EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

"a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português. Em tempos de globalização, esta qualidade – a de evidenciar o pensamento nacional – deve ser exaltada"

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra - Razão e Espiritualidade: nos 100 anos de "O Criacionismo (Esboço de um Sistema Filosófico)".

Para o 10º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.


Morada: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais,

Apartado 21, 2711-953 Sintra, Portugal.

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

EDITORIAL

Sendo a NOVA ÁGUIA uma Revista que, de forma assumida e descomplexada, dá o devido destaque aos autores maiores da nossa tradição filosófica e cultural, inevitavelmente teríamos que dedicar um número a Álvaro Ribeiro – depois de já o termos feito a António Vieira, Agostinho da Silva, Teixeira de Pascoaes e Fernando Pessoa. A ocasião chegou, agora que se assinalam os trinta anos da sua morte. Que outra Revista o poderia fazer?
Em muitos casos mais referida do que propriamente lida, a obra de Álvaro Ribeiro tornou-se numa espécie de bandeira do que em geral se designa por “Filosofia Portuguesa” – quer para os que a defendem, quer, contrapolarmente, para aqueles que contestam, ainda hoje, a sua existência. Desde logo por isso, o próprio Álvaro Ribeiro acabou por se tornar no autor mais emblemático da dita “Filosofia Portuguesa”.
Por essa mesma razão, a sua figura ainda hoje desperta reacções assaz apaixonadas, num e noutro sentido, o que, se por um lado, lhe tem preservado, trinta anos após a sua morte, uma apreciável notoriedade, por outro, tem impedido, pelo menos nalguns casos, por evidente preconceito, um estudo mais aprofundado da sua obra. Neste número, procurámos colmatar essa falha, convocando os maiores especialistas na obra de Álvaro Ribeiro, dando, ao mesmo tempo, voz àqueles que ainda hoje contestam a existência de “filosofias nacionais”.
Isto apesar de, com este número, não termos querido ressuscitar qualquer polémica em torno da existência de “filosofias nacionais” – polémica que, a nosso ver, está por inteiro ultrapassada, pelo menos nos termos em que emergiu, após a publicação, em 1943, da obra O Problema da Filosofia Portuguesa. Álvaro Ribeiro continua a ser para nós um autor actual pela simples mas suficiente razão de que todo o pensamento filosófico é sempre já – e nunca deixa de o ser, por mais inconsciente que esteja disso – um pensamento radicado, situado: numa Língua, numa História, numa Cultura…
*
Uma vez mais, a NOVA ÁGUIA prova, pois, a sua abertura. Fundando-se numa determinada Visão de Portugal e do Mundo, devidamente expressa no nosso Manifesto, publicado no primeiro número da Revista, a NOVA ÁGUIA nunca foi nem nunca será um “órgão de propaganda”, mas, ao invés, um “órgão plural”, que, dando destaque a algumas figuras – àquelas que, como é óbvio, a nosso ver o merecem –, o faz, porém, de forma crítica, convocando não apenas os hermeneutas que, à partida, lhes são mais próximos, como, igualmente, alguns dos que lhes são mais distantes.
Como sempre, também este número da NOVA ÁGUIA não se debruça apenas sobre um autor. Assim, para além de Álvaro Ribeiro, neste número evocamos ainda José Marinho – autor que, a par de Álvaro Ribeiro, mais chamou a atenção, entre nós, para a importância que a Filosofia deve reconhecer à Língua, à História e à Cultura (daí o seu conceito de “filosofia situada”) –, Álvaro Cunqueiro – no centenário do seu nascimento –, Joaquim Nabuco – no centenário da sua morte – e Domingos Gonçalves de Magalhães – no bicentenário do seu nascimento. Para além disso, temos ainda textos sobre Fernando Pessoa, bem como sobre os 15 anos da CPLP, data que assinalámos no sétimo número da NOVA ÁGUIA.
Como tem acontecido desde o primeiro número, a Revista termina com a referência aos locais onde tem sido apresentada – numa série, iniciada a 19 de Maio de 2008 na Fundação José Rodrigues, que excede já as duas centenas e meia de sessões, em todo o espaço lusófono –, bem como à Colecção de Livros “Nova Águia”, que já vai em mais de duas dezenas e meia de títulos. Na contra-capa, como igualmente tem sido regra, antecipamos o tema do próximo número: “Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?”. Prova, bem cabal, do nosso optimismo: não só acreditamos que Portugal ainda hoje existe, como existirá daqui a 100 anos…

ÍNDICE

Editorial…5
NOS 30 ANOS DA MORTE DE ÁLVARO RIBEIRO
Álvaro Ribeiro, CARTA A ANTÓNIO QUADROS…8
Azinhal Abelho, Orlando Vitorino, António Quadros, António Cândido Franco, Pinharanda Gomes, Miguel Real, António Braz Teixeira, António Telmo, André Veríssimo e José Augusto Seabra, ÁLVARO RIBEIRO EM 10 INSTANTÂNEOS…9
António Cândido Franco, ÁLVARO RIBEIRO NUM RELANCE DE LUZ…13
António Carlos Carvalho, EXILADO DO MUNDO…14
Artur Manso, O QUE É A ESCOLA FORMAL…15
Carlos Aurélio, UMA FILOSOFIA DO MODO…25
Cynthia Taveira, A ACTIVIDADE DE DEUS…32
Elísio Gala, ÁLVARO RIBEIRO E A FILOSOFIA POLÍTICA…35
Filipe Delfim Santos, UM COLÓQUIO AGORA MAIS ÚTIL & CARTA INÉDITA DE ÁLVARO RIBEIRO À VIÚVA DE DELFIM SANTOS…39
Joaquim Domingues, ERUDIÇÃO FILOSÓFICA…45
José da Costa Macedo, FILOSOFIA E SITUAÇÃO…49
Manuel Ferreira Patrício, A LÍNGUA PORTUGUESA E O DESTINO DE PORTUGAL…58
Maria Leonor L.O. Xavier, A QUESTÃO DA UNIVERSALIDADE DA FILOSOFIA…60
Maria Luísa de Castro Soares, CONCEITO E CONTROVÉRSIA DA FILOSOFIA PORTUGUESA: O APOSTOLADO DE ÁLVARO RIBEIRO…66
Paulo Jorge Brito e Abreu, FILOSOFIA PORTUGUESA EM ÁLVARO RIBEIRO…71
Pedro Martins, PÁTRIA, HISTÓRIA E EPOPEIA: ÁLVARO RIBEIRO, JAIME CORTESÃO E A RENASCENÇA PORTUGUESA…75
Pedro Sinde, ÁLVARO RIBEIRO, FILOSOFIA OPERATIVA E ORAÇÃO MENTAL…88
Rodrigo Sobral Cunha, A RAZÃO RÍTMICA (NO PENSAMENTO DE ÁLVARO RIBEIRO)…97
Pinharanda Gomes, ÁLVARO RIBEIRO (1905-1981): A FILOSOFIA COMO ARTE & ADITAMENTO BIBLIOGRÁFICO…105
SOBRE JOSÉ MARINHO: NOS 50 ANOS DA TEORIA DO SER E DA VERDADE
Renato Epifânio, JOSÉ MARINHO, UM FILÓSOFO METAFÍSICO E, POR ISSO, SITUADO…116
Pinharanda Gomes, A TERTÚLIA DE ÁLVARO RIBEIRO E DE JOSÉ MARINHO…117
Manuela Brito Martins, A FILOSOFIA DA HISTÓRIA EM OLIVEIRA MARTINS A PARTIR DE UMA LEITURA DE JOSÉ MARINHO…126
SOBRE ÁLVARO CUNQUEIRO, JOAQUIM NABUCO E DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES
Maria Seoane Dovigo, ÁLVARO CUNQUEIRO, CEM ANOS DEPOIS…132
João Bigotte Chorão, JOAQUIM NABUCO: UM BRASILEIRO EUROPEU…134
António Braz Teixeira, NOS DUZENTOS ANOS DE DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES…140
AINDA SOBRE FERNANDO PESSOA
Giancarlo de Aguiar, TRANSPERSONAS NA ESFINGE DE FERNANDO PESSOA…144
Ruben David Azevedo, PESSOA: UMA SINGULAR PLURALIDADE…151
Samuel Dimas, FERNANDO PESSOA E A ESTÉTICA DA RENASCENÇA PORTUGUESA: D’A ÁGUIA À ORPHEU…152
António Cândido Franco, FERNANDO PESSOA SOB O SIGNO DA PÁTRIA DA LÍNGUA…155
Maria Clara Tavares, PASCOAES E PESSOA…159
Luís Tavares, PESSOA: A ESCRITA E A TERRA DE NINGUÉM…161
Kazufumi Watanabe, PESSOA NO JAPÃO…163
AINDA NOS 15 ANOS DA CPLP: TRAJECTOS LUSÓFONOS
Adriano Moreira, AS CULTURAS DOS POVOS DO MEDITERRÂNEO…166
António José Borges, RUMAR PORTUGAL, CONSIDERAR A EUROPA, PENSAR A LUSOFONIA…169
Delmar Maia Gonçalves, DEAMBULAÇÕES LITERÁRIAS…178
Dirk Hennrich, PORTUGAL, A EUROPA E AS MARGENS DA FILOSOFIA (COM CARTA DE JOAQUIM DOMINGUES)…181
João Pereira de Matos, 17 GEDANKENEXPERIMENTE…187
Joaquim Miguel Patrício, PRESENTE E FUTURO DA LÍNGUA PORTUGUESA NUM QUADRO ESTRATÉGICO GLOBAL…189
Lúcia Helena Alves de Sá, A FILOGONIA DO PENSAMENTO DA CULTURA DE LÍNGUA PORTUGUESA…199
Miguel Real, O FUTURO DA LUSOFONIA…200
Nelson Goulart, LÍNGUA MÃE LÍNGUA FILHA…203
Nuno Sotto Mayor Ferrão, A DINÂMICA HISTÓRICA DO CONCEITO DE LUSOFONIA (1653-2011)…204
Rui Martins, VIAGEM À GUINÉ-BISSAU…209
Sam Cyrous, DO CORAÇÃO DA COOPERAÇÃO À AVALIAÇÃO DA AÇÃO: CPLP ONTEM, HOJE E AMANHÃ…219
Simion Doru Cristea, A ENERGUEIA DAS LÍNGUAS AFRICANAS…221
Ximenes Belo, DISCURSO DA ACADEMIA…226
RUBRICAS
ENTRECAMPOS, de J. Pinharanda Gomes…230
AS IDEIAS PORTUGUESAS DE GEORGE TILL, de Jorge Telles de Menezes…233
DO ESPÍRITO DOS LUGARES, de Manuel J. Gandra…234
LITERATURA ORAL E TRADICIONAL, de Ana Paula Guimarães…239
BIBLIÁGUIO
DIÁLOGOS DE AMOR, DE LEÃO HEBREU, por Celeste Natário…244
MEMORIAL DO CONVENTO, DE JOSÉ SARAMAGO, por Gabriela Lança…245
LEVANTE, 1487 – A VÃ GLÓRIA DE JOÃO ÁLVARES, DE JOSÉ MARIA PIMENTEL…248
ÚLTIMAS OBRAS DA COLECÇÃO NOVA ÁGUIA, por Renato Epifânio…249
EXTRAVOO
António José de Brito, APONTAMENTO QUÁSI SUPERFICIAL SOBRE ÉTICA…252
António Monteiro, ARISTIPO DE CIRENE: UM FILÓSOFO NAS MARGENS DA HISTÓRIA…254
POEMÁGUIO
Eduardo Aroso, ÁLVARO RIBEIRO; UM VELHO PROFETA…7
António José Queiroz, VIAGEM…131
Teresa Dugos, CÁLICE; DA TERRA; MAUSOLÉU…142
Manuel Neto dos Santos, DA PANACEIA…165
Maurícia Teles da Silva, SETE PREMISSAS PARA A LIBERDADE…242
António José Borges, RESILIÊNCIA…242
Maria Luísa Francisco, FOSSE O DIA JÁ NOITE…243
Fernando Esteves Pinto, IDENTIDADE E CONFLITO…250
MAPIÁGUIO…259
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…260
ASSINATURAS…261

NOVA ÁGUIA 8: LANÇAMENTOS

10.10.11 - 18h30: Livraria FNAC Chiado (Lisboa)
12.10.11 - 18h30: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
15.10.11 - 16h00: Sociedade da Língua Portuguesa (Lisboa)
15.10.11 - 18h00: Casa Bocage (Setúbal)
21.10.11 - 18h00: Centro Cultural Luso Moçambicano
29.10.11 - 15h00: Biblioteca Municipal de Sesimbra
04.11.11 - 21h30: Espaço Poesis (Porto)
05.11.11 - 17h00: Biblioteca Albano Sardoeira (Amarante)
12.11.11 - 19h00: Auditório da Escola Básica Integrada de Montargil
23.11.11 - 18h30: Livraria FNAC Vasco da Gama (Lisboa)
03.11.11 - 15h00: Casa do Fauno (Sintra)
06.12.11 - 16h00: Palácio da Independência (Lisboa)
09.12.11 - 17h00: Faculdade de Filosofia (Braga)
15.12.11 - 21h30: Art Gallery / Café dos Artistas (Lisboa)
15.01.12 - 16h00: Castelo de Leiria (Sede da ACRENARMO)
27.01.12 - 21h30: Biblioteca Municipal da Lagoa


Em breve, anunciaremos o primeiro lançamento da NOVA ÁGUIA 9

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Almada, Amadora, Amarante, Arraiolos, Aveiro, Bairro Português de Malaca, Barcelos, Batalha, Belo Horizonte, Bissau, Braga, Bragança, Brasília, Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Carnide, Campinas, Cascais, Castro Marim, Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Fortaleza, João Pessoa, Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loures, Luanda, Mem Martins, Messines, Mindelo, Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque, Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense, Ovar, Pangim (Goa), Pisa, Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife, Redondo, Régua, Rio de Janeiro, Sacavém, Santiago de Compostela, São João da Madeira, São João d’El Rei, São Paulo, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Viana do Castelo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

Lançamentos já noticiados em:

RTP

Diário de Notícias

Diário Digital

Expresso

Jornal de Notícias

Jornal Porto Net

Notícias Lusófonas

Público


E em muitas dezenas de blogues...

FAÇA PARTE DESTE PROJECTO. ASSINE A NOVA ÁGUIA: http://www.zefiro.pt/novaaguia.

À venda nas melhores livrarias do país.
E ainda no Brasil: Espaço Cultural É-Realizações, Rua França Pinto, 498 - Vila Mariana - São Paulo; Livraria Hildebrando (Universidade de Brasília); Via Livros (contacto - Alexandre Santos: alexandresantos@br.inter.net).
E ainda na Galiza: Livraria Couceiro (Praça de Cervantes, 6, Santiago de Compostela/ Enrique Dequit, 12, Corunha; Livraria Torga (Ourense, Rua da Paz, 12); Livraria Andel (Vigo, Rua Pintor Lugrís, 10). E ainda em Cabo Verde: Livraria Semente (Mindelo).

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Já assinou a Petição em prol de uma verdadeira democracia representativa?

Agora que os Partidos da nossa "democracia circular" se preparam para encher os cofres com sacos de supermercado com dinheiro de construtores civis e banqueiros é - mais do que nunca - o momento de assinar a

Petição em prol de uma verdadeira democracia representativa

e dar o nosso contributo para uma petição que será entregue na Assembleia da República logo que reunir os requisitos legais mínimos e que contribua para cessar com esta efetiva "tirania dos Partidos" permitindo que:

"- que, nas Eleições Legislativas, os Deputados possam ser eleitos como independentes ou em listas não partidárias;

- que todos os Deputados, ainda que integrados em listas partidárias, respondam em primeiro lugar aos Cidadãos que os elegeram e não aos respectivos Partidos, de modo a que jamais se possa de novo ouvir um Deputado dizer que votou num determinado sentido apenas por “disciplina partidária”, como, tantas vezes, tem acontecido."


Recordemo-nos que a nova Lei permitirá aos Partidocratas receberem em "dinheiro vivo" mais 60 vezes do que a lei anterior, ou seja, mais de um milhão de euros num único saco de plástico do Continente!


Ler também:

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1377764&idCanal=23

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1377601


A Voz e a Poesia da Inquietação

(A pedido indireto do Paulo Borges)

Próxima terça...

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Caros associados e amigos,
No próximo dia 5 de Maio, pelas 18h30, haverá uma visualização do documentário Em nome do Divino: Brasil, seguido de um debate que se vai realizar na sala de vídeo da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Contamos com a sua amigável presença.

A Direcção da ACLUS

Sobre o Acordo a fazer. Que não apenas ortográfico...

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Discurso por Ocasião do Simpósio Lusofônico
em Fortaleza, CE.

Por José Fernando Aparecido de Oliveira


“Uma língua é o lugar donde se vê o Mundo e em que

se traçam os limites do nosso pensar e sentir. Da minha

língua vê-se o mar. Da minha língua ouve-se o seu rumor,

como da de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do

deserto. Por isso a voz do mar foi a da nossa inquietação.”


Com essas palavras, o escritor português Vergílio Ferreira registrou a razão de ser de uma comunidade internacional pautada sobre a língua portuguesa. Ele conseguiu descrever a essência da Lusofonia quando percebida como um canal, além-mar, para a cooperação humanista. Sobre esse pensamento, meu pai – o embaixador José Aparecido de Oliveira lutou para que todos os falantes lusófonos ao redor do mundo pudessem, por meio da amizade, estabelecer um elo de crescimento e desenvolvimento humano.

Para além das rodas diplomáticas, a Lusofonia deve ser encarada como a chave de comunicação capaz de gerar força na aproximação entre os oito países que compõem a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Alcançar o objetivo máximo a que nos propomos quando falamos de cooperação lusófona internacional leva-nos obrigatoriamente a buscar grande envolvimento de toda a população de Angola, Brasil, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. E não simplesmente de acadêmicos, diplomatas e apaixonados pelo assunto.

A cooperação, a concertação político-diplomática e a promoção e difusão da língua portuguesa estão estabelecidos nos estatutos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa como os três objetivos da CPLP. A partir da orientação destes três pilares, definidos quando da criação da instituição em 1996, devem surgir as ações comunitárias. Entretanto, dois novos pressupostos vêm, mais recentemente, se conformando de forma a alargar os objetivos comunitários: a promoção da cooperação econômica e comercial; e a cidadania e circulação de pessoas no universo geográfico dos países de língua portuguesa. Por si só, a população dos países falantes do português está acomodando o significado de ser parte de uma comunidade lusófona internacional. No que diz respeito à promoção da cooperação econômica e comercial, o crescente envolvimento do Brasil com os três países da CPLP da África Ocidental ( Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Cabo-Verde ) – sob uma perspectiva comercial e econômica – tem se fortalecido em meio a uma região que historicamente sofre forte influência, dessa natureza, proveniente da França. Quanto à cidadania e à circulação de pessoas no universo geográfico dos países de língua portuguesa é notável citar o intercâmbio de pesquisadores e estudantes universitários; e o acesso facilitado de profissionais, entre os países lusófonos, com fins de transferência de conhecimentos.

Os interesses da sociedade civil de cada Estado-membro da Comunidade dos países de Língua Portuguesa é que são responsáveis pelos avanços da CPLP. Isso acontece por meio da convergência daquilo que internamente definiram como sendo seu interesse nacional. É o consenso que dita a ação dentro da comunidade lusófona. Apesar de se reconhecerem na tradição política e institucional do direito romano e da própria religião católica, todos eles vivem realidades bastante díspares. Assim, é relevante também mencionar que a votação dos Estados-membros dentro da CPLP é consensual, dá o direito de veto a qualquer um dos componentes e, portanto, leva o grupo a, obrigatoriamente, pensar nos benefícios a serem gerados para toda a Comunidade – e suas diferentes populações –, enquanto consideram os próprios interesses.

Em função do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa – feito entre diferentes nações lusófonas, a sociedade civil se mobilizou. Somente ele é pouco. São necessários o “Acordo Educacional da Língua Portuguesa”, o “Acordo Anti-Corrupção da Língua Portuguesa”, o “Acordo da Fome da Língua Portuguesa”, o “Acordo de Desenvolvimento da Língua Portuguesa”, o “Acordo da Paz da Língua Portuguesa”, “Acordo de Promoção Cultural da Língua Portuguesa” entre tantos outros. É necessário que lancemos mão da língua portuguesa para construirmos um mundo melhor. E ela é forte. Da nossa língua, vê-se o mar.

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Ao ensejo desse esforço conjunto coordenado pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, aproveito para lançar a idéia de um novo espaço. Com ele, acredito que a aproximação dos imortais escritores dos oito países de língua portuguesa, seja também a aproximação das idéias, dos esforços e, sobretudo, da história de todos os povos lusófonos. Disponho-me, fraternamente, para que trabalhemos na fundação de uma Academia Lusófona de Letras.

Os Sete Poemas:POEMA N.º SEIS

Senhor,
SEIS é o Amoroso sentado
Em divino trono,
Mas que às pressas teve de fazer
Longa viagem e ainda não voltou.
Vestiu-se de namorado,
Porque, em verdade
Não era esposo.
Entretanto, sua Dama
Não o deixaria só;
De modo que, Senhor,
Eis a criação dos Anjos
Vestidos de homens
E alguns homens
Vestidos de Anjos.
Senhor, eis a beleza!
SEIS, Senhor,
É duplo de três:
Três em baixo e três em cima;
Quem tal mistério compreender
Unindo-os, será um vencedor;
Separadamente, o de baixo
Verá tudo mal mau e feio;
E o de cima, dirá:
Bem, Bom e Belo.
SEIS, Senhor,
É o cântico dos cânticos
Aos quais poucos podem ouvir;
Mas quem ouve
E finge não ouvir
Não se mistura aos Anjos
Que à terra desceram
Para rir com os homens.
Louvado seja Senhor,
O Excelso Arcano Maior
Exaltado pelo Meigo Namorado,
Que ao lado de sua Dama,
Derrama as bênçãos do céu
Sobre a terra.

Texto para o volume de Homenagem a Eduardo Abranches de Soveral (conclusão). Um dos próximos volumes da Colecção NOVA ÁGUIA...

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“Vamos directos para a questão filosófica de fundo que estas questões levantam. Trata-se do velho problema de saber se às entidades colectivas e genéricas pode ser atribuída a existência e, consequentemente, os predicados que lhe são próprios.
Se levarmos na devida conta o princípio dos indiscerníveis de Leibniz, haveremos de concluir que só atingem a necessária densidade ontológica para existirem os seres que possuem predicados exclusivos e intransferíveis. E assim só existem verdadeiramente seres espirituais dotados de consciência e liberdade.
Dizer, pois que a Raça [que – salienta ainda Eduardo Abranches de Soveral – não tem para Pascoaes um sentido estritamente biológico e se aproxima muito do conceito de Povo] e a Pátria, possuidoras de alma própria, existem, é certamente uma afirmação excessiva, mas não destituída de sentido. Os colectivos conaturais à condição terrena do homem, e mesmo aqueles que a cultura vai forjando, não são simples nomes ou quimeras mas possuem uma certa consistência ôntica que lhe advém do facto de possibilitarem relações inter-subjectivas que ampliam e enriquecem os homens.”
[1]

Eis a tese que queremos aqui, enfim, salientar: a Pátria amplia e enriquece o universo ontológico dos homens, ela é fonte de mais ser. Poderemos, decerto, renegá-la – a nossa liberdade permite-o, irredutivelmente. Mas isso torna-nos mais pobres, mais vácuos, quase uma pura abstração.
Ora, o homem não é, ou não é apenas, uma “pura abstracção”, mas um ser concreto, universalmente concreto, um ser que, de resto, será tanto mais universal quanto mais assumir essa sua concretude, a concretude da sua própria circunstância. A esse respeito, permitimo-nos citar um outro insigne Professor e Filósofo, Francisco da Gama Caeiro: “se admitirmos que o homem é, de algum modo, a sua circunstância – a circunstância orgânica (a par de outras, a família, a sociedade, etc.) é a Pátria[2].
Em grande medida, essa é igualmente a nossa perspectiva. Julgamos, com efeito, que o homem não é, ou não é apenas, essa “pura abstracção”, mas um ser concreto, universalmente concreto, um ser que, de resto, será tanto mais universal quanto mais assumir essa sua concretude, a concretude da sua própria circunstância. Dessa circunstância faz organicamente parte, como referiu Gama Caeiro, a “pátria”, isso que, segundo José Marinho, configura a nossa “fisionomia espiritual”[3].
Nessa medida, importa pois assumi-la, tanto mais porque, como escreveu ainda José Marinho, foi “para realizar o universal concreto e real [que] surgiram as pátrias”[4]. Neste Colóquio de Homenagem a Eduardo Abranches de Soveral, que nos seja permitido este repto final, tanto mais porque este repto é, a nosso ver, fiel ao seu pensamento. Com a ressalva de que, na esteira de Eduardo Abranches de Soveral e da sua afirmação de um “pensamento luso-brasileiro”, possamos e devamos, ao referirmos a nossa Pátria, falar da Pátria luso-brasileira, mais amplamente ainda, da Pátria Lusófona.

[1] In “Sobre o pensamento político de Teixeira de Pascoaes”, Revista da Faculdade de Letras, Porto, 2004, p. 213.
[2] AA.VV., Ao Encontro da Palavra: homenagem a Manuel Antunes, Lisboa, FLUL, 1986, p. 40.
[3] Cf., a título de exemplo, Estudos sobre o pensamento português contemporâneo, Lisboa, Biblioteca Nacional, 1981, p. 19: “Os povos, como nascentes e manifestações terrestres do espírito, têm iniludível fisionomia espiritual, embora esta se configure de modo menos apreensível que o expressivo rosto dos homens singulares.”.
[4] Cf. O Pensamento Filosófico de Leonardo Coimbra e outros textos, “Obras de José Marinho”, vol. IV, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2001, p. 502.

Cadernos de Estudos Sefarditas

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Cátedra de Estudos Sefarditas «Alberto Benveniste»
Faculdade de Letras - Universidade de Lisboa


Centro de Documentação


Informamos os investigadores e demais interessados que já se encontra on-line a
revista Cadernos de Estudos Sefarditas.

Basta aceder ao website em:

Centro de documentação:
http://www.catedra-alberto-benveniste.org/documentacao.asp?tab=3#t

ou

Na edição da revista, em:
http://www.catedra-alberto-benveniste.org/documentacao.asp?tab=3&id=14

HOJE, NA ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DA SILVA

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Hoje, pelas 19h, no espaço da Associação Agostinho da Silva, o escritor Mateus Soares de Azevedo irá apresentar o seu mais recente livro, “Homens de um livro só”, bem como a recente tradução para a língua portuguesa do livro de Frithjof Schuon, “A Transfiguração do Homem”.Mateus Soares de Azevedo irá ainda proferir duas breves palestras. Na primeira, intitulada “Esoterismo e Exoterismo no Sermão da Montanha”, apresentará uma interpretação “perenialista” de um dos textos mais importantes da tradição cristã.A segunda prelecção tem, de alguma forma, um carácter mais político-religioso e centra-se na tentativa de resposta à questão "Estará esgotado o papel histórico dos Estados Unidos da América?”. Mateus Soares de Azevedo enquadra a resposta no cenário internacional actual e com a função do fundamentalismo islâmico e do sionismo.

Próxima quarta...


Lágrima do Sul



«Chorar é arder no lume do Purgatório, - uma purificação deslumbradora! Duas sensações irmãs: o deslumbramento e o alívio. É o alívio da criação, o da mãe ao ver pousar, no berço, o filho que trouxera nas entranhas! E o de Rafael ao ver, numa tela, a Madona que se lhe pintara na fantasia. É a mesma treva que se ilumina, e nos mostra esse jardim do Éden encantado em cada deserto, como se cada areia do deserto escondesse uma gota de orvalho, e a sede ardente a fresca fonte.
(...) O riso, que é luz, brilha nas lágrimas; e adquire, no seio daquelas gotas cristalinas, a força explosiva (...).»
Teixeira de Pascoaes, Ensaios de Exegese Literária e Vária Escrita

«Uma lágrima é a melhor poesia.
É esse o soberano poema da mulher - a Piedade.»
Antero de Quental, Prosas da Época de Coimbra



«E há muito sol que nunca amanheceu»
Teixeira de Pascoaes

Trans-Pátria - Para uma sabedoria da metamorfose

"Os povos, culturas, civilizações, tal qual os homens, não conseguem começar a realizar-se senão limitando-se. Este é, ao mesmo tempo, o modo como surgem para a vida e caminharão para a morte. Tendendo a fechar-se numa exígua e aniquiladora maneira de ser ou conceber, esquecem que aquela limitação pela qual se tornaram possíveis e atingiram a grandeza é a mesma pela qual morrem, quando deixam de a tomar como processo e a tomam como fim. Isto caracteriza, no entanto, os povos, culturas, civilizações, como os homens singulares: obstinam-se em manter-se por aquilo mesmo que os tornou possíveis, esquecendo ou ignorando que para nós, homens, no seio da arquipotente Natureza e perante a subtil solicitação do incriado, só persiste o que incessantemente se renova. "Não iremos além", clamam os pusilânimes no doloroso seio das metamorfoses. Isto significa que o sentido autêntico de verdade os desertou e, com ele, a potência de ser e subsistir"

- José Marinho, Aforismos sobre o que mais importa, Obras, I, edição de Jorge Croce Rivera, Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1994, pp.298-299.

Eis um trecho de um verdadeiro filósofo, expoente maior do pensamento português, lusófono e universal e, por isso, escassamente lido e parcamente compreendido, por aqueles mesmos que o lêem.
Fique este trecho, neste blogue adormecido, para despertar todos os que tomam por definitiva e perene, e como um fim e valor em si, a forma transitória e contingente de um ser, uma pátria, uma cultura ou uma civilização. Ai de quem não for Proteu, o deus da metamorfose, figura paradigmática do ser universal, como o grande Antero de Quental anunciou!...

CAPA DO PRÓXIMO TÍTULO DA COLECÇÃO NOVA ÁGUIA...


Diário da NOVA ÁGUIA: 29 de Abril...


Dia longo. Começou no Porto, onde ontem decorreu mais um lançamento da NOVA ÁGUIA. No Ateneu Comercial – no qual a sua actual Presidente, Virgínia Veiga, nos fez uma visita guiada. E os tesouros bibliográficos que por lá existem…

Sessão participada, que contou com a intervenção de António Braz Teixeira. Findámos com a promessa de voltarmos, uma vez mais, àquele espaço, no segundo semestre, para apresentarmos o quarto número…

Dia longo. Acabou em Lisboa, no Bairro das Ex-Colónias, na Rua do Zaire, num restaurante goês, a falar sobre a Lusofonia em Timor…

Sessão também participada, que teve como orador principal o nosso António José Borges…

Dia longo. Que passou, como (quase) sempre, pela Associação Agostinho da Silva, por onde também passou uma amiga da Galiza…

De uma forma ou de outra, a Galiza aparece sempre. Porque será?

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

GUINÉ


Elephant Drinking (Amboseli), Nick Brandt, 2007


Terra, que és minha, dentro do teu ventre fui

Como uma nau a crescer no ouro-espelho da praia,

Inconcluso, abandonado, escombro, ruína antes

De o ser, feto de búzios no azul de gruta funda,

Uma estranha tapeçaria branca que as Balantas

Estenderam no feitiço. Eu era, eu sou, leopardo

De neve, impossível na raridade e na solidão

Dos monstros sem lar, africano sem me deixarem

Os exílios altos dos imbondeiros, com os Fulas

De bicicleta a perguntar: Nasce, nasce o menino?

Nasce, nasce sim, para além do mar que é tabu,

Numa Irlanda que não é a Irlanda, os silvos e

As chaminés das fábricas e os portos, os portos,

Os navios a partir e a chegar. Saudade, sempre,

Da minha terra que não vem, Mãe Negra, carícia

No poente vermelho de todos os elefantes tristes,

Mestres, que sabem que há um só lugar para morrer.

Jesus Carlos

Concurso Internacional Literário Cinquentenário da criação do Movimento Elista

(para ler, clicar sobre a imagem)

Texto que nos chegou...

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Considerações sobre a Gripe Suína


Mais uma sequela de um Filme, cujo argumento é manifestamente inferior ao da Gripe das Aves. Aponto deste modo algumas falhas de argumento (e muitas mais se podem com tempo e reflexão mais avisada que a minha apontar), concluindo que estes senhores – os Senhores da Via do Terror – já nem se dão ao trabalho de construir uma história com um mínimo de coerência. Ou talvez achem que com a falta de capacidade intelectual da "turba malta", esta já engole qualquer patranha desde que destile medo e se possa amplificar pelos inúmeros seres acéfalos que por aqui pairam...

Falhas:

* A gripe é uma doença com carácter sazonal que ocorre com mais incidência nos países temperados do que nos tropicais, onde a elevada temperatura anual (baixa amplitude térmica) e a existência de outros vírus naturais que dominam essas zonas torna fraca a possibilidade de infecção desta, como acontece no caso do México. Nos países nórdicos, Canadá e na Rússia, que pelo facto de serem muitos frios aproximadamente (esta última ao longo de 9 meses), a probabilidade de ocorrência de tais infecções incide sobretudo no Verão, daí que tal como a gripe das aves, se se lembrarem de assinalar por lá uma pandemia da gripe suína nesta altura se torna de todo incoerente. Posto isto é muito curioso verificar que os surtos das gripes se dão sempre ou no início do Outono ou na Primavera, coincidindo com a sua ocorrência natural nos países temperados, isto é na Europa (mais a sul) e nos EUA, onde interessa que o medo se propague e onde se encontra o mercado que traz mais valias às indústrias farmacêuticas.
* Estas “pandemias” têm início sempre, com excepção da famigerada Peste Negra (que permitiu curiosamente o Renascimento e o crescimento económico na época...), nos países do terceiro mundo onde morrem sempre inúmeras pessoas, repentinamente e sem hipóteses de salvação, sempre com o espectro do medo de já “haver indivíduos” infectados nos países do primeiro mundo, isto é EUA e Europa.
* Sabendo que hoje existem observatórios de epidemias em áreas de potencial perigo e com vigilância apertada em tempo real em todo o mundo (todos os dias com mapeamento do globo e com zonas demarcadas das doenças e vírus por região), que podem limitar com devido tempo a propagação de um vírus como o Ébola (além de serem fontes de "novas necessidades" para as indústrias farmacêuticas), como é que deixam escapar uma gripe suína? Se é assim o que estão a fazer?
* Como é que se caracteriza por pandemia de grau 4 (já com fortes possibilidades de ser em breve 5) uma doença que matou à data (e acreditando nos media...) 73 pessoas à escala mundial? Quantas pessoas mata a malária por dia no mundo? Alguém se preocupa com isso? Alguém deixou de viajar para zonas onde basta tão só a picada de um mosquito para serem infectados?
* A gripe é uma epidemia natural nos sul americanos descendentes dos índios, que como se sabe foram dizimados pela gripe que os Europeus levaram inconscientemente ou conscientemente para funções militares como os conquistadores Espanhóis.
* Onde estão os inúmeros suínos mortos pela gripe antes da transmitirem aos humanos (dada a estreita compatibilidade genética e estrutural entre o homem e o porco), as instalações fechadas em todo o mundo e as mortes a incidir nos profissionais da suinicultura?
* Como é que se podem escrever notícias que ferem o sentido de racionalidade como "Já morreram no México 203 pessoas provavelmente devido ao vírus da gripe suina, apenas duas pessoas confirmadas". Como é que profissionais de saúde que tenho por pessoas de um elevado sentido crítico e capacidade intelectual podem entrar em pânico com notícias como esta? Já se lêem notícias para não associar a gripe aos suínos (para não atingir o consumo deste produto é claro) ver http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1101000-5602,00-UE+DEFENDE+NAO+ASSOCIAR+GRIPE+A+PORCOS.html - que grande confusão! "Gripe suína mantém petróleo abaixo dos 50 dólares" ver http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=365248 ; aqui já se começa a fazer alguma luz!

Quem beneficia com a história?

Farmacêuticas, estabelecimentos de saúde privados, empresas de fabrico de material hospitalar (máscaras, luvas, vestuário), os media e agências de publicidade com os ratings dos shares destas, bem como os serviços de segurança que vêem mais uma probabilidade de apertarem os cerco às liberdades do indivíduo. Será mais uma forma de activar a economia mundial, que como veio a público já dá sinais de poder acabar já em 2009 a crise financeira? Será que os meios justificam os fins?

Método:

Condicionamento pelo medo, pelo acantonamento dos rebanhos "humanos" próprios das estratégias dos oligarcas do Velho Mundo que teima em sobreviver, no sentido do domínio e do lucro a todo o preço.

Fica esta proposta de discussão a bem da razão e da independência do pensamento que faz de nós Homens Livres num Mundo que teima em manter os seres Humanos ao nível das “bestas de carga”.

A mundialização segundo Bresser-Pereira

.
Bresser-Pereira, Luiz Carlos. Mondialisation et compétition. Pourquoi certains pays émergents réussissent et d'autres non. Paris: Éditions La Découverte, 2009. 196p.

O economista brasileiro, cuja reputação ultrapassou as fronteiras do seu continente de origem há bastante tempo, nos apresenta um livro que é uma obra maior sobre as estratégias de desenvolvimento dos países do Sul, principalmente daqueles de renda média, apoiando-se em uma comparação entre os bons resultados na Ásia e os fracassos na América Latina. O autor alia qualidades acadêmicas de professor e uma experiência de ministro sob as presidências de José Sarney (Fazenda) e de Fernando Henrique Cardoso (Reforma do Estado, Ciência e Tecnologia). Seu livro, prefaciado por Robert Boyer, já provoca debate na França, porque não hesita em revisitar, de maneira incômoda, as questões essenciais que estão no coração do desenvolvimento dos países emergentes ou com possibilidade de se tornarem emergentes — países que se veem confrontados com uma globalização real que não têm possibilidade de mudar.

Ele já se destacou como um dos pioneiros da crítica à ortodoxia convencional (o consenso de Washington) no início dos anos 1990, salientando a estagnação que ela implicava. Ele nos apresenta uma apaixonante releitura das trajetórias adotadas nos últimos 30 anos nos países do Sul. Seu diagnóstico é sem apelação e serve de alimento para os debates sobre as formas de acumulação. Os caminhos seguidos com sucesso pela Índia, China, Coreia do sul, Taiwan ou Vietnam demonstraram a importância do Estado-nação, só ele capaz de definir de levar adiante uma estratégia nacional de desenvolvimento. Compreendem-se seus ataques contra o globalismo "que faz o elogio da globalização e afirma que o Estado-nação não tem mais razão de ser". De acordo com sua perspectiva, a globalização é uma oportunidade para os países de renda média, mas aumenta as desigualdades no interior dos países e beneficia principalmente os ricos dos países desenvolvidos.

Bresser-Pereira rejeita a globalização financeira e aconselha os países a se precaverem e evitar ao máximo o recurso à poupança externa, fonte de perda do controle sobre a taxa de câmbio, mas apoia a globalização comercial, que pode se tornar uma oportunidade para os países em desenvolvimento, desde que eles mantenham sua taxa de câmbio competitiva, ou seja, não apreciada. A seus olhos, esta é uma variável-chave sobre a qual é necessário manter o controle e assim poder enfrentar a competição internacional. Esta estratégia deve ser completada por uma política fiscal e orçamentária sadia, a fim de se manter a taxa de juros em um nível moderado.

Bresser-Pereira desenha os contornos de um quadro teórico que visa a renovar a contribuição da "escola estruturalista", ao definir as características principais de um "novo desenvolvimentismo" que ganha terreno na América Latina. Toma cuidado em se diferenciar das experiências do passado, tanto aquelas da ortodoxia convencional, que conduziram o continente à quase estagnação e a uma "década perdida", como aquelas do "nacional-desenvolvimentismo", que se esgotaram em sua política de substituição de importações e entraram em colapso diante da crise da dívida externa nos anos 1980.

Apela, portanto, para um "terceiro discurso". Político sofisticado, sabe que os três pilares de sua estratégia — mobilizar a poupança interna, manter a taxa de câmbio competitiva e sanear as finanças públicas — pressupõem um consenso nacional forte e um jogo de alianças políticas sólidas. Mas o continente latino-americano, cujas elites sempre manifestaram uma tendência generosa para se aliar às elites globalizadas, e cujas classes populares ou marginais têm uma tendência para ver o resultado antes de dar apoio — estará esse continente disposto a se engajar em um consenso? O autor faz uma aposta estimulante.

Michel Rogalski é diretor da revista Recherches Internationales. Este texto foi publicado originalmente em L'Humanité, 20 abr. 2009.

Manuel Alegre e a presença militar portuguesa no Afeganistão e na Guiné-Bissau


(Severiano Teixeira passa revista a militares da Polícia Aérea no Afeganistão em http://www.tvi24.iol.pt)

Recentemente, Manuel Alegre emitiu críticas à postura da diplomacia portuguesa quanto à prioridade dada em relação ao Afeganistão frente a outras áreas que deviam estar mais altos nas prioridades da nossa diplomacia, referindo-se explicitamente à situação presentemente vivida na Guiné-Bissau e que daria azo à Petição em prol da Construção de um Estado de Direito Democrático na Guiné-Bissau da lavra do ex-primeiro ministro Francisco Fadul e patrocinada pelo MIL. Manuel Alegre declarou que Portugal devia estar "mais atento à estabilização da Guiné" do que apressar-se em "embarcar em aventuras que nada têm a ver com a nossa tradição e a nossa história" e ainda que "Não tem sentido que, numa situação de crise que exige a mobilização dos nossos escassos recursos, o ministro da Defesa venha defender o reforço do envio de tropas portuguesas para o Afeganistão".

Alegre referia-se à decisão de reforçar o contingente português em operação na dura guerra afegã contra os insurgentes talibãs que procuram reestabelecer um regime extremista islâmico nesse país do Médio Oriente, conhecido pela sua capacidade para colocar "impérios de joelhos", desde o parta ao britânico, terminando no soviético, na década de oitenta. É certo que à primeira vista, os interesses portugueses no Afeganistão são muito laterais e secundários e prendem-se no essencial no cumprimento de deveres e obrigações para com os nossos parceiros na OTAN. É também certo que a situação na Guiné-Bissau é mais prioritária na defesa não somente dos interesses da Lusofonia, mas sobretudo, na melhor defesa dos interesses da populações locais contra as narcomáfias que efetivamente governam o país. Concordamos com Alegre na sua visão crítica das prioridades da nossa diplomacia e o papel muito passivo e demasiado discreto do MNE na preocupante crise guineense reflete a política errada e desnorteada de um Governo que ainda acredita que "Espanha" é a nossa prioridade e que ainda não percebeu que Portugal, se tem que sair deste marasmo social e económico em que está atolado à décadas só sairá agregando os seus esforços aos do Brasil e de Angola, alinhando ao seu lado, numa caminhada de desenvolvimento económico, social e político que torne a Lusofonia e nela, a CPLP, o modelo mundial de um novo de sociedades políticas e na primeira confederação trans-continental realmente democrática, anti-imperialista e paritária.

O antigo candidato presidencial tem ainda mais razão quando afirma que "É tanto mais absurdo quanto o mesmo ministro ainda recentemente afirmou recusar o investimento militar português em África, ainda que no quadro da CPLP. E no entanto a estabilização da situação militar e política na Guiné é muito mais importante e urgente para nós do que o Afeganistão" e que "em vez de embarcar em aventuras que nada têm a ver com a nossa tradição e a nossa História e muito menos com a nossa segurança, seria interessante que, no quadro da CPLP, em conjunto com Angola e Brasil, tomássemos iniciativas que valorizassem a nossa posição no Atlântico Sul. A Guiné seria um bom ponto de partida. Mas para isso era preciso definir outras prioridades para a política externa portuguesa. E pensar português".

Defendemos que Portugal não deve estar ausente no Afeganistão. Não temos dúvidas que se um dia o Afeganistão regressar à tirania talibã, não somente o seu povo será novamente submetido a um dos regimes mais opressivos e inumanos da História, como o seu território tornará a servir de santuário para que terroristas lancem a partir daqui ataques contra civis em países ocidentais, não estando Portugal isento dessa posição de alvo, pela sua simples pertença à OTAN, pela sua situação como "país cristão" e, logo, "infiel" aos olhos destes radicais e até porque nalgumas declarações de responsáveis da Al Qaeda a Península Ibérica surge como "terra islâmica" que há que recuperar.


Fontes:
http://www.micportugal.org/index.htm?no=10001363
http://www.manuelalegre.com


Os Sete Poemas: POEMA N.º CINCO

Peregrino,
CINCO são as janelas dos sentidos,
Por onde bebes o licor da vida
Que passa lá fora.
CINCO são os dedos de cada mão,
Para com as duas
Construíres belas obras, honrando-as.
CINCO são os dedos de cada pé,
Para que sem espinhos
Possas seguir sobre eles o teu caminho,
Ao encontro do teu Senhor.
CINCO são as setas apontando
Nas CINCO direções:
As tuas pernas, para o centro da terra;
Os teus braços, para o horizonte
Sem fim;
E a tua cabeça, em direção ao infinito.
CINCO é o pentagrama sagrado,
Que te concedeu o direito
De seguires ereto.
Peregrino,
QUINTO é Aquele Senhor pregado
No trágico madeiro, de onde tu,
Com a tua redenção,
De lá o farás descer.
QUINTA é, portanto a essência da rosa,
Belíssima, feminina, no centro da cruz.
QUNITO é o continente
Onde ela já desabrochou
E corre nos parques e nas creches.
QUINTO é o excelso arcano,
A servir de ponte entre o céu e a terra.
QUINTO é o hálito
Que anima a quintessência.
QUINTO é o facho luminoso,
Do qual serás tu digno portador.
QUINTO
É o teu mais secreto e grandioso
Poder oculto.
Peregrino,
QUINTO será o teu próximo passo,
Mas por ser esse o caminho
É que por ele peregrinarás sem fim.
Ah, fim tivesse! Não terias tu andado
E não terias chegado até aqui.
Caminha, então, peregrino!
Vai ao encontro de ti.

11º Encontro Inter-Religioso de Meditação - Hoje - 29 de Abril - 19 h

A União Budista Portuguesa convoca toda a comunidade budista e não budista a associar-se a este 11º encontro de praticantes de diferentes tradições e religiões para vivermos, em silêncio meditativo, a experiência da presença em comum perante o que para cada um for mais sagrado.

Lembramos que este encontro - cuja feliz iniciativa partiu da Comunidade Mundial para a Meditação Cristã e que foi por todas as principais comunidades religiosas portuguesas entusiasticamente recebida - corresponde plenamente ao compromisso que a União Budista Portuguesa recentemente assumiu com Sua Santidade o Dalai Lama de tudo fazer para promover a harmonia inter-religiosa em Portugal, um dos próprios empenhos fundamentais de Sua Santidade.

Começaremos com breves leituras de textos representativos da espiritualidade de cada tradição, intervalados por três minutos de meditação sobre cada um, seguindo-se 25 minutos de meditação em silêncio. No final haverá a possibilidade dos participantes partilharem a sua experiência.

Contamos com a vossa presença e divulgação desta experiência pioneira em Portugal.

Para que o diálogo inter-religioso se enraíze no silêncio inter-religioso e na experiência da Paz profunda.

Pela Direcção da UBP

União Budista Portuguesa
Calçada da Ajuda 246, 1º Dtº, 1300-012 Lisboa
Tl: 213 634 363
sede@uniaobudista.pt
www.uniaobudista.pt

Autocarros Carris 732, 729, Eléctrico 18 - sair em frente ao Jardim Botânico da Ajuda.)

Aos Filhos Do Sol



«Mais de 100 anos passaram
eu ainda recordo
os tambores que ao longe
um dia me chamaram.
Trouxe a águia a mensagem
que o corvo leu
liberada pelo vento
aos filhos do sol.

Vós podeis matar-me o corpo
e condenar-me a alma.
Devo eu pintar a face
ou fumar a paz.
Eu já dei a minha pena
à semente da terra
que os céus hão-de chorar
no ciclo da vida.»
João Portela

«Sou a voz do Futuro, essa voz que há-de ouvir
Tudo o que sonha e vive, o que estremece e sente!...»
Teixeira de Pascoaes, Jesus e Pã

Sobressaltos - "Quem quer que assim conheça que é Brahman, torna-se este inteiro [universo]"

"Quem quer que assim conheça que é Brahman, torna-se este inteiro [universo]. Mesmo os deuses não têm o poder de fazer com que não seja, pois ele torna-se o seu próprio si.
Por isso, todo aquele que reverencie qualquer outra divindade, pensando "Ele é um e eu sou outro", não compreende [correctamente]. É como um animal [sacrificial] para os deuses; e tal como muitos animais são úteis para o homem, assim é cada indivíduo humano útil para os deuses. Ser-nos roubado um único animal é desagradável. Quanto muito mais o é serem-nos roubados muitos! E assim aos [deuses] não agrada de modo algum que os homens saibam isto"

- Brihadaranyaka Upanishad, I, IV, 10.

serpenteemplumada.blogspot.com / www.pauloborges.net

Dia de índio


Terça-feira, 28 de Abril de 2009

António Aleixo (dois)




Nada direi, mas, enfim,
Vou ter a grande alegria
De a Arte dizer por mim
Tudo quanto eu vos diria.
PENSAR ABRIL III

Volvidos trinta e cinco anos,
Já não somos os mesmos!

Somos quaisquer outros.
Peregrinamos
Pelos espaços vazios do Mundo,
Avistando-nos com outro rosto.

O rosto da política
Da integração europeia
E da vã inclusão comunitária.

O rosto
Da moeda única,
Da adaptação
Ou da massificação ideológica.

O rosto
Da desagregação
Cultural e apátrida,
Sem identidade.

O rosto,
Cuja voz,
Já não sabe mais cantar
O hino nacional.

O rosto,
Cujos traços e cores,
Já não são mais
Os da nossa bandeira.

Volvidos trinta e cinco anos,
Já não somos os mesmos!

O que somos,
Então?

Um povo errante,
Ainda e sempre,
No resto da cauda do Mundo,
Que outrora conquistámos,
No preciso momento
Em que o perdemos?

Erguemos o Convento de Mafra,
Com o ouro vindo do Brasil.

Edificámos a Torre de Belém
E o Monumento das Descobertas,
Á custa de longas e saudosas lágrimas
Dos que sempre partiram,
Dos que nunca chegaram!

Qual Velho do Restelo
Se ousa,
Ainda,
Erguer?

Qual Adamastor
Povoa,
Ainda,
Os nossos mares?

Quais ondas alterosas
Se aprumam,
Nesse mar imenso,
Por onde não velejamos jamais?

Isabel Rosete
PENSAR ABRIL II

Trinta e cinco anos passados!
Restam-nos as memórias
Dos horrores da guerra colonial,
De uma sociedade que,
Em nome dos cravos vermelhos,
Um dia,
Ousou gritar:
Liberdade!

Liberdade:
Qual palavra de ordem
Que fez cair
Um regime
Pensado como
Eternamente enraizado!

Liberdade:
Qual palavra de ordem
Que arrancou,
Com todas as armas,
A tirania aos supostos opressores
De um poder adulterado.

Liberdade:
O sinal do dizer aberto,
Há muito ocultado,
Pelo véu da falsa ordem,
Há muito camuflado,
Sob a tríade
Deus,
Pátria
E Família.

Liberdade:
O sinal do dizer aberto,
Há muito velado,
Nos meandros da paupérrima cultura
De um Povo,
Que convinha manter calado.

Calado?
Sim, calado!
Em nome da ausência
Do espírito crítico,
Das mentes despertas
E do pensar astuto.

Trinta e cinco anos passados
E aqui estamos nós,
Quiçá,
Em uníssono,
A comemorar,
Sem milhares de cravos vermelhos,
Nas bocas das espingardas,
O grande acontecimento da Liberdade.

Isabel Rosete
PENSAR ABRIL I

Viva o 25 de Abril!
Viva a Liberdade!

Viva o Zeca,
Que nos fez acordar,
De uma longa noite de trevas!

Viva a voz audaz de um povo,
Até então,
Calado,
Adormecido,
Pelas vozes tirânicas,
De um poder sem dó!

Viva o 25 de Abril!
Viva a Liberdade!

Viva a consciência de uma voz
Aberta,
Enfaticamente,
Crítica e Redonda,
Que nos iluminou o futuro!

O futuro?
Que futuro?
O da política demagógica?
O da falsa democracia?

O futuro
Que já não se silencia?
O futuro da expressão
De todas as cores?
Do rosa, do laranja,
Do vermelho, do verde
Ou do amarelo?

Viva o 25 de Abril!
Viva a Liberdade!

Viva o eco de pensamentos outros,
Do diálogo
Ou da conversa fiada,
Da trama das ideologias
Ou da teoria da in-existência
De qualquer teoria!

Viva o Amor e a Paz,
Sempre adiadas,
Mesmo depois do ilusório apogeu
Da bem-dita guerra colonial,
Dos homens mutilados,
Dos corações de mulheres,
Des-pedaçados,
Das almas das crianças,
Órfãs,
Que assim nasceram
E cresceram,
Á luz da promessa,
Aprazada,
De uma nova idade…

Isabel Rosete

O Mar

«Ser apenas o Amor, não ser quem ama.»
Teixeira de Pascoaes

«Dai-me uma alma transporta de argonauta,
Fazei que eu tenha, como o capitão
Ou o contramestre, ouvidos para a flauta
Que chama ao longe o nosso coração,
Fazei-me ouvir, como a um perdão,
Numa reminescência de ensinar,
O antigo português que fala o mar!»
Fernando Pessoa

Ser apenas o que falo, não ser quem fala.


Sobressaltos - O que é um poeta?

"O que é um poeta? Um homem infeliz que oculta uma profunda angústia no coração, mas cujos lábios estão de tal modo formados que, quando um suspiro ou grito passa através deles, soa como música encantadora. O seu destino é como o daqueles infelizes que eram lentamente torturados por um fogo brando no touro de Falaris; os seus gritos não podiam chegar aos ouvidos do tirano para o consternar; para ele soavam como doce música. E as pessoas reúnem-se em torno do poeta e dizem "Canta de novo em breve" - o que significa: "Possam novos sofrimentos atormentar a tua alma...""

- Sören Kierkegaard, Ou... Ou... [Either Or: A Fragment of Life, London/New York, 1992, p.43].

Os Sete Poemas: POEMA N.ºQUATRO

Peregrino,
QUATRO são os animais
Da esfinge. Decifra-os:
Saber, querer, ousar e calar.
Estes são os teus desafios.
QUARO são os humores:
Linfático, Bilioso, Nervoso e Sangüíneo.
Tu identificas-te com um deles.
QUATRO
São as patas do javali sagrado.
QUATRO
São as fases da lua cujos raios
Belíssimos podem iludir-te.
QUATRO
São as lateralidades da cruz,
O verdadeiro símbolo da terra.
QUATRO são os vedas sagrados.
QUATRO
São os livros das tradições.
QUATRO
São os naipes do baralho,
Os arcanos menores da terra,
Para alguns jogos de sorte
Ou jogos de azar.
QUATRO
É também o arcano maior,
Na imagem do Imperador.
QUATRO
São as etapas dos iniciados,
No início da longa caminhada.
QUATRO
Vezes hás de cair e levantar,
Porque este é o ritmo da evolução;
E, quaternário é o ritmo da terra,
Que dá impulso ao peregrino.
Quaternário
Deve ser o ritmo da tua respiração.
Tu, peregrino, em QUATRO etapas
Do teu corpo terreno encerras
Teu ciclo de vida: infância,
Juventude, maturidade e velhice.
Mas não te prendas às QUATRO
Estações do teu corpo:
Eleva o Quaternário estado ao infinito
E renasce dos QUATRO reinos
Para a mente universal.

Hoje e amanhã, na FLUP...

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Instituto de Filosofia da FLUP
Research Group
"RAÍZES E HORIZONTES DA FILOSOFIA E DA CULTURA EM PORTUGAL"

ANTÓNIO BRAZ TEIXEIRA
Caminhos da ética no pensamento luso-brasileiro (séculos XIX e XX)

28 de Abril, Sala de Reuniões, 17h00

29 de Abril, Sala 101, 17h30

Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Entrada Livre

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Últimos três artigos do Manual do bom MILitante…

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x) o bom MILitante agrega sempre pelo menos uma pessoa por dia para o MIL. Se ao chegar a casa ainda não o conseguiu, fica à porta até o conseguir. Isto, obviamente, se estiver frio e a chover. De Verão, não vale. Ou melhor, valem só mais do que dois…

y) o bom MILitante chateia tanto toda a gente por causas da Petições MIL, que até consegue que a prima da tia da cunhada da sobrinha da mãe da irmã da empregada da vizinha as assine…

z) o bom MILitante, quando entra numa livraria, pergunta sempre pela NOVA ÁGUIA. Depois, se não estiver num lugar de destaque, ele mesmo “trata do assunto”. Obviamente, não a compra (já que, escusado seria dizê-lo, é assinante). E é preciso juntar o dinheiro para o tabaco, que está cada vez mais caro…

Acordo Ortográfico entrará em vigor "seguramente este ano"

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Acordo Ortográfico em vigor "este ano"O ministro da Cultura, José Pinto Ribeiro, assegurou este domingo que o Acordo Ortográfico entrará em vigor "seguramente este ano".
Em Belmonte, onde inaugurou o centro interpretativo e museu 'Descoberta do Novo Mundo', centrado no Brasil e na viagem de descobrimento de Pedro Álvares Cabral, o governante explicou que 'estamos a identificar todas as tarefas, dado que, uma vez em vigor, haverá um prazo de aplicação e adaptação de vários anos para que tudo aquilo que seja assimilado por todos nós'.
'Estamos a fazer um programa para tudo o que há a fazer até lá, ao nível do ensino, dos meios de comunicação social, dos livros, para que tudo seja feito sem rupturas, com grande tranquilidade e com grande liberdade e integração de toda a gente', sustentou.
O acordo ortográfico para vigorar tem que estar ratificado por um mínimo de três países, o que foi alcançado em 2006 com São Tomé e Princípe, Cabo Verde e Brasil. Agora é a vez de Portugal mudar as regras de escrita.

Fonte: http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=06FAB66D-A7FD-43E2-ACD5-10F072C2E181&channelid=00000021-0000-0000-0000-000000000021

Próxima quinta, na Associação Agostinho da Silva...

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No próximo dia 30 de Abril pelas 19h, no espaço da Associação Agostinho da Silva, o escritor Mateus Soares de Azevedo irá apresentar o seu mais recente livro, “Homens de um livro só”, bem como a recente tradução para a língua portuguesa do livro de Frithjof Schuon, “A Transfiguração do Homem”.Mateus Soares de Azevedo irá ainda proferir duas breves palestras. Na primeira, intitulada “Esoterismo e Exoterismo no Sermão da Montanha”, apresentará uma interpretação “perenialista” de um dos textos mais importantes da tradição cristã.A segunda prelecção tem, de alguma forma, um carácter mais político-religioso e centra-se na tentativa de resposta à questão "Estará esgotado o papel histórico dos Estados Unidos da América?”. Mateus Soares de Azevedo enquadra a resposta no cenário internacional actual e com a função do fundamentalismo islâmico e do sionismo.

Viriato - A Epopeia Lusitana



Da autoria de Teófilo Braga, antigo Presidente da República Portuguesa, a Zéfiro editou o romance histórico "Viriato - A Epopeia Lusitana".

Integrado na colecção "Clássicos Zéfiro", e com a chancela do "Projecto Apeiron" - destinado à edição de obras clássicas reconhecidas pela seu elevado prestígio cultural e literário -, dirigido por Dulce Leal Abalada e Eduardo Amarante, este livro relata a mítica história dos antigos povos lusitanos e do seu chefe heróico, Viriato.


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Em Maio, Semana da CPLP

Os Sete Poemas: POEMA N.ºTRÊS

Peregrino,
TRINA é a natureza do Logos único.
Dela surge o universo dos universos,
Em múltiplas formas
E matizes, em versos sem fim
De imagens, diferenças, espécies,
Níveis, pesos e dimensões.
TRÊS são os mundos, repartidos
Em infinitas casas.
TRÊS são as cores das coroas
Dos TRÊS Reis.
Porque são TRÊS as túnicas em seus
Augustos ombros, tecidas com as TRÊS
Qualidades da matéria cósmica.
TRÊS são os rios da poesia primordial.
TRÊS hão de ser os sóis porque os TRÊS
Reis estão em mundos diferentes.
TRÊS são os planetas sagrados.
De tal ciência deves revelar para ti
Mesmo o nome dos excelsos cavaleiros
Planetários.
TRÊS são as pessoas da Santíssima
Trindade.
TRÊS é a gênese do lar:
– Pai, Mãe e Filho.
TRÊS és tu próprio peregrino:
Corpo, alma e espírito.
TRÊS são as horas santas.
TRÊS são as iniciais daqueles
Gigantes espirituais – JHS (...)
TRÊS, peregrino, são tantas coisas!...
Se eu soubesse e te revelasse todas,
Milhões de bocas precisariam,
Sem, todavia de todas te falar;
Porque, o TRÊS, segundo o sábio,
Reina por toda parte. (...)

TU_________________PASCOAES

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o instrumento do sonho nunca foi tão mátreo quanto o ventre de uma montanha. em espírito de oratória. em poética a.deslumbrada de terra macia. no cumprimento quase álgido de retirar o osso ao verbo e ser mancha de combate no tempo que foi escravo de todos os desejos.espumoso e feito de urze o poema escorreu. ermal e marino no esconjurar de sílabas aparentemente mas só aparentemente dóceis.ficaram de bronze. arderam esbraseadas as metáforas. e resguardo-te hoje na lúcida ilusão de te saber mais pascoalino que o nome dos ramos . incógnita te sou o rosto mais claro do desvelo. desvio ágil de quem sabe seres a terra antes da semente. insurrecto o dilúvio do absoluto.ligamentos aéreos na língua que sendo luz foi divina. como um pássaro de espuma. a ser mar e oriente. mundo inteiro de repente.TU_______________Pascoaes..

Domingo, 26 de Abril de 2009

Destaques do lançamento de terça...

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http://www.ateneucomercialporto.pt/

http://www.portoturismo.pt/index.php?m=5&te=2&id=3643

http://poesisite.blogspot.com/2009/04/nova-aguia-no-ateneu-do-porto-o-poesis.html

http://www.cm-porto.pt/gen.pl?p=agenda

http://triplov.com/blog/?p=764

http://groups.yahoo.com/group/canal-hermes/message/2254

Carlos Gil, fotógrafo da Revolução


Carlos Gil Fotógrafo 1937 – 2001
Autor António Adriano Ano 2007

Carlos Augusto Gil nasceu a 19 de Maio de 1937, em Mortágua.
Foto jornalista por vocação e paixão, cidadão do mundo, foi fotógrafo das gentes e dos sítios de Lisboa, unindo o sua paixão pela pulsar da cidade à que nutria por Figueira de Castelo Rodrigo, terra de seus pais Augusto Gil e Cristina dos Reis Clara,onde passou toda a sua meninice e adolescência.
Carlos Gil casou a 4 de Dezembro de 1965 com Maria Judite Faria Cortesão Casimiro Gil, com quem teve 3 filhos, Filipe, Sofia e Daniel. Frequentou aescola primária em Figueira e concluiu o ensino secundário em Pinhel.
A sua paixão inicial foi o teatro. Entre 1957 e 1960, Carlos Gil colaborou com o Centro de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra (CITAC), e com o Grupo de Teatro Independente Teatro d'Hoje, também de Coimbra, de que foi um dos fundadores. Este gosto pela representação foi interrompido temporariamente quando o jovem estudante foi chamado a cumprir o serviço militar obrigatório, com oposto de alferes miliciano. Partiu para Timor, onde ficou entre 1963 e 1965,depois de uma breve estadia em Mafra e Lisboa.
No caminho para Timor, em Singapura, Carlos Gil adquiriu a sua primeira máquina fotográfica. Junto aos antípodas, na colónia mais longínqua do império, criou afectos e interesses pelo diferente, o exótico, pela outra face do mundo.Foi em Dili, onde esteve no comando do destacamento de Intendência, que Carlos Gil teve as suas primeiras experiências na área do jornalismo,colaborando com o jornal A Voz de Timor e com a Emissora da Radiodifusão de Timor, para a qual produziu, realizou e apresentou, programas culturais e de informação.
A sua paixão pelo teatro não estava esquecida e o jovem militar ajudou a fundar o Grupo de Teatro Experimental de Timor, levando à cena espectáculos vicentinos e outros.Regressado a Portugal, fixou-se em Lisboa.
O ano de 1968 foi um de viragem na sua vida. Frequentava então o 4.º ano da Faculdade de Direito de Lisboa,quando decidiu trocar os estudos das leis pelo jornalismo.Ingressou no jornal A Capital, com que colaborou até 1970, primeiro como repórter, iniciando-se mais tarde no fotojornalismo.
A leitura sempre foi um dos seus interesses.
Ao longo da vida sempre comprou muitos jornais e revistas, que coleccionava e gostava de ler enquanto fumava o seu cachimbo inseparável. No entretanto pertenceu ao Grupo Cénico da Faculdade de Direito de Lisboa,na companhia de Hélder Costa, Carlos Pinto Coelho, António Corvelo e JoãoMário Mascarenhas, com o qual participou no Festival Mundial de Teatro Universitário de Nancy, França, onde obteve uma menção honrosa. O 25 de Abril de 1974 achou-o na revista Flama, da qual, como repórter, fez parte da redacção semanal de actualidade.
Aí permaneceu entre 1970 e 1977, saindo para colaborar como assessor de imprensa na Junta de Turismo da Costa do Sol – Estoril. Neste espaço de tempo Carlos Gil foi ensaiando as suas primeiras contribuições na imprensa portuguesa e estrangeira, como fotógrafo e repórter freelancer. Carlos Gil foi um dos fotógrafos do 25 de Abril de 1974. Através da sua objectiva ajudou a documentar e a escrever parte da história da «Revoluçãodos Cravos».
Quando alguém o acordou e incitou a sair à rua na madrugada da revolução, mal imaginava que iria viver um dia em grande, gastar rolos e rolos de fotos, e largar a monotonia da sua vida profissional de até então, resumida atirar fotos de cortar fitas. Do cimo de um veículo do exército, o fotógrafo seguiu o percurso dos militares entre o Terreiro do Paço e o Largo do Carmo. Algumas datas do fotojornalismo português:1907/02 – Foi publicada a primeira foto num jornal português, O Comércio do Porto. Seis meses depois saiu a primeira foto no Diário de Notícias.1940 – André Salgado, do jornal Novidades, foi o primeiro repórter fotográfico a obter a carteira profissional do Sindicato Nacional dos Jornalistas.1956/Maio – Primeira exposição de repórteres fotográficos, na Casa da Imprensa.1975 – Foi atribuído o World Press Photo a uma foto portuguesa (imagem de um agente pide preso em Lisboa, 1974, pelos militares). Testemunha privilegiada da revolução, tomando o seu partido, contra a ditadura,pela liberdade e a felicidade.25 de Abril de 1974: Salgueiro Maia exige rendição de Marcelo; foto de CarlosGil. Do que se passou naquele dia serve de testemunho o livro Carlos Gil, UmFotógrafo na Revolução, coordenado por seu filho Daniel Gil, com textos de Adelino Gomes, 2004.
O livro inclui algumas das inúmeras imagens captadas pelo fotógrafo naquele dia, muitas das quais ficaram gravadas na nossa memória colectiva e na nossa consciência enquanto sociedade Sobre os repórteres fotográficos de Abril escreveu Fernando Assis Pacheco no seu volume de recolha das fotos da revolução, Portugal Livre, de 1974: «O mais belo flagrante delito da nossa vida fica registado nestas páginas, e não creio que o futuro venha a olhá-las distraidamente. (…) Para isso foi preciso que um grupo de repórteres fotográficos se transmudasse, na rua, em “rua”, enão cedesse à exaustão para manter desperta a ciência do flagrante. (…) Só que não abundam os bons repórteres fotográficos, por não abundarem os homens em disponibilidade contínua que eles têm que ser.»Canto popular no Coliseu, em Maio de 1974; foto de Carlos Gil (podemos verPadre Fanhais, Vitorino, Zé Jorge Letria, Manuel Freire, Fausto, Zeca Afonso,Adriano Correia de Oliveira)Em 1984, no 10º aniversário do 25 de Abril, Carlos Gil participou num documentário sobre Portugal, produzido pela RTB – Rádio Televisão Belga, para o qual elaborou o guião e entrevistas.Consciente do seu valor e profissionalismo, abraçou então em definitivo acarreira de freelancer, apenas interrompida entre 1980 e 1982, quando foi colaborador permanente do jornal diário Portugal Hoje, coordenando osuplemento semanal «Cooperação». Carlos Gil fez publicar trabalhos seus emvárias publicações internacionais, El País, Pueblo, Cambio 16, Manchete, O Fernando Assis Pacheco foi homenageado na toponímia de Lisboa através de edital de09/02/1999.3 Foi a experiência profissional de Carlos Gil como jornalista freelancer que conduziu a que os estatutos do Sindicato dos Jornalistas, do qual era sócio, viessem a reconhecer pela primeiravez essa categoria profissional.Cruzeiro e Der Spiegel, e nacionais, os jornais Diário de Lisboa, O Jornal,Expresso, Diário de Notícias, Jornal de Notícias, Sete, Tal & Qual, O Liberal,Jornal de Letras, e as revistas Mais, da qual foi editor fotográfico entre 1983 e1985, Sábado, Quatro Estações, Homem, Elan, Guia, e Tempo-Livre, da qualfoi editor fotográfico entre 1990 e 2001, ano da sua morte.Cidadão do mundo, Carlos Gil, que falava francês e castelhano fluentemente,privilegiou nas suas reportagens zonas de conflito armado e guerras de guerrilha.
É assim que dele recebemos fotos e notícias um pouco de todo o mundo, mas principalmente dos locais onde a guerra e a injustiça escreveram páginas negras da História, caso de Angola, Moçambique, Sara Ocidental,Curdistão, Beirute, Iraque, Panamá, El Salvador, Cuba, Costa Rica,Guatemala, Nicarágua, Líbia, Jordânia, Albânia, China, Argentina, México,Uruguai, Argélia e Marrocos, entre outros.Testemunho destas suas andanças por focos de conflito armado e da suapaixão pela América Latina, foi o seu livro de 1983, El Salvador, pelo Caminhodos Guerrilheiros. Carlos Gil escreveu e retratou num livro de guerra, com o seu olhar humanizado, pessoal, a sua vida junto dos guerrilheiros da FrenteFarabundo Marti4, de El Salvador. José Cardoso Pires iniciou o seu prefácio à obra com a frase «Há neste caderno de repórter a palavra e o olhar dumpovo».Sobre a sua experiência escreveu o fotojornalista: «Em El Salvador, cada homem de informação é um alvo a ter em conta. Os jornalistas defendem-se e vestem camisolas com frases estampadas: «Periodista, no tires!». Eu penso,que ingenuidade!...» ou ainda, relatando as dificuldades da vida com osguerrilheiros:
«Uma boa parte das deslocações pelo território da Frente Central era feita de noite, a pé, por caminhos adversos que não imaginava ser possívelatingir o seu termo. (…) Durante vários quilómetros, segui como um cegoagarrado à mochila do guerrilheiro que me precedia. (…)»A Frente Farabundo Marti para a Libertação Nacional foi um movimento de guerrilha criadoem 1980 para combater o governo salvadorenho de então. Desmobilizada em 1992, a FMLN é hoje um dos dois principais partidos políticos do país.José Cardoso Pires foi homenageado na toponímia de Lisboa através de edital de18/11/2003.«A eles, aos repórteres fotográficos, se devem algumas das imagens mais totais dosacontecimentos contemporâneos. Aqueles que permanecem para além dos textos e dos títulos.Lisboeta por adopção, Carlos Gil nunca esqueceu as origens. Sempre que asua exigente profissão o permitia, o fotógrafo passava uns dias a descontrair e a retemperar as forças em Figueira de Castelo Rodrigo, terras de Riba Côa,região acerca da qual acalentou ao longo da vida o projecto da edição de umroteiro fotográfico, o que não viria a concretizar. No entanto, já em 1990, ofotógrafo colaborara com João Rodrigues na edição do roteiro Por Caminhos de Santiago, fruto da paixão pela descoberta dos caminhos perdidos de Portugal, neste caso os antigos caminhos de uma antiga peregrinação, muitosdeles redescobertos na obra dos autores. Na sua obra fotográfica Excluídos, de 1999, emergiu novamente a semprepresente consciência social e forte sentido de cidadania do fotógrafo,capturando com a sua objectiva imagens singulares dos desfavorecidos deLisboa.
A crítica e a solidariedade avançam neste volume, a par e par, gerandoresponsabilidades, legando um olhar doloroso, questionando sempre.Profissional com uma vasta experiência, que nutria um grande interesse pelacultura e os povos árabes, Carlos Gil foi uma personagem actuante no Médio Oriente ao longo da década de 90 do século passado. Nas vésperas do inícioda Guerra do Golfo , as suas crónicas feitas a partir de Bagdad, Iraque, em Janeiro de 1991, enriqueceram os serviços noticiosos da RTP. Ao longo da guerra colaborou com televisões e jornais, emitindo crónicas radiofónicas a partir de Bagdade e Amã. No primeiro aniversário da guerra as suas reportagens foram incluídas num programa especial de uma hora, no qual participou. Fez trabalho de consultor para temas do Médio Oriente, ligado à RTP, e em 1995 fez a cobertura das eleições no Iraque, para a RTP, TSF eSIC, sobre as quais apresentou dois documentários na televisão portuguesa,produzidos para a SIC. Carlos Gil fez questão de partilhar a sua vasta experiência profissional, aocolaborar com o Centro Protocolar de Formação de Jornalistas, CENJOR, naformação profissional de jornalistas e candidatos a jornalistas, nas áreas deOs que ficam impressos na memória de uma bela foto e que ultrapassam os limites do espaçoe do tempo. Na nossa memória». In O Fotojornalismo Hoje.Primeira Guerra do Golfo (2/8/1990 – 28/2/1991).Fotojornalismo e Reportagem, orientando em paralelo cursos de iniciação aojornalismo em organizações não governamentais para a juventude. Conscientedas dificuldades da profissão que abraçara, quando os alunos lhe perguntavam qual a máquina ou lente ideal para se fazer uma boa fotografia, respondia,invariavelmente com um sorriso, que o mais importante era ter umas boas botas.Participou no III Congresso Internacional do Jornalismo da Língua Portuguesa,1997, organizado pelo Observatório da Imprensa, no âmbito do qual teve a seucargo a organização do tema «Fotojornalismo e Novas Tecnologias». No mesmo ano, Carlos Gil empenhou-se no projecto «Explor’Art - Jovens criadores na Cidade», no âmbito do qual 70 jovens de Portugal, Espanha e França,apresentaram trabalhos subordinados ao tema «Descobrir os Descobrimentos», num projecto da Comissão Europeia, desenvolvido em Lisboa pelo Centro Nacional de Cultura.Carlos Gil apresentou o seu trabalho em várias exposições fotográficas: «Volta ao Mundo em 80 Fotos», exposição comemorativa dos 25 anos doFotojornalismo em Portugal; «O Caminho dos Guerrilheiros», sobre ElSalvador; «Irakopotâmia», sobre o Iraque; «Crianças sarauis», sobre a luta dopovo do Sara Ocidental; «Fotógrafos da Agenda», Lisboa, 1993; «PrimaveraFotográfica», Algarve, 1995; «Olhares», exposição comemorativa dos 30 anosdo Fotojornalismo, Biblioteca Museu República e Resistência, 1997; «Excluídos- Realidades do Fim do Milénio», Cordoaria Nacional, 1998, a qual antecedeu aedição do livro em 1989; «Casal Ventoso (No Vendaval da Mudança)»,Colombo, 1999.Foi autor do texto e fotos das seguintes publicações: Portugal e os seus cavalos, 1980; El Salvador, O caminho dos guerrilheiros, 1983; O Comércio deLisboa, 1989; Por Caminhos de Santiago, 1990 (1ª edição); Lisboa em Voo deBalão, 1998; Excluídos, 1999; Viver Timor em Portugal, 1999.Carlos Gil teve a sua obra fotográfica publicada em várias obras de referência:Portugal Livre, de Fernando Assis Pacheco, 1974; Fotography Year Book,1975; À descoberta de Portugal, 1982; Fotografia Portuguesa 1970-80, 1984; OMundo em Azert, 1984; A Quinta do Recreio do Marquês de Pombal na Vila deOeiras, 1987; História Contemporânea de Portugal, de João Medina, 1988; OFotojornalismo Hoje, 1989; Por Terras de Portugal, 1992; Portugal Século XX,de Joaquim Vieira, 1999; Templos de Lisboa, 1.º e 2.º volumes, 2001, e NaRota das Judeus, guias do Centro Nacional de Cultura; Mercado 24 de Julho,edição da CML; A pobreza Infantil em Portugal, trabalho de Manuela Silva, como patrocínio da UNICEF; Carlos Gil - Um Fotógrafo na Revolução, de Daniel Gile Adelino Gomes, 2004. É da sua autoria a foto escolhida para capa da ediçãoportuguesa do livro O Sorriso do Jaguar, de Salman Rushdie.O fotógrafo foi distinguido com vários prémios, entre os quais o «PrémioRepórter do Ano», do programa televisivo «Festa é Festa» de Júlio Isidro,1983, o «Prémio Gazeta do Jornalismo», 1984 e 1985, o «Troféu Nova Gente»,1985, e o «Prémio Ibn Al Haythem8», Bagdad, nos anos de 1996 e 1997.Carlos Gil morreu em Lisboa no dia 3 de Junho de 2001. Tinha 64 anos.A Câmara Municipal de Lisboa, na sua reunião de 6 de Junho de 2001,aprovou por unanimidade uma moção de pesar pelo seu falecimento, ficando deliberado que Lisboa prestaria homenagem ao cidadão do mundo, jornalista e fotógrafo Carlos Gil, atribuindo o seu nome a uma artéria da cidade. Esta homenagem concretizou-se através de deliberação camarária de 19/12/2001 eedital de 26/12/2001, na freguesia de Marvila, local onde foram homenageado stoponimicamente através do mesmo edital os pintores Eduarda Lapa, MárioBotas, Luís Dourdil, Artur Bual e Severo Portela, os escritores Luís de SttauMonteiro e Jorge Amado, o arquitecto Alberto José Pessoa e o sociólogo Gilberto Freyre.Na freguesia de Marvila, Carlos Gil partilha ainda o espaço toponímico com os jornalistas Ricardo Ornelas e Álvaro de Andrade 0, o escultor Faustino José Rodrigues , e os pintores Celestino Alves , José Rodrigues e Gabriel Constante , entre muitos outros. Ibn al-Haytham (965 – 1040) foi um matemático árabe que deixou trabalhos nas áreas da óptica, astronomia e matemática. Ricardo Ornelas foi homenageado na toponímia de Lisboa através de edital de 24/09/1996. Álvaro de Andrade foi homenageado na toponímia de Lisboa através de edital de 20/03/1995. Faustino José Rodrigues foi homenageado na toponímia de Lisboa através de edital de19/06/1979. Celestino Alves foi homenageado na toponímia de Lisboa através de edital de 23/04/1980. José Rodrigues foi homenageado na toponímia de Lisboa através de edital de 19/06/1979. Gabriel Constante foi homenageado na toponímia de Lisboa através de edital de 20/08/1985.
BIBLIOGRAFIA
http://html.editorial-caminho.pt/ Portugal e os seus cavalos/ Jorge Mathias ; fot. Carlos Gil e Jorge Barros Lisboa: António Ramos, imp. 1980 El Salvador: o caminho dos guerrilheiros / Carlos Gil; pref. Cardoso Pires Lisboa: Tricontinental, 1984 Excluídos: realidades do fim do milénio: 1960-2000: fotografias de Carlos Gil /Lisboa. -- Câmara Municipal. -- Pelouro da Cultura, 1999 Carlos Gil, um fotógrafo na revolução / coord. Daniel Gil; org. e textos Adelino Gomes Lisboa: Caminho, 2004Pelos caminhos de Santiago: itinerários portugueses para Compostela / Carlos Gil,João Rodrigues Lisboa: D. Quixote: Círculo de Leitores, 1990Portugal Livre/ Fernando Assis Pacheco, Adelino Gomes Lisboa: O Século, 1974 O Fotojornalismo Hoje/ Exposição Comemorativa dos 150 anos da Fotografia –Porto/1989; org. Centro de Formação de Jornalistas Porto: C.F.J., 1989

Poema em Uníssono... com a Música do V Império

«Detonem a palavra - poetas -
poetas é outro nome de guerreiros e amorosos
do ser. Venham com seus amores transfigurados
com sua energia nuclear. A destruição pela
palavra é um redemoinho no ar
para novas configurações do imaginário,
de um novo fabulário que liberte Andrômeda
de seus grilhões e torne o monstro
digestível. Tirem a palavra de sua bainha,
o coração, sem hesitar. A palavra
- sopro cosmogônico -
nossa arma de predileção,
nossa bomba amorosa de efeito retardado
mas seguro. O mundo que se desmunda aí está
à espera de aragem sagrada de vossas bocas (...)
buscai o ponto de união de tantos cacos
dispersos; dizei o verso que vem aos trancos
e barrancos dependendo de vossa ousadia
e alegria, pois é sempre alegre
o gesto criador, a palavra inicial
.

Máquina de explorar o tempo
para frente e para trás
enquanto persistem as quatro dimensões.
Depois - nomes figuras sentimentos pensamentos
pressentimentos e uma tremenda fascinação,
graça do imaginado. E algo sem princípio nem fim:
para as crianças todos estão sempre em casa
para os velhos não há más notícias
para os moços trabalhar não é preciso
só navegar e ter um ninho para melhor repousar
de cansaço algum. Não ouvimos música,
somos a música
. Dançar é ser mais leve
que o ar, o amor é um lago fundo
e todos sabem nadar. (...)
O tempo é bom
por maior que seja a chuvarada
as leis já foram revogadas por desnecessárias
Cristo sorriu e se afastou rumo a outras
constelações. Depois da grande crise a terra
está salva com ar de paraíso e nada mais falta
do que ser em uníssono com todas as canções.»
Dora Ferreira da Silva, Poemas em Fuga

Para o Pedro Santana Lopes

Li hoje que apresentaste ontem a tua candidatura (à Câmara Municipal de Lisboa). Mas ainda não ouvi nenhuma reacção de monta…

Da outra vez, tive a certeza de que irias ganhas quando ouvi a Maria Barroso insinuar que “caso ganhasses, vinha aí o fascismo”. Como sabes, nada dá mais sorte: o Berlusconi também já percebeu. É vitória garantida…

Se queres ganhar outra vez, arranja pois alguém que te faça esse favor. Garanto-te que não será difícil...

Saudações alfacinhas

Cadernos de Agostinho da Silva (excertos e notas)

1ª série
A Primeira Volta ao Mundo, Famalicão, Edição do Autor, 1940
Breve História do Linho, Famalicão, Edição do Autor, 1940
A Vida de Edison, Famalicão, Edição do Autor, 1940
A Vida e a Arte de Goya, Famalicão, Edição do Autor, 1940
Uma ascensão nos Himalaias, Famalicão, Edição do Autor, 1940
O pensamento de Epicuro, Famalicão, Edição do Autor, 1940

Para além de todos os dados factuais que em cada Caderno Agostinho da Silva colige, e que denotam uma vasta investigação da sua parte[1], há sempre um encadeamento romanesco, o mesmo é dizer, uma “história”, que culmina numa reflexão de pendor moralizante. Ou seja, em suma, em todos os Cadernos há sempre – ou, mais, exactamente, quase sempre – uma “moral da história”.
No primeiro deles, A PRIMEIRA VOLTA AO MUNDO, a “moral da história” é a de que valeu a pena a viagem, não obstante o sacrifício de mais de 200 homens: “Mais de 200 homens tinham morrido na viagem, mas ninguém se lembrou dos sofrimentos e desastres ante o que se tinha conseguido obter; a pimenta que se vendeu pagou todas as despesas da expedição e pôde ainda marcar-se um lucro de 500 ducados de ouro; era uma promessa de magníficos negócios, que o pró­prio rei coroaria, vendendo mais tarde as Malucas aos portugueses por 350 mil ducados. Poucos atentaram nos resultados científicos da expedição de Magalhães; e, no entanto, ficava plenamente assegurado que a Terra era redonda, que a América era um continente isolado, que o imenso Pacífico a separava da Ásia, não mais se podendo afirmar que a massa de continentes era superior à massa dos oceanos; nenhuma outra viagem teria como esta tão grande importância para o pro­gresso da ciência geográfica.”[2].
No segundo deles, BREVE HISTÓRIA DO LINHO, mais do que uma “moral da história”, há uma aposta – na tecnologia, para o “alívio das fadigas que o processo traria à gente do campo”: “Hoje, grande parte do trabalho do linho poderia, portanto, ser feito por máquinas; certo é que há con­veniência em serem realizadas nos campos todas as operações até à produção da filaça, visto que, dando o linho pouca filaça em relação ao seu peso bruto, a despesa de transportes agravaria muito o preço; mas a fiação e tecelagem deveriam ser realizadas em fábricas, como se faz para o algodão; cada fábrica centralizaria o trabalho do linho produzido em determinada região. O que se perdia em pitoresco e tradição ficava ampla­mente compensado pelo maior rendimento e pelo alívio das fadigas que o processo traria à gente do campo.” (p. 26)[3].
No terceiro, A VIDA DE EDISON, exalta Agostinho da Silva a consciência de uma vida bem vivida, para quem, nessa medida, a morte aparece “como um descanso bem merecido”: “sente que deu tudo o que podia, que nunca nenhuma tarefa o achou sem coragem e sem força de ataque; fez bem ao mundo e o mundo foi, para ele, com todas as suas reacções, boas ou más, um magnífico ambiente de trabalho; teve a dedicação de quatro ami­gos e a simpatia de milhões de homens; todas as suas horas foram cheias de uma alta vibração de energia e de bondade; encara a morte com serenidade, quase com prazer, como um descanso bem merecido”[4]. O mesmo acontecendo no quarto, A VIDA E A ARTE DE GOYA: “a morte aproximava-se; os amigos sentiam-na, mas Goya batia-se pensando e traba­lhando; não o havia de colher como um vencido; a sua última hora havia de ser de vitalidade e de triunfo; e assim aconteceu: Goya morreu de alegria ao saber que o iam visitar o filho e o neto que já não via há muitos anos; era o dia 16 de Abril de 1828. Com ele morria um dos maiores pintores e um dos maiores homens que têm aparecido no mundo; se a influência da sua maneira foi enorme na pintura do século XIX e do século XX, a humanidade conta Goya como um dos espíritos que melhor a guiaram pelo caminho da ener­gia, da tenacidade, do contínuo renascer, dia após dia.”[5]. Aqui, há uma clara continuidade com as Biografias, nas quais, essencialmente, Agostinho exaltou percursos individuais – ainda que, na maior parte dos casos, como então salientámos, em prol da colectividade, do “bem comum”.
No quinto, UMA ASCENSÃO NOS HIMALAIAS, celebra-se, desta vez, não um percurso individual mas colectivo, o de um grupo que tentou subir o Evereste – e que triunfou, ainda que o não tenha conseguido: “Em Darjeeling, donde tinham saído, considerou-se terminada a viagem; não tinham conseguido vencer o Evereste, mas os conhecimentos topográficos e científicos que se tinham recolhido valiam bem o esforço e o dispêndio que se fizeram; de resto, não os tinha movido nenhum desejo de glória pessoal: só os satis­fazia terem cumprido o seu dever de avançar mais um passo sobre o que se sabia e de terem facilitado o trabalho aos que viriam após eles.”[6].
O sexto Caderno, O PENSAMENTO DE EPICURO, é, a esse respeito, destoante. Não exalta propriamente um percurso – de um colectivo ou de um indivíduo –, mas de um pensamento, de uma filosofia: a de Epicuro[7]. Esta é apresentada de forma positiva, de tal modo que Agostinho parece lamentar o seu declínio face ao cristianismo: “Com o aparecimento do cristianismo decai a popularidade de Epicuro; a nova religião não podia deixar de lhe ser hostil; a ideia de deuses que se não interes­sam pelo mundo, a negativa da imortalidade da alma, um ascetismo que se não apresentava como um martí­rio do corpo, eram completamente incompatíveis com as doutrinas cristãs. Só no século XVI se assiste ao renascimento do epicurismo, embora haja notícia de discípulos de Epicuro durante toda a idade média: o interesse pela antiguidade e a reacção contra a vida medieval, no que ela tinha de desprendimento da terra e do culto exclusivista do espírito, fazem que certos escritores voltem ao estudo de Epicuro, timidamente a princípio, depois com mais segurança; há epicurismo em Montaigne, e Vanini, nos princípios do século XVII, é supliciado em virtude das suas ideias epicuristas; mais tarde Gassendi e Hobbes renovam Epicuro, e Spinoza sofre a sua influência, que se prolonga, por intermédio de quase todos os «enciclopedistas» franceses, até Ben­tham e Stuart Mill, já no século XIX.”[8].
Veremos que, quatro anos depois, em CONVERSAÇÃO COM DIOTIMA, a perspectiva já será diferente…

[1] Ver, a esse respeito, as indicações bibliográficas que aparecem em todos os CADERNOS.
[2] A Primeira Volta ao Mundo, Famalicão, Edição do Autor, 1940, pp. 21-22. Sublinhe-se aqui a exaltação do “progresso da ciência” – no caso geográfica. De resto, neste mesmo CADERNO, Agostinho salienta que “ao contrário de muito que se tem dito a respeito da viagem de Magalhães e, dum modo geral, das nave­gações dos portugueses, o capitão não parte à aven­tura; sabe tudo quanto é possível saber-se pela ciência do seu tempo” (p. 6).
[3] Breve História do Linho, Famalicão, Edição do Autor, 1940, p. 26. Veremos que essa “aposta na tecnologia” manter-se-á. E sempre sob esse enfoque: a libertação do homem.
[4] A Vida de Edison, Famalicão, Edição do Autor, 1940, p 18.
[5] A Vida e a Arte de Goya, Famalicão, Edição do Autor, 1940, p. 18.
[6] Uma ascensão nos Himalaias, Famalicão, Edição do Autor, 1940, pp. 20-21. Sublinhe-se aqui o sentido da historicidade – ou a valorização de um passo dado em prol de um avanço futuro, não imediato.
[7] Ainda que este seja também exaltado, desde logo pela sua coerência: “ao contrário do que acon­tece com outros filósofos, sobretudo nos tempos moder­nos, Epicuro não se limita a apregoar a sua doutrina: vive-a também e é um exemplo de todas as qualidades que preconiza; quem ia aos seus jardins ou lia os seus escritos infalivelmente sentia a influência do homem puro e bom, embora muitas vezes lhe não aceitasse facilmente as ideias” (O pensamento de Epicuro, Famalicão, Edição do Autor, 1940, p. 17).
[8] Ibid., pp. 17-18.

O Quinto Império: De Portugal ao Brasil, uma utopia na história




G.R.E.S. Mocidade Independente de Padre Miguel
"O Quinto Império: De Portugal ao Brasil, uma utopia na história"


"Minha Mocidade guerreira
Traz a igualdade justiça e paz
Hoje o Quinto Império é brasileiro amor
Canta Mocidade canta!

Minha Mocidade guerreira
Traz a igualdade justiça e paz
Hoje o Quinto Império é brasileiro amor
Canta Mocidade canta!

Minha Mocidade guerreira
Traz a igualdade justiça e paz
Hoje o Quinto Império é brasileiro amor
Canta Mocidade canta!

Portugal
Bendito seja... Abençoado pelo Criador
Uma utopia, um destino, um sonho místico de grandes realezas
Sonhar... Com glórias um rei desejar
E o sol volta a brilhar
Com a esperança no olhar
Mas desapareceu como um grão de areia no deserto
E encantado renasceu
Em cada ser, em cada coração
Para afastar a cobiça na busca do ideal
O Quinto Império Universal

Deixe o meu samba te levar
E a minha estrela te guiar
À Praia dos Lençóis, nas crenças do Maranhão
Tem um castelo que é do Rei Sebastião

Deixe o meu samba te levar
E a minha estrela te guiar
À Praia dos Lençóis, nas crenças do Maranhão
Tem um castelo que é do Rei Sebastião

No Rio de Janeiro aportaram caravelas
Trazendo a Familia Real
Progresso em cores combinadas
Debret retratava a transformação
Nas terras tropicais do meu Brasil
A herança, a dor... O mito ressurgiu
Eis o guerreiro sebastiano
O mais ufano dos lusitanos em verde e branco
Que traz no peito uma estrela a brilhar
De Norte a Sul desta nação
Faz a manifestação popular

Minha Mocidade guerreira
Traz a igualdade justiça e paz
Hoje o Quinto Império é brasileiro amor
Canta Mocidade canta!

Minha Mocidade guerreira
Traz a igualdade justiça e paz
Hoje o Quinto Império é brasileiro amor
Canta Mocidade canta!

Portugal
Bendito seja... Abençoado pelo Criador
Uma utopia, um destino, um sonho místico de grandes realezas
Sonhar... Com glórias um rei desejar
E o sol volta a brilhar
Com a esperança no olhar
Mas desapareceu como um grão de areia no deserto
E encantado renasceu
Em cada ser, em cada coração
Para afastar a cobiça na busca do ideal
O Quinto Império Universal

Deixe o meu samba te levar
E a minha estrela te guiar
À Praia dos Lençóis, nas crenças do Maranhão
Tem um castelo que é do Rei Sebastião

Deixe o meu samba te levar
E a minha estrela te guiar
À Praia dos Lençóis, nas crenças do Maranhão
Tem um castelo que é do Rei Sebastião

No Rio de Janeiro aportaram caravelas
Trazendo a Familia Real
Progresso em cores combinadas
Debret retratava a transformação
Nas terras tropicais do meu Brasil
A herança, a dor... O mito ressurgiu
Eis o guerreiro sebastiano
O mais ufano dos lusitanos em verde e branco
Que traz no peito uma estrela a brilhar
De Norte a Sul desta nação
Faz a manifestação popular

Minha Mocidade guerreira
Traz a igualdade justiça e paz
Hoje o Quinto Império é brasileiro amor
Canta Mocidade canta!

Minha Mocidade guerreira
Traz a igualdade justiça e paz
Hoje o Quinto Império é brasileiro amor
Canta Mocidade canta!

Minha Mocidade guerreira
Traz a igualdade justiça e paz
Hoje o Quinto Império é brasileiro amor
Canta Mocidade canta!"

ESTA TERÇA, NO PORTO: 98º LANÇAMENTO DA NOVA ÁGUIA

.
28.04.09 - 21h30: Ateneu Comercial do Porto

Com a presença de António Braz Teixeira, Celeste Natário e Renato Epifânio.

Houvesse, para tanto, Vontade...

Ontem, celebrou-se um milagre
Uma revolução sem sangue, dizem
E ainda há quem nisso acredite

Hoje, celebrou-se outro
E eis um novo santo
Para os crédulos da cruz

Com tantos crédulos, da cruz e do cravo
Milagre seria este país progredir
Houvesse, para tanto, Vontade

«Pátria é onde o pensamento cavalga»

«Não nasci num relâmpago
nasci quando as palavras caminhavam

A alma está no ar
e aquém o corpo andando

O visível é o invisível
que adormece.

Não é este teu dia;
irás remá-lo
junto ao farol,
inflá-lo com tuas velas
ao mar.

Fica a sul, fica a leste
Teu dia não nasceu quando nasceste.»
Carlos Nejar, A Idade da Aurora, A Idade da Eternidade, Canga, Vozes do Brasil



«A palavra luzia nos sentidos.»
Carlos Nejar

«De repente, os olhos são palavras.»
Pablo Neruda

Vemos o invisível através das palavras.

“Aos poucos faz-se luz no horizonte e amanhece...

Mas é este amanhecer longo, no tempo, e é preciso esperar”.




Mas amanhece finalmente... É o dia e é a hora, é vinte e cinco de abril.
E um cravo vermelho com o caule verde as duas cores universais.
Se fosse na Índia seria Fohat e Kundalini...
Mas como não foi lá, e sim em Portugal, saiu-se às ruas com os capitães a cantar e derrubar a ditadura, mas que muitos dos que riam também ainda sonhavam com outra ditadura, só vermelha e com foice martelo, ah, sonhavam sim porque tantos ainda hoje as querem!
Mas hoje só para lembrar o passado ciclo Grego vem-nos à cabeça Sócrates, o Virtuoso... E em Portugal temos também Sócrates, Primeiro Ministro com esse mesmo nome.
Daquele Grego o feito de seu pensamento expresso pelo semelhante Virtuoso Platão, em Portugal há um silva, tal como aqui no Brasil presidente nos dias que correm.
O daqui gosta das metáforas do futebol, embora disso como de qualquer outra coisa não entenda nada, exceto talvez beber e fazer rir, mas roda com rimas que na roda estrangeira rimam e riem das asneiras, brasileiras, sem o merecer. Pois não é que nessa arte tem de verdade o Brasil um Rei, Universal, que não merecia pelo que fez com a bola as metáforas tão esdrúxulas como as feitas por esse da silva daqui.

Nem seu nome mais conhecido servindo de apelido por aí “folcloremente”.
Nem nome de cachaça ou cigarro, embora até dê numa boa rima nome ao café.

Vinte e cinco de abril como cada manhã amanhece parido do dia anterior com as bênçãos mentais e as pragas emocionais de ontem.
Naquele se riu, se beijou, cantou-se e as mãos se afagaram num gesto libertário sem libertinagem de muita intenção, digamos ali simbolizada pelo vermelho.
Que ao fim é paixão cega onde navegam os sentimentos mais cavernosos e os instintos mais temerosos do homem ancestral, noturno, e naturalmente lunar, mas o homem precisa do sol para caminhar!
Precisa da luz para seguir seu eixo e eixo nenhum leva a lugar nenhum se não for eixo e sim um lado dos dois lados direita e esquerda, para quem só enxerga daí e se sustenta nessas duas muletas.

Já o verde glorioso o pensamento virgem, original, matriz e supremo saber, já transformado em ouro filosofal, e na coroa dos reis verdadeiros.
São poucos esses reis; e alguns nem coroa precisam,
Embora ostentem uma transcendente coroa dourada ao centro e purpúrea no seu arco ou circulo de sua redondeza universal.

Tanto mar à frente! Foram!

Mas quase todos ficaram e a maioria segue por regra a minoria mental, que a guia, mas há agora quem queira e invente uma regra que das margens é que vem o saber e o certo.

Mas não é, que às margens, aí às margens já chegaram, pois todos partem do centro!

E pras margens ninguém para lá senão ela mesma se exilou, por vontade própria, mas compreende-se a incompreensão do proletário mental... E de algum modo a do proletário espiritual, que também às margens seguindo santifique o povo e em rebanho o recolha aonde não precise aprender nem fazer nada.

PORTA ABERTA escancarada aos espertos, porque aí um paraíso se edifica e parasita-se o pouco que o proletariado mental, espiritual e de amor em pão possa ter, e a seu sangue minimamente mantém para que cresça e se multiplique o rebanho e a esmola e o voto