EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

"a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português. Em tempos de globalização, esta qualidade – a de evidenciar o pensamento nacional – deve ser exaltada"

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra - Razão e Espiritualidade: nos 100 anos de "O Criacionismo (Esboço de um Sistema Filosófico)".

Para o 10º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.


Morada: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais,

Apartado 21, 2711-953 Sintra, Portugal.

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

EDITORIAL

Sendo a NOVA ÁGUIA uma Revista que, de forma assumida e descomplexada, dá o devido destaque aos autores maiores da nossa tradição filosófica e cultural, inevitavelmente teríamos que dedicar um número a Álvaro Ribeiro – depois de já o termos feito a António Vieira, Agostinho da Silva, Teixeira de Pascoaes e Fernando Pessoa. A ocasião chegou, agora que se assinalam os trinta anos da sua morte. Que outra Revista o poderia fazer?
Em muitos casos mais referida do que propriamente lida, a obra de Álvaro Ribeiro tornou-se numa espécie de bandeira do que em geral se designa por “Filosofia Portuguesa” – quer para os que a defendem, quer, contrapolarmente, para aqueles que contestam, ainda hoje, a sua existência. Desde logo por isso, o próprio Álvaro Ribeiro acabou por se tornar no autor mais emblemático da dita “Filosofia Portuguesa”.
Por essa mesma razão, a sua figura ainda hoje desperta reacções assaz apaixonadas, num e noutro sentido, o que, se por um lado, lhe tem preservado, trinta anos após a sua morte, uma apreciável notoriedade, por outro, tem impedido, pelo menos nalguns casos, por evidente preconceito, um estudo mais aprofundado da sua obra. Neste número, procurámos colmatar essa falha, convocando os maiores especialistas na obra de Álvaro Ribeiro, dando, ao mesmo tempo, voz àqueles que ainda hoje contestam a existência de “filosofias nacionais”.
Isto apesar de, com este número, não termos querido ressuscitar qualquer polémica em torno da existência de “filosofias nacionais” – polémica que, a nosso ver, está por inteiro ultrapassada, pelo menos nos termos em que emergiu, após a publicação, em 1943, da obra O Problema da Filosofia Portuguesa. Álvaro Ribeiro continua a ser para nós um autor actual pela simples mas suficiente razão de que todo o pensamento filosófico é sempre já – e nunca deixa de o ser, por mais inconsciente que esteja disso – um pensamento radicado, situado: numa Língua, numa História, numa Cultura…
*
Uma vez mais, a NOVA ÁGUIA prova, pois, a sua abertura. Fundando-se numa determinada Visão de Portugal e do Mundo, devidamente expressa no nosso Manifesto, publicado no primeiro número da Revista, a NOVA ÁGUIA nunca foi nem nunca será um “órgão de propaganda”, mas, ao invés, um “órgão plural”, que, dando destaque a algumas figuras – àquelas que, como é óbvio, a nosso ver o merecem –, o faz, porém, de forma crítica, convocando não apenas os hermeneutas que, à partida, lhes são mais próximos, como, igualmente, alguns dos que lhes são mais distantes.
Como sempre, também este número da NOVA ÁGUIA não se debruça apenas sobre um autor. Assim, para além de Álvaro Ribeiro, neste número evocamos ainda José Marinho – autor que, a par de Álvaro Ribeiro, mais chamou a atenção, entre nós, para a importância que a Filosofia deve reconhecer à Língua, à História e à Cultura (daí o seu conceito de “filosofia situada”) –, Álvaro Cunqueiro – no centenário do seu nascimento –, Joaquim Nabuco – no centenário da sua morte – e Domingos Gonçalves de Magalhães – no bicentenário do seu nascimento. Para além disso, temos ainda textos sobre Fernando Pessoa, bem como sobre os 15 anos da CPLP, data que assinalámos no sétimo número da NOVA ÁGUIA.
Como tem acontecido desde o primeiro número, a Revista termina com a referência aos locais onde tem sido apresentada – numa série, iniciada a 19 de Maio de 2008 na Fundação José Rodrigues, que excede já as duas centenas e meia de sessões, em todo o espaço lusófono –, bem como à Colecção de Livros “Nova Águia”, que já vai em mais de duas dezenas e meia de títulos. Na contra-capa, como igualmente tem sido regra, antecipamos o tema do próximo número: “Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?”. Prova, bem cabal, do nosso optimismo: não só acreditamos que Portugal ainda hoje existe, como existirá daqui a 100 anos…

ÍNDICE

Editorial…5
NOS 30 ANOS DA MORTE DE ÁLVARO RIBEIRO
Álvaro Ribeiro, CARTA A ANTÓNIO QUADROS…8
Azinhal Abelho, Orlando Vitorino, António Quadros, António Cândido Franco, Pinharanda Gomes, Miguel Real, António Braz Teixeira, António Telmo, André Veríssimo e José Augusto Seabra, ÁLVARO RIBEIRO EM 10 INSTANTÂNEOS…9
António Cândido Franco, ÁLVARO RIBEIRO NUM RELANCE DE LUZ…13
António Carlos Carvalho, EXILADO DO MUNDO…14
Artur Manso, O QUE É A ESCOLA FORMAL…15
Carlos Aurélio, UMA FILOSOFIA DO MODO…25
Cynthia Taveira, A ACTIVIDADE DE DEUS…32
Elísio Gala, ÁLVARO RIBEIRO E A FILOSOFIA POLÍTICA…35
Filipe Delfim Santos, UM COLÓQUIO AGORA MAIS ÚTIL & CARTA INÉDITA DE ÁLVARO RIBEIRO À VIÚVA DE DELFIM SANTOS…39
Joaquim Domingues, ERUDIÇÃO FILOSÓFICA…45
José da Costa Macedo, FILOSOFIA E SITUAÇÃO…49
Manuel Ferreira Patrício, A LÍNGUA PORTUGUESA E O DESTINO DE PORTUGAL…58
Maria Leonor L.O. Xavier, A QUESTÃO DA UNIVERSALIDADE DA FILOSOFIA…60
Maria Luísa de Castro Soares, CONCEITO E CONTROVÉRSIA DA FILOSOFIA PORTUGUESA: O APOSTOLADO DE ÁLVARO RIBEIRO…66
Paulo Jorge Brito e Abreu, FILOSOFIA PORTUGUESA EM ÁLVARO RIBEIRO…71
Pedro Martins, PÁTRIA, HISTÓRIA E EPOPEIA: ÁLVARO RIBEIRO, JAIME CORTESÃO E A RENASCENÇA PORTUGUESA…75
Pedro Sinde, ÁLVARO RIBEIRO, FILOSOFIA OPERATIVA E ORAÇÃO MENTAL…88
Rodrigo Sobral Cunha, A RAZÃO RÍTMICA (NO PENSAMENTO DE ÁLVARO RIBEIRO)…97
Pinharanda Gomes, ÁLVARO RIBEIRO (1905-1981): A FILOSOFIA COMO ARTE & ADITAMENTO BIBLIOGRÁFICO…105
SOBRE JOSÉ MARINHO: NOS 50 ANOS DA TEORIA DO SER E DA VERDADE
Renato Epifânio, JOSÉ MARINHO, UM FILÓSOFO METAFÍSICO E, POR ISSO, SITUADO…116
Pinharanda Gomes, A TERTÚLIA DE ÁLVARO RIBEIRO E DE JOSÉ MARINHO…117
Manuela Brito Martins, A FILOSOFIA DA HISTÓRIA EM OLIVEIRA MARTINS A PARTIR DE UMA LEITURA DE JOSÉ MARINHO…126
SOBRE ÁLVARO CUNQUEIRO, JOAQUIM NABUCO E DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES
Maria Seoane Dovigo, ÁLVARO CUNQUEIRO, CEM ANOS DEPOIS…132
João Bigotte Chorão, JOAQUIM NABUCO: UM BRASILEIRO EUROPEU…134
António Braz Teixeira, NOS DUZENTOS ANOS DE DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES…140
AINDA SOBRE FERNANDO PESSOA
Giancarlo de Aguiar, TRANSPERSONAS NA ESFINGE DE FERNANDO PESSOA…144
Ruben David Azevedo, PESSOA: UMA SINGULAR PLURALIDADE…151
Samuel Dimas, FERNANDO PESSOA E A ESTÉTICA DA RENASCENÇA PORTUGUESA: D’A ÁGUIA À ORPHEU…152
António Cândido Franco, FERNANDO PESSOA SOB O SIGNO DA PÁTRIA DA LÍNGUA…155
Maria Clara Tavares, PASCOAES E PESSOA…159
Luís Tavares, PESSOA: A ESCRITA E A TERRA DE NINGUÉM…161
Kazufumi Watanabe, PESSOA NO JAPÃO…163
AINDA NOS 15 ANOS DA CPLP: TRAJECTOS LUSÓFONOS
Adriano Moreira, AS CULTURAS DOS POVOS DO MEDITERRÂNEO…166
António José Borges, RUMAR PORTUGAL, CONSIDERAR A EUROPA, PENSAR A LUSOFONIA…169
Delmar Maia Gonçalves, DEAMBULAÇÕES LITERÁRIAS…178
Dirk Hennrich, PORTUGAL, A EUROPA E AS MARGENS DA FILOSOFIA (COM CARTA DE JOAQUIM DOMINGUES)…181
João Pereira de Matos, 17 GEDANKENEXPERIMENTE…187
Joaquim Miguel Patrício, PRESENTE E FUTURO DA LÍNGUA PORTUGUESA NUM QUADRO ESTRATÉGICO GLOBAL…189
Lúcia Helena Alves de Sá, A FILOGONIA DO PENSAMENTO DA CULTURA DE LÍNGUA PORTUGUESA…199
Miguel Real, O FUTURO DA LUSOFONIA…200
Nelson Goulart, LÍNGUA MÃE LÍNGUA FILHA…203
Nuno Sotto Mayor Ferrão, A DINÂMICA HISTÓRICA DO CONCEITO DE LUSOFONIA (1653-2011)…204
Rui Martins, VIAGEM À GUINÉ-BISSAU…209
Sam Cyrous, DO CORAÇÃO DA COOPERAÇÃO À AVALIAÇÃO DA AÇÃO: CPLP ONTEM, HOJE E AMANHÃ…219
Simion Doru Cristea, A ENERGUEIA DAS LÍNGUAS AFRICANAS…221
Ximenes Belo, DISCURSO DA ACADEMIA…226
RUBRICAS
ENTRECAMPOS, de J. Pinharanda Gomes…230
AS IDEIAS PORTUGUESAS DE GEORGE TILL, de Jorge Telles de Menezes…233
DO ESPÍRITO DOS LUGARES, de Manuel J. Gandra…234
LITERATURA ORAL E TRADICIONAL, de Ana Paula Guimarães…239
BIBLIÁGUIO
DIÁLOGOS DE AMOR, DE LEÃO HEBREU, por Celeste Natário…244
MEMORIAL DO CONVENTO, DE JOSÉ SARAMAGO, por Gabriela Lança…245
LEVANTE, 1487 – A VÃ GLÓRIA DE JOÃO ÁLVARES, DE JOSÉ MARIA PIMENTEL…248
ÚLTIMAS OBRAS DA COLECÇÃO NOVA ÁGUIA, por Renato Epifânio…249
EXTRAVOO
António José de Brito, APONTAMENTO QUÁSI SUPERFICIAL SOBRE ÉTICA…252
António Monteiro, ARISTIPO DE CIRENE: UM FILÓSOFO NAS MARGENS DA HISTÓRIA…254
POEMÁGUIO
Eduardo Aroso, ÁLVARO RIBEIRO; UM VELHO PROFETA…7
António José Queiroz, VIAGEM…131
Teresa Dugos, CÁLICE; DA TERRA; MAUSOLÉU…142
Manuel Neto dos Santos, DA PANACEIA…165
Maurícia Teles da Silva, SETE PREMISSAS PARA A LIBERDADE…242
António José Borges, RESILIÊNCIA…242
Maria Luísa Francisco, FOSSE O DIA JÁ NOITE…243
Fernando Esteves Pinto, IDENTIDADE E CONFLITO…250
MAPIÁGUIO…259
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…260
ASSINATURAS…261

NOVA ÁGUIA 8: LANÇAMENTOS

10.10.11 - 18h30: Livraria FNAC Chiado (Lisboa)
12.10.11 - 18h30: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
15.10.11 - 16h00: Sociedade da Língua Portuguesa (Lisboa)
15.10.11 - 18h00: Casa Bocage (Setúbal)
21.10.11 - 18h00: Centro Cultural Luso Moçambicano
29.10.11 - 15h00: Biblioteca Municipal de Sesimbra
04.11.11 - 21h30: Espaço Poesis (Porto)
05.11.11 - 17h00: Biblioteca Albano Sardoeira (Amarante)
12.11.11 - 19h00: Auditório da Escola Básica Integrada de Montargil
23.11.11 - 18h30: Livraria FNAC Vasco da Gama (Lisboa)
03.11.11 - 15h00: Casa do Fauno (Sintra)
06.12.11 - 16h00: Palácio da Independência (Lisboa)
09.12.11 - 17h00: Faculdade de Filosofia (Braga)
15.12.11 - 21h30: Art Gallery / Café dos Artistas (Lisboa)
15.01.12 - 16h00: Castelo de Leiria (Sede da ACRENARMO)
27.01.12 - 21h30: Biblioteca Municipal da Lagoa


Em breve, anunciaremos o primeiro lançamento da NOVA ÁGUIA 9

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Almada, Amadora, Amarante, Arraiolos, Aveiro, Bairro Português de Malaca, Barcelos, Batalha, Belo Horizonte, Bissau, Braga, Bragança, Brasília, Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Carnide, Campinas, Cascais, Castro Marim, Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Fortaleza, João Pessoa, Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loures, Luanda, Mem Martins, Messines, Mindelo, Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque, Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense, Ovar, Pangim (Goa), Pisa, Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife, Redondo, Régua, Rio de Janeiro, Sacavém, Santiago de Compostela, São João da Madeira, São João d’El Rei, São Paulo, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Viana do Castelo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

Lançamentos já noticiados em:

RTP

Diário de Notícias

Diário Digital

Expresso

Jornal de Notícias

Jornal Porto Net

Notícias Lusófonas

Público


E em muitas dezenas de blogues...

FAÇA PARTE DESTE PROJECTO. ASSINE A NOVA ÁGUIA: http://www.zefiro.pt/novaaguia.

À venda nas melhores livrarias do país.
E ainda no Brasil: Espaço Cultural É-Realizações, Rua França Pinto, 498 - Vila Mariana - São Paulo; Livraria Hildebrando (Universidade de Brasília); Via Livros (contacto - Alexandre Santos: alexandresantos@br.inter.net).
E ainda na Galiza: Livraria Couceiro (Praça de Cervantes, 6, Santiago de Compostela/ Enrique Dequit, 12, Corunha; Livraria Torga (Ourense, Rua da Paz, 12); Livraria Andel (Vigo, Rua Pintor Lugrís, 10). E ainda em Cabo Verde: Livraria Semente (Mindelo).

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Sábado, 28 de Fevereiro de 2009

"VIDAS DE HOMENS CÉLEBRES" (XIV)

XIV - WILLIAM PENN

William Penn (1644-1718) foi um dos grandes inspiradores da Constituição dos Estados Unidos da América, pelos princípios que implementou no Estado da Pensilvânia.
Na sua Biografia, Agostinho da Silva salienta sobretudo o seu sentido de missão, dir-se-ia mesmo divina: “ganhara a con­vicção de que Deus nunca realizava directamente nenhum dos traba­lhos do mundo; fazia-o sempre por intermédio de homens, escolhendo cada um para a tarefa que lhe competia, mas sem uma cega escraviza­ção que fizesse do homem um simples instrumento das intenções divi­nas; era como se Deus, ao mesmo tempo no que é liberdade plena e no que é actividade dirigida a um fim, estivesse no íntimo de cada alma e lhe pusesse um objectivo e lhe fornecesse as circunstâncias, mas sem a obrigar a nenhum curso inevitável; quem quisesse podia recusar a tare­fa e Deus escolheria outro homem para a realizar; mas Deus então podia enganar-se e escolher mal o executor da sua vontade? Tudo era bem difícil e bem confuso; só uma coisa havia de seguro: o mundo não marcha ao acaso, há um plano no universo; o plano, realizam-no os homens, ponto por ponto, avançando sempre, no meio de todos os desânimos; e parecia-lhe ainda que a força invencível da vontade humana total­mente aplicada a um objectivo não podia vir de modo algum do pró­prio homem; além de tudo, como se explicaria o acordo das vontades individuais? Quem sabe se, ao contrário do que se ensinava nas igre­jas, Deus não está dentro de nós e não deve ser todo o nosso trabalho preparatório de qualquer tarefa, o de chegar ao encontro desse Deus, o de sentir na nossa consciência, em toda a sua pureza, os mandamentos do Senhor? Com esta ideia, nenhuma igreja era precisa, porque dei­xaria de haver intermediários entre Deus e o homem; ou antes, só pode­ria haver uma igreja que fosse a congregação dos homens que pensavam do mesmo modo, num plano de absoluta igualdade, e se juntassem para se comunicarem as suas experiências, para sentirem a força comum e trabalharem segundo um plano que a todos tivesse parecido ser o melhor.”.Para a concretização dessa “missão”, todos poderiam dar o seu contributo, mesmo os mais “simples”: “tudo o Senhor ia utilizar, quando chegasse a ocasião própria, na tarefa que nenhum outro homem poderia realizar tão bem como ele. Certamente que os mais simples tinham menos con­flitos e que as tendências contraditórias despedaçam a alma enquanto, pela consciência da missão, se não vêm como de acordo e como indispensáveis para o trabalho que há a realizar; mas podia chegar a ser o mais simples de todos os simples quando viesse o dia da plena tarefa, porque então até se esqueceria da sua existência e seria no mundo uma inteira revelação de Deus, tal como o compreendia agora: um nada, uma existência indefinida, mas ao mesmo tempo uma possibilidade de tudo; aquilo a que chamava agora as suas qualidades e os seus defeitos, tra­balharia no mundo pela obra de Deus e seriam apenas como que ferra­mentas nas mãos do melhor dos operários; ele era um instrumento de desígnios superiores e fora formado exactamente como era preciso que fosse; a batalha consigo só estava atrasando o momento essencial para que todo o mundo pudesse avançar um pouco mais.”. Foi, sobretudo, com esse sentido de “missão” que William Penn fundou o Estado da Pensilvânia (ex-colónia inglesa), o mesmo sentido de “missão” que, na sua perspectiva, se deveria estender a toda a América: “compe­tia à América ir mais além, dar a verdadeira fórmula de uma cultura europeia; tudo o que pudesse fazer agora incitando ao aparecimento de emigrantes só poderia auxiliar o futuro, ajudar na construção de uma América livre e forte, que por sua vez se unisse ao resto do mundo e trabalhasse por estabelecer, para todos os homens, uma vida de amor, de inteligência e de perpétua paz”.

Obra: CULTURA e FILOSOFIA

Demasiado importante para não contribuir à sua divulgação, assim, ouso propor a todos quantos se interessam pelo que de mais valoroso se vai fazendo no âmbito cultural e científico, a leitura da obra que terminei de ler, da autoria do prestigiado professor universitário e investigador, José Gama, Cultura e Filosofia – Estudos Sobre o Pensamento Português. Braga: Aletheia, 2009.

Nela, o autor trás à discussão, através de análise fundamentada e objectiva , temas tão relevantes e actuais como a questão da cultura no seio do pensamento da sociedade contemporânea, da educação e do papel a desempenhar pela filosofia - numa nova, e necessária, visão do mundo.

De uma riqueza de conteúdo inegável, permito-me transcrever, aqui, uma pequena passagem do referido livro, de entre tantas não menos significativas:

“ Esta perspectiva da filosofia da cultura pressupõe que o seu objectivo coincide com a história do próprio homem, podendo ser tematizada a partir de qualquer facto cultural do presente ou do passado. O interesse dos factos culturais a seleccionar e a analisar dependerá da densidade simbólica que manifestarem perante a nossa capacidade de análise e de interpretação, de modo a extrair deles a expressão de vida que possa ser complementada pela explicitação racional da reflexão filosófica. O símbolo aguarda sempre a desocultação da significação oculta que está latente na sua multiplicidade de sentido.
A vocação da filosofia, como “amor ao saber” recebe renovado incremento nesta perspectiva da filosofia da cultura, uma vez que exige uma contínua ampliação e renovação, na proporção da própria criação cultural, com reflexos positivos na busca interminável na resposta à pergunta sobre o homem e sobre o ser e por ele se manifesta. A essa luz, todas as culturas do passado e do presente podem e devem contribuir para o completo conhecimento do ser do homem, nas mais distintas expressões do seu viver e do seu pensar, sem prerrogativas de excelência para qualquer uma das manifestações ... “
Gama, José. Cultura e Filosofia – Estudos Sobre o Pensamento Português. Braga: Aletheia, 2009. pp 43

GOVERNO OCULTO DO MUNDO E SINARQUIA II

VITOR MANUEL ADRIÃO


Este pequeno e muitíssimo resumido historial destina-se a provar aos actuais e cépticos
filodoxos, “amigos da opinião”, que a extraordinária República de Platão não é um caso literário
utópico isolado, antes um facto efectivado e comprovado em numerosos períodos da História e
que foi a alavanca charneira do progresso avante da Civilização Humana.
E, acaso, teriam sido os Grandes Pensadores da Humanidade simples e vácuos utopistas
visionários? Se assim é, então porque os seus ensinamentos são ministrados nas cadeiras de
filosofia e sociologia do sistema académico vigente? Será que é este um sistema vácuo, utopista
e visionário? Talvez… E mesmo os maiores nomes da ciência positivista, antes, da pedante por
“motus próprio” ciência dialéctica, como Galileu, Descartes, Einstein, etc., que acreditaram a seu
modo na Sinarquia, também seriam eles utopistas visionários?...
Tem-se ainda obras literárias de alto valor sobre o tema, decerto utópico no presente mas
não se o tornar realidade no futuro próximo pelo trabalho esforçado de um e de todos, como
sejam, dentre muitíssimas outras nas quais figuram Hipódamo, contemporâneo de Aristóteles,
Saint-Yves d´Alveydre, Rudolf Steiner, René Guénon e mesmo Gerard Encausse, o famoso
Papus: A Utopia, de Thomas Morus, A Cidade do Sol, de Campanella, A Nova Atlântida, de
Francis Bacon, e até a Raça Futura, de Bulwer Lytton, não esquecendo a obra monumental de
Henrique José de Souza, A Verdadeira Iniciação.
Falo de Sinarquia definindo-a como fundamentada em princípios universais em que se
inscreve o Homem, considerado não neste ou naquele aspecto particular, não nesta ou naquela
dimensão parcial, como a dimensão socioeconómica, por exemplo, mas na sua totalidade, como
um ser integral, expressão e síntese da Lei Orgânica da Vida numa Colectividade ou Sociedade
justa e perfeita, harmonizada ou conformada a essa mesma Lei da Vida.
É aqui, pois, que o ideal da Utopia se concretiza, o de uma República governada por
Filósofos. Convém entender o termo filósofo no seu sentido original, não como “amigo do
saber”, dos vários saberes, mas como Filho da Sabedoria, numa palavra, do Conhecimento
Supremo, dirigindo, conformado aos ritmos da Lei da Natureza, o Homem individual como
microcosmos da Sociedade grupal, o seu macrocosmos, o que se revela da maneira seguinte:

O HOMEM A SOCIEDADE A NATUREZA
O Homem em si mesmo A Sociedade em si mesma A Natureza em si mesma
O Homem na Sociedade A Sociedade no Homem A Natureza no Homem
O Homem na Natureza A Sociedade na Natureza A Natureza na Sociedade
OU
O Bom no Bom O Bem no Bem O Belo no Belo
O Bom no Bem O Bem no Bom O Belo no Bom
O Bom no Belo O Bem no Belo O Belo no Bom

Esses princípios estão interligados pelo que existe uma inter-relação permanente entre
eles, pois onde um aspecto predomina os outros também existem como subsidiários, indo
demonstrar que um povo, sendo uma colectividade, é um ser colectivo vivo, dotado de autoconsciência,
cuja acção política do governo sobre ele não pode permanecer abstracta sem o
perigo de dissolução. Na medida em que os sistemas político-sociais não souberam, até hoje,

Não sobre o menino Jesus...






















para o Casimiro e o Eurico

1. Estive a ler, há uns tempos, um livro do Irving Kristol, “Neoconservadorismo”. A tese é, no essencial, esta: as sociedades do mundo ocidental estão-se a desagregar rapidamente pela falência, cada vez mais abrupta, dos códigos morais que, durante séculos, as sustentaram (o valor da honra, do trabalho, da honestidade, da responsabilidade pessoal, etc.). Não concordando com muitas outras coisas que li nesse livro, concordo, no essencial, com esse diagnóstico.

2. Face a isso, vem a pergunta “leninista”: que fazer?

3. Não sendo possível (nem sequer, a meu ver, desejável) o regresso às sociedades de outrora, importa, contudo, fazer algo. De outro modo, as sociedades desagregar-se-ão ainda mais, até ao ponto (onde, em grande medida, já estamos) em que não se poderão considerar “sociedades”, tal a tua desagregação/ atomização.

4. Não tenho receitas mágicas nem universais. Penso mesmo que em todas as sociedades deve haver margem para a “rebeldia”, ou seja, para se viver livremente à “margem da sociedade”. Nessa medida, concordo com o Casimiro quando nos diz que a sociedade não deve ser encarada como uma “organização”, em que todos estejam obrigados a cumprir os mesmos objectivos (à parte: se nem aqui, no MIL, isso assim é…).

5. Penso, contudo, que qualquer sociedade só subsiste se encontrar em si valores/ vínculos minimamente comuns. Por isso tenho aqui fomentado os valores da Língua, da Cultura, da Pátria…

6. De outro modo, sem quaisquer valores/ vínculos minimamente comuns, a Lei não chega. A Lei serve para regular divórcios, não para sustentar uniões…

Tréplica ao Eurico, sobre o papel da lei numa sociedade complexa

Caro Eurico:

Caramba, você trouxe o mundo todo à discussão.

1. De acordo em muita coisa: (a) nada de comparável entre a sociedade medieval (e os seus reis) e o absolutismo 'iluminado' ou, indo mais atrás na História, o maquiavelismo renascentista e 'europeu'; (b) nada de comparável entre a nossa presença na Índia, África e Brasil e as colónias inglesas ou holandesas; (c) de acordo com a crucial importância daquilo a que chama 'harmonização' ou 'tomada de consciência' colectiva, e que é aquilo a que os primeiros republicanos chamavam 'civismo' e os medievais chamavam 'honra', que é um conceito mais fundo... e de acordo com a 'democracia participativa'. 'Small is beautiful'.

2. No meu ponto sobre 'auto-regulação' e evolução preciso de chamar a atenção para um aspecto. Vou voltar a usar um modelo simples, como o das maçãs e das galinhas, usando o seu próprio exemplo do nosso debate, sendo nós 'pessoas educadas e de princípios que não precisam de mediador ou de polícia'.

2.1. Na verdade, estamos a ser mediados a dois níveis: em primeiro lugar, os nossos 'princípios' éticos são, já, um vasto vastíssimo de regras que interiorizámos; tal como no famoso exemplo do andar de bicicleta, 'sabemos como fazer' (know-how) mas muito dificilmente poderíamos explicitar num manual de instruções 'o que' fazer (know-what): é por isso que se aprende a andar de bicicleta... andando (e não, lendo livros). Isto é uma mediação, queiramos ou não, e isto são regras que nenhum Legislador ou Político inventou. Não foram dadas 'prontas a usar', como as Tábuas da Lei do mítico Moisés, e não o foram porque são, digamos assim, muito mais complexas do que aquilo que um cérebro (ou um comité de cérebros, e lembro-me da frase patusca do Churchill sobre o camelo que é um cavalo desenhado por um comité) é capaz de produzir conscientemente.

2.2. Temos outra instãncia de mediação: o Renato, o Paulo Borges, ou quem seja administrador do blog, e que nos podem 'desligar' se nos portarmos mal (é irrelevante que o queiram ou não fazer, interessa que têm esse poder de facto). Para além de nos desligarem, os administradores do blog são também dirigentes do MIL, etc, e portanto guiam-se por objectivos mais 'amplos'. São, para todos os efeitos, a 'instância política' aqui presente. Também eles estabeleceram 'regras de uso do blog' (por exemplo quanto às cores a usar no texto).

2.3. Cada uma das duas 'instâncias de mediação' está presente, mas as regras de uma e de outra são essencialmente diferentes na sua própria natureza: as nossas 'regras interiores' são IMPLICITAS, as regras políticas são EXPLICITAS e podem ser decisões AD-HOC (por exemplo, o Renato diz-nos 'parem com essa conversa que não interessa nem ao Menino Jesus').

2.4. Ora bem: o Direito, hoje em dia, é visto como uma coisa próxima da tal 'instância política', uma forma de 'dirigir' a sociedade'; mas o Direito foi visto, tradicionalmente (e assim na Idade Média) como uma forma de explicitar as regras implícitas de governo da sociedade, e não mais do que isso. Efeito prático? Nem o Rei podia inventar uma lei (aqui nasceu a ideia de 'constituição', ou 'leis fundamentais', que nem o Rei podia alterar)

2.5. Agora talvez possa ficar claro o objectivo desta argumentação: no desenvolvimento ou na explicitação gradual de um sistema de regras de 'justo comportamento', é fundamental que os 'explicitadores' (juízes) sejam imparciais. Que, tanto quanto possível, tenham a atitude do cientista, e não a atitude do chefe de exércitos. Que não queiram orientar os nossos comportamentos, mas descobrir as regras que nos orientam. Que sejam árbitros, e não jogadores. E é por isso que, se na nossa discussão concluíssemos que os 'princípios morais' não bastavam (não porque os não tenhamos; mas sim porque podemos aplicá-los de maneira diferente) e se concluíssemos que era bom ter um árbitro a balizar a discussão, será completamente diferente dizermos:

- "Que um dos coordenadores do MIL seja o árbitro; ele sabe o que é melhor para o MIL"; ou dizermos:

- "Que sejam escolhidos três dos nossos confrades, com larga experiência em discussões em blogs; que não se deixem guiar por outros critérios que não o de manter a discussão dentro das regras de cortesia, sem querer saber qual de nós vai 'ganhar'; que se mantenham no seu papel de árbitros mesmo que esta discussão, por mais insólito que isso agora nos pareça, faça surgir e triunfar pontos de vista que agora nos parecem bizarros, e que talvez se não quadrem na Declaração de Princípios e Objetivos do MIL".

No primeiro caso, estamos a pensar como uma organização, ou seja, como um grupo de pessoas com uma finalidade comum; no segundo, como uma ordem, ou seja, como um grupo de pessoas reunidas em torno de valores comuns, mas sem um objectivo 'político'. O MIL é uma organização, tem objectivos; a sociedade não é uma (leninistas e fascistas pensam que sim), mas antes um espaço em que, balizadamente, cada um tem os seus particulares objectivos. Ou seja, um espaço de liberdade.

2.6. Meu caro Eurico, suponhamos que vamos em frente com a sua ideia das 'Festas catárticas', não só como ideia intelectual - isto é, que temos condições 'políticas' para as criar na prática; e que eu digo assim: "precisamos de pessoas a quem caiba definir, progressivamente, as regras dessas festas (serão anuais? poderão os trabalhadores faltar ao trabalho nesse dia sem serem despedidos? poderão as crianças de 15 anos beber álcool nessa noite? deveremos impedir casais homosexuais de nelas participar?)". E que, a seguir, digo assim: "proponho que o Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa nomeie as pessoas a quem caberá definir essas regras". Eu penso que você clamaria 'Batota!'. E o mesmo se a definição das regras coubesse, digamos, aos donos da Super Bock.

2.7. Agora suponha, Eurico, que durante duzentos anos tínhamos as suas 'festas' milimetricamente organizadas por um comité integrado pelo Cardeal, pelo dono da Super Bock e pelo Chefe da Polícia. Obviamente, a honestidade manda que digamos 'isto nem são festas, nem são catárticas. As regras que estes senhores definiram durante dois séculos devem ir todas para o lixo, e vamos fazer uma festa a sério'. Claro. A questão mantém-se, e quem define as novas regras? Teoricamente, a melhor solução seria fazer a festa primeiro, ter pessoas independentes a ver o que se passava e gradualmente deixar essas pessoas descobrir as melhores regras. Daqui a 50 anos, com sorte, teríamos já um acumular de experiência considerável (já descobrimos, por exemplo, que talvez os bombeiros não devam entrar em catarse).

2.8. Mais uma vez, percebamos que a sociedade global não é uma organização simples, mas um sistema de altíssima complexidade. As regras que nos regem ou nos deviam reger não estão ao alcance da sapiência de dois ou três sábios. Podem ser descobertas, mas isso demora tempo. Mandámos fora o Cardeal, a Super Bock e a Polícia; se quisermos, podemos propor que toda a sociedade seja uma grande festa catártica durante uns tempos (receio que a experiência seja desagradável). Ou entao nomeamos um novo Cardeal. Este é o dilema em que nos encontramos, e agora saio dos pequenos modelos que usei e volto à discussão dos problemas reais. O sistema legal que temos, a Lei como criação de políticos legisladores, produziu coisas absurdas. Não temos cem anos de solidao à nossa frente para redescobrir as regras que devíamos ter mantido e desenvolvido; a 'crise' politica, financeira, ecológica, espiritual, está aí à vista de todos; não acredito no poder absoluto dos Cardeais, mesmo que não sejam da Igreja Católica; não é possível pôr sete biliões de pessoas em assembleia permanente; a catarse vai começar, e os bombeiros não sabem se hão-de pegar no tradicional machado (palavra aziaga neste blog) ou na máscara de Baco, o Deus do Vinho; a 'honra' e o 'sentimento cívico' não levam necessariamente a que tenhamos o mesmo comportamento e à ultrapassagem dos conflitos; os Avatares do nosso amigo Júlio tardam a manifestar-se, a Senhora de Fátima também. No fundo, a questão é que para construir um barco convém ter um estaleiro em terra firme, e nós estamos no alto mar.

Moral de toda esta história? Não usemos a lei como instrumento político da transformação que queremos que a sociedade tenha. Não desprezemos a 'auto-regulação' dos sistemas sociais como se fosse uma intrujice de Wall Street. Não sigamos ideias de 'transformação da sociedade segundo quatro ou cinco regras que escrevi aqui num papel'. Percebamos que já não há tempo para não fazer nada, e já não há tempo para fazer o que devia ter sido feito há muito. Que essa é a verdadeira crise. E não tenhamos medo, 'venha o que vier'. Mas a serenidade, num navio, quando ausente dos ventos, tem que residir no coração dos tripulantes. E mais do que isto não sei dizer.

A Guiné Equatorial quer aderir à CPLP

http://www.colegiosaofrancisco.com.br
http://www.colegiosaofrancisco.com.br

Atualmente, a Guiné Equatorial, uma antiga colónia espanhola na África Ocidental é membro da CPLP, como o estatuto de "Observador Associado" desde 2006, juntamente com as Ilhas Maurício e o Senegal. Mas este país - encravado numa região onde predomina a língua francesa e perante um inconsistente apoio por parte da antiga potencia ocupante sente-se isolado e encontrou na CPLP uma forma de alavancar a sua diplomacia e de potenciar o seu desenvolvimento social e económico. Em consequência, o seu governo tenta, pelo menos desde 2006, aderir como membro de pleno direito na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Alguns países membros da CPLP, como a Guiné-Bissau já concordaram publicamente com a adesão, uma posição com a qual concordamos, tendo em conta a localização geográfica da Guiné Equatorial (próxima de São Tomé e Princípe e das ilhas de Cabo Verde), a utilização da língua castelhana (próxima da portuguesa), a necessidade de expandir a influência da Lusofonia até novas paragens, a existência de laços históricos entre Portugal e a Guiné Equatorial e o expresso desejo do país adoptar o português como terceira língua oficial.

A adesão da Guiné Equatorial encontrou um apoiante persistente na Guiné-Bissau, país que é membro da CEEAC "Comunidade Económica dos Estados da Africa Central", juntamente com a Guiné Equatorial.

A adesão do país africano poderia acontecer já na próxima cimeira da CPLP, em 2010, dependendo o sucesso da mesma da adopção atempada do português como língua oficial.

Micha Ondo Bile, o ministro das Relações Exteriores da Guiné Equatorial declarou à agência Lusa que "O nosso desejo é na próxima cimeira já podermos ser país membro de pleno direito. Se não acontecer, continuaremos a insistir para que se possa conseguir (...). Perder-se-ia energia e uma boa oportunidade da CPLP ter um membro mais. Os países amigos e irmãos da CPLP deveriam dar este passo significativo, importante para a Guiné Equatorial, mas também para eles."

O ministro fez estas declarações em Lisboa após a cerimónia de assinatura de três protocolos com Luís Amado, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal. Um destes acordos visa precisamente o apoio à adopção da língua portuguesa no sistema de ensino do país africano que inclui a preparação e eventual envio de professores de português, esperando-se resultados práticos ainda durante este ano de 2009. Atualmente, a Guiné tem como línguas oficiais o espanhol (antiga potencia colonial) e o francês (a língua mais falada pelos seus vizinhos), mas o português já é a terceira língua mais falada. A adopção da língua no ensino oficial, faria aumentar esta disseminação da língua de Camões.

Infelizmente, a Guiné Equatorial não tem dos registos mais limpos no que concerne ao respeito pelos Direitos Humanos... e a adesão à CPLP poderia ser usada pelo seu presidente (no poder desde 1979) e o país tem também pendente uma série de disputas territoriais com os Camarões e a Nigéria sobre as águas terriroriais e com o Gabão quanto à ilha que este país ocupa com o nome de Mbane. Neste contexto, a adesão à CPLP poderia servir a este regime de duvidosa legitimidade para apregoar internamente o "reconhecimento internacional" do seu regime... Contudo, é um país onde se fala português e onde o seu ensino e utilização está a aumentar, pelo que existe argumentos de peso para aceitar a sua admissão na CPLP, a qual, aliás, poderia depois ser usada para pressionar pela maior democratização do regime...

São estes registos obscuros no campo dos direitos humanos que me fazem ficar mais hesitante no apoio a esta adesão... A CPLP, apesar de sérios desvios à legalidade em Angola e a uma corrupção e má governança sistemáticas na Guiné-Bissau, por comparação com outros países africanos e sul americanos, os países da CPLP mantêm um bom registo do domínio dos direitos humanos. A adesão da Guiné Equatorial iria certamente alterar o peso deste julgamento... Historicamente, haveria bases para admitir o país, já este foi visitado pelos portugueses pela primeira vez em 1471, tendo Fernão Pó mapeado a sua ilha de Bioko sob o nome de "Formosa" ou simplesmente "Fernão Pó". Em 1493, o rei Dom João II, assumia a posse da ilha de "Corisco " acrescentando ao seu título o de "Senhor de Corisco" e vários portugueses haveriam de se instalar nos anos seguintes em outras ilhas hoje sob administração da Guiné Equatorial. A saída de Portugal deste arquipélago começou em 1641, quando a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais se instalou na região, regressando contudo os portugueses em 1648 construindo então o primeiro forte europeu na região, o forte de Ponta Joko. Os portugueses permanceriam na região até 1778 quando sob os tratados de San Ildefonso (1777) e do Pardo (1778) as ilhas e o seu prolongamento terrestre foram entregues à soberania espanhola que as administrou até 1968.

Fontes:
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=10&id_news=368591
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1336546&idCanal=11
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guin%C3%A9_Equatorial
http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=6953&catogory=CPLP
http://espanol.guinea-equatorial.com/
http://www.ecowas.info/
https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/ek.html#Issues

Não sobre o jogo de hoje...

Compreende-se que os jogadores sejam muitas vezes supersticiosos. Nada há de mais aleatório do que um jogo, com todas as suas infinitas variáveis…

Um jogo, qualquer jogo, é o cenário perfeito para aqueles exercícios mentais de regressão temporal, tão explorados na literatura, no teatro e no cinema: se no momento “x” não tivesse sido assim; tudo seria depois diferente…

O encanto e, simultaneamente, o pesadelo da vida real é que ela não é verdadeiramente regressível. O que está feito, feito está, e não há volta a dar…

Talvez o pesadelo fosse menor se tudo se passasse num computador, em que pudéssemos voltar atrás sempre que quiséssemos. Provavelmente, não. Seria, decerto, ainda maior: há um filme, ainda que medíocre, que explora bem essa tese (“O efeito borboleta”).

O que há de fascinante em qualquer jogo, na vida em geral, é esse aspecto decisivo que qualquer acto nosso, por mais inócuo que aparente, pode ter…

O próprio cosmos é um grande jogo ontológico cujo resultado está, ainda e sempre, em aberto. Pelo menos, enquanto houver alguém sobre a terra…

Há sempre alguém a velar-te, a revelar-te...

Do princípio do tempo
Do abismo do ser
A Pátria brota

Brota na medida em que alguém a chama
Na medida em que alguém a chama vela
A nossa Dama maior, ela não fosse

E por isso resiste ela, a vela, a Bela, ao vento
Há sempre alguém a velar-te, a revelar-te
A chamar, a clamar por ti

Resposta às "Primeiras Notas ao texto de Eurico Ribeiro", de Casimiro Ceivães

1. O texto publicado do Eurico Ribeiro (ER) levanta uma quantidade de questões quase impossível de anotar neste espaço; parece-me a mim urgente e indispensável discutir todas elas - porque com algumas concordo absolutamente e de outras discordo veementemente. Nenhuma, ou quase nenhuma, me parece realmente secundária. Por agora, vou analisar apenas um ponto. Não tenho tempo para mais nem um só post chegaria ainda que o tivesse...

2. Há um erro de base na apreciação do ER das 'teorias da auto-regulação'. O erro é compreensível, porque está espalhadíssimo, a um ponto tal que não sei como poderá hoje ainda ser combatido. E, em grande parte, há um erro espalhadíssimo porque há 30 anos atrás, nos anos 80, houve quem fraudulentamente estivesse interessado na sua difusão: os apóstolos práticos norte-americanos do 'neo-liberalismo' (digo 'práticos' porque não foram tanto os académicos, os economistas teóricos, como os políticos e os jornalistas - para não falar dos empresários! - os responsáveis). E o erro é o seguinte: pensar que a 'auto-regulação' é coisa exclusivamente económica, coisa que o 'mercado' resolve por si num puro sistema de trocas. A regulação do sistema económico perssupõe - e isto faz parte da mais estrita ortodoxia académica liberal - um sistema jurídico, um sistema legal, adequado.

Certo! Irei incluir o que refere na última linha no meu trabalho. No entanto sempre percebi que a auto-regulação seria impossível de realizar-se só do ponto de vista económico ou financeiro. É como dizer que esta crise é financeira ou económica, o que é falso, logo a sua resolução não será desta ordem. Estão aqui em causa princípios filosóficos, valores, antes mesmo da questão da regulação legislativa, executiva e judicial, mecanismos como sabe da tutela do estado. Aqui não pode haver liberalização, senão temos anarquia e caos.

3. Vou dar como exemplo o modelo minúsculo de duas aldeias com uma feira. As pessoas encontarm-se na feira e vendem os seus produtos pelo 'preço de mercado' e tudo funciona bem? Sim, mas desde que: (a) seja claro o sistema de propriedade, para que eu vá à feira vender as 'minhas' maçãs, crescidas na 'minha' terra: eu, e não o primeiro dos ladrões nocturnos; e que o comprador possa contar com o 'seu'dinheiro (ou com as 'suas' galinhas para dar à troca); (b) haja uma entidade independente, que não possa ser 'comprada' pelo dono das galinhas nem pelo dono das maçãs, que aplique o direito em caso de conflito (ex: troquei maçãs excelentes por duas galinhas que afinal estavam doentes. Posso exigir a devolução das maçãs?); (c) haja uma terceira entidade (a 'polícia') que me impeça de bater no dono das galinhas para ficar com elas sem ter que lhe entregar as maçãs. Se não for assim, isto é, se não houver estes três requisitos, o ER tem razão: só os anjos poderiam ser 'liberais'.

Certo! Bem metido.

4. Adam Smith não queria escrever para anjos, nem se sentia profeta. Mas na geração dele (poderia ter sido bisavô do Darwin, era 80 anos mais velho!!) ainda se não tinha a menor consciência (falo da comunidade científica) da ideia de 'evolução'. Essa ideia, contrariamente ao que hoje em dia muita gente pensa, não vem do Darwin; antes dele, antes da aplicação da ideia de evolução às espécies animais, constatou-se a evolução das línguas (que hoje parece evidente!), a evolução dos sistemas geológicos, a evolução dos sistemas jurídicos. Foi exactamente Smith e mais um grupo de notáveis filósofos e cientistas escoceses que ao longo do séc. XVIII começou a pensar a realidade como uma realidade que é uma História.

Sim, a teoria da evolução como qualquer coisa que aparece na sociedade muito raramente é da atribuição do nome que é publicado. Até porque se trata de uma questão holística. Quando um dado invento aparece, vem no decurso de uma necessidade, e logo a probabilidade de aparecerem vários indivíduos (mesmo sem qualquer relação pessoal ou de proximidade) com a mesma solução ou aproximada torna-se elevada. Daí a dificuldade de saber onde e quem teve a primeira ideia. E o nome aparece daquele que está na hora e no local certo...
Adam Smith era certamente um homem de princípios e dessa forma é que criou a teoria. Não poderia era imaginar a raça de gente que se iria aproveitar disso!

5. Idealmente - e isto foi claramente apresentado pela primeira vez pelo mais notável dos economistas liberais, Friedrich Hayek, por volta de 1940 - a evolução de uma sociedade assenta num 'mercado livre' (o tal sítio das maçãs e das galinhas) e num Direito desenvolvido, não por políticos, mas sim por juízes. Isto é, não por pessoas preocupadas com a manutenção da sua ditadura, ou com a sua reeleição se o sistema for democrático, mas por pessoas que analisam independentemente (tanto quanto humanamente possível) um caso e descobrem (mais do que 'aplicam') as regras justas aplicáveis a esse caso. Num sistema liberal, as leis são progressivamente feitas por juízes, não por legisladores.

Pelo que já adiantou, deve saber que infelizmente a justiça na prática depende do real confronto de forças e não de uma equidade moral ou de princípios. Logo os Juízes por mais justiça que queiram praticar, ficam susceptíveis ao poder dos mais fortes, que raramente são culpados... o poder do dinheiro inverte todas as tendências do jogo! Deste modo só o Estado (a administração do condomínio nação) tem o poder e força legislativa e executiva como referiu, para regular o “homem das galinhas e o das maçãs” e desde que nenhum deles cresça ao ponto de ter mais força que o próprio Estado onde vive. Se se tornar numa “multinacional das maçãs”, já pode ter mais força e condicionar internamente desde as eleições à governação e os juízes. Também é preciso perceber que para compensar o enorme poder do próprio Estado (que sem oposição pode imaginar-se mesmo dono do condomínio), o “homem das galinhas” deverá juntar-se a outros “homens das galinhas” como ele e formar uma associação profissional que equilibre a posição de forças de lado a lado. A título de exemplo temos a paradoxal Suíça que por esse motivo é que é conhecida pelo verdadeiro estado democrático com a “democracia participativa” a funcionar quase na perfeição através das inúmeras associações representantes das vontades dos seus eleitores. Já agora onde pára a Suíça nesta crise???

Numa ditadura (democrática ou não) os juízes são uma variante sofisticada de polícias, encarregues de cumprir, sem pestanejar, uma Lei pré-definida.

6. Hoje em dia, após 150 anos de propaganda 'socialista' e de 30 anos de fraude neo-liberal norte-americana, já nos é difícil acreditar que leis possam ser desenvolvidas por juízes (é isso o que faz o Tribunal Constitucional entre nós). A lei é a aplicação de um 'programa político - a lei é, sempre, uma intervenção estatal.

Certo! E aliás tem que ser. A diferença aqui era que as propostas de lei poderiam e deveriam ser colocadas por associações de cidadãos dentro do princípio de democracia participativa e não no contexto de eleitores acéfalos e passivos como temos actualmente (com excepção da Suíça). Uma espécie de “brainstorming” entre cidadãos que se juntariam para esse efeito e que terminaria na decisão final e na sua aplicação através do Estado, tal como se de um condomínio se tratasse. O divórcio dos cidadãos para com as decisões acerca dos seus destinos, leva também a estas crises e às democracias ilegítimas, que estão a um passo das ditaduras.

7. É por isso que vejo com preocupação que ER, desconfiando dos anjos comerciantes, dos anjos empresários e dos anjos consumidores, nos venha propor os anjos políticos do 'altruísmo de Estado'. Eu queria discutir um modelo que seja viável enquanto os anjos estiverem todos no céu, e nós todos aqui na Terra.

Bem, já sou um pouco crescido para acreditar nos “anjos terrenos”! O que eu me refiro é, por um lado, a um outro conceito de cidadania, que seja participativa e que condicione a acção legislativa do Estado. Este sistema é que pode equilibrar o “espírito animal” do empresário. Agora para ter este tipo de consciência nos cidadãos, é que se torna necessário um tipo de harmonização em varias dimensões, cujo mecanismo mais eficaz penso ser as festas populares catárticas onde o Sagrado tem lugar. Penso que não é necessário ser anjinho para ser um indivíduo de valores e princípios morais acima do ganho individual. Isso ensinava-se às crianças quando as famílias eram responsáveis pela sua educação... Se calhar estou enganado!!

8. Durante os séculos que medeiam entre as Cruzadas da Idade Média e o fim do século XIX, os comerciantes europeus auto-organizaram-se, tanto quanto os políticos permitiram, por forma a que os seus conflitos fossem julgados não pela lei dos Reis e pelos juízes dos Reis, mas sim por outros comerciantes como eles, aplicando leis e costumes de que nenhum jurista ao serviço de nenhuma Corte tinha alguma vez ouvido falar; o nosso Ferreira Borges, um dos homens mais importantes da revolução 'liberal' de 1820 e o criador do primeiro Código Comercial, queixou-se uma vez de que nada do que estudara em Coimbra lhe servia... assim, auto-reguladamente como nós diríamos agora, apareceram devagarinho os bancos, as seguradoras, os cheques, as letras de câmbio, as sociedades comerciais por quotas, etc etc.

Mais uma vez, nem podemos deixar a regulação aos comerciantes nem só dependente do Estado. É na harmonização de posições e poderes que se faz justiça. Isto tal como nos encontramos aqui a debater posições diferentes mas construtivas numa dieléctica que espero ser frutuosa para ambos. E como somos ambos pessoas educadas e de princípios não necessitamos de intervenção de um mediador... ou polícia!!

9. Tudo no melhor dos mundos possíveis? Não sei; mas entretanto o certo é que os Reis se preocupavam mais em cobrar impostos para financiar guerras e para estender o seu poder a todos os domínios da sociedade. A época absolutista era, essencialmente, um Socialismo de Estado. Deu o que deu.

Se olhar para a história, a nossa, nem sempre os reis eram senhores absolutos. E quando o foram caíram. É que o nosso povo sempre se habituou à prerrogativa da aclamação, quase como que uma res-publica! Refiro-me à fase construtiva que terminou no início dos Descobrimentos. Quando nessa altura os reis começaram a abusar do poder, iniciaram a nossa queda...

10. Finalmente, no tempo do nosso Marquês de Pombal, aconteceram duas catástrofes de que ainda não recuperámos (pessoalmente, penso que não há modo de recuperar a não ser com uma crise muitíssimo mais séria do que aquela em que vivemos, mas isso é uma outra história): em primeiro lugar, a absoluta 'nacionalização' ou 'estatização' do Direito: proibidos os costumes locais, proibidos os juizes que não fossem juristas do Estado, regulação pelo Estado do próprio 'direito dos comerciantes'. Em segundo lugar, a invenção, pelos Legisladores/Políticos (ou seja, sem que isso decorersse de uma 'evolução natural'...) da Sociedade Anónima. Problema da sociedade anónima? Muito simples: tal como o Estado Absolutista, não há limites para o seu crescimento. As primeiras de todas foram feitas para grandes 'empresas' coloniais, como as Companhias Pombalinas no Brasil, ou mais tarde para financiar coisas como o Canal do Suez. Mas a meio do séc. XIX já em Inglaterra e em Nova Iorque surgiam os primeiros gigantes que haviam de dominar o mundo. Fizeram-se à sombra dos Estados, à sombra de todos os poderes políticos, prosperaram nas aventuras coloniais europeias e na pilhagem mundial das aventuras europeias; começaram pelas matérias-primas e estenderam-se ao mundo financeiro. É nesse ponto que estamos. E isto exactamente quando foi retirado a quem não fizesse parte do poder político - a todos nós - a capacidade de gerir a evolução do direito, ou seja, a de ir descobrindo as regras de justa conduta de cuja observância depende a manutenção de todos os equilíbrios.

Com o Marquês veio a semente das Luzes e do nefasto positivismo! É claro que o resto que refere são consequências, dado que a nossa cultura civilizacional resistiu a esse enxerto de uma variedade de má qualidade. Quanto à sociedade anónima, certíssimo!!! Mas tinha que correr com os malandros Jesuítas, não por serem malandros, mas porque queria por a mão no fileminhon e eles não abriam mão dele!! O controlo da sociedade foi total, já que o irmão foi colocado à frente da Igreja... Mas vieram as Luzes, o tratado de Methuen e a sociedade por quotas e acções dos Ingleses.
A nossa acção colonialista – que acho errado o termo, já que a divisão de Portugal por províncias ultramarinas era o nosso estilo de visão de um pais mundial e oceânico – foi totalmente diferente dos saxões e dos castelhanos. Não é por acaso que mantivemos as nossas posições quase 500 anos, e isto um pequeno país pobre e atrasado como nos pintam! Olhe para os EUA, que com tanto poder nem 50 anos conseguem ombrear com a nossa hegemonia. E não esquecer que os laços ainda estão vivos e a história nos fará justiça no seu devido tempo. Mas isto são outras histórias.
Mais uma vez obrigado pela discussão.

Fico à espera do que falta.


Eurico Ribeiro

Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

GOVERNO OCULTO DO MUNDO

VITOR MANUEL ADRIÃO

Inicio este estudo, tendo estado presentes vários dirigentes políticos na hora da sua
alocução pública (Lisboa, 1984), recuando ao Período Quaternário que marcou a Civilização
Atlante mãe da actual, ao momento em que os olhares da Humanidade enviesaram cobiçosos dos
valores e posses de uns pelos outros, começando assim a perda gradual – cada vez tomando mais
velocidade à medida que se precipitava na degradação psicossocial da Raça – da noção de intercomunhão
das criaturas e intercâmbio de relações justas até ao completo esquecimento do que
fora o primitivo e universal sentido prático de Comunidade (de “comum+unidade”, a unidade
comum ou universal equivalente ao lema aghartino At Niat Niatat, “Um por Todos e Todos por
Um”), começando assim as guerras feudais, depressa tornadas nacionais até afligir todo o
continente da Atlântida, que a ferro e fogo acabou afogando-se nas fúrias atlânticas do Oceano
implacável.
Esse retrato não vai bem com o panorama psicossocial dos dias actuais de um Ciclo
podre e gasto, onde o vício é uma virtude e a virtude um preconceito, cada vez campeando mais
a injustiça, a ignorância e todos os males à solta dos “4 Cavaleiros” do Apocalipse?... Mas
certamente, e a História o prova abundantemente, melhores dias haverão de vir para o Mundo…
Desde então, da Queda Atlante correspondendo ao Dilúvio Universal, a actual Raça-Mãe
Ária ou Ariana que lhe sobreveio tem – através dos seus mais preclaros Filhos todos pertencentes
ao mais que excelso Panteão dos Deuses ou Avataras, não importa se maiores ou menores, pois
que todos têm subscrito a mesma mensagem de Concórdia Universal e assim impulsionado o
progresso sócio-espiritual da Humanidade – se esforçado por fazer renascer a primitiva
1
Comunidade ou Concórdia Universal dos Povos, que é dizer, a Sinarquia que brilhou na antiga
“Arcádia dos Deuses” ou Idade de Ouro (Satya-Yuga), sob a égide da mais ampla Igualdade (dos
corpos, em proposição), Fraternidade (das almas, em tese) e Liberdade (dos espíritos, em
princípio), esse que, aliás, foi o lema social da Maçonaria em França no século XVIII.
Já há seis mil anos Fo-Hi, criador da tese da imutabilidade Yin-Yang pela qual explicava
o Equilíbrio Universal dos Opostos (Feminino e Masculino, Matéria e Espírito, Lua e Sol, etc.),
juntava e guiava o povo chinês, até então disperso em tribos e clãs, para as planícies férteis junto
do Rio Amarelo, ensinando-o, baseado nessa sua tese filosófica, a viver em harmonia com a
Natureza e, consequentemente, consigo mesmo.
Por sua vez Orfeu, “Aquele que cura pela Luz”, iniciou a Grécia, num período de grande
instabilidade social e religiosa, no culto a Apolo, o Verbo Solar, portanto, de cariz absolutamente
evolutivo, ao mesmo tempo que estabelecia os fundamentos do Tribunal dos Anfitriões a quem a
Grécia deve a sua unidade nacional até hoje.
Zarathustra (“Estrela de Ouro” ou “Esplendor do Sol”, nascido em Bactriana ou em
Rhagés, não se tem a certeza, perto da actual capital do Irão, Teerão, talvez 1.000 a.C.), na
Pérsia, Fundador e Legislador (donde, Manu) da doutrina monoteísta do Fogo Primordial ou
Mazdeísmo (também conhecida por Magismo, Parsismo, Zoroastrismo ou “Culto do Fogo de
Ormuz” ou Ahura Mazda, “A Luz das Luzes”), inculcou fundo na mente do seu povo Arya a
noção importantíssima de «a união fazer a força», conseguindo criar a unidade nacional de
características sinárquicas. Desenvolveu a agricultura das terras ensinando o método tradicional
de melhor as trabalhar para que dessem colheitas fartas, pelo que inventou novas alfaias
agrícolas. Aos sábios do seu Colégio dos Magos revelou a doutrina astrosófica dos Espíritos
Planetários (Kabires, sendo os mesmos Kumaras hindustânicos) e os segredos da Agricultura
Celeste (Alquimia).
Todos seguiram e reconheceram a superioridade incontestável de Zarathustra ou
Zoroastro (“Zero-Astro” indicativo do próprio Sol Central, o 8.º Espiritual do Sistema de
Evolução). Isso em conformidade com o que afirmava há cinco mil anos Krishna a Arjuna:
«Quando um homem nobre homem faz alguma coisa, os outros o imitam; o exemplo que ele dá,
é seguido pelo povo» (in Bhagavad-Gïta, cap. 3, vers. 21).
Em concordância com Krishna, Lao-Tsé, “Velho Mestre” da China milenar, expôs na sua
obra Tao-Te-King, o “Livro da Via e da Virtude”, no versículo 58: «Quando o governante é
indulgente, o povo permanece puro. Quando o governante é intransigente, o povo torna-se
transgressor». Foi esta a razão que levou Confúcio (551-479 a.C.) a opor-se à exploração sócioeconómica
exercida despoticamente pelos senhores feudais da China do seu tempo, e a procurar
instituir um modelo de governação justa em moldes sinárquicos.
Voltando ainda à Grécia, no século IV a.C. Pitágoras, “Espírito Vidente”, fundou na
colina de Crotona a sua “Escola Pitagórica”, admitindo indistintamente alunos de todas as
classes sociais e raciais como exemplo vivo do que lhes pretendia incutir: o princípio da
fraternidade universal. De maneira semelhante procedeu o Iluminado Platão na sua Academia
de Atenas, resumindo-se nesta frase capital toda a sua política sinárquica: «Eu sou cidadão do
Universo e procuro viver como bom cidadão cósmico».
Já na Idade Média europeia, o espírito de entrega do Franciscanismo cristão identificavase
pleno com o espírito de adoração do Sufismo islâmico, e já a Ordem dos Cavaleiros Pobres de
Cristo e do Templo de Salomão (vulgo, Ordem dos Templários) tentara fundar a Sinarquia
Europeia, ou melhor, Transeuropeia unindo aos dois hemisférios do Mundo numa verdadeira
Conquista Espiritual, apesar de a tentativa ter gorado no plano das realizações imediatas.
2

Os que por ela escolhidos foram...

Do princípio do tempo
Do abismo do ser
A Pátria brota

Uma escolha ou um escolho é
Sendo uma escolha
Forma-se um escol

Nele se acolhem
Todos os que te escolheram
Os que por ela escolhidos foram

"VIDAS DE HOMENS CÉLEBRES" (XIII)

XIII - LEONARDO DE VINCI

Leonardo di ser Piero da Vinci (1452-1519) foi, provavelmente, a figura maior do renascimento italiano e o paradigma do artista total. Na sua Biografia, Agostinho da Silva não esconde a sua admiração por esta figura, salientando a sua fidelidade a si próprio, o mesmo é dizer, ao “seu caminho, porque, embora não visse dis­tintamente as razões em que se podia fundar, alguma coisa lhe dizia que era esse o que podia conduzir às descobertas essenciais e não a um sim­ples repisar do que já pertencia ao passado; quando todos se voltavam para os livros, ele voltar-se-ia para a realidade e nela aprenderia tudo o que tinha de aprender, dela receberia, pelo sentido dos mistérios que na realidade existem, o impulso preciso para que não cessasse a activi­dade do espírito. Acima de tudo, o que era necessário era exactamente manter essa actividade bem desperta, impedir todo o entorpecimento que vem da falta de exercício ou da satisfação ou das tarefas demasia­do fáceis.
“De resto – como acrescenta ainda Agostinho da Silva –, por esta sua atenção ao mundo exterior, Leonardo não fazia mais do que seguir, embora num plano muito superior e com uma força que os outros nem de longe podiam possuir, as tendências gerais da arte do seu tempo; escultores e pintores, libertos do primado de ideias reli­giosas, descobriam uma vida que se não moldava segundo os cânones rituais, que fugia dos esquematismos a que a arte se tivera de sujeitar; era uma vida mais rica do que os sistemas, e, portanto, mais complica­da, exigindo da parte do artista que pretendia representá-la uma aten­ção e uma humildade de que os seus predecessores se poderiam ter dispensado”. Não que procurasse igualmente a orientação de alguns mestres – “procurava quem o pudesse ajudar a vencer as suas dificuldades e alguns dos mestres davam-lhe indicações que eram suficientes para o fazer penetrar noutros domínios da ciência”. Simplesmente, em última instância, “todos os que pretendiam estudar a natureza era a ela que se tinham de dirigir, não aos livros”. Era, a natureza, a mestre maior, a fonte de toda a verdadeira sabedoria.
Daí, em suma, essa sua vocação: “Sentia que seria capaz de ocupar toda a sua vida nessa tarefa divina de investigar, de penetrar o mistério do mundo, de a pouco e pouco o ir traduzindo nas fórmulas claras e lógicas de ligar entre si os fenóme­nos, por mais contraditórios que eles parecessem, de substituir ao caos que todos viam o perfeito mundo inteligível que só a raros se poderia revelar. E era para ele fora de dúvida que mesmo por aqui, e até melhor, porventura, do que na sua arte, onde talvez houvesse quem fosse mais bem dotado do que ele, poderia alcançar a fama que lhe não era total­mente indiferente; se era superior aos outros, se a sua inteligência e a sua capacidade de trabalho podiam alcançar domínios que para sempre lhe estavam fechados, por que motivo o não haveriam de reconhecer, dando-lhe as honrarias e os proventos que legitimamente lhe cabiam?”. Um único obstáculo se levantava: “a multiplicidade dos seus dons”[1]. Por isso, por esse seu génio multifacetado, foi saudado pelos poetas[2]. Por isso permaneceu, segundo Agostinho, como um paradigma para a Humanidade[3].

[1] A “multiplicidade dos seus dons lhe aparecia por vezes como um obstáculo”.
[2] “Os poetas saudavam-no com versos mais sinceros talvez do que elegantes, e os nobres, agora, como que orgulhosos das suas relações com Leonardo, mostravam-se dispostos a satisfazer todos os seus desejos, a dar-lhe tudo aquilo de que precisasse para os seus trabalhos”.
[3] “Pondo de lado as suas ideias do dilúvio, de uma catástrofe em que tudo se aniquile, Leonardo abre uma esperança aos homens; se quise­rem construir o futuro, se souberem canalizar para a empresa todos os recursos de inteligência e de vontade, hão-de surgir um dia homens que pelo corpo e alma farão de nós a diferença que nós fazemos dos animais; e a vida lhes será um paraíso, mas um paraíso sem apatia, e um paraíso que terão construído pelo seu próprio esforço pela persistência, pela renovada tentativa ante cada desastre, ante cada obstáculo”.

Linha do Tua...

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Caros amigos,

Amanhã, dia 28 de Fevereiro, às 15h, será realizado um debate sobre a construção das novas barragens no Norte do país, organizado e promovido pela Campo Aberto, na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo, no Porto. Uma vez que se trata de uma temática actual e a Linha do Tua se encontra ameçada pela construção de uma destas mega-barragens, o MCLT divulga a informação promovida pela Campo Aberto, para conhecimento e participação de todos os interessados.

No próximo dia 5 de Março, quinta-feira, terá lugar na Assembleia da Republica uma importante discussão, sobre a classificação da Linha do Tua como património de interesse nacional.
Por julgar importante e simbólica a presença das entidades e pessoas envolvidas na defesa do Vale e da Linha do Tua, o MCLT divulga a informação promovida pelos Verdes, para conhecimento de todos os interessados.

Agradecendo a atenção para este assunto,

Movimento Cívico pela Linha do Tua
http://www.linhadotua.net/

Primeiras Notas ao texto de Eurico Ribeiro

1. O texto publicado do Eurico Ribeiro (ER) levanta uma quantidade de questões quase impossível de anotar neste espaço; parece-me a mim urgente e indispensável discutir todas elas - porque com algumas concordo absolutamente e de outras discordo veementemente. Nenhuma, ou quase nenhuma, me parece realmente secundária. Por agora, vou analisar apenas um ponto. Não tenho tempo para mais nem um só post chegaria ainda que o tivesse...

2. Há um erro de base na apreciação do ER das 'teorias da auto-regulação'. O erro é compreensível, porque está espalhadíssimo, a um ponto tal que não sei como poderá hoje ainda ser combatido. E, em grande parte, há um erro espalhadíssimo porque há 30 anos atrás, nos anos 80, houve quem fraudulentamente estivesse interessado na sua difusão: os apóstolos práticos norte-americanos do 'neo-liberalismo' (digo 'práticos' porque não foram tanto os académicos, os economistas teóricos, como os políticos e os jornalistas - para não falar dos empresários! - os responsáveis). E o erro é o seguinte: pensar que a 'auto-regulação' é coisa exclusivamente económica, coisa que o 'mercado' resolve por si num puro sistema de trocas. A regulação do sistema económico perssupõe - e isto faz parte da mais estrita ortodoxia académica liberal - um sistema jurídico, um sistema legal, adequado.

3. Vou dar como exemplo o modelo minúsculo de duas aldeias com uma feira. As pessoas encontarm-se na feira e vendem os seus produtos pelo 'preço de mercado' e tudo funciona bem? Sim, mas desde que: (a) seja claro o sistema de propriedade, para que eu vá à feira vender as 'minhas' maçãs, crescidas na 'minha' terra: eu, e não o primeiro dos ladrões nocturnos; e que o comprador possa contar com o 'seu'dinheiro (ou com as 'suas' galinhas para dar à troca); (b) haja uma entidade independente, que não possa ser 'comprada' pelo dono das galinhas nem pelo dono das maçãs, que aplique o direito em caso de conflito (ex: troquei maçãs excelentes por duas galinhas que afinal estavam doentes. Posso exigir a devolução das maçãs?); (c) haja uma terceira entidade (a 'polícia') que me impeça de bater no dono das galinhas para ficar com elas sem ter que lhe entregar as maçãs. Se não for assim, isto é, se não houver estes três requisitos, o ER tem razão: só os anjos poderiam ser 'liberais'.

4. Adam Smith não queria escrever para anjos, nem se sentia profeta. Mas na geração dele (poderia ter sido bisavô do Darwin, era 80 anos mais velho!!) ainda se não tinha a menor consciência (falo da comunidade científica) da ideia de 'evolução'. Essa ideia, contrariamente ao que hoje em dia muita gente pensa, não vem do Darwin; antes dele, antes da aplicação da ideia de evolução às espécies animais, constatou-se a evolução das línguas (que hoje parece evidente!), a evolução dos sistemas geológicos, a evolução dos sistemas jurídicos. Foi exactamente Smith e mais um grupo de notáveis filósofos e cientistas escoceses que ao longo do séc. XVIII começou a pensar a realidade como uma realidade que é uma História.

5. Idealmente - e isto foi claramente apresentado pela primeira vez pelo mais notável dos economistas liberais, Friedrich Hayek, por volta de 1940 - a evolução de uma sociedade assenta num 'mercado livre' (o tal sítio das maçãs e das galinhas) e num Direito desenvolvido, não por políticos, mas sim por juízes. Isto é, não por pessoas preocupadas com a manutenção da sua ditadura, ou com a sua reeleição se o sistema for democrático, mas por pessoas que analisam independentemente (tanto quanto humanamente possível) um caso e descobrem (mais do que 'aplicam') as regras justas aplicáveis a esse caso. Num sistema liberal, as leis são progressivamente feitas por juízes, não por legisladores. Numa ditadura (democrática ou não) os juízes são uma variante sofisticada de polícias, encarregues de cumprir, sem pestanejar, uma Lei pré-definida.

6. Hoje em dia, após 150 anos de propaganda 'socialista' e de 30 anos de fraude neo-liberal norte-americana, já nos é difícil acreditar que leis possam ser desenvolvidas por juízes (é isso o que faz o Tribunal Constitucional entre nós). A lei é a aplicação de um 'programa político - a lei é, sempre, uma intervenção estatal.

7. É por isso que vejo com preocupação que ER, desconfiando dos anjos comerciantes, dos anjos empresários e dos anjos consumidores, nos venha propor os anjos políticos do 'altruísmo de Estado'. Eu queria discutir um modelo que seja viável enquanto os anjos estiverem todos no céu, e nós todos aqui na Terra.

8. Durante os séculos que medeiam entre as Cruzadas da Idade Média e o fim do século XIX, os comerciantes europeus auto-organizaram-se, tanto quanto os políticos permitiram, por forma a que os seus conflitos fossem julgados não pela lei dos Reis e pelos juízes dos Reis, mas sim por outros comerciantes como eles, aplicando leis e costumes de que nenhum jurista ao serviço de nenhuma Corte tinha alguma vez ouvido falar; o nosso Ferreira Borges, um dos homens mais importantes da revolução 'liberal' de 1820 e o criador do primeiro Código Comercial, queixou-se uma vez de que nada do que estudara em Coimbra lhe servia... assim, auto-reguladamente como nós diríamos agora, apareceram devagarinho os bancos, as seguradoras, os cheques, as letras de câmbio, as sociedades comerciais por quotas, etc etc.

9. Tudo no melhor dos mundos possíveis? Não sei; mas entretanto o certo é que os Reis se preocupavam mais em cobrar impostos para financiar guerras e para estender o seu poder a todos os domínios da sociedade. A época absolutista era, essencialmente, um Socialismo de Estado. Deu o que deu.

10. Finalmente, no tempo do nosso Marquês de Pombal, aconteceram duas catástrofes de que ainda não recuperámos (pessoalmente, penso que não há modo de recuperar a não ser com uma crise muitíssimo mais séria do que aquela em que vivemos, mas isso é uma outra história): em primeiro lugar, a absoluta 'nacionalização' ou 'estatização' do Direito: proibidos os costumes locais, proibidos os juizes que não fossem juristas do Estado, regulação pelo Estado do próprio 'direito dos comerciantes'. Em segundo lugar, a invenção, pelos Legisladores/Políticos (ou seja, sem que isso decorersse de uma 'evolução natural'...) da Sociedade Anónima. Problema da sociedade anónima? Muito simples: tal como o Estado Absolutista, não há limites para o seu crescimento. As primeiras de todas foram feitas para grandes 'empresas' coloniais, como as Companhias Pombalinas no Brasil, ou mais tarde para financiar coisas como o Canal do Suez. Mas a meio do séc. XIX já em Inglaterra e em Nova Iorque surgiam os primeiros gigantes que haviam de dominar o mundo. Fizeram-se à sombra dos Estados, à sombra de todos os poderes políticos, prosperaram nas aventuras coloniais europeias e na pilhagem mundial das aventuras europeias; começaram pelas matérias-primas e estenderam-se ao mundo financeiro. É nesse ponto que estamos. E isto exactamente quando foi retirado a quem não fizesse parte do poder político - a todos nós - a capacidade de gerir a evolução do direito, ou seja, a de ir descobrindo as regras de justa conduta de cuja observância depende a manutenção de todos os equilíbrios.

444 Anos: Parabéns Rio de Janeiro!


1º de Março de 1565. Rio de Janeiro a cidade maravilhosa, purgatório da Beleza e do Caos!

Rio 40 graus
Cidade maravilha
Purgatório da beleza
E do caos...

Capital do sangue quente
Do Brasil
Capital do sangue quente
Do melhor e do pior
Do Brasil...
Cidade sangue quente
Maravilha mutante...

O Rio é uma cidade
De cidades misturadas
O Rio é uma cidade
De cidades camufladas
Com governos misturados
Camuflados, paralelos
Sorrateiros
Ocultando comandos...
Comando de comando
Submundo oficial
Comando de comando
Submundo bandidaço
Comando de comando
Submundo classe média
Comando de comando
Submundo camelô
Comando de comando
Submáfia manicure
Comando de comando
Submáfia de boate
Comando de comando
Submundo de madame
Comando de comando
Submundo da TV
Submundo deputado
Submáfia aposentado
Submundo de papai
Submáfia da mamãe
Submundo da vovó
Submáfia criancinha
Submundo dos filhinhos...
Na cidade sangue quente
Na cidade maravilha mutante...

Rio 40 graus
Cidade maravilha
Purgatório da beleza
E do caos...
Quem é dono desse bêco?
Quem é dono dessa rua?
De quem é esse edifício?
De quem é esse lugar?...(2x)
É meu esse lugar
Sou carioca
Pô!
(Sou carioca!)
Eu quero meu crachá
Sou carioca
Pô!...

"Canil veterinário
É assaltado liberando
Cachorrada doentia
Atropelando!
Na xuxa das esquinas
De macumba violenta
Escopeta de sainha plissada
Na xuxa das esquinas
De macumba gigantescas
Escopêta de shortinho algodão"...

Cachorrada doentia do Joá, eh!
Cachorrada doentia São Cristóvão
É Cachorrada doentia Bonsucesso
Cachorrada doentia Madureira
É Cachorrada doentia da Rocinha
É Cachorrada doentia do Estácio...
Na cidade sangue quente
Na cidade maravilha mutante...

Rio!...
A novidade cultural
Da garotada
Favelada, suburbana
Classe média marginal
É informática metralha
Sub-uzi equipadinha
Com cartucho musical
De batucada digital...
Gatinho de disket
Marcação pagode, funk
De gatinho marcação
Do samba-lance
Com batuque digital
Na sub-uzi musical
De batucada digital
Eh!...

Meio batuque inovação
De marcação prá pagodeira
Curtição de falação
De batucada
Com cartucho sub-uzi
De batuque digital
Metralhadora musical...
De marcação invocação
Prá gritaria
De torcida da galera
Funk!
De marcação invocação
Prá gritaria
De torcida da galera
Samba!
De marcação invocação
Prá gritaria
De torcida da galera
Tiroteio!
De gatilho digital
De sub-uzi equipadinha
Com cartucho musical
De contrabando militar
Da novidade cultural
Da garotada
Favelada suburbana
De shortinho, de chinelo
Sem camisa, carregando
Sub-uzi equipadinha
Com cartucho musical
De batucada digital
Ulalá!...

Na cidade sangue quente
Na cidade maravilha mutante
Huuuummm!...
Rio 40 graus
Cidade maravilha
Purgatório da beleza
E do caos...
Capital do sangue quente
Do Brasil
Capital do sangue quente
Do melhor e do pior
Do Brasil...


Letra e Composição: Fausto Fallcete e Fernanda Abreu

Ainda sobre a Pátria: duas citações...

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Uma Pátria é uma escolha ou é um escolho.
Casimiro Ceivães

Para a grande maioria dos homens, se apresenta a pátria apenas como um acidente ou um acaso físico: são de onde nascem, e, a pouco e pouco, a convivência dos pais, de seus conterrâneos, mais tarde a escola e o Estado, os dois grandes organismos encarregados essencialmente de não deixar esca­par ninguém das malhas do exército social, os vão gradual e real­mente convencendo de que não poderiam ter nascido noutro lugar e de que uma escolha futura que livremente pudessem fazer represen­taria sempre e de qualquer modo uma diminuição ou uma traição. A outros, no entanto, e porque são amados dos deuses, se apresenta o caso de modo diferente: a vida, mostrando à superfície, como circunstância, o que é meditado e deliberado propósito de quem rege a História, os encaminha à escolha que decidirá de seus destinos: o de resplandecer num véu de glória, que é quase sempre, visto por dentro, um véu de lágrimas, ou o de ser jogado fora como um vaso de oleiro que mentiu, pela má qualidade do bairro, à diligente regulari­dade da roda e à inventiva agilidade do gesto. Quem pode, em raro jogo, escolher o seu país, por aí mesmo está escolhendo a sua vida: uma vida que dele mesmo se vai alimentar.
Agostinho da Silva

Texto que nos chegou...

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“A minha Pátria é a Língua Portuguesa”
“O que dirão por causa disso… ”

Penso em Pessoa que se metamorfoseou com a presença íntima amorosa de todas as crianças possíveis
o melhor do mundo
e bebeu de todas as fontes de brincar
creio mesmo que brincar foi o único trabalho sério que cavalgou
seu monge cavaleiro de todos os mundos subtis
mas não teve a sua própria criança física para apear
se a tivesse tido
eu não duvido
seria a sua pátria
a sua língua
seu bastante ser religioso
sua oculta solenidade
natureza amorosa que revela a essência das coisas
qualquer verbo nascendo a cada instante de qualquer dor

Ao dizer isto
eu não quero dizer nada por causa disso
tão só evocar um reino eterno em cada pátria interior
pronto habitar por crianças de todos os tamanhos, línguas e línguas de fogo
um reino perpendicular ao longínquo reino cor-de-rosa
de ângulos rectos traçados de beleza impossível de uma outra cor
detendo porém a chuva oblíqua

G. R J

BlogTok: nova cara

BlogTok.com

- Brevemente numa associação sem fins lucrativos.
- Apoio incondicional ao MIL. O BlogTok revê-se na sua Declaração de princípios.

Informam-se todos os membros da "nova águia" que podem visitar o www.blogtok.com, totalmente remodelado e pronto para uma nova aventura para o conhecimento.

Filosofia

LER, ESCREVER E PARTILHAR

Este mote resume na íntegra os objectivos concretos do projecto BlogTok.com e respectiva ferramenta base: xSite - Sistema informação de Tecnologia e-Digital

- Ler porque é a razão e primeira do papel da web (net, leia-se rede).

- Escrever porque se busca a participação interactiva do leitor tornado escritor dentro do seu espaço de leitura partilhada.

- Partilhar porque a leitura e a escrita são na sua génese a expressão máxima dessa mesma partilha. Este espírito será elevado à sua expressão máxima.

Pela partilha vão-se unir "agregar" Blogs, Sites e Portais, construídos através das ferramentas base do sistema de gestão de conteúdos xSite. O BlogTok.com tem como objectivo máximo ser só mais um entre muitos potenciais. Apresenta-se como exemplo, quase Portal modelo ao estilo de site e na realidade é um agregador de Blogs, Sites e Portais. Agrega porque existe a partilha, e como tal outros podem nascer e tornarem-se Blogs, Sites ou Portais com estatuto de total autonomia mas com potencialidades de poderem partilhar informação dentro da sua rede.

O BlogTok é um arquétipo e um exemplo assumido para levar avante os objectivos de contribuir para a formação de uma rede que pretende em si interagir com outras redes que ora avante se continuarão a formar. Já são um conjunto de sub-portais sites e blogs temáticos a base da sua sustentação informativa.


Esta forma de dinamização de redes, cuja informação se agrega em Portais, Portais que representam redes de índoles distintas, sejam, por exemplo, indivíduos, instituições e empresas, em prol das artes, da religião, da política, da informação, do ambiente, da defesa dos animais, da alimentação, desporto ou de simples diário, vulgo Blog, vai unir pessoas de sensibilidades e interesses distintos, mas que virtualmente podem em sinergia levar avante os seus mais nobres objectivos: da divulgação até à simples leitura ou mesmo marketing com objectivos comerciais (Como é exemplo concreto de empresas ou grupos empresariais).

LER, ESCREVER E PARTILHAR

Ler a escrita que se partilha. Informação oriunda de diversas fontes atrairá a vontade e a necessidade futura de, em rede, juntar sinergias para poder exercer grupos em prol dos mais diversos interesses. Quem estranhará se dentro de alguns anos hajam grupos para, unidos, poderem praticar compras, que em grupo sejam mais económicas, pela força da quantidade. Temos muitas e boas ideias que esperam o respectivo apoio de todos para mais depressa se porem em prática. Hoje o sistema funciona completamente aberto, apesar de carecer de convite para que se saiba a respectiva importância quando convidado por alguém que em si valoriza o seu projecto e sabe que com a ajuda dos mais próximos mais depressa se atingirão os objectivos de cada um.

O xSite é um serviço que tal como o está na base tecnológica do BlogTok.com poderá servir para gerir outros Portais, redes de interesses, independentes ou com os níveis de interdependência que desejarem. Para o efeito essas redes proprietárias terão que subscrever um serviço, cujo preço será proporcional ao custo de sustentação do mesmo. Eis como um exemplo de espírito de partilha.

O BlogTok.com sendo um simples site "modelo" é um portal apto ao apoio de artistas, associações, ONGs e outros tipos de entidades e organizações. Convida para o efeito interessados em dinamizar determinadas áreas tornando-se além de administradores os seus beneficiários em conjunto com o projecto BlogTok.com. Este apoio está simbolicamente limitado pelo espaço oferecido, que é suficiente para uma ampla presença na net, pelo que em caso de "excessos", terão que subscrever o serviço conforme condições na tabela. Além de que procuraremos implementar potencial sistema de donativos para potenciais doações, como ajuda para expansão do sistema, a qual se traduz em vantagem colectiva.

Cada um pode fazer de um Blog uma simples célula. Pode-se por exemplo fazer um site para um só livro, ou mesmo uma tese ou até ou determinada obra. Cada autor pode facilmente criar múltiplos sites, e espelhar os mesmos em toda a sua rede e demais redes. Um site visto como uma célula com um objectivo concreto.

Serão formados na base sub-portais nucleares, tipo poesia, literatura, desporto, animais, futebol, culinária, que pertencendo à rede BlogTok poderão ser disponibilizados para parceiros seleccionados que demonstrem capacidade e sentido de entrega ou para fins comerciais.

Brevemente vão-se por à disposição ferramentas para a prática de comércio (e-commerce), num serviço de gestão inovador para através da partilha tornar possível a realização de trocas: dinheiro por coisas e coisas por outras coisas. No momento oportuno será anunciado a implementação do sistema. Por agora e com a colaboração geral vão-se limar arestas e corrigir eventuais falhas.

O BlogTok.com é um projecto que busca incentivar a formação de outros. Uns em estreita parceria e outros de base independente.

Desafiamos todos aqueles que já possuem as suas redes demarcadas sejam em "Joomla", "Wordpress" "Xoops" e outros, que poderão analisar os custos actuais e poderem analisar as vantagens de portar e juntarem a sua rede com outras redes. Serão criadas formas independentes de gestão de publicidades e outros formas de expressão, assim como poderão a usar os meios adequados para poderem continuar a gerir conforme sempre o fizeram. Para aqueles que já usam a "rede" blogspot poderão migrar sem qualquer esforço visto que o podem fazer via ferramenta posta à disposição.

Escritores e jornalistas, poetas e políticos, pintores e actores, estudantes e professores, engenheiros e arquitectos, desportistas e músicos, e população em geral, estão convidados a juntarem-se nesta rede.

Estamos abertos a todos aqueles que de alguma forma queiram contribuir tornando-se parte integrante deste projecto.

A todos aqueles que até hoje tornaram este projecto possível o nosso sincero agradecimento.

http://movimentolusofono.blogtok.com/
http://nova-aguia.blogtok.com/

RETÓRICA

A grande genialidade da palavra é não ter qualquer genialidade a poesia puramente humana, relatando os dramas meramente humanos. Ao contrário, reles será se não contiver relação com o todo universal em alma e essência, por ser a poesia concreta, demasiadamente concreta para ser genial...
Mas por que falarmos de poesia, se a palavra é muito mais universal que a poesia? Em qualquer análise sintática de uma construção concreta teremos mesmo que em forma de poesia elementos rudes, senão ruiria a construção, com seus elementos etéreos e abstratos...
Todos os pensamentos deveriam ser expressos em vocábulos audiovisuais, mas também, por outro lado, nem todas as palavras são dignas de serem ouvidas nem vistas.
Ouvir constitui-se então no melhor predicado humano, favorável à construção de si mesmo, em vez de se falar só para se construírem frases concretas, por se tornarem maiores que as palavras, estas maiores que as sílabas, que por sua vez são maiores que as letras?
Afinal, geniais, quais construtores de livros? E em sendo os livros o país das palavras, compreende-se porque há países muito ricos e países muito pobres, embora alguns dos mais pobres exportem muitos exemplares! Sinal de que a exportação revela também pobreza global.
Pena que por trás deles estejam os homens que não deveriam escrever nem governar e escrevem e governam!
Mas, felizmente, por trás destes, outros também escrevem grandes e bons livros. Por isso é que a genialidade reside entre os dois momentos poéticos: bons e maus livros. O que não vale para os governos, por motivos óbvios de tábua rasa e de palavra rude, em que até a língua se avilta; e não só a língua se arrasa, pois até mesmo em cova rasa se a enterra com todos os valores que com ela foram construídos pelos povos e formam sua alma em versos, palavras, cultura, cor, sabor arte e dom de ser uma nação original e digna.

Fernando Pessoa: Os factores determinantes da decadência portuguesa

No manifesto “O Interregno: defesa e justificação da Ditadura Militar em Portugal” (Lisboa, 1928), Fernando Pessoa enunciara os factores determinantes da decadência portuguesa:
1. A Nação está internamente muito dividida:
“Porque não temos uma ideia portuguesa, um ideal nacional, um conceito missional de nós mesmos”

Embora o poeta tenha aderido filosoficamente ao golpe de Estado que mais tarde haveria de levar Oliveira Salazar ao poder, mais tarde exprimiria varias posições que deixavam bem clara a sua oposição a esse regime. Esta adesão inicial resultava da constatação da existência de um confuso e degradado estado a que a primeira República havia levado o país. Os governos sucediam-se uns após os outros, durando por vezes apenas alguns meses. A situação financeira era terrível e o divórcio entre o interior rural, católico e subdesenvolvido e o litoral, laico e urbano cavava um fosso que o regime republicano se revelava incapaz de transpor.

Quando Pessoa criticava o regime republicano por não ter uma “ideia portuguesa”, referia-se à importação cega e ao transplante forçado e antinatural das doutrinas liberais e republicanas de França, naquilo a que Teixeira de Pascoaes chamaria das influências perniciosas de “Paris”. Victor Hugo diria até que os republicanos portugueses tinham feito em dez anos o que os republicanos franceses tinham demorado duas gerações a fazer. Toda esta pressa em levar Portugal a aproximar-se a passo de trote de uma Europa onde nunca pertencera de alma e coração haveria de criar um país ingovernável, debatendo-se com guerrilhas parlamentares permanentes, com grandes clivagens entre classes e meios urbanos e rurais. O radicalismo de um anticlericanismo que destruiu sem substituir, que centralizou em excesso - marchando contra a tradição municipalista que recuava à Idade Média - e que esqueceu os valores portugueses preferindo importar acriticamente os de Paris, deu no que deu… As longas, de meio século, trevas salazaristas…

2. Portugal tornado num Estado de Transição:

“a condição de um país em que estão suspensas as actividades superiores da Nação como conjunto e elemento histórico (…), mas não está suspensa a própria Nação que tem que continuar a viver e, dentro dos limites que esse Estado lhe impõe, a orientar-se o melhor que pode. (…) os governantes de um país em um período destes, têm pois que limitar a sua ação ao mínimo, ao indispensável”

Se assim era no tempo de Pessoa, então que diremos dos dias de hoje? Portugal vive dormente entre as regiões de uma Europa onde o querem agregar e a elite europeia, muito eficiente em congregar uma fiel casta de seguidores nas poucas centenas de famílias que partilham entre si os Meios de Comunicação, a Política e o poder económico. À avidez normalizadora da eurocracia de Bruxelas interessa sumamente suprimir qualquer identidade nacional, recrutando seguidores com “programas Erasmus”, generosos subsídios para abandonar a agricultura e financiando a pavimentação das estradas que levam até nós os produtos manufacturados no norte, deixando a Portugal - Nação esvaziada de gentes e de economia - a mera função periférica e acessória de “solarenga praia dos germanos”. Este é o “Estado mínimo” onde hoje nos querem fazer viver e onde a Primeira República nos levou, no seu cego afã de introduzir “Paris” à viva força em Portugal, esvaziando sem hesitação a essência sóbria, rural e espartana do dito “Complexo Viriatino” de Miguel Real e substituindo por um liberalismo parlamentar confuso e impopular, cujos desmandos haveriam de redundar na longa noite salazarenta.

3. As elites da Nação encontram-se desnacionalizadas:


“Estamos hoje sem vida provincial definida, com a religião convertida em superstição e moda, com a família em plena dissolução . (…) Ora um país em que isto se dá, um país onde (…) não pode (…) haver opinião pública em que elas se fundem ou com que se regulem, nesse país todos os indivíduos e todas as correntes de consenso, apelam instintivamente ou para a fraude ou para a força, pois, onde não pode haver lei, tem a fraude, que é a substituição da lei, ou a força, que é a abolição dela, necessariamente que imperar.”

Pessoa reconhecia aqui o destrutivo centralista do regime da Primeira Republica. Na sua ânsia de “modernizar” o país, os republicanos confiavam apenas em Lisboa e nas suas elites urbanas e esvaziavam de competências os municípios. Paralelamente reconheciam no ensino jesuíta e na influência pró-monárquica da Igreja católico, o seu mais forte adversário, especialmente forte no interior rural português. A decorrente descristianização implicava também uma dessacralização da sociedade que anulava a alma portuguesa e que estaria na base de uma apatia moral e cívica que ainda hoje se sente na sociedade portuguesa e que radica nos primeiros anos do regime republicano em Portugal. Um excesso que haveria de criar uma contra-resposta igualmente excessiva de apelo aos valores tradicionais e católicos sob o regime do Estado Novo de Sidónio Pais, Carmona e Salazar.

Não-citação

A minha Pátria é a língua portuguesa; podia ter sido a inglesa, a língua com que cresci, em que comecei a escrever, em que pela primeira vez disse a balbuciação do indizível - a língua inglesa das máquinas, do canto triunfante e agudíssimo das máquinas. Talvez a alma que não sei se oculte sob o aço e o vapor. Ainda hoje prefiro o inglês para escrever sobre certos temas ocultos. Ainda hoje parte de mim é o Alexander Search.

Às vezes penso que nada vale a pena pensar. Nem escrever. Escrever é poder ser lido. Lido? Talvez um dia me leiam (quem me lerá se não o deus que inventou o deus que inventou os deuses?). Talvez um dia leiam esta frase que escrevi ainda agora, 'a minha Pátria é a Língua Portuguesa'. As coisas que dirão por causa disso, tantas coisas. Alguns dirão que eu disse que esta terra portuguesa, lusitanamente portuguesa, não é uma Pátria. Outros que não há Pátria que não seja uma língua, outros que não há Pátria que não seja Babel. Alguns dirão que eu disse, como se dissecassem.

Uma Pátria é uma escolha ou é um escolho.

A REACÇÃO CONTRA O POSITIVISMO E O MOVIMENTO DA RENASCENÇA PORTUGUESA

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Colecção NOVA ÁGUIA. Obra a ser lançada na próxima terça-feira (2 de Março, às17h00), no Anfiteatro Nobre da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, no âmbito do Colóquio de Homenagem ao Professor Eduardo Abranches de Soveral. Os autores que não puderem estar presentes deverão indicar-nos a morada para a qual possamos enviar 1 exemplar por correio.

Apresentação da obra por Pedro Baptista


ÍNDICE

António José de Brito
DO POSITIVISMO EUROPEU.

Pedro Baptista
TEIXEIRA BASTOS: O MÉTODO, O EQUILÍBRIO NATURAL E A RELIGIÃO NAS REVISTAS “O POSITIVISMO” E “REVISTA DE ESTUDOS LIVRES”.

António José de Brito
INFLUÊNCIAS POSITIVISTAS EM ALFREDO PIMENTA, ANTÓNIO SARDINHA, PEQUITO REBELO E ALMEIDA BRAGA.

Joaquim Domingues
CRÍTICA E SUPERAÇÃO DO POSITIVISMO ― DE CUNHA SEIXAS A BRUNO.

António José de Brito
A REACÇÃO ANTI-POSITIVISTA EM PORTUGAL: A FACULDADE DE TEOLOGIA.

Celeste Natário
RAUL PROENÇA E O SEU POSITIVISMO ANTI-POSIVISTA.

Pedro Baptista
DO PRINCÍPIO DE INÉRCIA MENTAL À NOÇÃO DE RELAÇÃO EM ABEL SALAZAR.

António Braz Teixeira
A REACÇÃO ANTI-POSITIVISTA NO DOMÍNIO JURÍDICO.

J. Pinharanda Gomes
A HERANÇA LEONARDINA: ÁLVARO RIBEIRO, O EXAME CRÍTICO DO POSITIVISMO.

Renato Epifânio
JOSÉ MARINHO E OS CAMINHOS DA TRADIÇÃO FILOSÓFICA POSITIVISTA ENTRE NÓS.

Da Saudade

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A orientação filosófica de um povo reflecte e faz parte essencial da sua identidade, ainda que obviamente a reflexão filosófica apenas a alguns homens possa despertar, seja ela mais ou menos marcante, mais ou menos considerada, por aqueles que elaboram as Histórias da Filosofia. Se os grandes modelos e os grandes exemplos de orientações filosóficas vêm sobretudo da Alemanha, da França e da Inglaterra, o mesmo não invalida que a reflexão filosófica não aconteça noutros países, mesmo que a possamos ignorar pelas mais diversas razões. Como cultores da filosofia, é do interesse vital o estudo e conhecimento da Filosofia em Portugal, e, quiçá, de uma “filosofia portuguesa” como uma filosofia da saudade ontológica, simultaneamente religiosa e metafísica, pela especificidade que advém da cultura de um povo situado no mundo “onde a terra acaba e o mar começa”, por mais anti-filosófico que esse mesmo povo se possa apresentar.
As características próprias e intrínsecas de uma cultura em si considerada configuram depois o pensamento que se gera no seio dessa mesma cultura, não porque a actividade pensante tenha que acontecer ou se desencadeie por causa da cultura, mas porque esta é o solo no qual ela se pode enraizar e encontrar o seu alimento. Desde logo, uma língua, sem a qual nenhum pensamento se pode erguer.
É o pensamento, a reflexão filosófica que em Portugal ao longo dos tempos se foi desenvolvendo, além da iniludível dimensão filosofante do humano, uma consequência de um determinado modo de ser e estar, em que, entre outras, as características de natureza geográfica e de natureza religiosa assumem decisivo relevo.
Junto ao Atlântico e próximo da entrada do Mediterrâneo, entre a Europa e a África, entre a Europa e as Américas, na zona temperada do Norte, vizinhos da zona tórrida, a cultura portuguesa vai emergindo entre a errância, a itinerância de um povo que para lá da terra, tem o e o céu. Terra, Mar e Céu são, pois, os elementos a partir dos quais podemos em certa medida reflectir no sentido de encontrar algumas explicações fundamentais, tanto na ordem cultural como filosoficamente. Uma certa indefinição e consequente desassossego repartido entre o infinito e o finito, o que somos e não somos, traduzem em grande parte o nosso mais íntimo ser, as nossas inquietações e aspirações mais profundas, com as inevitáveis repercussões, nomeadamente de natureza especulativa, que a nossa filosofia apresenta.
Algumas “teorias da esperança”, onde podemos encontrar significativo contributo para a compreensão do perfil espiritual dos portugueses surgem assim mais compreensíveis no contexto geral. Pode dizer-se que não só para o Messianismo, Sebastianismo e Saudosismo, como até para a questão do Quinto Império, que, sobretudo a partir de Padre António Vieira, ganha maior importância, com o messianismo formulado nas Sagradas Escrituras relativo ao Messias Salvador, assim como com a ideia de pecado original, mal e, obviamente, com a ideia de Deus e de morte, pontos matriciais de forte influência não só para estas “teorias da esperança”, como também ideias-noções nucleares das problemáticas fundamentais de grande parte dos filósofos portugueses, intitulem-se eles deístas, agnósticos ou ateus.
Esperança em algo ou nalgum redentor de uma humanidade considerada degradada, quedada ou perdida, seja porque caiu da sua condição original, porque cometeu pecado, porque perdeu a sua natureza sagrada, a sua felicidade, bondade, verdade, sabedoria e até identidade (política ou outra), a cultura portuguesa e a seu modo a filosofia em Portugal está fortemente ligada a estas dimensões da esperança, podendo também traduzir-se a seu modo como dimensões da Saudade.
Será também de referir a tendência de alguns pensadores portugueses que se voltaram para o estrangeiro – daí o nome de “estrangeirados”, como vieram a ser designados a partir do séc. XVIII (como é o caso de Verney) –, procurando adaptar alguns paradigmas apreendidos lá fora à realidade portuguesa (“reino cadaveroso”), ou, noutros casos, pretendendo mesmo moldá-la.Não pretendendo identificar Filosofia e Cultura, ou reduzir a “Filosofia em Portugal” à “Filosofia da Cultura Portuguesa”, no caso português, como noutros, é importante que, para uma melhor compreensão do nosso pensamento filosófico, tenhamos em consideração aquelas que poderão ser as marcas mais relevantes da nossa Cultura. Daí a matriz da nossa filosofia: uma filosofia muito radicada no sentimento, em particular na Saudade.

Maria Celeste Natário

Citação

A minha pátria é a língua portuguesa
Fernando Pessoa
13 de Junho de 1888 - 30 de Novembro de 1935

"VIDAS DE HOMENS CÉLEBRES" (XII)

XII - LEOPARDI

Giacomo Leopardi (1789-1837) foi um dos poetas maiores da lírica italiana. Mais do que os méritos da sua obra, Agostinho da Silva salienta, contudo, as fragilidades da sua personalidade, fazendo mesmo destas a fonte daquelas: “o caminho da arte que se abre a Leopardi não lhe estava marcado desde início, e apenas o toma porque falhou como homem, porque não pode ser nem erudito nem político; escrever será, porque ele é fraco, um substituto da acção; mas pensa que há ainda algum valor em afrontar os destinos, em arrancar da vida tudo o que ela ainda lhe poderá dar; bater-se-á, pois, e, vendo claramente toda a crueldade dos fados, superará a cegueira do mundo, cantando, com orgu­lho e desprezo, a grandeza e a miséria dos homens”.
É porque “falhou como homem” que Leopardi vingou como artista – eis, pois, a grande tese desta Biografia. Esse “falhanço como homem” teve também decerto a ver, desde logo, com o ambiente familiar[1], mas era, sobretudo, bem mais fundo, mais intrínseco. Tinha a ver com a própria pessoa de Leopardi, como se depreende bem destas palavras: “passadas as horas muito bre­ves de optimismo e de satisfação consigo mesmo, inclinava-se para a inferioridade da sua natureza, para a radical impossibilidade de ser melhor do que era: só havia que ter resignação e paciência e que levar os outros a terem também, perante as suas falhas, resignação e paciên­cia; o herói desaparecia para sempre: e naquele triste Inverno bolonhês, longe de casa, sem esperança e sem glória, Leopardi escrevia que nada mais era que um sepulcro, que levava dentro em si um homem morto”.
Havia, de resto, em si, uma atracção, senão mesmo uma obsessão, com a dor: “Fugir à dor é, apenas, para Leopardi, a pior das covardias, a única que verdadeiramente pode retirar dignidade humana; saber que a vida é trágica, que a vida não tem solução, que a vida é um engano, e proceder como se o não fosse é a marca definitiva de coragem, a afirmação plena de valor, a arte suprema do heroísmo.”. Daí, em suma, o seu destino, por si próprio traçado: “Se tivesse de renovar o seu destino, não o escolheria diferente; preferia sofrer a não estar inquieto; e se às vezes havia um momento de calma, se não sentia o mundo como oposto, já temia que se tivesse afastado o cálice doloroso, que a própria criação o tivesse mar­cado com o selo da covardia e da derrota; para ele, o sofrimento era a marca de que o espírito o não repelira de si”.
Como lapidarmente escreveu ainda Agostinho, para Leopardi, “a vida em si própria é sofrimento”[2].

[1] “tudo à sua volta o entristecia e magoava; ninguém da família pare­cia compreender o que se passava dentro dele”.
[2] “O problema principal é talvez o das relações entre o homem e a natu­reza, embora outros surjam, por vezes, na mesma altura de plano; é a natureza a amiga, a inimiga do homem, ou simplesmente uma indife­rente espectadora, até apenas o fundo sobre o qual se desenrola a tra­gédia humana? Leopardi inclina-se a vê-la ou indiferente ou hostil, e então não existe para o homem nenhum consolo senão aquele que pode tirar do seu próprio espírito ou a contemplação, com o desejo de que chegue depressa, do fim que a natureza pôs para todos os seres, da morte que nos traz o esquecimento e o repouso; é possível ainda outro cami­nho de evasão: o homem pode agir e pela própria acção esquecer-se de todos os problemas que o atormentam, não propriamente porque sejam problemas, mas porque sente que não têm solução; há na vida uma con­tradição íntima que talvez mesmo seja sua condição essencial; o mais que podemos fazer é esquecer por momentos essa contradição: quem não age, pelos corpos, sobre os corpos, tem ainda ao seu dispor a capa­cidade de amar ou, como directo substituto da acção, a ciência, a poe­sia, a arte, talvez mesmo a filosofia; tudo será, porém, ilusão de um instante: a vida em si própria é sofrimento”.

Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

Comemoremos o sol no cimo

de uma qualquer figueira

o amor merece as alturas

e como pétalas sortidas ou flocos de estrelas

que caia sobre os homens uma clara meditação