos de Agostinho da Silva (excertos e notas): 6ª série

.
No primeiro Caderno desta série, O TRANSFORMISMO, radica Agostinho da Silva esta visão evolucionista do Universo nos gregos: “Foram os gregos, como sucede em quase todos os ramos do conhecimento humano, pelo menos no es­tado actual da nossa erudição histórica, os primeiros que se libertaram das concepções religiosas primitivas e defenderam que as espécies vegetais e animais pro­vinham, por evolução, de tipos recuados, um ou vários, que em nada se pareciam com os exemplares actuais”[1]. Ainda que só muitos depois, com Lamarck, esta se tenha consolidado: “Como em todos os movimentos humanos, os pre­cursores foram numerosos, mas coube a um só homem, por características próprias e por ter chegado no mo­mento oportuno para a síntese, dar da doutrina a pri­meira exposição coerente e sólida; é na Philosophie Zoologique de Lamarck (1744-1829) que o facto da evolução é afirmado sem qualquer espécie de dúvidas e se apre­sentam, para o explicar, hipóteses apoiadas em resulta­dos da observação”[2]. Cabendo depois o golpe final a Darwin: “o grande golpe ao fixismo vem de Darwin; nascido em 1809 e depois de estudos que não foram brilhantes, embarca em 1831, no Beagle, para uma via­gem à volta do mundo que lhe fornece uma documentação abundante sobre assuntos de história natural e, pela observação de certos factos de paleontologia, o leva para o campo transformista”[3]. Em particular, com a seu livro a Origem das Espécies, que “foi tido por todos os seus contemporâneos como um evangelho do transformismo” – de tal modo que, ainda segundo Agostinho, “1859 marca a data a partir da qual foi impossível, cientifica­mente, defender as doutrinas fixistas; daí por diante todas as discussões se vão travar entre partidários das várias escolas transformistas”[4].
No segundo Caderno, A VIDA DE FLORENCE NIGHTINGALE, dá-nos, Agostinho da Silva, um retrato muito impressivo do trajecto desta mulher italiana, salientando a sua vocação para a acção*: “a ela levava-a acima de tudo um desejo de batalha contra o mal e tinha a certeza de que a sua vida seria a mais feliz de todas, mesmo entre tudo que para os outros pareceria uma desgraça, se estivesse realizando qualquer tarefa, grande ou pe­quena, em que pudesse verdadeiramente melhorar o mundo; não tinha melancolias duradouras, nem re­núncia perante o poder adversário; cada vez mais forte o desejo de intervir, cada vez mais robustas, pela meditação e pelo estudo, as energias que a impeliam para o alvo que indistintamente se marcara. Pensou em escrever, mas não a satisfazia nem a glória, nem a acção do autor: no escrever sentiria sempre um meio inferior ao de agir no mundo e só ficaria satisfeita com um livro quando ele fosse um reforço da acção; cria que só se escreve quando se não pode viver, que um livro é também de certo modo uma concessão que o escritor faz ao seu próprio gosto da comodidade e do sonho; ora o sonho só lhe parecia defensável quando é um projecto, jamais quando se apresenta como uma evasão, como um paraíso artificial em que se refugiam os fracos; sonhar, para ela, era pensar fazer, não criar uma outra vida ao lado daquela que nos fugiu ou que tememos; depois, as energias que se empregaram para escrever um livro, que nunca se sabe que resultados poderá dar, foram energias que se per­deram para realizar na vida aquilo que na vida pode­ria ter sido indiscutivelmente bom”[5]. De tal modo que, mesmo no plano religioso, “a contemplação* não lhe surgia como uma forma superior da vida de espírito”[6].
No terceiro, O ISLAMISMO, apresenta-nos, Agostinho da Silva, uma perspectiva positiva desta religião, salientando mesmo a “coragem” de Maomet, nomeadamente no seu repúdio das crendices vulgares: “a oposição dos habitantes de Meca manifestou-se, ou nas troças do povo, que o tratava como a um doido ou na pressão dos poderosos que o ameaçavam de morte; Maomet, corajosamente, continuou o seu trabalho, não temendo ir ao encon­tro, no que era fundamental, das crendices vulgares; frequentemente lhe pediam que fizesse milagres; replicava que não os podia fazer e que acreditar-se num milagre é marca de espírito inferior; o mundo inteiro era um milagre: olhassem, se queriam extasiar-se com milagres, para a terra e para o céu, para o mais humilde, para o mais apagado dos homens”[7].
No quarto, AS ABELHAS, impressiona a quantidade de factos por Agostinho da Silva coligidos na sua investigação, salientando, por um lado, a multiplicidade da variedade de abelhas e, por outro, o que é comum a essa variedade: “Todas estas variedades de abelhas têm nas suas colónias três tipos de indivíduos: a abelha mestra ou rainha, as obreiras, os machos ou zângãos. A abelha mestra, que se não deveria chamar rainha, porque não exerce nenhuma acção de governo, é a única fêmea completa de cada colmeia normal; uma família sem mestra, uma família órfã, desaparece por completo quando, por qualquer motivo, as obreiras não podem criar outra mãe; a pluralidade de mestras, que é tam­bém fenómeno excepcional, traria igualmente a decadência e a morte da colónia, pela desordem que produziria”[8].
No quinto, A VIDA E A ARTE DE CELLINI, desenha-nos, Agostinho da Silva, um impressivo fresco histórico, no âmbito do qual viveu este “homem que profundamente penetrara no século, que tivera com o seu desejo de domínio, a sua agressividade, o seu amor das belas formas, a sua imaginação, todos os defeitos e todas as qualidades do Renascimento*”[9].
No sexto e último, LITERATURA LATINA, dá-nos, Agostinho da Silva, uma vez mais mostra da sua extrema erudição relativamente à época clássica* – o que, neste caso, não surpreende, dada a sua formação –, falando-nos, em detalhe, do principais autores até Marco Aurélio, após o qual, como defende, se inicia um período de “decadência”, apenas revertido com o advento do cristianismo*: “Depois de Marco Aurélio entra-se em plena deca­dência da literatura latina; os poemas de Ausónio, (séc. IV) com toda a sua facilidade e toda a sua ele­gância, o Rapto de Proserpina de Claudiano (séc. IV), a narrativa da viagem que escreveu em verso Rutilio Namaciano (séc. V), os livros de Avieno (séc. IV) sobre o Universo, a História Augusta que narra a vida dos imperadores que vão de Adriano a Carino (117-284), os trabalhos de Amiano Marcelino sobre história ro­mana, o Sonho de Cipião de Macróbio (séc. IV-V) e as Saturnais do mesmo autor, são obras sem inspira­ção, sem grandeza, sem reais contactos com a vida, embora alguns dos escritores possuam certo talento técnico; só o advento do cristianismo*, pregando novos ideais, poderá provocar o aparecimento de autores que não tratem retoricamente puros temas retóricos”[10].

[1] O Transformismo, Lisboa, Edição do Autor, 1942, p. 4.
[2] Ibid., p. 8.
[3] Ibid., p. 12.
[4] Ibid., p. 15.
[5] A vida de Florence Nightingale, Lisboa, Edição do Autor, 1942, pp. 6-7.
[6] Ibid., p. 8.
[7] O Islamismo, Lisboa, Edição do Autor, 1942, p. 7.
[8] As Abelhas, Lisboa, Edição do Autor, 1942, pp. 4-5.
[9] A vida e a arte de Cellini, Lisboa, Edição do Autor, 1942, p. 18.
[10] Literatura Latina, Lisboa, Edição do Autor, 1942, pp.20-21.

Luís Cabral, primeiro presidente da Guiné-Bissau independente, faleceu hoje em Lisboa

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Natural de Bissau, onde nasceu a 11 de Abril de 1931, Luís Cabral é uma das mais importantes personalidades políticas da Guiné-Bissau e nunca perdoou a João Bernardo "Nino" Vieira o golpe de Estado de 14 de Novembro de 1980, localmente conhecido por "Movimento Reajustador", que o afastou da presidência que assumira sete anos antes, em 1973.

O antigo contabilista várias vezes afirmou ter sido traído pelo homem que, em 1978, nomeara primeiro-ministro, embora tenha deixado cair essa "bandeira" e desistido do regresso à política activa e ao seu país após as primeiras eleições gerais pluralistas guineenses de 1994, que deram a vitória a "Nino" Vieira e ao Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Já depois dessa desistência, acabou por regressar em 1999 a Bissau, "apenas para uma visita", precisamente na altura em que "Nino" Vieira já tinha deixado o poder, após os 11 meses do conflito político-militar de 1998/99.

A convite do então primeiro-ministro do Governo de Unidade Nacional (GUN), Francisco Fadul, o ex-presidente revisitou o país que já não via há 18 anos, mas deixou indicações claras de que o seu regresso a Bissau não implicaria um retorno à política activa.

Mas essa actividade política esteve presente na sua vida desde relativamente cedo, uma vez que Luís Cabral foi um dos mais próximos colaboradores do seu meio-irmão, Amílcar Cabral, o "pai" das independências da Guiné e Cabo Verde.

Em 1956, ao lado do seu meio-irmão e de vários outros destacados dirigentes, Luís Cabral foi um dos fundadores do PAIGC e um dos principais protagonistas da história da emancipação das colónias portuguesas em África, embora tenha estado sempre na "sombra" de Aristides Pereira, que foi secretário-geral do PAIGC e presidente de Cabo Verde.

A unidade entre a Guiné e Cabo Verde, país onde efectuou os seus estudos primários, era um dos ideais subjacentes à própria criação do PAIGC, que nunca acabou por ir por diante, projecto que morreu definitivamente com o golpe de Estado de 1980.

O "Movimento Reajustador" teve, na sua essência, o fim da ruptura entre duas realidades diferentes, com o assumir, por Bissau, de que quem mandava no território eram os guineenses e não os "burmedjus", os mestiços cabo-verdianos escolarizados que a Guiné-Bissau "herdou" da colonização portuguesa.

O assassínio de Amílcar Cabral, em Janeiro de 1973, em Conacri, cujos verdadeiros contornos são ainda hoje desconhecidos, levaria Luís Cabral, oito meses mais tarde, a 24 de Setembro do mesmo ano, à presidência da Guiné.

A chegada à chefia do Estado ocorreu após a proclamação unilateral da independência - lida em Madina do Boé (leste) pelo então presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP, Parlamento) das "Zonas Libertadas" pelo PAIGC, precisamente "Nino" Vieira -, e que só seria reconhecida oficialmente por Portugal cerca de um ano mais tarde, a 10 de Setembro de 1974.

Se as relações entre Aristides Pereira, na altura presidente de Cabo Verde, e "Nino" Vieira morreram após o golpe, as de amizade e admiração profunda entre o líder cabo-verdiano e Luís Cabral também azedaram quando ainda era incerto o destino do presidente destituído.

Em 1991, Luís Cabral lembrou esse episódio à imprensa portuguesa, recordando que, durante o seu exílio em Cuba (entre 1981 e 1983), escreveu várias vezes a Aristides Pereira sem obter resposta. A ideia era regressar a África, nomeadamente a Cabo Verde, na companhia da sua família, ao que Aristides Pereira se opunha.

A partida para Portugal só aconteceu depois de uma intervenção conjunta do então presidente português, general António Ramalho Eanes, e do governo de Lisboa, que lhe ofereceram o exílio, iniciado em princípios de 1984.

Contabilista de formação, Luís Cabral entrou em 1963 para o Comité de Luta, dois anos depois de ter fundado, em Conacri, a União geral dos Trabalhadores da Guiné (UNTG), ainda hoje a principal central sindical do país.

Em Agosto de 1971, foi eleito para o secretariado permanente do Comité Executivo da Luta, com a responsabilidade de reconstruir as "zonas libertadas" pelo PAIGC na guerra pela independência (1963/74).

Eleito deputado à ANP pelo círculo de Bissau em 1971, assumiu, nesse mesmo ano, a direcção da luta na Frente Norte e, em Julho de 1973, no segundo Congresso do PAIGC, foi eleito secretário-geral adjunto do partido, sendo o "braço direito" de Aristides Pereira, depois de este assumir a herança de Amílcar Cabral, assassinado seis meses antes.

Já na Presidência guineense, Luís Cabral tentou impor uma economia forte no país, apoiada num modelo socialista que deixou a já de si frágil economia guineense arruinada.

Paralelamente, a repressão de um regime monopartidário musculado e a penúria alimentar também deixaram marcas e, apesar de sempre o ter negado, Luís Cabral foi acusado de ser o responsável pela morte de um importante número de soldados guineenses que combateram do lado português durante a guerra colonial.

Fonte: http://dn.sapo.pt/gente/interior.aspx?content_id=1249515

Homenagem a Fernando Pessoa

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A Junta de Freguesia de Benfica, a U. L. L. A e os Autores
prestam Homenagem ao Poeta-filósofo no seu 121.º Aniversário

Sexta-feira,12 Junho 09, às 18h, no Auditório Carlos Paredes
Av. Gomes Pereira, 17 - Benfica - Lisboa

PROGRAMA

Fernando Pessoa, Poeta-filósofo e místico - Carmo Vasconcelos
Apresentação de "Esboços Pessoanos" (em 5 línguas - 5.ª Ed.) - J. Evónio e Paulo Brito e Abreu
Declamação de Poemas de Pessoa: Carmo Vasconcelos, Joaquim Evónio e outros Artistas.

Oferta de Estrelícias da Madeira e outras lembranças.
Espaço Musical: Garda e Manuel Antunes

Uma proposta de exercício prático

Hoje é dia de Pentecostes e, de partida para a Festa do Espírito Santo, na Arrábida, deixo-vos uma proposta de exercício que nos permita ir para além das meras palavras em que tanto nos enredamos, por mais belas e justas que possam ser. É um excerto do meu livro Da Saudade como Via de Libertação e uma proposta de acção que nos pode efectiva e radicalmente mudar, a nós e ao mundo, sem sairmos do lugar onde estamos, de forma mais eficaz que mil acções exteriores, sem contradizer estas, sempre que necessárias. Caso queiram fazer a experiência, boa prática!

[...]

Além dos exercícios anteriores, que desenvolvem na mente a sua qualidade inata de atenção, tornando-a estável, calma e clara, para que possa permanecer no reconhecimento-fruição da sua natureza primordial, outros há que despertam e desenvolvem, como indispensável complemento dos primeiros, a qualidade inata de sensibilidade, amor e compaixão que há nessa mesma natureza primordial da mente. Um dos mais potentes e eficazes é o que passamos a descrever e que se pode chamar troca.

Verifica primeiro os sete pontos da postura física, assegurando teres a coluna bem direita. As mãos podem ficar agora sobre os joelhos, com as palmas viradas para baixo. Começa por deixar a mente livre de qualquer referência e focalização, numa abertura da consciência tão vasta como o espaço, sem outro suporte da atenção senão a própria experiência de estar consciente. Deixa-te residir na experiência primordial, sem pensares nisso. Centra agora a consciência no coração e evoca aquele ser (ou seres) que neste preciso momento mais amas e/ou pelo qual mais te compadeces. O ser cuja felicidade mais desejas e/ou cujo sofrimento mais te é insuportável. Isto de modo mais autêntico, incondicional e pleno, com menos expectativas de reconhecimento, retribuição ou recompensa, ou seja, com menos apego. Esteja vivo neste mundo ou dele haja já partido, não importa. Se sentires que és tu próprio, não há qualquer problema. É por aí que deves começar.

Pensa nesse ser e sente-o, vê-o, visualiza-o bem presente diante de ti. Ele aqui está, porque a mente, o amor e a compaixão não conhecem tempo nem espaço… Para eles nunca há limites, separação ou distância…Ele aqui está… Podes agora fechar os olhos, se preferires, para melhor o ver e sentir, bem vivo e presente diante de ti… Bem vivo e sensível. Considera e sente todo o seu sofrimento, toda a sua dor e suas causas, todas as suas ilusões, obscurecimentos e negatividade…Todos os seus tormentos e dificuldades materiais, físicos, emocionais e mentais…Os que conheces e os que desconheces, os reais, os potenciais e os possíveis, as sementes de negatividade, implantadas pelas suas acções passadas, mentais, verbais e físicas, que já, sem que ele o saiba, no seu íntimo germinam em tendências que, perante as adequadas circunstâncias externas, no futuro desabrocharão em todo o tipo de problemas… Contempla tudo o que o fez, faz e fará sofrer… Que mais não seja a ignorância do seu bem profundo, o tormento da perda do que agora o faz feliz e a dor da morte inevitável. Considera, vê e sente tudo isso e aspira do fundo do coração a libertá-lo completamente de tal !

Se começas por ti próprio, desdobra-te e contempla-te diante de ti carregado de tudo isso. Do lado de cá está a tua natureza primordial, a dimensão saudável e incorruptível de ti mesmo, livre de todos esses problemas e aflições e por isso apta a fazer alguma coisa. Ama-te verdadeiramente. Cultiva realmente o amor-próprio. Não te limites à busca do prazer medíocre e fugaz. Reconhece tudo o que te atormenta e te pode vir a atormentar e deseja, do fundo do coração, veres-te livre, de uma vez por todas, de tudo isso ! Deseja a felicidade infinita !

Não consideres natural e fatal o sofrimento, nem o teu, nem o de ninguém. Revolta-te serenamente contra a indiferença, preguiça e distracção em que tens andado. Decide-te a fazer alguma coisa, a instaurar desde este preciso instante uma profunda diferença na tua vida e, assim, no universo !

Inspirando profundamente, bem concentrado no que estás a fazer, absorve então tudo isso, sob a forma de fumo negro que vem das entranhas desse ser, no mais fundo do teu coração subtil, no centro do teu peito. Aí toca e dissolve a sua carapaça e o seu cerne mais fechado e insensível, o núcleo cego e duro de ignorância, medo e auto-protecção de onde provém todo o nosso egocentrismo, todo o nosso apego à ideia de uma felicidade egoísta e a nossa rejeição do sofrimento para os outros, bem como a nossa indiferença… No caso de estares a praticar por ti, considera igualmente que esse fumo negro, ao tocar o teu coração, dissolve a sua armadura de ignorância e indiferença ao teu bem e felicidade profundos, que tantas vezes trocas pelo apego a prazeres efémeros e egoístas que só te deixam frustração, sede e dor. Toma em ti toda a ilusão e sofrimento do ser à tua frente e todo este fumo negro, toda esta negatividade, pelo amor e compaixão da tua motivação, ao tocar e dissolver esse núcleo cego e duro, converte-o e converte-se imediatamente numa luz, branca ou dourada, que ao expirar irradias agora abundantemente, banhando-o e impregnando-o de uma paz, uma saúde, um bem-estar e uma felicidade onde se dissipam todas as suas dificuldades e sofrimentos materiais, físicos, emocionais e mentais... À medida que praticas, profundamente concentrado e confiante nas tuas capacidades, contempla a transformação que ante ti e em ti se opera…Este ser que tanto amas torna-se saudável, radiante, feliz, bem-aventurado… E tu experimentas essa mesma plenitude e alegria, deixando que ela irradie num sorriso nos teus lábios.

Pratica assim durante algum tempo, embrenhando-te cada vez mais na experiência como uma oportunidade extremamente preciosa e gratificante. Não a vejas nem vivas como um sacrifício ou uma obrigação, de carácter moral ou religioso. Sente-a antes como a plena realização das tuas melhores aspirações a desenvolveres e manifestares o melhor que há em ti, como o cumprimento da mais funda saudade de plenitude que desde sempre em ti e tudo habita.

Se começaste por ti, passa então, durante uns momentos, a outro ser que ames de modo mais incondicional, considerando-o inseparável de ti. Depois, abre mais o coração, pensando em alguém conhecido, em relação ao qual tens uma atitude neutra e indiferente, não lhe querendo bem nem mal… Contemplando-o como um ser sensível que, tal como o primeiro, não deseja senão ser feliz e não sofrer, coloca-o a seu lado, considerando-os inseparáveis. Podes mesmo contemplar que no mais fundo do coração deste ser estás tu ou aquele(s) que mais amas. Pratica exactamente do mesmo modo por ambos sem perda de motivação, concentração e intensidade…Tenta mesmo aumentá-las, que mais não seja considerando que o benefício do primeiro ser e o teu próprio benefício será tanto maior quanto mais a partir dele abrires o coração a outros seres. Vive a crescente alegria, entusiasmo e calor de um coração que se abre, de uma respiração que se converte em bálsamo da dor, de uma mente que se torna mais vasta e consciente.

Após algum tempo, evoca então aquele ser ou seres que mais aversão te causam, o ser ou seres que os empedernidos conceitos e juízos que estruturam a tua actual percepção classificam como teus piores inimigos ou rivais. Se isso te não for imediatamente possível, por te perturbar em excesso, pensa em alguém que te suscite a máxima aversão que fores capaz de suportar, sem prejuízo da calma e concentração necessárias à prática deste exercício. Começa por aí e um dia chegarás aos outros. Tem essa coragem e vive a profunda alegria de te libertares do ódio, da raiva e do ressentimento, de transcenderes os teus limites e de os converteres em limiares, em portais de acesso a uma dimensão maior e melhor de ti mesmo. Pensa nesse ser ou seres como inseparáveis dos anteriores. Considera mesmo que no fundo do seu coração estás tu e/ou os seres que te são mais queridos. E sente a profunda gratidão por serem eles que te permitem tomares consciência dos teus limites e superá-los, por serem eles que através deste exercício te permitem evoluir mais e mais rapidamente, libertando-te de toda a ilusão, negatividade, rancor e ressentimento que te levam a percepcionar inimigos e a sofrer terrivelmente com isso. Bem presentes diante de ti, praticas pelos três tipos de seres, sem qualquer parcialidade nem hesitação e ainda com mais empenho e entusiasmo, desenvolvendo um sentimento de profunda alegria e imparcialidade no amor e na compaixão. É por todos que igualmente inspiras negras nuvens de ilusão, negatividade e dor, expirando luz dourada, sábia e benfazeja, convertendo o teu coração no mais precioso e poderoso forno alquímico, onde pela combustão da saudade emerge a tua e universal saúde e natureza primordial.

Abre-te progressivamente mais, bem para além do que o teu acanhado ego alguma vez julgou ser possível. Descobre poderes ser ou seres desde já mais do que alguma vez imaginaste possível. Abre-te e pratica, em círculos concêntricos em constante expansão, por todos os seres vivos e sensíveis, humanos e não humanos, visíveis e invisíveis, que habitam o lugar onde estás… a casa… o bairro… a povoação ou cidade… o país… o planeta… a galáxia… e, enfim, o inteiro universo !... Abre o coração a tudo, absorve toda a dor, negatividade e treva de todos os mundos – todas as doenças, cancros e sidas, todos os medos, angústias e loucuras, todas as solidões, torturas e misérias, todas as ilusões, desgraças e mortes - , transmutando-as em luz, paz e bem-aventurança cada vez mais poderosas e irradiantes. Pratica, pelo bem relativo e absoluto de todos os seres, pela satisfação das suas necessidades básicas e imediatas e pela sua felicidade e libertação suprema, imparcialmente, sem qualquer excepção. Faz do teu coração uma festa e um festim cósmico, eterno e infinito, para o qual todos são convidados. Pratica assim e sente que por esta prática o mundo, a percepção de ti e do mundo, se revoluciona e transmuda. A mente e o coração convertem-se progressivamente na própria luz que irradiam e nada percepcionam senão luz…Uma luz infinita, subtil e viva, livre, consciente e sensível, na qual tu, todos os seres e fenómenos se dissolvem, sem qualquer conceito de eu, de outro e de prática, de sujeito, objecto e sua relação…Uma imensidão luminosa, sem centro nem periferia, sem interior nem exterior… Um infinito esplendor… Inominável.

Ao emergires desta funda absorção, faz imediatamente a dedicatória, tal como atrás descrito (II, 4), oferecendo todo o benefício do exercício, sem qualquer apego, para a paz, a felicidade e o bem, relativos e absolutos, de todos os seres. É importante fazê-lo enquanto sentes o efeito pleno da prática, antes que na mente regressem as suas habituais e sobreviventes tendências dualistas e egocêntricas, reprodutoras da percepção comum e dita normal do mundo. A melhor dedicatória, tal como a melhor prática, é acompanhada da ausência de crença na realidade efectiva do sujeito, do objecto e da própria acção, mas sem prejuízo do entusiasmo, do amor e da compaixão. Isso permite que, durante e após este exercício, não tenhamos uma visão dualista e substancialista do mundo e de nós mesmos, não caiamos na tentação de nos sentirmos especiais, não nos orgulhemos do que estamos a fazer, não tenhamos qualquer sentimento de superioridade “espiritual” ou pretensão a sermos ou tornarmo-nos justos, sábios, santos, iluminados ou mestres (o sinal mais óbvio de o não ser é ter essa pretensão). É decisivo que a prática dissolva qualquer forma de auto-conceito e auto-imagem, positivos ou negativos. Tudo é como um jogo, insubstancial e ilusório, por isso mesmo eficaz libertador de todas as ilusões. O que fica é a natureza-experiência primordial, a fundamental sanidade de todas as coisas, que não carece de se conceber como tal e não se atribui qualidade, valor ou importância alguma.

Hoje...


Sábado, 30 de Maio de 2009

Cadernos de Agostinho da Silva (excertos)

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"...a ela levava-a acima de tudo um desejo de batalha contra o mal e tinha a certeza de que a sua vida seria a mais feliz de todas, mesmo entre tudo que para os outros pareceria uma desgraça, se estivesse realizando qualquer tarefa, grande ou pe­quena, em que pudesse verdadeiramente melhorar o mundo; não tinha melancolias duradouras, nem re­núncia perante o poder adversário; cada vez mais forte o desejo de intervir, cada vez mais robustas, pela meditação e pelo estudo, as energias que a impeliam para o alvo que indistintamente se marcara. Pensou em escrever, mas não a satisfazia nem a glória, nem a acção do autor: no escrever sentiria sempre um meio inferior ao de agir no mundo e só ficaria satisfeita com um livro quando ele fosse um reforço da acção; cria que só se escreve quando se não pode viver, que um livro é também de certo modo uma concessão que o escritor faz ao seu próprio gosto da comodidade e do sonho; ora o sonho só lhe parecia defensável quando é um projecto, jamais quando se apresenta como uma evasão, como um paraíso artificial em que se refugiam os fracos; sonhar, para ela, era pensar fazer, não criar uma outra vida ao lado daquela que nos fugiu ou que tememos; depois, as energias que se empregaram para escrever um livro, que nunca se sabe que resultados poderá dar, foram energias que se per­deram para realizar na vida aquilo que na vida pode­ria ter sido indiscutivelmente bom."

A Vida de Florence Nightingale, Lisboa, Edição do Autor, 1942, pp. 6-7.

Quase 20 por cento...

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Com os dois maiores partidos em empate técnico, o destaque do Barómetro Marktest para a TSF e Diário Económico vai para a subida dos votos brancos ou nulos, que crescem cinco pontos em relação a Abril para quase 20 por cento do número de inquiridos.

Fonte: http://tsf.sapo.pt/Eleicoes/Europeias2009/Interior.aspx?content_id=1248234&tag=Bar%F3metro
SAUDADE!...

Saudade... Que será?... Confesso que busquei
em poeirentos dicionários e artigos,
mas o sentido rigoroso não achei
desta doce palavra de perfis antigos.

Dizem que ela é azul como são as montanhas
e que se esfumam nela aos poucos as paixões,
pronunciando-a com tremuras nas entranhas
um nobre amigo meu (e das constelações).

Sem precisar de olhar, em Eça a imagino.
O seu doce segredo intriga-me bastante;
como da borboleta o corpo estranho e fino,
das minhas redes ela está sempre distante.

Saudade... Oiça, vizinho, acaso você sabe
a significação com probabilidade
desta palavra, esta eiró que se evade?
Sei não... E vem-me à boca o teu tremor suave...
Saudade!...

PABLO NERUDA

(Versão portuguesa, melhorada, de

JOÃO DE CASTRO NUNES

A recepção de Fanon no Brasil e a identidade negra, Antonio Sérgio Alfredo Guimarães



(...)Não tenho informações sobre se Sartre citou Fanon em suas conferências, mas as idéias do jovem martinicano causavam grande impressão sobre Sartre à época, como se pode inferir dos diários de Beauvoir. Ao recordar-se de uma visita a um barracão em Ilhéus, por exemplo, ela nota "os homens de pele e cabelos escuros nos olhavam, machadinhas em mãos, o ódio nos olhos". A revolução no Terceiro Mundo, como pensava Fanon, deveria ser obra de camponeses e não desses trabalhadores das docas que também eles viram em Ilhéus, "musculosos, saudáveis, que sabiam rir e cantar". "Comparado aos camponeses, o proletariado se constitui no Brasil uma aristocracia", anotou Beauvoir2. Sartre também chamou atenção para a segregação que os negros brasileiros sofriam, à medida que percebia que seus interlocutores eram todos brancos das classes média e alta:

Jamais vimos nos salões, nas universidades, nem nos auditórios um rosto chocolate ou café com leite. Sartre fez essa observação em voz alta durante uma conferência em São Paulo, depois se corrigiu: havia um negro na sala - um técnico de televisão3.

Evidentemente, Sartre e Beauvoir não encontraram no Brasil quem pensasse que os negros brasileiros fossem vítimas de racismo; encontraram, ao contrário, o discurso unânime de que a segregação dos negros era econômica e a luta libertadora deveria ser de classes. Não pareceram plenamente convencidos, pois, segundo Beauvoir, "o fato é que todos os descendentes dos escravos continuaram proletários; e que, nas favelas, os brancos pobres se sentem superiores aos negros". Talvez. Mas o sucesso de Sartre no Brasil se deveu às suas conferências sobre o colonialismo e a necessidade histórica das lutas de independência dos povos do Terceiro Mundo.

O anti-racismo e o anticolonialismo de Sartre conviveram, no Brasil, com o republicanismo de sua audiência - a classe média letrada de estudantes, escritores e intelectuais. O Brasil, para Sartre, não era um simples transplante europeu como os Estados Unidos; afinal, "todos os [brasileiros] que encontrei sofrem a influência dos cultos nagô"4. A assimilação e a integração não pareciam aqui engenhosos discursos de dominação; ao contrário, pareciam ter amulatado o país, como queria Freyre e também pensava Jorge Amado, seu anfitrião. Aliás, Sartre e Beauvoir já estavam de há muito familiarizados com as idéias de ambos. Devemos lembrar que extratos de Cacau haviam sido publicados em Les Temps Modernes5, assim como uma resenha elogiosa da edição francesa de Casa-grande e senzala (Pouillon, 1953), e que Quincas Berro D'Água seria publicado na mesma revista depois de seu retorno a Paris6.

Para compreender a posição de Sartre é preciso lembrar que o mundo do pós-guerra polarizara-se rapidamente em dois eixos. No primeiro, a contraposição se dera em torno da descolonização e do racismo, que opunham o Norte ao Sul. Sartre participara ativamente da construção desse pólo. Escrevera o prefácio da Anthologie de la nouvelle poésie nègre et malgache de la langue française (1948, 1949), em que abraçara a negritude, o movimento de afirmação identitária e de reconstrução cultural, étnica e racial de africanos e afro-caribenhos, ainda que fazendo uso da velha concepção de racismo como doutrina - a negritude, segundo ele, seria um racismo anti-racista. Desde os anos 1950, porém, passara a acolher nas páginas de sua revista uma nova concepção do que era o racismo no pós-guerra: aquele, que apesar de negado doutrinariamente, era realizado e vivido nas práticas sociais e políticas de colonizadores e colonizados. No segundo eixo, a polarização se dera entre os intelectuais que defendiam a ordem burguesa e liberal, por um lado, e aqueles que se faziam porta-vozes dos interesses operários e camponeses, a partir do marxismo ou de outras ideologias. O primeiro eixo é marcado pelas raças e pela descolonização; o segundo, pela luta de classes e pelo antiimperialismo. Ora, Sartre e Fanon representavam a fusão do antiimperialismo, do anti-racismo, da descolonização e das lutas de classes. (...)


completo aqui: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-33002008000200009&script=sci_arttext

Homenagem à Arte, Cultura e Honestidade de um "Monarca"...

Ingratos

Não maldigo o rigor da iníqua sorte,
Por mais atroz que fosse e sem piedade,
Arrancando-me o trono e a majestade,
Quando a dous passos só estou da morte.

Do jogo das paixões minha alma forte
Conhece bem a estulta variedade,
Que hoje nos dá contínua f'licidade
E amanhã nem — um bem que nos conforte.

Mas a dor que excrucia e que maltrata,
A dor cruel que o ânimo deplora,
Que fere o coração e pronto mata,

É ver na mão cuspir a extrema hora
A mesma boca aduladora e ingrata,
Que tantos beijos nela pôs — outrora.

Dom Pedro II

Os impactos das alterações climáticas no sistema energético português em 2050

Resumo em Português: As alterações climáticas têm merecido extensas avaliações tanto ao nível de impactes, como de estratégias de mitigação e adaptação, ao nível global e nacional. Têm sido identificadas possíveis interacções entre estes factores, no entanto, a avaliação integrada e quantitativa das mesmas peca por defeito. Utilizando o modelo de optimização TIMES_PT, calibrado e validado para Portugal, avaliam-se nesta tese as interacções entre alterações climáticas, estratégias de mitigação, adaptação e o sistema energético nomeadamente em dois sectores em cujo efeito das alterações climáticas é mais notório: produção hidroeléctrica e procura de energia útil. Os resultados indicam que é prudente e custo-eficaz adiar a decisão de construção de grandes barragens hidroeléctricas além de 2020 e que a capacidade instalada hidroeléctrica poderá baixar até 15% em 2050 face a um cenário sem alterações climáticas. A entrada de grande potência hídrica pode também comprometer a penetração de tecnologias de produção de electricidade avançadas. No global o sistema energético beneficiará com as alterações climáticas por via da redução da procura de energia útil resultando numa gama entre 4500M€e 6100M€ de poupança acumulada entre 2000 e 2050 face a um cenário sem alterações climáticas.
Palavras-chave em Português: alterações climáticas, CO2, barragem, sistemas energéticos, TIMES

Publicidade enganosa

Assim se faz publicidade, de forma desonesta, às mega-barragens!

Assim se escreveu ao Ministro do Ambiente,

http://naturlink.sapo.pt/article.aspx?menuid=20&cid=4361&bl=1

Custe o que custar (para o país). Da Veja:

Da Veja:

Um dos programas mais divertidos da televisão brasileira, o Custe o que Custar (CQC), vai ganhar um concorrente de peso. Nesta semana, o Senado instalará a CPI da Petrobras, investigação que deveria apurar suspeitas de malfeitorias na administração da maior empresa do país. A CPI, que já tem seus onze integrantes definidos, será dirigida por Renan Calheiros, um colecionador de escândalos especialista na arte de barganhar verbas e cargos por favores a governos. Seu elenco, que vai frequentar o horário nobre da televisão pelos próximos 180 dias, tem bastante experiência na área. Dos onze integrantes da CPI, oito são réus em ações criminais no Supremo Tribunal Federal ou tiveram sua campanha financiada por empresas que fazem negócios com a petrolífera. O favorito ao cargo de relator, o senador peemedebista Romero Jucá, é investigado em dois inquéritos e já foi indiciado por crimes de responsabilidade e corrupção eleitoral. Nas mãos de Calheiros e sua turma, portanto, a CPI da Petrobras tem tudo para se transformar em uma espécie de CQC. A diferença é que o humorístico dirigido por Calheiros, além de não ter nenhuma graça, custará muito caro aos cofres públicos. A CPI da Petrobras nem começou e já mostrou a que veio. Um de seus integrantes, o senador João Pedro, do PT do Amazonas, sugeriu o roteiro que ele considera ideal: "Acho que temos de ir no passado da Petrobras e investigar coisas como o acidente da plataforma P-36 e os gestores durante o governo Fernando Henrique". Embora as auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) que serviram de base para a criação da CPI tenham identificado superfaturamento milionário (81,5 milhões numa única obra), contratos sem licitação e indícios de fraudes recentes, o petista pretende iniciar a CPI investigando fatos ocorridos há oito anos. A tecnologia de transformar CPIs em campeonatos de delitos é recente e eficaz, quando o objetivo é não apurar nada. Foi adotada na CPI dos Correios, em 2005, e na CPI dos Cartões, no ano passado – e começa a ser reprisada agora. E foi exatamente para garantir que as investigações sejam mantidas sob estrito controle dos interesses oficiais que o governo lançou mão dos valiosos serviços oferecidos por Renan Calheiros, Romero Jucá e outros integrantes do noticiário policial do Congresso. Eles estarão lá, atentos, de prontidão, dispostos, como sempre, a fazer o que for preciso, custe o que custar.

Cioran: Música, êxtase e saudade

"S.J.: Em resumo, a música confronta-nos com este paradoxo: a eternidade entrevista no tempo.
C.: É com efeito o absoluto captado no tempo, mas incapaz de aí permanecer, um contacto simultaneamente supremo e fugitivo. Para que permanecesse, seria necessária uma emoção musical ininterrupta. A fragilidade do êxtase místico é idêntica. Nos dois casos o mesmo sentimento de incompletude, acompanhado por uma mágoa dilacerante, por uma nostalgia sem limites.

S.J.: Esta nostalgia é precisamente o fundamento da vossa visão do mundo. Como a definiríeis?
C.: Este sentimento liga-se em parte às minhas origens romenas. Ele impregna ali toda a poesia popular. É uma dilaceração indefinível que se diz em romeno dor, próxima da Sehnsucht dos Alemães, mas sobretudo da Saudade dos Portugueses”

- Cioran, Entretien avec Sylvie Jaudeau, Entretiens, Paris, Gallimard, 1999, p.230.

META-FIXA AB...

AB

... A vida que se esperava fértil e de grandes realizações, chega ao final sem grandes recordações... Termina melancólica e triste, a esvaziar-se pelos poros da pele do velho corpo já decrépto, cujos passos incertos vagarosamente o vão parando, parando e a morte furta finalmente ao viver a velha forma.

Mas não morre ali a vida por não estar sujeita à existência efêmera da velha capa de carne e osso; prossegue sua infinita caminhada em outra esfera de existência, onde sempre existirá como unidade absoluta.

Mergulha por alguns instantes aqui ou ali uma pequena raiz, constitui-se neste ou naquele corpo, mas em seguida o abandona em seu reino, para que volte ao “pó” de origem. Porém a vida prosseguirá sua eterna caminhada levando em seu ventre aqueles minúsculos pontos de energia marcados a testemunhar de que por instantes se prendera às formas.

E assim em breves experiências colhidas através de infinitos corpos, em milhões sem fim de etapas, cumpre seu papel de animar e colher deste ânimo apenas as experiências das formas passageiras.

Ainda que o ser passageiro seja absolutamente oposto à sua natureza universal de unidade.

E é também por esta razão que vai sempre, segue e se chama na língua Sânscrita o Jiva Universal!... Ou Onda de Vida Inseparável e Única, mas capaz de se fazer Indivíduo...Jiva...

Democracia, Cidadania e Eleições em Angola.

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O que é necessário para que as eleições signifiquem Democracia?
O papel da Sociedade Civil no equilíbrio político em Angola.

"No Estado Democrático de Direito, apenas o direito positivo - o que foi codificado e aprovado pelos órgãos estatais competentes, como o Poder Legislativo -, poderá limitar a acção do Estado, e somente ele poderá ser invocado nos tribunais para garantir o chamado "império da lei". Nesse contexto, destaca-se o papel da Constituição, porque nela se inscrevem os limites e as regras para o exercício do poder estatal (nomeadamente as chamadas "garantias fundamentais"), e, a partir dela, e sempre tendo-a como referência, constrói-se o restante "ordenamento jurídico", o conjunto de leis que regem uma sociedade. O Estado Democrático de Direito não pode prescindir da existência de uma Constituição."

Tina Abreu foi a primeira mulher a orientar um QUINTAS DE DEBATE. Fê-lo a 28 de Maio de 2009, sobre o tema Democracia, Cidadania e Eleições em Angola: O que é necessário para que as eleições signifiquem Democracia? O papel da Sociedade Civil no equilíbrio político em Angola.
O texto complecto pode ser encontrado em http://quintasdedebate.blogspot.com

PARTICIPA E DIVULGA

Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

"Nenhuma palavra pode esperar outra coisa senão a sua própria derrota"

- São Gregório Palamas, Defesa dos Santos Hesicastas.
SOBRE A SAUDADE

Em competição com Pablo Neruda

Saudade não se aprende nem se ensina:
não há livro nenhum a seu respeito
que peremptoriamente nos defina
o sentido real deste conceito.

É sentimento que ninguém domina
quando se instala e nos invade o peito,
não existindo dose de morfina
capaz de minorar o seu efeito.

Só sabe o que é saudade quem um dia
sofreu dessa moléstia para a qual
vacina não existe ou terapia.

Em todo o caso nada há de pior
que nunca ter sofrido dessa dor
que tem a sua sede em Portugal!

JOÃO DE CASTRO NUNES

Diário da NOVA ÁGUIA: 29 de Maio...


Anteontem mais um lançamento. Na Sociedade de Língua Portuguesa. Com a Dra. Elsa Rodrigues do Santos, Presidente, o António José Borges, nosso MILitante, e uma série de membros da Sociedade – com os quais se discutiu, em particular, o conceito de Lusofonia e das resistências que este ainda provoca por boa parte do mundo lusófono. Mas é também para ajudar a vencer essas resistências que nós cá estamos…

Estaremos e estaremos…

Amanhã em Vila Real, na Universidade de Trás-os-Montes-e-Alto-Douro. Depois, de novo em Sintra, em mais uma edição da Feira Alternativa, nos Jardins da Biblioteca Municipal…

Para a semana, de novo na Galiza, na Fundação Torrente Ballester, em Santiago. E não também no Barreiro, por razões pouco lusófonas. Mas não faltará a oportunidade. E será em breve…

8º Colóquio Anual da Lusofonia

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caros Colegas

esta é a segunda chamada para apresentarem as vossas propostas de trabalhos ao nosso 8º Colóquio Anual da Lusofonia
de 30 setembro a 3 de outubro 2009, podem descarregar a ficha de inscrição e ver detalhes de temas, prazos e pagamentos em www.lusofonias.net

Colóquios da Lusofonia/Encontros Açorianos da Lusofonia,
O Presidente da Comissão Executiva, Dr J. CHRYS CHRYSTELLO,

PORTUGAL NO TOPO DA UNIÃO EUROPEIA NA INJUSTIÇA SOCIAL

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Com base em 35 indicadores forem investigadas cinco dimensões da política social nos 27 países da União Europeia. A investigação baseia-se nas estatísticas actuais de Eurostar e OECD. As dimensões analisadas foram: chances de formação, justiça entre as gerações, situação na procura de emprego, igualdade entre homem e mulher e distribuição de rendimento.

Os cinco melhores lugares com melhor justiça social foram ocupados pela Suécia, Dinamarca, Holanda Finlândia e Eslovénia.

Relativamente a Portugal, os resultados são fulminantes. Ocupa com a Hungria o lugar 24 estando abaixo deles a Roménia e a Grécia. Em Portugal, a situação piora em relação ao passado aumentando as desigualdades em quase todos os sectores especialmente na distribuição dos rendimentos e na justiça entre as geracoes.

18 % dos portugueses são pobres. A percentagem de pessoas pobres a partir dos 65 anos atinge os 26%. E 5% das crianças portuguesas têm os pais desempregados.

No sector do emprego a situação é miserável. Muitos empregos são carentes e falta de emprego é crescente. Um Estado, habituado a exportar a pobreza e a explorar as remessas dos emigrantes, vê-se agora com o problema de países europeus estarem a reduzir a importação de trabalhadores. A dívida de Estado, um ensino precário descomprometido e descomprometidor e o desemprego prolongado são indicadores dum futuro ainda mais penhorado.

Uum pobre alemão não é igual a um pobre português. As estatísticas referem dados relativos.

Isto releva a ineficiência da política portuguesa. O povo português revela-se muito tolerante no que respeita à pobreza social e à falta de responsabilidade do Estado.

A classe que se serve do Estado não precisa de pensar no dia de amanhã porque o seu amanhã está na pensão assegurada por um Estado de que se serviram e servem. Se os dirigentes actuassem como se pertencessem à camada social económica e culturalmente desfavorecida, então teríamos uma nação inteira e não repartida.

A política não se preocupa com a compensação social, com um compromisso entre pobres e ricos, entre regiões pobres e ricas, assistindo-se ao desequilíbrio crónico. Os espertos encostam-se aos partidos, que, por sua vez, ocupam os sectores do Estado onde se ganha melhor.

E no meio de tudo isto os nossos políticos ainda têm coragem de sair para a rua e mostrar os seus dentes brilhantes. Pavoneiam-se nas televisões como se fossem benfeitores do povo português, quando administram mal o país. Trabalham para si e fazem bem aos do partido sem responsabilidade de estado. Cada vez se ostenta mais os galardões das ideologias e se vê mais vaidade encenada num país reduzido a estádio de futebol.

Estado Novo e Democracia na Liga dos mais fracos da Europa

Se antigamente estávamos “orgulhosamente sós”, hoje marcamos passo orgulhosamente sós!
O átrio do país passou a ser o partido. Não há povo, não há actores, apenas espectadores dum país a salto.


A imprensa portuguesa, que deveria confrontar continuamente os políticos com esta realidade, vive também ela no país da Bela Adormecida, espalhando o tapete vermelho a políticos que falam de tudo, menos do que importa a Portugal e deveria importar aos portugueses.

Como de costume, se o governo for questionado sobre tão miserável situação, os espertos do poder compararão a sua miséria com pior miséria de algum caso particular dum país de nome, para assim fugirem com o rabo à seringa e enganarem um povo sempre crente. Quem observa com olhos de ver as atitudes de políticos na TV até fica com calafrios perante os seus tiques e peculiaridades dandy. Vivem em grande parte da arte de enganar quem quer ser enganado. Somos inveteradamente vaidosos!

Vivem do factor Salazar, sempre na desculpa e no empolgamento, justificando uma política improdutiva na ideia de liberdade e democracia.

Os nossos políticos não têm noção de estado nem de povo, servem-se deles em vez de os servir. Partidarismo e servilismo oportunista enchem a Administração pública e rebentam o aparelho do estado pelas costuras. Depois desculpam-se que é a vida e que o povo tem os políticos que merecem. O povo porém precisa de exemplos e de personalidades que se tornem a consciência da nação para impedirem que mercenários continuem a abusar do povo, a violar Portugal. Aqui, as revoluções, a partir do século XVIII, têm um denominador comum, satisfazer uma classe descontente que ao assumir o poder se satisfaz à custa do Estado e em gozar o povo.

Na democracia, o povo português continua a desobrigar-se com a ida às urnas como antigamente se desobrigava da abstinência com a bula.

Portugal joga cronicamente na Liga dos derrotados, antigamente com honra, hoje com orgulho. Países que no Estado Novo estavam atrás de Portugal encontram-se hoje à sua frente quando; apesar do 25 de Abril não saímos do grupo dos países em que nos encontrávamos no tempo de Salazar. Portugal a continuar assim daria razão aos que defende que em vez de mudar os sistemas é preciso mudar o povo! Estes gostariam de nos ver espanhóis. O que precisamos todos é de mudar o nosso ideário de povo, mudar a nossa mentalidade e não suportar os que usam e abusam do Estado e desencorajam a iniciativa privada em nome do monopólio partidário. O espírito da terra, da ecologia, do bem comum expresso nos “Homens Bons” dos tempos da fundação da monarquia deveria tornar-se o padrão a seguir no governo de Portugal e não o da ideologia. Por um Portugal dos biótopos naturais com menos coutadas ideológicas.

António da Cunha Duarte Justo
http://antonio-justo.blogspot.com/
antoniocunhajusto@googlemail.com

Proposta para uma candidatura lusófona aos Jogos Olímpicos de 2024

http://www.quadrodemedalhas.com
www.quadrodemedalhas.com

Alguns devem lembrar-se de um certo "Vicente Moura", o tal presidente do Comité Olímpico de Portugal que a troco do maior investimento de sempre do Estado português tinha prometido quatro medalhas ou 60 pontos, promessa que não cumpriu, exprimindo-se "desiludido" com os resultados obtidos pela maioria dos atletas, entre os quais se contavam efetivamente casos muitos tristes como o tipo da pérola "de manhã é só na caminha".

Não satisfeito com o desperdício de fundos, e seguindo a linha de Madaíl e de outros esbanjadores do Futebol, agora, Vicente Moura defende que Portugal devia candidatar-se aos Jogos Olímpicos de 2024: "Estamos capacitados para organizar os jogos da Lusofonia. Vamos ver se vencemos este desafio e se nos preparamos para voos mais altos, como por exemplo para uma candidatura à organização dos Jogos Olímpicos em 2024". Está mais que visto que a carreira do senhor seria largamente beneficiada com este espavento, mas Portugal precisa de tornar a cometer os mesmos erros do passado, do Euro 2004 e a construir estádios após estádios para depois ficarem ao abandono e torrando num projeto tão exigente como o da realização de uns Jogos Olímpicos preciosos recursos que poderiam ser gastos em tantos outros campos e prioridades? Quando um país de escala semelhante à nossa, a Grécia realizou os JO daqui teve um pesado preço a pagar ficando com um défice orçamental de 5,3%, quando a previsão era de 1,2 ou 184 biliões de euros, em grande medida devido aos JO! É disto que estamos a precisar? Dos 12 biliões de euros que os gregos gastaram nos seus JO, isto é, de mais 4 biliões que o TGV irá (supostamente) gastar? Se o TGV já é discutível, na sua rentabilidade, então... que dizer de uns Jogos Olímpicos?

Em suma, parece coisa de gente completamente descabeçada pensar que Portugal tem condições para organizar uns Jogos Olímpicos... É claro que isso nunca nos impediu antes, como se prova pelos elefantes deixados para trás pelos estádios do sacrossanto futebol, do Euro 2004. Mas porque é que não aproveitamos estas propostas megalómanas e as aproveitamos para potenciar o projeto lusófono que serve de projeto central ao MIL?

Porque não avaliar a potencialidade de organizar uns Jogos Olímpicos à escala lusófona, integrando na organização, partilha de despesas e recolha de dividendos, assim como na localização dos eventos, todos (ou apenas os maiores) países da Lusofonia, como Angola, Brasil e Portugal, estendendo a mão aos nossos irmãos da Galiza, da Estremadura e da Catalunha? Uma candidatura lusófona aos Jogos Olímpicos de 2024, que criaria no mundo uma nova imagem da Lusofonia, que daria uma projeção mediática inédita aos países que compõem a CPLP e que abriria novos horizontes a novos tipos de uniões internacionais de que estes Jogos Olímpicos poderiam ser apenas a antecâmara.

Fontes:
http://jpn.icicom.up.pt/2008/08/19/vicente_moura_sai_do_comite_olimpico_desiludido_com_prestacao_portuguesa_em_pequim.html
http://desporto.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1379944
http://desporto.pt.msn.com/especial/article.aspx?cp-documentid=16751268
http://en.wikipedia.org/wiki/2004_Summer_Olympics
http://news.scotsman.com/athensolympics/Athens-counting-cost-of-the.2648827.jp
http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=659924

QUEM É O CERTO? O MUNDO OU O BRASIL?

O senador Pedro Simon, no seu último pronunciamento no Senado, declarou indignado que os escândalos se sucedem quase que diariamente no nosso País e nada acontece. Agora, o partido dele quer mais um cargo na PETROBRÁS, onde os milhões correm e fica-se fazendo corpo mole contra e a favor do governo.

O senador gritava que ladrão existe em qualquer lugar do mundo. Citou o exemplo do que aconteceu na Câmara dos Comuns da Inglaterra. Foi coisa muito pequena em comparação com os bilhões envolvidos no Brasil. Lá o deputado já não é mais deputado e o Presidente da Câmara já vai entregar o cargo; mas aqui continua como no Quartel de Abrantes. O pior de tudo é que o senador citava nomes do nosso parlamento e nada vai acontecer, pois são caras de pau.

Os jornais, de 24 de maio de 2009, noticiaram o suicídio do ex-presidente da Coréia do Sul, que se jogou de um penhasco e deixou um bilhete. Ele compareceu no dia 30 de abril ao escritório da promotoria para depor sobre envolvimento em suborno. A honra levou-o ao suicídio.
No Japão, ministros já praticaram suicídio por envolvimento em atos desonrosos, o mesmo acontecendo em outros países. Nos EUA, viu-se um homem público dar um tiro na boca por se encontrar envolvido em avanço no dinheiro público.

Na CHINA, o homem público que rouba do País recebe uma bala na cabeça. A família paga a despesa até da bala. E aqui, no Brasil, o que acontece:

- O parlamentar que é envolvido em roubo ou ato que desabona a sua postura pública renuncia ao mandato e volta na outra legislatura com todas as honras e direitos;

- O denunciado mente e ainda merece palmas dos colegas congressistas;

- O parlamentar submetido ao Conselho de Ética é condenado, mas vai julgado pelo plenário e é absolvido com palmas e louvor;

- O tesoureiro do partido que financiou o mensalão manteve o silêncio para salvar o partido e muitos dos que receberam dinheiro estão na Câmara e ele acaba de solicitar a volta ao Partido;

- Parlamentares federais usam indevidamente dinheiro público destinado ao custeio de passagens aéreas a serviço, para custear passagens de parentes e amigos. E o Presidente da República os justifica, achando que não fazem nada demais.

O GRUPO GUARARAPES fica sem saber quem tem razão. O mundo condena os maus administradores da coisa pública com expulsão, morte e alguns chegam ao desespero e vão ao suicídio. No Brasil, nada acontece e quanto mais ladrão mais prestígio tem e é elevado ao cargo de assessor confidencial do Presidente da República, como insinuou o senador Pedro Simon.

Será que lá fora há mais vergonha na cara do que aqui? O Brasil é exemplo de falta de vergonha?

O GRUPO GUARARAPES PERGUNTA AO CONGRESSO QUEM TEM RAZÃO: O MUNDO OU O BRASIL?

ONDE SE ENCONTRA O POVO QUE NÃO VAI À RUA? E OS QUE AINDA TÊM VERGONHA NA CARA NÃO VÃO REAGIR?

(O GRUPO GUARARAPES)

Transcender Deus

Apresento a conclusão da comunicação que apresentarei hoje, pelas 18.00, com o título "Transcender Deus: de Eckhart a Silesius", no encerramento do II Colóquio da Sociedade Portuguesa de Filosofia Medieval, no Anf. III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa:

Poder-se-ia dizer que a verdade última da religião, desvelada pela mística, é a morte de Deus, vivida não só como a extinção de todos os conceitos e representações teológicos, mas também como a ausência, a abs-entia, a não entidade, da suposta Presença absoluta. Neste sentido, e para dialogar apenas com uma das emergências do tema da “morte de Deus” no pensamento ocidental, cremos ser esta primordial morte de Deus, inerente à experiência última do que se designa como Deus, que permite compreender o efeito da morte de Deus proclamada pelo “insensato” nietzscheano: “Para onde vamos nós próprios? […] Não estaremos incessantemente a cair? Para diante, para trás, para o lado, para todos os lados? Haverá ainda um acima, um abaixo? Não estaremos errando através de um vazio infinito? Não sentiremos na face o sopro do vazio?”. Não será afinal, esta experiência de vazio, ausência de fundo e referências - consequência da humana abdicação da ideia de um absoluto princípio ordenador do mundo e da vida - , a própria experiência desse abismo, fundo sem fundo, deserto e morada onde ninguém mora que a tradição mística vive como a experiência última do transcender Deus? Não será o que Nietzsche proclama como “morte de Deus” a própria experiência do absoluto trans-divino e trans-teológico, porém por sujeitos que não parecem preparados para a suportar? Daí a confissão: “A grandeza deste acto é demasiado grande para nós”.

Há assim um ateísmo, primordial e inumano, que excede o humano e que, embora imprevistamente se lhe abra no seio da experiência de negação do divino, lhe é dificilmente suportável. Daí que o “insensato” nietzscheano acrescente à declaração anterior: “Não será preciso que nós próprios nos tornemos deuses para, simplesmente, parecermos dignos dela?”. Passa-se assim da morte de Deus para a divinização do homem, o que é já uma demissão do abismo trans-divino, que procura introduzir no “deserto” primordial quem o habite, insulando entificações na sua vastidão hiante. Perante a efectiva transcensão mística de Deus, o projecto ateu da modernidade parece ser bem mais piedoso, trocando o abismo pelo ídolo deificado da própria humanidade. Como também viu Nietzsche, os ateus comuns são afinal bem “piedosas gentes”, que apenas se desprendem da metade divina do rosto do ídolo para mais se prenderem à sua gémea metade humana.

Carta para um mundo a Haver

Em prol de uma Fundação Agostinho da Silva

Carta

Dear Mister John Malkovich,

We don’t know if you really exist, but if, we would like to meet you, or one of you, too talk about a real Portuguese and worldwide matter, which we like to share with you. It’s about the great Portuguese philosopher Agostinho da Silva and about his utopic, and we think realistic, thinking: to do it in praxis. It’s about the world and how it could be better for everybody and everything. Don’t hesitate, just try. We would like to meet you some day in this summer of 2009 in the well known Café Martinho da Arcada. You know, it was the place of Fernando Pessoa. We think you now this place already.

Kind regards

Associação Agostinho da Silva
Prof. Paulo Borges

Outro Dia no Martinho da Arcada

Paulo Borges: Hello Mister Malkovich, how do you doo?

Mister Malkovich: I’ am fine, thank you.

Paulo Borges: Sorry, but do you speak Portuguese?

Mister Malkovich: Yes indeed.

Paulo Borges: Então, Senhor Malkovich, escrevemos uma carta para Você participar no nosso projecto.

Mister Malkovich: Sim, entendi, mas não sei muito sobre a cultura portuguesa e menos ainda sobre o Senhor Agostinho da Silva, mas eu gostei o que Vocês falaram sobre o mundo a Haver e também sei que posso ajudar Vocês. Quanto dinheiro precisa Você por ano para realizar este projecto óptimo, utópico mas realístico?

Paulo Borges: 150’000.- Euro por ano, para começar. Para fazer 5 viagens com científicos magníficos pelo mundo por ano, para fazer 3 congressos no mundo lusófono ou mundial por ano e para publicar um livro por ano em qualquer língua, sempre sobre o mundo a Haver.

Mister Malkovich: Ok. I see. It’s a lot of money, but I have a lot of friends.

Paulo Borges: Óptimo. Vamos brindar. O que e que você prefere: Water or Wine.

Mister Malkovich: Wine of course!

Paulo Borges: Olá Martinho, muito vinho para nos brindar!

Ainda não o Fim.

LISBOA - WALKSHOP LITERÁRIO

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10 de Junho de 2009 - 15 horas
Conduzido por DUARTE BRAGA e RUI LOPO

Com partida da GALERIA MATOS FERREIRA, sita no nº. 18 da Rua Luz Soriano, a ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA leva a efeito na quarta-feira, dia 10 de Junho (feriado), um Walkshop Literário.

A unidade temática deste percurso é feita com base em figuras da Literatura Portuguesa e não só…, na sua maioria dos séculos XIX e XX da nossa vida literária, artística, filosófica e até política: Gomes Freire, Eça, Pessoa, Almada, Amália, Álvaro Ribeiro... Com este passeio a pé por Lisboa pretendemos contar as suas histórias e dos fenómenos a elas estreitamente ligados, e que são algumas das faces da enorme densidade do passado desta Cidade.

O encontro será às 15h00 horas no Bairro Alto, mais precisamente na Galeria Matos Ferreira. Depois de um desvio até à Rua do Alecrim, o grupo seguirá depois até ao Príncipe Real. A partir daí desceremos aos Restauradores, subindo depois ao Campo Mártires da Pátria, finalizando o percurso na Rua Gomes Freire.

As inscrições são limitadas. O seu custo é de EUR 15,00 (quinze euros). Os interessados podem-se inscrever através do Tel 21 323 00 11, do Tlm 96 295 37 22, do Email: mfgaleria@netcabo.pt ou simplesmente comparecer 15 minutos antes do início.

Haverá pausa para uma ginginha no Largo de S. Domingos.

XIX FESTA DO ESPÍRITO SANTO

DOMINGO DE PENTECOSTES
31 DE MAIO DE 2009
ARRÁBIDA

10.30 h - Encontro junto ao Convento da Arrábida – Fundação Oriente.
Visita ao Convento Velho:
Ermidas do Senhor dos Aflitos e de Frei Agostinho da Cruz.
11.30 h - Capela da Memória de Nossa Senhora da Arrábida
Celebração
Saudação
Leitura de textos: de Agostinho da Silva sobre o Culto do Espírito Santo
e de António Quadros, Dalila Pereira da Costa , Padre António Vieira
Coroação das Crianças
Evocação / Música - Cânticos
Trovas para o Menino Imperador, de António Quadros
Divino Espírito Santo, quadras de Agostinho da Silva

Bodo
13.30 h - Junto ao caminho de Alportuche. Será oferecido o bodo.
Durante a tarde - Confraternização
Convite à livre participação das pessoas presentes.

Colaboração de:
Nova Águia / CC.M.I.L - Movimento Internacional Lusófono
Núcleos M.I.L de: Setúbal, Alhos Vedros, Lisboa e Sintra
Escola Aberta Agostinho da Silva - Casa Amarela /
CACAV- Cooperativa de Animação Cultural de Alhos Vedros
Livraria Uni Verso
BioSani
Art’ H. Palaestra
Ordem de Cavalaria do Sagrado Portugal
União Budista Portuguesa

“O melhor de si mesmos porá os homens no plano do divino e o plano
divino resplandecerá na crença de que é inteligível a estrutura do mundo”
- Agostinho da Silva, Condições e Missão da Comunidade Luso - Brasileira,
in Nova Águia, Nº3, 2009.

C O N V E N T O S O N H O / A S S O C I A Ç Ã O A G O S T I N H O D A S I L V A
Apoio: Convento da Arrábida - Fundação Oriente

Começa hoje...


Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Ontem como hoje...


Em Miranda do Douro...

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Caros amigos,

Este ano, em Miranda do Douro, nos Encontros de Antropologia, Cinema e Sentidos também se fala e apresenta a Linha do Tua:

- No dia 29 de Maio, comunicação de António Lourenço "A Linha do Tua. Identidades colectivas, projectos hidráulicos e fluvioholocausto";
- No dia 30 de Maio, apresentação de um excerto do documentário (pré-produção) de Jorge Pelicano, "Páre, Escute e Olhe".

Segue abaixo o programa destes encontros, para todos os possíveis interessados.

Atentamente,

Movimento Cívico pela Linha do Tua
www.linhadotua.net

O assassínio de Portugal-Inês

"É como se Patrício deixasse a mensagem cifrada de que esse Portugal-Inês, de vocação aberta ao exterior de si mesmo, perece às mãos dos que dirigem o destino do país, e quando os Pedros que a amam têm a faculdade decisória é já demasiado tarde, e encontram um cadáver que tentam em vão, demencialmente, reanimar. [...] É também, por outro lado - tanto em Patrício como em Pessoa - , a intuição de um Portugal cultural atávico, internalizado, expresso na poesia das artes e na permuta dos afectos, que não se revê na menoridade do Portugal político de rosto exterior e na miséria social que o estigmatiza; daí a alegoria do feminino: um Portugal como anima vilipendiada - alvo de assassinato como em Inês - por um animus ignaro, patriarcalmente tirânico, que não apreende a profundidade e o valor potencial do que castra"

Armando Nascimento Rosa, As máscaras nigromantes. Uma leitura do teatro escrito de António Patrício, Lisboa, Assírio & Alvim, 2003, pp.217-218.
LUSICIDADE

A minha pátria, além de ser o solo
onde nasci e minha mãe cantava
enquanto em braços me embalava ao colo,
na mesma língua que Camões falava;

a minha pátria, ou seja, o território
a que me afeiçoei desde criança,
não por outrora ser um grande empório,
mas por de meus avós ser uma herança;

longe de ser apenas o idioma
que derivado do latim de Roma
se derramou por todo o universo;

a minha pátria é toda a imensa gente
de qualquer raça, cor, falar diverso,
que ao nosso jeito ainda vive ou sente!

JOÃO DE CASTRO NUNES

LIGA DOS AMIGOS DO DOURO PATRIMÓNIO MUNDIAL

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Exmos. Senhores

A Liga dos Amigos Douro Património Mundial (LADPM) tem como um dos seu objectivos contribuir para a preservação e valorização do Património do Douro.

Desta forma, e uma vez mais alertando os associados e o publico em geral, para os assuntos relacionados com o património edificado na Região, a LADPM vai realizar a 30 de Maio no Museu do Douro, em Peso da Régua, um colóquio subordinado ao tema :

“Património Ferroviário do Vale do Douro”

Na expectativa de poder contar com a sua presença e promover a divulgação do nosso evento, cujo folheto anexamos, apresentamos os nossos melhores cumprimentos .

P´ Direcção

Ana Margarida Alves


Liga dos Amigos Douro Património Mundial
LADPM
Rua Diogo Dias Ferreira
Edifício Municipal
5000-559 Vila Real - Portugal
Telefone---+351 259 375 142
Fax ----------+351 259 375 147
Telemóvel +351 917 688 588
ladpm@sapo.pt www.ladpm.pt

Os primeiros passos do Lev´Arte Brasil

No dia 25 de maio, Dia da África, os alunos da Escola Estadual Carlos Alberto Galhiego deram o “pontapé” inicial ao Lev´Arte Brasil.

A sol da tarde de outono serviu para aquecer os ânimos e aumentar ainda mais a ansiedade dos adolescentes que, nas semanas que antecederam o Dia da África, criaram coreografias, cartazes, ensaiaram e não viam o momento de apresentar sua Dança de Rua ou Street Dance, como eles preferem chamar.


“Essa parceria, através da Arte, entre Angola e Brasil, trouxe uma grande motivação para os alunos. Os professores trabalharam temas ligados à África, contextualizando o Dia da África e a importância do Continente para o Brasil e para o mundo”, explica a professora Adr
iana Maria Paiola da Silva, coordenadora do Lev´Arte Brasil. (foto)


A apresentação despertou a curiosidade e os alunos de outras séries foram chegando para assistir e aplaudir e muitos mostraram interesse em participar das próximas programações.


“Apesar de parecer um início tímido, o Lev´Arte Brasil deu o primeiro passo de uma grande caminhada e já apresenta muitos pontos positivos para todos, trazendo alegria, despertando a criatividade e mostrando que a Arte pode aproximar as pessoas”, destacou a professora Adriana.


O próximo evento já tem data marcada e acontecerá no dia 8 de junho, quando o grupo de dança fará nova apresentação e a produção de poesia dos alunos também terá seu espaço.


Kiambote Lev´Arte Angola-Brasil !


TEM CARA QUE FAZ GOZAÇÃO COM TUDO



Moral mesmo só no tempo da vovó, com farófia e papai Noel.

Poema Anónimo que circula por aí


APELO A SANTO ANTÓNIO


Ó meu rico Santo António
Meu santinho Milagreiro
Vê se levas o Zé Sócrates
P'ra junto do Sá Carneiro
Se puderes faz um esforço
Porque o caminho é penoso
Aproveita a viagem
E leva o Durão Barroso
Para que tudo corra bem
E porque a viagem entristece
Faz uma limpeza geral
E leva também o PS
Para que não fiquem a rir-se
Os senhores do PSD
Mete-os no mesmo carro
Juntamente com os do PCP
Porque a viagem é cara
E é preciso cultivar as hortas
Para rentabilizar o percurso
Não deixes cá o Paulo Portas
Para ficar tudo limpo
E purificar bem a cousa
Arranja um cantinho
E leva o Jerónimo de Sousa
Como estamos em democracia
Embora não pareça às vezes
Aproveita o transporte
E leva também o Menezes
Se puderes faz esse jeito
Em Maio, mês da maçã
A temperatura está a preceito
Não te esqueças do Louçã
Todos eles são matreiros
E vivem à base de golpes
Faz lá mais um favorzinho
E leva o Santana Lopes
Isto chegou a tal ponto
E vão as coisas tão mal
Que só varrendo esta gente
Se salvará Portugal

Resenha Crítica do Romance A Mulher, o Homem e o Cão, de Nicodemos Sena





Artigo/Resenha Crítica


ROMANCE “A MULHER, O HOMEM E O CÃO”,
UMA ‘NEVERLAND’ NA HILÉIA AMAZÔNICA

Por Silas Correa Leite*

“Com o que não te digo/
Teço um enigma/
O que digo sempre/
Nega o evidente(...)

Inconfesso, Antonio Mariano
In, Guarda-Chuvas Esquecidos
Editora Lamparina


Para falar do novo livro do escritor paraense radicado em Taubaté-SP, Nicodemos Sena, “A Mulher, o Homem e o Cão” (Ed. LetraSelvagem, 2009, Coleção Gente Pobre, 152 pág.) não teria como não me reportar ao sucesso que foi a portentosa obra “A Espera do Nunca Mais” (Ed. Cejup, 1999), um caudaloso romance elogiado pela crítica, “que faz meio-termo entre ficção e realidade (...); alto estilo, demonstrando vigor e consciência estética(...)”, segundo Ronaldo Cagiano (in Opção Cultural). A amazônica como um todo, resgatada e retratada, do rural-agreste e ermo aos ‘anos de chumbo’ da ditadura militar (o escritor é um retratista de seu tempo e das amarguras de seu tempo?), no letral, literal, e lítero-culturamente sob todos os aspectos. “Uma aula de Amazônia (...)”, diz Oscar D’Ambrosio (in Caderno de Sábado, Jornal da Tarde).
Coloco pra mim, entre os dez melhores romances brasileiros, não necessariamente numa ordem linear, “Dom Casmurro” ( Machado de Assis), “Grande Sertão: Veredas” (Guimarães Rosa), “Vidas Secas” (Graciliano Ramos), “Incidente em Antares” (Érico Veríssimo), “Crônica de Uma Casa Assassinada” (Lúcio Cardoso), “Macunaíma” (Mário de Andrade), “O Cortiço” (Aluisio de Azevedo), “Dona Flor e seus Dois Maridos” (Jorge Amado), “O Cais da Sagração” (Josué Montello), e, entre todos os do Autran Dourado (que é ótimo em tudo o que escreve), o recente romance “A Mulher, o Homem e o Cão”, de Nicodemos Sena, certamente o maior romancista brasileiro contemporâneo, pouco pop e naturalmente muito cult, diga-se de passagem.
Como gosto de ler um livro de fio a pavio (e nas entre/linhas), como se comesse uma iguaria pelas beiradas, defeito-qualidade de um glutão de letras e gastronomias de quilate, já sondei a orelha de um dos maiores críticos brasileiros de todos os tempos, o Oscar D´Ambrósio, que aponta Nicodemos Sena como um grande contador de histórias com mitos que se cruzam com o mundo fantástico do autor, acordando o gigante adormecido da capacidade de raciocinar enquanto ser humano (picadeiro de dilemas, enigmas e desafios do verbo existir). Vá vendo. Quero dizer, vá lendo. Deguste.
Depois, o prefácio da doutora Christina Ramalho (UFRJ), que nomina a obra como um “... caleidoscópio com tantos significados próprios, metamorfoses sobrenaturais plurissignificativas (...).” A floresta invadindo a obra do autor, que deixou a Amazônia, mas a Amazônia não o deixou, ou seja: vai com ele por onde ele for, sendo ele, é ele, selva-metáfora, o homem em busca de si mesmo, na selva urbana exaurida, dentro de si, no escre-Viver. Por aí.
No posfácio, Dirce Lorimier Fernandes (doutora em História e da APCA), fala do rico mundo encantado de criação, mistérios e encantamentos na obra de Nicodemos Sena. A inutilidade da existência (por isso escrevemos, criamos, deixamos nosso documento-identidade em sons, palavras, símbolos, crenças, devaneios, enigmas e artes loucas?). O autor rasga o véu da alma-mente-espírito, e numa treva branca destila-se, o tudo sentir, o sobre/Viver. Eis o homem.
Por fim – antes de entrarmos nos ramos qualificados da obra propriamente dita – uma surpresa: Um pós-posfácio do próprio autor (Acerca de “A Mulher, o Homem e o Cão”), falando de seu solilóquio, monólogo interior, desconfianças; encerrando assim: “... basta dizer que a selva, onde vivem as personagens (e onde eu nasci), é, no livro (...) apenas a metáfora de todas as solidões terrenas”. Lindo.
O romance-livro realmente é de linda floração cultural e envergadura literária (qualidade técnico-editorial de primeira, capa de James Valdana, desenho de capa e miolo Olga Savary); de se pegar e não largar mais. Cativador na elegante fruição, entre subidas e descidas aos céus (todos os céus, não se sabendo se o céu – qualquer um – veio até Nicodemos ou ele é que foi até ele). Elogiado pela crítica especializada, esse autor paraense tem um jeito todo próprio de narrar, ir e vir nas orações, levar e trazer o leitor, cativando, encantando, sacudindo-o. Grande estilo.
Aqui e ali, um personagem (personagem?) meio malazártico, numa narrativa bem macunaímica, sua narrativa às vezes nos remetendo à literatura fantástica (personagens bizarros até), de um anarquista misterioso, estilo utópico, B. Traven (Chicago 1890, México 1969), que teve na sua obra, como pano de fundo, a floresta mexicana (“O Visitante Noturno” entre outra criações de relevo), ficando um triângulo de Nicodemos Sena entre Macário de B. Traven, Macondo (de Gabriel Garcia Marques, do qual Nicodemos carrega aqui e ali parecenças) e o “espaço” floresta amazônica no livro, um não-lugar, um lugar-nenhum-todo-lugar/qualquer lugar, ele mesmo, o autor, Nicodemos Sena impregnado de talento, criatividade e técnica densa de narrar com veias e variações, as propriedades e impropriedades de suas origens, raízes, matrizes, mãe(s)-Terra/rio. O fado do destino humano sujeito a incongruências mesmo... Será o impossível?
Sim, a nova obra do autor, “A Mulher, o Homem e o Cão”, tem o sígnico da relação homem-terra, homem-rio, homem-celestidades, homem-demônios (e fantasmas) da terra, rio (e céus?); triângulo com o macho, a fêmea e o sobrenatural. Paradoxalmente ao que o próprio autor diz no livro (pág.25), é na escreveção que os homens sensíveis se refugiam da loucura. A loucura é santa? “Deus usa os loucos para confundir os sábios?”.
Coisas visíveis e invisíveis se metamorfoseiam nas narrativas cativantes, só que o leitor tem que estar bem enlivrado, por assim dizer, para ir, aqui e ali, sacando inteiro e completo, recebendo outro novo inédito enfoque concomitante ou adjunto (histórias na história), a árvore-janela, o cão-passarinho, o homem-peixe, o Deus que não é deus, o enlevo, a catarse, o onírico, colheitas de mitos retraduzidos e retrazidos. E o autor diz na contação da recontação literária em graça de prosa poética:
“É esse, senhor, o efeito do espanto: o espírito esforça-se por estabelecer uma relação, uma ligação de causa e efeito, mas, achando-se impotente para consegui-lo, sofre uma espécie de paralisia momentânea, e, tão logo se recupera do assombro, sente crescer dentro dele gradualmente uma convicção que clareia a mente e impulsiona o corpo (...). –Roubaram-nos a alma, agora tudo está encantado!”
A mulher-porca, as canoas de serpentes, o rio margem e beira (loucura-lucidez), tudo ciciando devaneios, registros, despojos letrais, acercamento. O rio de nossa infância, nossa origem, anda conosco, viaja conosco, sofre vazamentos, seca, aflui, tem sua derrama espiritual? O domador de mentes o que é? Ladrão de mulher, diria o mote popular parafraseado de um ente de circo.
Livro de peso que tem névoas clarificadas. Que dá gosto ler. Que se passa daqui prali, num sem-pulo, de um tópico frasal para outro, levando e trazendo o leitor boquiaberto, seduzido sim, onde a voz ora é de um (uma), ora de outro (outra... criaturas...). O autor costurando o xale de sua áurea-aura-halo. Incompletudes. Desabandonos. Desespelhos.
Na alegria e na tristeza, na fome e na dor... como um casamento do autor com o dom, a sua terra, o seus rios (lacrimais), agonias, angústias, causos do arco da velha vêm inventariados, inverdades, não mentiras, o próprio ofício de criação com iluminuras de espectros, ressentimentos, passados, transcendências, travessias, veios, cisternas, corredeiras, jorros; palco iluminado para dar voz e vazão a seres e não-seres, num imaginário pra lá de espetacularmente rico, portentoso.
Aqui e ali, paráfrases bíblicas bem situadas (há um Deus), narrativas que lembram recorrências de um Jó bíblico negando-se a si mesmo sem negar o Criador, chuvas, nuvens, paragens, afogadilhos e afogados com lanternas, o repugnante e o sagracial, e entra no historial das contações com barulhanças e tristices, de Nero a Hitler, passando por Herodes, aqui e ali tentando um sentir imenso a partir de um nada sentir (o autor ficou doente depois de escrever o livro?... Mistério... Lenda...).
Os sobre-humanos estão nas páginas do livro, nas páginas de rostos-purgações, de restos-retalhos-retratações-partilhas (histórias do ouvi-dizer, ouvi-viver), ou na própria concepção magistral como um todo da obra?
Pois é: eis a obra, eis o autor, e, cá entre nós, eis uma tentativa de resenha crítica de quem se apaixonou pelo romance “A Mulher, O Homem e o Cão”.
Aliás, falando sério, qual dos três (entre tantos) personagens do tema-obra gostaria de escrever uma história assim?
Nunca se sabe o desfecho de uma fábula. Leia e deguste.


*Silas Correa Leite – Autor de Campo de Trigo Com Corvos, Contos, Editora Design, Finalista do Prêmio Telecom, Portugal. Teórico da Educação, Jornalista Comunitário, Conselheiro em Direitos Humanos (SP). E-mail: poesilas@terra.com.br
www.portas-lapsos.zip.net – Blog premiado do UOL


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Livro: “A Mulher, O Homem e o Cão”, Romance, Ficção, 2009, 152 pgs.
Editora Letra Selvagem, SP
Autor: Nicodemos Sena
Site da editora:
www.letraselvagem.com.br

E-mail do autor:
letraselvagem@letraselvagem.com.br